segunda-feira, 12 de junho de 2017

Universidade Iaguielônica é considerada a melhor da Polônia

Collegium Novum da Uniwersytet Jagielloński, no Planty, em Cracóvia
A Universidade Iaguielônica - Uniwersytet Jagielloński - mais uma vez se consagra como a melhor escola de ensino superior da Polônia, segundo a Fundação Educacional "Perspektywy".

A primeira universidade polaca criada em 1364, pelo Rei Casimiro - o Grande e a segunda mais antiga da Europa Central, estabelecida em Cracóvia, é a escola superior que concedeu os títulos de doutores entre outras personalidades mundiais a Mikołaj Koperniko e Karol Wojtyła.

Este ano, a Universidade de Varsóvia dividiu a primeira colocação com a Iaguielônica de Cracóvia.

O ranking de 2017 atualizou o mapa da qualidade das universidades polacas e colocou no primeiro posto as duas principais universidades do país. O terceiro lugar ficou para a Universidade de Tecnologia de Varsóvia - todas elas universidades públicas.

Entre as universidades privadas a Akademia Leon Koźmiński foi considerada novamente a melhor do país.

O ranking da Fundação Perspektywy elegeu 68 instituições da Polônia pela qualidade de ensino. A Fundação leva em conta 29 indicadores agrupados em sete critérios: Prestígio, quantidade de formandos no mercado de trabalho, o potencial científico, eficácia científica, o potencial didático, inovação e internacionalização.

Isso torna o ranking da Perspektywy um dos mais conceituados em todo o mundo no que diz respeito a qualidade de ensino das universidades. Ele também é um dos quatro que possuem certificado de qualidade internacional. Sua metodologia é desenvolvida por um corpo de jurados presidido pelo prof. Michał Kleiber, presidente da Academia Polaca de Ciências.

"Nosso ranking, publicado pela 18ª vez, é necessário tanto para os candidatos a entrarem numa faculdade, buscando o melhor para si e as próprias universidades, como a comunidade acadêmica. É como uma espécie de espelho. Ele mostra sucessos, mas também deficiências que precisam ser melhoradas." Diz Waldemar Siwiński, presidente da Fundação para as Perspectivas da Educação, a entidade promotora do ranking.

O ranking das perspectivas do ensino superior para 2017 são, na verdade quatro listas diferentes que refletem as missões realizadas pelas universidades polacas. São eles:
- Ranking Acadêmico das Universidades, que abrange todas as instituições de ensino superior (com exceção das academias de arte) que conferem o grau de doutor;
- Ranking das Universidades Particulares, que inclui escolas privadas de ensino superior com o direito ao ensino pelo menos no grau de mestre;
- Avaliação Universidades Estatais Profissionais, que compreende instituições públicas autorizadas a um conceder o título de mestre ou licenciatura em engenharia.
- Avaliação de Cursos Superiores, que compreende 68 deles. Um número recorde de áreas de estudo (21 a mais do que no ano anterior).

A cerimônia de premiação ocorrerá no próximo dia 12 de Junho, na Biblioteca Agrícola Central em Varsóvia, ulica (rua) Krakowskie Przedmieście, 66.

A Fundação
A Fundação Educacional Perspectivas é uma organização independente, sem fins lucrativos, criada em 1º de junho de 1998 para promover e apoiar a educação na Polônia. O Conselho de Fundação é composto em sua maioria por reitores das universidades polacas. As atividades da Fundação "Perspektywy", concentram-se na promoção da educação superior polaca no exterior.

A Fundação colabora estreitamente com a Conferência dos Reitores das Escolas Acadêmicas da Polônia (CRASP).

Em 2005, ambos instituições iniciaram um programa plurianual de promoção das universidades polacas chamado "Study in Poland" (Estudo na Polônia) e, em junho de 2007, assinaram acordo formal, sublinhando a importância da internacionalização do ensino superior polaco.

A Fundação "Perspektywy" organiza debates públicos e seminários sobre educação e faz um ranking nacional anual de universidades e um ranking das melhores escolas secundárias do país. Ela publica e distribui eletronicamente todas as instituições de ensino superior na Polônia, em também um boletim informativo sobre o ensino superior em outros países e sobre o processo de internacionalização.

A Fundação "Perspektywy" é membro da Associação de Cooperação Acadêmica (ACA) e participa ativamente de seus projetos.

A primeira colocada
Quadro da fundação da Universidade  com Jadwiga e Jogaila- de Jan Matejko
A Universidade Iaguielônia (em polaco Uniwersytet Jagielloński, ou UJ; em latim Universitas Jagellonica Cracoviensis) é uma universidade na Polônia, sediada em Cracóvia, e que está em primeiro lugar no ranking mundial "Times Higher Education Supplement" (Ranking Britânico), como a melhor universidade da Polônia.

Foi fundada em 1364 por rei Casimiro III - o Grande com o nome de Academia de Cracóvia, um nome este que perdurou por séculos.

Quadro de Bacciarelli
Em 1817, ela foi renomeada para seu nome atual Jagielloński, em homenagem à dinastia de mesmo nome, cujo primeiro rei foi Jogaila, Grão-Duque da Lituânia, esposo consorte da Rei Jadwiga Andegaweńska (sobrinha herdeira de Casimiro III Piast e filha de Luiz Anjou da Hungria e Elżbieta Piast - irmã do rei da Polônia).

