quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Lula recebe prêmio Wałęsa na Polônia


O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva está na Polônia, onde amanhã, 29 de setembro recebe o Prêmio Lech Wałęsa (pronuncia-se lérrrhh vauensa), em Gdańsk.
O prêmio que leva o nome do líder do Sindicato Solidariedade foi instituído por ele próprio em 2008, quando da comemoração dos 25 anos de Lech ter recebido o Prêmio Nobel da Paz.
Wałęsa, através da Fundação que leva seu nome, ao instituir o prêmio quis recompensar os indivíduos e instituições que a apóiam a liberdade, a solidariedade, a democracia e a cooperação.
A reunião, em Gdańsk, de Lech Wałęsa e Lula da Silva é a oportunidade de reconciliação depois de anos de relutância e mesmo de alguma hostilidade entre ambos.
Eles se reuniram uma vez, em Roma, em 1980 e imediatamente discordaram dos posicionamentos um do outro. Enquanto o polaco ostentava sua luta contra o socialismo soviético, o outro é um admirador confesso do comunismo.
Lula é a quarta pessoa a receber o prêmio concedido por Wałęsa. Anteriormente, foram agraciados o rei da Arábia Saudita, um jornalista iraniano e Janina Ochojska.
O Prêmio inclui ainda 100 mil dólares americanos e o nome do vencedor foi escolhido por uma comissão que inclui, o ex-presidente da República Tcheca Vaclav Havel, o ex-presidente do Alto Conselho da Bielorrússia Stanisłau Szuszkiewicz, do ex-presidente da Romênia Emil Constantinescu, do ex-ministro das Relações Exteriores da França Bernard Kouchner, Jan Krzysztof Bielecki, Władysław Bartoszewski e Zbigniew Jagiełło, presidente do Banco polaco PKO BP. O principal patrocinador do prêmio é o BP PKO.

Emmy para a polaca Skoczkowska


Enquanto o Carlos Schroeder e Willian Bonner recebiam o Emmy para o JN na categoria notícia, a cenógrafa polaca Ewa Skoczkowska recebia o Emmy, também, na categoria notícia e filme documentário.
O prêmio foi conquistado pelo documentário "Hindenburg: The Untold Story", sobre o famoso dirigível alemão que explodiu em 1937.
O filme de Sean Grundy é uma produção televisiva e foi realizado para o Canal 4 da TV britânica.
A polaca Ewa foi a responsável pela réplica do interior do "Hindenburg". Também criou uma réplica de um esqueleto queimado. Estes trabalhos foram realizados na Polônia, incluindo o aeroporto de Modlin. O filme tenta recriar o último vôo da aeronave.

Grotowski revivido em Goiânia

Em comemoração aos 10 anos de festival, o GOIÂNIA EM CENA 2011 - Festival Internacional de Artes Cênicas amplia sua abrangência internacional por meio de ações que proporcionam à cena local o contato com a cena mundial das Artes Cênicas. O festival acontece de 14 a 26 de outubro em Goiânia.
Este ano, a programação de cursos de qualificação destinados a profissionais das Artes Cênicas, apresenta o Workshop Internacional Grotowski/Flaszen - Teatro e Espiritualidade - A saga de Grotowski, com Ludwik Flaszen (Polônia/França).
Ludwik Flaszen é um dos convidados especiais da décima edição do Goiânia em Cena. Foto: arquivo pessoal.

Ludwik Flaszen é dramaturgo, ensaísta, crítico. Co-fundador e co-anfitrião do Teatro Laboratório de Grotowski (1959-1984). Editor literário, com papel vital na direção artística e desenvolvimento do "teatro pobre". Participante ativo e testemunha de um dos episódios cruciais do drama do século XX. É quase o último da geração fundadora do Teatro Laboratório em Wrocław. Vive em Paris desde 1985. Ensina em diversos países e realiza oficinas de teatro baseadas principalmente em textos de grandes escritores, incluindo Dostoiévski, Kafka e Beckett.