Em seu testamento, Jadwiga deixou todos os seus bens pessoais, como herança, para que fossem usados pela universidade (então Academia) no desenvolvimento e abertura de novos cursos. Entre eles, o de matemática e astronomia, considerados os primeiros cursos universitários em todo o mundo.

Jadwiga canonizada santa, em 2000 pelo Papa João Paulo II, também é conhecida como Santa Edwirges.

Sim, ela foi Rei. Embora mulher, seu título era de rei e não rainha, pois ela exerceu o cargo e o termo na Polônia, equivale ao sentido de embaixatriz e consulesa, que são apenas esposas do embaixador e do cônsul, e portanto não exercem os respectivos cargos.
Sarcófago da Santa Edwirges, na Catedral de Cracóvia
A rei Santa Edvirges é considerada a padroeira da União Europeia, da Polônia e apóstola da Lituânia.

Há uma outra Santa Edvirges, conhecida como Jadwiga Śląska, de origem bávara, mas também da Polônia, já que foi a esposa do príncipe Henryk - o Barbudo - da Silésia, na época em que a nação polaca estava dividida em principados.

Esta Santa Edvirges era Filha de Bertoldo IV, duque de Merânia (na Baviera) e de Inês de Rochlitz. Viúva, foi morar no Mosteiro de Trzebnica, na Polônia, onde faleceu. Ela é considerada a padroeira dos pobres e endividados e protetora das famílias. Foi canonizada no dia 26 de março de 1267, pelo Papa Clemente IV. A comemoração de Santa Edviges é dia 16 de Outubro.
É para ela que os brasileiros fazem oração: “Ó Santa Edwiges, Vós que na terra fostes o amparo dos pobres, A ajuda dos desvalidos e o socorro dos endividados, E no céu agora desfrutas do eterno prêmio da caridade que na terra praticaste Suplicando te peço que sejais a minha advogada, Para que eu obtenha de Deus O auxílio que urgentemente preciso (fazer o pedido) Alcançai-me também a suprema graça, da salvação eterna, Santa Edwiges, rogai por nós, Amém!"

P.S. Foi na Universidade Iaguielônica de Cracóvia, que passei 8 anos da minha vida estudando: 2 anos de curso superior de idioma e cultura polaca, mestrado em cultura internacional e doutorado em história.

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Mapa da Polônia de 1570


Mapa polaco de 1570 mostrando as áreas de cidades no ano em que a Polônia já não era mais Reino, visto que, em 1530, pelo acordo de Lublin, tinha sido criada a República das Duas Nações Polônia Lituânia.
A Polônia naquele ano se transformou na primeira República do mundo pós-renascença.
No canto inferior esquerdo vemos os algarismos romanos que datam MDLXX, o que corresponde ao ano de 1570.

Clique neste link para ver este mapa em grande formato e com os nomes da cidades mais visíveis


A precisão é surpreendente. No canto inferior esquerdo, em latim está o nome do autor, o cartógrafo, "Authore Venceslao Grodecio Polono", ou seja, Wacław Grodecki Radwan (pronuncia-se Vatssúaf grotsqui dvan).


Grodecki Radwan nasceu por volta de 1535.
Como esta impressão é de 1570, o autor tinha na época 35 anos de idade, e segundo estudiosos, a impressão, na verdade, é uma cópia de um mapa que tinha sido publicado em 1558.

Em detalhes, veja abaixo, algumas regiões:

A foz do rio Vístula, Gdańsk e a península de Hel, ao Norte.



E assim se apresentava a Małopolska. Pode-se ver no centro, Cracóvia Tarnów mais à direita.



Na parte central do mapa da Mazóvia está Varsóvia, que se tornou capital da República, apenas em 1596.




E a Volínia, região que atualmente está no território da Ucrânia (república criada em 1922, por Lênin). No canto inferior esquerdo, está a cidade polaca de Lwów, que os ucranianos renominaram para Lviv.




A VERDADE
Ucranianos encontram este mapa, abaixo, datado de 1648, na Internet, e tentam justificar que a atual República da Ucrânia já existia há séculos.
Buscam esconder com isso que o país só foi criado em 1922, pelo russo Vladimir Lênin, como República Socialista Soviética da Ucrânia. E também esconder, que antes desta data, este valoroso povo, vivia em terras do Reino e depois República da Polônia (ocupada ou não) como rutenos que são. Sua nação está registrada em livros do Vaticano, na idade média e após, como Rutênia.
Também buscam ocultar que o famoso Principado Kievano (de Kiew) do século 10 foi criado não pelo povo ruteno, mas pelo guerreiro Oleg, um viking e suas hordas vindas das terras da Escandinávia.
E escondem, que parte dos rutenos, que se negaram, em 1922, a trocar o nome da nação e do gentílico - Rutênia e Ruteno - são tratados como um minoria étnica, no sudoeste do atual território da Ucrânia, e mais: como se fossem outro povo. 

MAPA DA POLÔNIA DE 1648
O mapa, abaixo, foi uma encomenda da República da Polônia ao militar francês Guilherme le Valseur de Beauplan.

Como aparece na legenda a palavra polaca Ukraina, os atuais ucranianos tentam justificar uma existência anterior do país a 1922.

Na verdade, no idioma polaco, a palavra Ukraina significa Campos Desertos, conforme atesta a legenda escrita em latim: "Projeto Geral dos Campos Desertos, vulgo Ucrânia, com províncias adjacentes. Bem público criado por Guillaume le Valseur de Beauplan. S.R.M. Arquiteto militar e capitão".



sexta-feira, 26 de maio de 2017

Melhor filme polaco 2017: Estados Unidos pelo Amor

Filme polaco participante do 66º Festival de Cinema de Berlim

Olhar sobre a miséria emocional (e sexual) de um grupo de personagens femininas, tendo como pano de fundo a Polônia recentemente “libertada” de 1990, United States of Love (no Brasil recebeu o título "Estados Unidos pelo Amor") é o primeiro filme de Tomasz Wasilewski, uma das coqueluches do novo cinema polaco.


Primeira crítica
É um filme lúgubre até dizer chega, mesmo em questões relacionadas com a superfície da imagem — por exemplo aquela fotografia desbotada, reminiscente da cores de uma VHS deteriorada, como se a reconstituição de uma memória da época também passasse por aí (e, na verdade, há mesmo uma cena em que é preponderante um cassete VHS).


United States of Love
Direção:
Tomasz Wasilewski
Atrizes:

Mas se o filme tem méritos, principalmente o trabalho sobre os planos longos (em especial um, quase no final, pontuado por um grande poster de Whitney Houston), a imbuírem o sexo e a nudez, ambos abundantes, de uma atmosfera desolada que homenageia o pornográfico para ser “anti-porno”, nunca encontra a forma de ultrapassar a ilustração de uma agenda temática binária e contrastante.

Que é isto: a Polônia livrou-se do comunismo, tem aberto o caminho para a democracia e para o “mundo livre”, e no entanto não há euforia nenhuma, o sexo é triste, as pessoas vivem num torpor que, simbolicamente, talvez comece a ser sacudido (ou “expelido”) no último plano, que mostra uma das personagens a vomitar.

Psicologicamente entranhado, desenhando cuidadosamente (para não dizer calculisticamente), através de detalhes, um mapa social da Polônia de 90 (do catolicismo, através da personagem do padre, à imigração, no marido ausente que podia ser uma das personagens do Moonlighting de Skolimowski), United States of Love é uma miniatura esquemática que se vê como uma espécie de adendo, ou de posfácio apócrifo, ao Decálogo de Kieślowski, que com maior complexidade e muito menos cinismo estabeleceu um retrato, “ao vivo”, da vida polaca nos últimos anos da década de 80 e da época do comunismo.

A relação é claramente permitida pelo filme, porventura até deliberadamente, mas onde Kieślowski ampliava, fazendo tudo vibrar num novelo de ressonâncias morais (ou mesmo moralistas), Wasilewski reduz, nada ressoando senão o eco de um niilismo que devota às suas personagens ao abandono — e a um certo desprezo por parte da câmara (consequência involuntária dos planos longos e fixos: o enquadramento, a composição, são valores absolutos, incapazes de se comoverem pelas personagens). Objeto interessante mas limitado, e resolutamente “pós”, mais no mau sentido da expressão do que no bom.
Crítica de: Luís Miguel Oliveira
Adpatação para o português do Brasil: Ulisses Iarochinski
Fonte: Jornal "Público", de Lisboa

Segunda Crítica
É difícil adentrar o universo deste drama polaco. Começamos sem uma apresentação propriamente dita: num jantar, as personagens principais conversam sobre fatos específicos, íntimos, sem que o espectador entenda quem é cada uma delas, ou em que contexto os diálogos se inserem. Elas falam depressa, atropelando as frases alheias.

A direção de fotografia é outro empecilho: as imagens estão estranhamente dessaturadas, com poucos objetos em cor viva, como em determinados filtros do Photoshop ou Instagram.

"Estados Unidos Pelo Amor" surpreende pela artificialidade. A cidade vazia, a simetria perfeita dos planos e os terraços de prédios filmados como se estivessem sobre um fundo verde indicam um universo fantástico, próximo do pesadelo. Os conflitos são múltiplos, mas desprovidos de contexto: as cenas de sexo se multiplicam sem causa nem consequência, os fatos são às vezes fortuitos, às vezes implausíveis (a mulher que vê o padre nu sem ser percebida, a personagem idosa que se infiltra na piscina para admirar uma vizinha).

Este é um filme essencialmente voyeurista, operando numa lógica além do real. Depois de algum tempo de projeção, talvez seja possível atravessar a espessa camada de estetismo para chegar ao cerne humano da história.

A narrativa acompanha a vida de quatro mulheres, descritas por problemas afetivos: Agata (Julia Kijowska) detesta o marido e tem desejos pelo padre; Iza (Magdalena Cielecka) é uma diretora de escola apaixonada pelo pai de um aluno, mas rejeitada; Renata (Dorota Kolak) acaba de se aposentar e desenvolve uma fascinação erótica pela vizinha modelo; e a própria vizinha, Marzena (Marta Nieradkiewicz), sofre com a falta de perspectivas profissionais.

Todas são vistas nuas, em cenas de sexo deprimentes no melhor dos casos, ou abusivas nos casos mais graves. As histórias se desenvolvem em segmentos separados, mas sem divisão formal em tela (nada de letreiros ou algo do tipo). Estados Unidos Pelo Amor mira num objetivo ousado: as ânsias amorosas e profissionais das mulheres num país em crise financeira e de valores.