Jerzy Grotowski, ator polaco, é um dos principais nomes do teatro do século XX, estando entre os três maiores diretores do século XX, juntamente com o russo Stanislavski e o alemão Bertold Brecht. Suas teorias e práticas influenciaram e seguem influenciando inúmeros atores e grupos em todo o mundo

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Lins e Jopek no Canal da Música


A cantora polaca Anna Maria Jopek e o cantor e pianista brasileiro Ivans Lins fazem apresentação inédita no Brasil, na segunda-feira, dia 10 de outubro, às 20 horas, no Canal da Música, em Curitiba.
Os dois já gravaram juntos para o novo Álbum de Jopek, "Sobremesa", em  Portugal.
A promoção do evento é do Consulado Geral da Polônia em Curitiba e da TV E-Paraná. Os promotores do evento ainda buscam patrocínio para este espetáculo que promete. Interessados em agregar suas marcas a esta iniciativa devem entrar em contato com o Consulado em Curitiba.

Anna Maria Jopek, nasceu em Varsóvia, em 14 de dezembro de 1970. É cantora, música e produtora. Anna Maria é filha de Stanislaw Jopek, vocalista do Mazowsze, grupo folclórico polaco, considerado o Bolshoi das danças folclóricas. Enquanto os russos se destacam mundialmente na dança clássica, o Mazowsze é a maior referência mundial no folclore.
Formada em música pela Academia Chopin de Varsóvia, Anna Maria representou a Polônia no Festival Eurovisão da Canção de 1997, com a canção "Ale jestem", e terminou em décimo primeiro lugar.
O Festival Eurovisão, por sua vez, é a mais importante competição musical em todo o mundo. realizado desde 1956, ele é transmitido simultaneamente para todos os países europeus, incluindo Turquia e Israel.
Anna Maria, depois da participação no Eurovisão, transferiu-se por um curto período para Nova Iorque, onde estudou Jazz e tem participado em vários eventos nas mais importantes cidades norte-americanas. Em 2002. ela foi descoberta por Pat Metheny no álbum que acompanha - "Upojenie".

Discografia

Ale jestem (1997)
Szeptem (1998)
Jasnosłyszenie (1999)
Dzisiaj z Betleyem (1999)
Bosa (2000)
Barefoot (edição internacional de Bosa) (2002)
Nienasycenie (2002)
Upojenie (com Pat Metheny) (2002)
Farat (live) (2003)
Secret (2005)
Niebo (2005)
ID (2007)
BMW Jazz Club Volume 1: Jo & Co (live) (2008)



segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Polônia: dada largada às eleições parlamentares

Tusk ouve eleitores sobre a crise econômica - Foto: Marcin Kucewicz 
A Polônia deu início a mais uma campanha parlamentar. Com a supremacia do PO - Partido da Plataforma Cívica ocupando a presidência da República e o cargo de primeiro-ministro, torna-se o alvo principal da política polaca, seja para atacar, ou elogiar. O principal partido de oposição, o PiS - Partido Direito e Justiça, do ex-primeiro-ministro Jarosław Kaczyński, gêmeo do ex-presidente da república, vítima do acidente aéreo de Smoleński, arma-se de todas as formas para recuperar o poder que por ora, encontra-se em nas mãos do adversário.
Perguntas como: "Como é que vivemos?" foram endereçadas ao primeiro-ministro Donald Tusk, na convenção do PiS, que ocorreu neste domingo. "E para nós o que? Arbusto, deserto?" completou Kaczyński.
Stanisław Kowalczyk, candidato a deputado pelo PiS, compareceu à convenção com um pimentão na mão, e indignado fez perguntas retóricas: "Minha filha para aprender a tocar um instrumento de teclado tinha que ir para Radom. Uma vez, eu a levei, mas depois não tive mais tempo. Ela diz-me que no ensino médio fumam cigarros e bebem vodka. E eu pergunto: o que fazer, senhor?"
Estão claras as intenções da oposição. Só não percebe aquele que não quer ver. A campanha nestas eleições parlamentares devem descer ao mais baixo nível... com pimentões, vodka, cigarros e etc.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Doda já não vende como antes