Os homens da história são distantes ou dominadores, completando o cenário no qual nenhum personagem é realmente feliz. Talvez a maior deficiência do projeto seja o retrato invariavelmente patológico: as mulheres são obsessivas ou paranoicas, neuróticas ou histéricas. Nenhuma é definida pelos gostos, pelas posturas ideológicas ou pelos planos futuros.

O diretor Tomasz Wasilewski oferece uma galeria de sintomas ambulantes. Mesmo assim, as atrizes oferecem uma ótima construção de personagens difíceis, que poderiam se tornar caricaturas nas mãos de intérpretes menos qualificadas. Rumo ao final, conhecemos melhor estas mulheres tristes, mas a estranheza do projeto se mantém: este é um drama que fala sobre questões realistas com estética artificial, uma narrativa melodramática em condução fria, um retrato ora atento ao sofrimento feminino, ora condescendente com os abusos psicológicos que pretende denunciar.
Crítica: Bruno Carmelo
Site: Adoro Cinema

O filme realizado em 2016 e foi lançado no Brasil, em dezembro do ano passado, em algumas salas de cinema apenas.

Recebeu os prêmios:
- Prêmio do Cinema Europeu de Melhor Roteirista 2016: Tomasz Wasilewski,
- Prêmio da Academia Polaca de Melhor Edição 2017: Beata Liszewska
- Prêmio da Academia Polaca para melhor atriz 2017: Dorota Kolak
- Prêmio Passaporte Polityka para melhor Filme de 2017: Tomasz Wasilewski

Trailer exibido em Portugal:





Trailer exibido no Brasil

terça-feira, 16 de maio de 2017

Palavras polacas - 18



Pronúncia

Nożyczki - nójitchqui (tesoura)
Obcinarka do paznokci - óbtchinárca dó pasktchi (cortador de unha)
Pilnik - pilnik (lima para unhas)
Pęseta - penseta (pinça)
Cążki do skórek - tssonjiqui dó scurék (alicate de cutícula)
Dłutko do skórek - dúutco dó scurék (cinzel de cutícula

A maioria das palavras polacas são paroxítonas, portanto a sílaba tônica, ou forte é a penúltima.
Estão sublinhadas e em negrito as sílabas fortes, tônicas.
Uma consoante sozinha no final das palavras, não é uma sílaba, portanto, não é a última.

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Fotógrafa brasileira expõe em Cracóvia

Uma brasileira, carioca, paulista de adoção, filha de polaca expulsa junto com seus avôs da Polônia, pelas atrocidades da Segunda Guerra Mundial, teve três de suas fotos, escolhidas para representar o Brasil, na exposição "Polish Paradise", que abre neste 19 de maio, na Galeria Lue Lue, na ulica (pronuncia-se ulitssa e traduzida para rua) Miodowa (pronuncia-se miódóva e traduzida para "do mel") nrº 22, no bairro judeu do Kazimierz (pronuncia-se cájimiéj e traduzida para Casimiro), em Cracóvia.

Seu nome: Ana Cristina Panek.

As fotos escolhidas:
"Não existe escuridão suficiente no mundo capaz de apagar a chama de uma pequena vela."
Gautama Buddha

"Ao longo de um inverno, eu aprendi, que existe dentro de mim, um indestrutível verão."
Albert Camus
"Toda dor pode ser suportada se sobre ela puder ser contada uma história."
Hannah Arendt

























As três fotos já fizeram parte da exposição "Minha Polônia", que Ana Cristina realizou, em São Paulo, no Espaço Oficina, ano passado, de 8 de março a 15 de maio.
Agora é a vez destas fotos transporem o Atlântico mais uma vez, agora não mais na memória da máquina fotográfica, mas em painéis e poderem ser vistas por milhares de pessoas em Cracóvia, na Polônia.

A exposição "Polish Paradise" (Paraíso Polaco) com fotos de nove fotógrafos  estrangeiros apresenta as perspectivas e impressões que fizeram da Polônia a casa de cada um deles. Através das lentes de suas câmeras, eles capturaram com nitidez incomum a beleza, simplicidade e nuances da realidade polaca.
Segundo os organizadores da mostra é extremamente importante enfatizar a presença destas pessoas na sociedade polaca, a contribuição delas no contexto da tradição, língua e história. E principalmente mostrar a forma como estes fotógrafos moldam sua compreensão da identidade polaca.
Ainda segundo os objetivos da exposição, este olhar estrangeiro, captura em um ambiente de diversidade étnica verdadeiramente multicultural, os valores e crenças que coexistem não só como um elemento bonito, mas também como impulsos no sentido de prosperar ainda mais o acolhimento tão necessário no processo de adaptação e assimilação.

Nos meios de divulgação da exposição é salientado que a questão do pluralismo cultural "nunca foi mais importante do que é hoje, mas que se a identidade foi igualmente crucial para as gerações anteriores, assim o é para as sociedades modernas".

No convite, a frase do mais importante jornalista polaco de todos os tempos Ryszard Kapuściński, "Inny (…) to zwierciadło, w którym się przeglądam, które uświadamia mi, kim jestem.” (Outros (...) são o espelho no qual eu olho para mim e que me diz quem eu sou.) soa como um epíteto, mas também traduz de forma clara qual é o objetivo da exposição cracoviana.

A representante brasileira Ana Cristina Panek se define como "uma brasileira totalmente polaca". Ela explica dizendo que, "parece fácil me definir com essa simples frase, mas ao refletir em sua essência, sinto uma súbita asfixia, um caso de melancolia Vistuliana."