Foto: Tomasz Stańczak 
Durante todo o período de férias de verão na Polônia, apesar dos portais de fofocas de jornal com informações do mundo musical, os fãs não compraram o novo álbum da sensacional Doda. Alguns setores da mídia, chegaram a argumentar o declínio do reinado de estrela loira. 
Embora tenha causado um pequeno escândalo, quando posou para fotos interpretando "7 maiores tentações", para o lançamento de seu novo CD, Doda atingiu apenas a sétima posição. Note-se que as "sete maiores tentações" é responsável por uma placa de ouro, o CD apareceu na lista dos mais vendidos somente depois de sete semanas.
Na mais recente edição da revista "Viva", Doda anunciou triunfalmente que o esforço de seu trabalho atingirá, em breve, um novo recorde, o que irá lhe conferir outra placa, a de platina. O que é pouco se comparado a títulos anteriores da própria Doda e do mercado fonográfico polaco em geral.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Kapituła se apresenta em Curitiba e Porto Alegre

Nesta quinta-feira, 15/9. além da palestra do Embaixador na UFPR, O Consulado Geral da Polônia, em Curitiba, convida para o concerto das 19h30, do organista polacos, Przemyslaw Kapituła, na Igreja do Sr. Bom Jesus (Pça. Rui Barbosa – Centro).
E no dia 18/09, o mesmo concerto acontece na igreja Martin Luther (rua Cel. Camisão 30) em Porto Alegre, às 10h45.

Programa:

Mieczysław Surzyński (1866-1924) „Improvisationen für Orgel über ein altes polnisches Kirchenlied" op.38
Leon Boëllmann (1862-1897) Suite Gothique op.25
Introduction-Choral
Menuet gothique
Priere a Notre Dame
Toccata
Samuel Scheidt (1587-1654) Variationen über das Niederländische Lied: „Ei, du feiner Reiter"
Feliks Nowowiejski (1877-1946) Offertoire op.7 Nr 2
Marche solennelle
Johann Pachelbel (1653-1706) Ciacona in d
Johann Sebastian Bach (1685-1750) Toccata d-moll, BWV 565


PRZEMYSŁAW JAKUB KAPITUŁA
Nasceu em Varsóvia, 1965. Em 1990 concluiu seus estudos na Academia Musical Fryderyk Chopin, na classe de órgão do prof. Józef Serafin, se aperfeiçoando ainda com nomes famosos, como Daniel Roth, Gui Bovet e N. Danby, entre outros.
KAPITUŁA tem seu nome registrado em Festivais importantes na Áustria, Argentina, Bulgária, Bélgica, Brasil, República Tcheca, Dinamarca, Espanha, Finlândia, França, Romênia, Rússia, Eslováquia, Polônia, Suíça e Uruguai, numa média de 45 concertos/ano.
Atua com solistas, coros e orquestras também, tendo especial interesse pelas obras dos proeminentes polacos: F. Nowowiejski e M. Surzynski. Com ele se iniciou o Festival Internacional de Música Sacra e o Festival Internacional de Orgão, em Varsóvia, onde organiza 150 concertos anuais para quase 20 mil pessoas. Dirige ainda ciclos de concertos "Grande Orgão da Catedral", "Música Sacra na Arquidiocese" e "Música no Centro de Varsóvia". O artista tem cd´s gravados bem como gravações em Rádio e Tv. Membro do Comitê de Música Sacra da Arquidiocese e Centro Cultural de Varsóvia.

www.kapitula.org

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Kisielewski faz palestra em Curitiba


Jacek Junosza Kisielewski, Embaixador da República da Polônia, no Brasil, faz palestra neste dia 15 de setembro, às 9 horas da manhã, em Curitiba.
Ele vai falar sobre a União Europeia já que a Polônia ocupa, no momento, os dois mais altos postos da organização de 27 membros. O professor e eurodeputado polaco Jerzy Buzek é o atual presidente do Parlamento Europeu, e o Presidente da Polônia Bronislaw Komorowski ocupa o cargo rotativo de Presidente da União Europeia.
A palestra acontece no Setor de Ciências Sociais Aplicadas da Universidade Federal do Paraná, Av. Prefeito Lothário Meissner, 3400, Jardim Botânico

Os interessados devem enviar sua inscrição para o email:
secretaria.ari@ufpr.br
até dia 14/09/2011, com assunto: União Européia. 
Dados solicitados para inscrição: Nome completo, e-mail, telefone.