Panek reconhece que precisou de muita coragem para se definir desta forma, "pois significa dizer que sou descendente de um país obsessivamente insano sobre sua própria história, mas que adora ostentar sua magnífica alma heróica."

Segundo ela, "ser polaco, é nunca ser neutro". Assim ao se assumir com este perfil, ela está aceitando seu envolvimento através de "emoções extremas de amor e ódio".
Talvez tenha sido isso que motivou essa cientista brasileira a buscar na fotografia um meio de "sublimar estes sentimentos, permitindo-me um distanciamento da realidade de forma a conhecer e muitas vezes entender".



Ana Cristina Panek começou a, de fato, conhecer a Polônia em 2008, quando pela primeira vez acompanhou a mãe Anita em seu retorno à sua terra natal, Cracóvia.
Junto com a mãe percorreu ruas, praças, lugares desconhecidos de seus olhos, mas vivos em sua memória, através das recordações maternas. Foram momentos de reconhecimento de sua própria identidade. Desde então procurou formas de registrar estas emoções através das lentes da máquina fotográfica.


Ao analisar o resultado de suas impressões nas centenas de fotos que foi clicando pelos caminhos da capital cultural e coração da Polônia, Ana Cristina afirma que, a "Minha Polônia é um estado de espírito: uma loucura coletiva dócil e uma beleza singela. Existe um profundo paradoxo: vejo a beleza e vejo o lado obscuro de quase tudo. Para mim, estas lições de impermanência são amaciadas pelos imutáveis escapes da minha vida. Preciso sempre de mais tempo. Sempre preciso, deixá-la de forma a poder voltar com uma nova perspectiva".

Ana Cristina Panek, nasceu no Rio de Janeiro, onde viveu até 1986, quando mudou-se para São Paulo. Filha da imigrante polaca Anita Dolly Panek. Casada com Pedro Soares de Araújo, tem um casal de filhos.

Formada em Biomedicina pela Universidade do Estado da Guanabara, especializou-se em Patologia. É mestre em biofísica e doutora em bioquímica.



A abertura da coletiva acontece no dia 20 de maio às 19 horas e permanece aberta até 30 de junho.

As fotos de Ana Cristina Panek, Behit Onat, Chris Wilson,  Cinar Timur, Lilit Muradian, Lylia Khudzik, Luca Mattia Vigilante, Nuno Vilela, Penny Turner poderão ser adquiridas na galeria cracoviana até o final de julho.

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Hungria e Polônia cada vez mais autoritárias

Hungria e Polônia estão cada vez mais autoritárias e menos democráticas.


Estado da democracia na Europa Central e de Leste é cada vez mais preocupante, de acordo com o relatório Nations in Transit 2017.

Na Rússia, o nível de repressão e de violência contra a sociedade civil poderá aumentar este ano. O retrato para 2017 é tudo, menos animador: existem mais países em declínio democrático do que a melhorar, de acordo com o relatório da organização sem fins lucrativos Freedom House, apresentado este mês.

E quando concentramos a atenção na Europa Central e do Leste, o cenário chega a ser alarmante. E claro, existe ainda a Rússia, classificada como um regime autoritário consolidado. No que diz respeito ao país de Vladimir Putin, a Freedom House prevê que "com as autoridades a continuar evitando mudanças democráticas num ambiente turbulento, isso poderá significar um aumento do nível de repressão e mesmo violência contra a sociedade civil e atores políticos e de meios de comunicação independentes".

Mas enquanto o índice democrático tem piorado cada vez mais na Rússia nos últimos anos - numa escala de 1 a 7, sendo que o 7 é um regime pouco democrático, Moscou tem estado sempre acima dos 6,5 desde 2009 -, atualmente alarmante é a situação na Europa Central e de Leste.

Nesta região, 18 dos 27 países desceram o seu coeficiente democrático e, tendo em conta que dez deles pertencem à União Europeia, o cenário torna-se ainda mais preocupante. De acordo com o Nations in Transit 2017, são dois os que se destacam: Hungria e Polônia, países tidos como casos de sucesso na transição do comunismo para o capitalismo, mas que se estão se tornando regimes cada vez mais autoritários e menos democráticos.

"A grande diferença entre a Hungria de Orbán e a Polônia de Kaczyński, no entanto, é que o PiS está transformando o cenário polaco numa velocidade rápida e violando as próprias leis do país. Com uma supermaioria parlamentar, o Fidesz foi capaz de reescrever a Constituição e a estrutura legislativa de maneira formalmente legal, apesar de clara violação dos princípios da democracia liberal", explica num ensaio Nate Schenkkan, o diretor do Nations in Transit.

Outra das grandes diferenças entre os dois países é o fato de Viktor Orbán ser o primeiro-ministro eleito da Hungria e Jarosław Kaczyńsky ser apenas o líder do Partido Direito e Justiça (PiS) - uma condenação por fraude eleitoral impede-o de ocupar cargos públicos -, mas é ele quem controla governo e presidente. Classificada no relatório como uma democracia semiconsolidada, a Hungria tem visto o seu o índice democrático descer desde que Orbán chegou ao poder, em 2010, tendo este ano apresentado o maior declínio entre os países analisados.

"Na Hungria, o primeiro-ministro Viktor Orbán e o seu partido Fidesz têm-se consolidado no poder cada vez mais desde 2010, alimentando o fanatismo e o ódio através de uma campanha anti-imigração. Tendo passado os primeiros anos reescrevendo a Constituição, tomando conta dos tribunais e pervertendo o sistema eleitoral, o governo eliminou agora a maior parte dos jornalistas críticos e criou uma eficiente máquina de uso do Estado para fins privados e uma grande corrupção. Com as eleições de 2018 perto, o Fidesz está a virar as suas atenções para a sociedade civil, ameaçando varrer organizações suportadas por fundos estrangeiros", refere Schenkkan. O caso mais mediático tem que ver com a Universidade Centro-Europeia (CEU), localizada em Budapeste e fundada em 1991, pelo norte-americano de cidadania, mas húngaro de nascimento, George Soros.

A União Europeia abriu processo legal contra a Hungria por causa da ameaça de encerrar a CEU, afirmando que a nova lei de ensino superior húngara viola a liberdade acadêmica e os valores democráticos, dando um mês ao governo para responder. Horas antes, num debate no Parlamento Europeu, Orbán defendeu sua lei e disse que a Hungria continua comprometida com a UE, mas acusou Soros de "atacar" o seu país.

A UE pode impor sanções à Hungria se esta não responder de forma adequada, mas a margem para punir o país é limitada. A aplicação de sanções implicaria em unanimidade dos outros 27 Estados membros e Orbán conta com o apoio dos seus aliados da Polônia para impedir qualquer ação mais radical. Luta contra o Constitucional. A Polônia registou este ano a sua pior classificação no Nations in Transit desde a sua criação em 1995, o que se deve ao facto do PiS ter atuado de forma muito semelhante aos primeiros anos do Fidesz.

"Imediatamente depois de ganhar as eleições no final de 2015, o PiS montou um flagrante ataque ao Tribunal Constitucional e apressou uma ainda influente comunicação social pública ao mudar a lei de nomeação dos seus diretores de alto escalão e ao mudar a política editorial", escreveu o diretor da Freedom House. As mudanças no Constitucional - que Kaczyński já classificou como "o bastião de tudo o que é mau na Polônia" - levaram a Comissão Europeia a abrir uma investigação sobre o funcionamento do Estado de direito. Sem consequências até agora.

A situação no Parlamento também não é pacífica. Os deputados da oposição ocuparam a sala do plenário dias à fio por causa da decisão em limitar o acesso dos jornalistas aos trabalhos parlamentares, mas também porque pretendiam a repetição do debate e votação do Orçamento para 2017, que foi votado fora do plenário e só na presença de deputados aliados do governo.

Já este mês soube-se que Varsóvia está trabalhando num projeto de lei que permita deter candidatos a asilo em campos fronteiriços, defendendo que tal política teve bons resultados na Hungria.

Fonte: Diário de Notícias - Lisboa
Texto: Ana Meireles
Adaptação de texto para o português do Brasil: Ulisses Iarochinski

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Palavras polacas - 17


Pronúncia

Termofor- terfór (bolsa de água quente)
Wirus - virús (vírus)
Cytryny - tssêtrênê (limão)
Chusteczki - rustchqui (lenço)
Cebula - tssélá (cebola)
Czosnek - tchosnék (alho)
Syrop - sêróp (xarópe)
Lekarstwa - carstva (remédio)
Tabletki musujące - tablétqui musuiontsse (comprimido efervecente)
Termometr - térmétr (termômetro)

A maioria das palavras polacas são paroxítonas, portanto a sílaba tônica, ou forte é a penúltima. Estão sublinhadas as sílabas fortes, tônicas. Uma consoante sozinha no final das palavras, não é uma sílaba, portanto, não é a última.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Comunidade polaca de Curitiba celebra Święconka



Neste sábado, aconteceu no Bosque Papa Santo João Paulo II, em Curitiba, a tradicional benção dos alimentos da comunidade polaca da cidade e arredores.
Além da benção das cestas trazidas pelos moradores, houve apresentação de grupos folclóricos, corais e quermesse com comidas típicas.

Participaram os grupos Wisła e Junak de Curitiba, Wawel de São José dos Pinhais, Wesoły Dom de Araucária, Wiosna de Campo Largo e Szarotka de Balsa Nova. Também se apresentou a Banda Lira e Coral João Paulo II de Curitiba.

A benção dos alimentos Święconka foi oficializada pelo padre Kazimierz Długosz da Congregação Sociedade de Cristo.











Fotos: André Minatowicz

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Palavras polacas - 16


Pronúncia

Ręnka - renca (braço)
Ręce (plural) - rentsse (braços)
Ramię - ramien (ombro)
Ramiona (plural) - ramióna (ombros)
Łokieć -quiétss (cotovelo)
Łokcie - (plural) - ktchie (cotovelos)
Przedramię - pjédramien (antebraço)
Przedramiona (plural) - pjédramióna (antebraços)
Nadgarstek - nadgársték (pulso)
Nadgarstki (plural) - nadgárstqui (pulsos)
Dłoń - duónh (mão)
Dłonie (plural) - duónié (mãos)
Palec - létss (dedo)
Palce (plural) - páltssé (dedos)

A maioria das palavras polacas são paroxítonas, portanto a sílaba tônica, ou forte é a penúltima. Estão sublinhadas as sílabas fortes, tônicas. Uma consoante sozinha no final das palavras, não é uma sílaba, portanto, não é a última.

sexta-feira, 24 de março de 2017

Polônia inaugura Museu da II Guerra Mundial


Museu sobre II Guerra Mundial inaugurado em Gdańsk apesar da oposição do Governo de ultradireita.