Mulheres, Memórias, Museus em Curitiba

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Polanski no enterro de Morgenstern

Polanski entre amigos da comunidade cineasta polaca
Roman Polanski, esteve nesta segunda-feira, no enterro do diretor, Janusz "Kuba" Morgenstern, no Cemitério Militar de Varsóvia.
Criador de "Noża w wodzie" (A Faca na Água), que raramente tem visitado sua terra natal, a Polônia, nos últimos anos, surpreendeu a comunidade de cineastas polacos com esta visita inesperada no cemitério. Polanski e Morgenstern foram durante muitos anos, amigos íntimos. Eles se conheceram na década de 50. Em 1960, Polanski estrelou o filme de estréia de Morgenstern intitulado "Do widzenia, do jutra" (Adeus, até amanhã."

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Chrostowski - patrono da ornitologia do Paraná


Artigo: Fernando Straube

O naturalista polaco,  Tadeusz Chrostowski, nascido em Kamionka, na Polônia, em 25 de outubro de 1878, morreu no Parque Nacional do Iguaçu, no Paraná, em  4 de abril de 1923, e muito justamente é considerado Patrono da Ornitologia no Paraná.
Tadeusz Chrostowski mostrava, desde a infância, um grande interesse na observação de todas as formas de vida ao seu alcance, tendo como especial predileção a Ornitologia, ciência que o consagraria posteriormente no panorama científico europeu.
Tendo adentrado a Universidade de Moscou, Chrostowski frequentou o curso de Físico-Matemática a fim de obter o seu bacharelado, mas, por motivos vários, acabou não o tendo concluído. Naquela época, teria participado ativamente do movimento estudantil liberal de conspiração contra o tzar. Por esse motivo, foi deportado, logo no segundo ano de faculdade, para a região do baixo Rio Obi, no norte da Sibéria, exílio que lhe durou 3 anos. Durante a ocupação russa da Polônia, os ativistas políticos eram deportados por tempo indeterminado para a Sibéria ou forçados a emigrar, dentre outros lugares para a América do Sul. Dentre os revolucionários era comum a presença de cientistas, os quais chegavam a prosseguir suas pesquisas nas terras geladas russas, muitas vezes com financiamento da própria família Branicki. 
Em 1903, iniciou no curso de Farmácia da Universidade de Carcóvia (e não Cracóvia), no leste da Polônia (no que é hoje território da Ucrânia). Uma vez deflagrada a Guerra Russo-japonesa (1904-1905), Chrostowski foi designado para o cargo de chefe de companhia na Manchúria, precisando, mais uma vez interromper sua formação acadêmica. Logo depois de livre desse encargo, com o fim da guerra, dedicou-se afinal ao estudo mais detalhado das ciências naturais, dividindo seu tempo com obrigações que lhes proporcionavam sustento.
Voltando à Polônia, no ano de 1907, iniciou a programação de uma expedição à América do Sul, continente que o atraía muito pela maravilhosa riqueza de fauna. Espelhava-se no naturalista polaco Konstanty Jelski que, em meados do Século XIX, realizou uma grande expedição à Amazônia, ainda que sob as duras privações decorrentes da Revolução Polaca de 1863. Admirava também o trabalho de Jan Sztolcman, Jan Warszawiecz, Jan Kalinowski e Witold Szyslo, alguns dos expoentes da Zoologia na Polônia do início do século. Mas algo o frustrava: considerava inaceitável publicar seus estudos em língua russa, pois acreditava que estaria concordando tacitamente com a ocupação de sua terra natal.
Ademais, o que seria o centro da intelectualidade em História Natural - o Zoological Cabinet - ficou, entre 1889 e 1915, inteiramente entregue às mãos de professores que, ao invés de promover o desenvolvimento científico da instituição, se utilizavam do acervo como material didático para suas aulas na Universidade de Varsóvia (Kazubski, 1996).