O novo museu de Gdańsk (norte da Polônia) sobre a II Guerra Mundial abriu hoje ao público apesar da oposição do Governo polaco, que considera seu conteúdo insuficientemente patriótico.

Foto: Cezary Aszkiełowicz
"Com este museu pretendemos abrir um debate na Polônia sobre a nossa própria história, e ao mesmo tempo servir de lição de história para os visitantes estrangeiros", disse o diretor do centro, Paweł Machcewicz, que nos últimos meses se envolveu numa polêmica com o governo para garantir a abertura das instalações com os conteúdos originalmente planejados.

O Ministério da Cultura polaco criticou a vertente pouco patriótica do Museu, por não demonstrar o sofrimento que a II Guerra Mundial provocou na Polônia ao optar por um contexto mais global na narração do conflito, e sugeriu alterações no seu conteúdo.

Foto: Cezary Aszkiełowicz
O centro começou a ser construído em 2008 com um custo de mais de 100 milhões de euros e foi uma aposta pessoal do atual presidente do Conselho europeu, Donald Tusk, quando era primeiro-ministro da Polônia.

As más relações entre Tusk e o líder do partido no poder na Polônia, Jarosław Kaczyński (pronuncia-se iáróssúaf cátchenhsqui), são conhecidas no país e o diretor do museu, Paweł Machcewicz (pronuncia-se pávéu márrhtssevitch), assegurou ter sentido diversas pressões.

Foto: Cezary Aszkiełowicz
Nomeado quando Tusk ainda era primeiro-ministro, queixou-se em inúmeras ocasiões de que o novo governo de extrema-direia tentou retirar-lhe a direção do centro, com o argumento de que os conteúdos da exposição não eram patrióticos.

Em primeiro de fevereiro deste ano, os tribunais deram razão a Machcewicz na sua disputa com o Governo, permitindo a abertura das instalações. A exposição inclui três tanques (norte-americano, russo e alemão), além de recordações de famílias no decorrer da guerra, armamento, uniformes e representações da vida quotidiana, com a recriação de habitações e espaços urbanos durante o conflito e da ocupação do país.

Foto: Cezary Aszkiełowicz


Fonte: Agência Lusa

terça-feira, 21 de março de 2017

Polacas nas ruas contra governo de ultradireita

Reportagem da Euronews

Mulheres polacas protestam nas ruas da Polônia contra governo de ultradireita

Alicja Bobrowicz
é jornalista na Gazeta Wyborcza, um jornal de esquerda pró-europeu. Ela diz que os valores europeus estão em perigo na Polônia, incluindo o Estado de direito e a liberdade de imprensa:
“Estou preocupada com a minha liberdade como jornalista. Há pouco tempo, jornalistas foram expulsos do parlamento polaco, o acesso foi restringido em parte. Torna-se mais difícil fazer o nosso trabalho. A liberdade de imprensa está muito limitada, não sei o que vai acontecer a seguir. Estamos muito preocupados com o nosso futuro”, disse.

Os protestos em massa estão na primeira página dos jornais próximos da oposição, mas são ignorados pelos veículos de comunicação estatais (TV e Rádios). Os populistas, no governo, fizeram com que os veículos estatais ficassem sob controle direto do governo, o que fez a Polônia cair para o lugar número 47 no índice mundial da liberdade de imprensa, apenas um lugar à frente da Mauritânia.

Será que as forças que apoiam o governo vão também conseguir controlar os veículos privados?
O governo quer limitar a participação de capitais estrangeiros. A estratégia é a chamada “repolonização” e pode mudar a estrutura acionista da imprensa regional, antes das eleições locais.

A Associação Polaca de Jornalistas é presidida pelo diretor de uma rádio ligada com a direita, que defende o projeto:
“Quando a Polônia adotou o mercado livre, éramos pobres. Por isso, conseguimos apenas uma pequena parte dos lucros, apesar de trabalharmos muito, ao longo dos últimos 27 anos. O plano do ministro das Finanças Morawiecki vai mudar esse panorama. É a ideia principal da limitação do capital estrangeiro e da repolonização da mídia”, diz Krzysztof Skowronski.

Mas a mídia privada nas mãos de empresários polacos estão também debaixo de fogo: A nova lei coloca em risco o grupo Agora, proprietário da Gazeta Wyborcza. A viabilidade econômica está em causa. Além disso, as instituições públicas deixaram de anunciar. O diário teve de reduzir os quadros em cerca de 200 empregados.

O diretor-adjunto do jornal, Jarosław Kurski, critica a atitude do governo, que diz por em perigo a história de sucesso que é o processo de transformação pró-europeu da Polônia:
"Todas as mudanças dos últimos anos são vistas pelo governo como uma conspiração das elites pós-solidariedade e pós-comunistas. O nosso jornal, como símbolo dessa mudança, é diretamente visado: O governo e as empresas estatais retiraram toda a publicidade da Gazeta Wyborcza. Somos o alvo do ódio deste governo".


Rússia, Turquia, Hungria e Polônia – Há semelhanças no que diz respeito à repressão da liberdade de imprensa. As mídias privadas são pressionadas pelo poder econômico e os públicos pelo controle direto. É o que o governo da Polónia está fazendo:
“O governo despediu 250 jornalistas dos meios de comunicação públicos, sem mais nem menos. Desde a lei marcial que não havia tantas demissões assim. É o regresso da propaganda ao tempo do comunismo, mas ao contrário. O governo não suporta a mínima crítica."
Quando a Polônia se juntou à União Europeia em 2004, entrou no caminho do crescimento econômico, mas os populistas de direita ganharam apoios ao contar uma história alternativa. Falam de uma Polônia em ruínas, povoada por perdedores econômicos.

Fomos a uma aldeia chamada Krepa verificar. É aqui que vive Sylwester Imiolek, que há 20 anos herdou do avô uma quinta de produção de leite.


Ele começou com oito vacas e hoje tem 500. Como será que conseguiu?
Ao sentir o estatuto de membro da União Europeia aproximando-se, Sylwester decidiu modernizar a chácara. Muitos temiam que a entrada para a União Europeia destruísse o modelo dos pequenos sítios familiares. Para ele, foi o contrário:
“Esses medos não tinham fundamento – As chácaras pequenas ou médias, graças às políticas europeias de financiamento rural e esquemas de modernização, puderam desenvolver-se. Os agricultores tiveram essa possibilidade”, conta o agricultor.

O leite é transformado em pó e exportado para a China, Nova Zelândia e África do Sul. Os acordos comerciais da União Europeia permitiram-lhe entrar nos mercados estrangeiros:
“Quando era um jovem agricultor, os programas de apoio da União Europeia foram muito bons para mim. Permitiram-me crescer profissionalmente e tornar o meu sonho realidade. Usei todos os programas europeus de financiamento que pude”, diz.

A solidariedade é um dos princípios-chave da União Europeia e a Polônia é o maior recebedor de fundos europeus – recebe três vezes o valor com que contribui.

De regresso a Varsóvia, temos encontro com o presidente do principal “think tank” da Polônia, o Instituto de Assuntos Públicos.
Um recente relatório diz que os polacos têm mais confiança no Parlamento Europeu e na Comissão Europeia que nas instituições polacas.

Os polacos ainda gostam da União Europeia e é uma amizade baseada nos valores, não apenas no dinheiro:
“Ser membro da União europeia foi e é a melhor garantia de que fazemos parte da comunidade ocidental de nações livres, e não de países-satélite da Rússia. Esse é o principal motivo para apoiarmos o estatuto de membro da União. A União Europeia é a nossa única oportunidade de paz, de estabilidade e de prosperidade econômica num mundo globalizado”, diz o presidente do instituto, Jacek Kucharczyk.

Fala-se cada vez mais de uma Europa a várias velocidades. Vários líderes ocidentais falam de cooperação entre aqueles que têm vontade de avançar e de deixar para trás os mais relutantes. A Polônia vai ter de escolher a qual dos grupos pertence.

Assista agora a reportagem deste texto em vídeo da TV Euronews, em português:


segunda-feira, 20 de março de 2017

Palavras polacas - 15


Pronúncia

Marynarka - marênarca (paletó)
Zegarek - zérék (relógio)
Krawat - crávát (gravata)
Spinki - spinqui (abotuaduras)
Buty - butê (sapatos)
Koszula - cóchúla (camisa)
Spodnie - sdnié (calça)
Slipy - slipê (cuéca)
Skarpety - scártê (meias)

A maioria das palavras polacas são paroxítonas, portanto a sílaba tônica, ou forte é a penúltima. Estão sublinhadas as sílabas fortes, tônicas. Uma consoante sozinha no final das palavras, não é uma sílaba, portanto, não é a última.

quinta-feira, 9 de março de 2017

Donald Tusk é reeleito presidente do Conselho Europeu

Donald Tusk é do partido PO - Plataforma Cívica
O único voto contra foi do governo de ultradireita que comanda a Polônia.

Uma eleição quase unânime, com os votos favoráveis de 27 estados-membros e um detalhe curioso: o único voto contra foi da própria Polônia, o país de Donald Tusk, que apresentou candidato alternativo.

Durante a reunião, de acordo com fonte diplomática, a primeira-ministra polaca, Beata Szydło, propôs que o candidato escolhido teria obrigatoriamente de ter o apoio do seu país, o que foi rejeitado, e tentou, também sem êxito, que os líderes europeus ouvissem o candidato apoiado por Varsóvia, o também polaco e eurodeputado Jacek Saryusz-Wolskien (do bloco da extrema-direita europeia). 

A presidência do Conselho Europeu é um cargo criado no Tratado de Lisboa em 2009, tendo sido ocupado pela primeira vez e por dois mandatos pelo belga Herman Van Rompuy. Tusk substituiu Van Rompuy em 2014.

Donald Franciszek Tusk, nasceu em Gdańsk, 22 de abril de 1957. Está filiado ao PO - Platforma Obywatelska (Plataforma Cívica), partido democrata-cristão de centro-direita.
Tusk venceu as eleições legislativas antecipadas de 21 de Outubro de 2007 e tomou posse como primeiro-ministro da Polônia em 16 de Novembro do mesmo ano. Manteve-se no cargo até ser anunciado em 30 de agosto 2014 como presidente do Conselho Europeu para mandato de 1 de dezembro 2014, até 31 de maio de 2017. Com sua reeleição Tusk continuará a ser o principal dirigente polaco na esfera europeia até 2019.

O Conselho Europeu é composto pelos mandatários (presidentes, primeiro-ministros, reis) dos países membros da União Europeia