Foi nesse panorama que, em 1910, Chrostowski rumou ao Paraná, instalando-se como colono imigrante na Colônia Vera Guarani (atual munícipio de Paulo Frontin). No lote de terreno recebido do governo brasileiro, construiu um rancho de tábuas lascadas de pinheiro, fez um cercado, plantou roça e construiu um apiário. Aos domingos e nas horas possíveis, fazia incursões no sertão do médio Rio Iguaçu e trazia espécimes da fauna paranaense. Após quase um ano percebeu que eram inconciliáveis as atividades de agricultor e cientista: optou pela ciência, mas teria forçosamente de retornar à Polônia para cumprir esse desígnio.
Em 1911, retornou a Varsóvia com uma apreciável coleção de amostras e o propósito de analisar o material coligido e publicar seus resultados. Graças a isso é que surgiu, portanto, a primeira publicação científica dedicada exclusivamente às aves do Paraná: Kolekcya ornitológiczna ptaków paranskich, redigida em polaco e com um razoável sumário em francês. Essa obra, publicada pelo Sprawozdania Warszawskie Towarzystwo Naukowe em Varsóvia, acabou por se tornar extremamente rara, com pouquíssimos exemplares, ainda que cópias, em bibliotecas brasileiras. Adicionalmente colaborou com outros três artigos (um datado de 1911, dois de 1912), com descrições sobre a imigração polaca no sul do Brasil.
Seu desejo de voltar ao Paraná era então iminente, mas o apoio institucional foi vetado pelo governo russo (potência ocupante das terras da Polônia). Assim, apenas mediante subsídio do curador da coleção ornitológica do Zoologischen Staatssammlung München (Museu de Zoologia de Munique, Alemanha), Charles Hellmayr, pôde realizar outra viagem a esse Estado, comprometendo-se a ceder os espécimes em duplicata àquela instituição.
Tal expedição, iniciada em 1913, pouco durou, em decorrência dos rumores da primeira grande guerra, que o obrigou a retornar à Polônia, após ter tido conhecimento da formação de um exército polaco de resistência. Ao tentar voltar, pela Suécia, acabou descoberto na fronteira e incorporado ao exército tzarista.
Após a confusão ocorrida com a revolução de 1917, desertou do exército russo e, no ano seguinte refugiou-se em São Petersburgo. Sob essas condições, Chrostowski obrigou-se a assumir uma identidade falsa, sendo então, convidado por Valentin Bianchi (curador de aves do Museu Zoológico da Academia de Ciências de Petrogrado), a estudar as espécies neotropicais ali depositadas. Foi um período de duras privações, fome e medo; afinal, por um lado ele era um polaco em pleno território russo e, por outro, não deixava de ser visto como oficial do exército imperial.
Assim conseguiu realizar uma ampla e abrangente revisão, com o propósito de divulgar o material-tipo e o trabalho descritivo do Barão F.H.von Kittlitz, conhecido pelos resultados zoológicos que obteve na costa do Chile, durante a expedição de circum-navegação a bordo da corveta Sieniawin (1826-1829), e da coleção de exemplares de Minas Gerais e Rio de Janeiro trazida por Emile Ménétriès, o mais importante zoólogo da famosa Expedição Langsdorff.
Concluído seu relatório, no ano seguinte, entregou-o à administração do referido museu, com a finalidade de vê-lo impresso pela própria instituição. Tendo esperado vários anos por sua publicação, o autor preferiu submetê-lo ao Annales Zoologici Musei Polonici Historiae Naturalis, tendo sido impresso em 1921, sob o título de Sur les types d'oiseaux néotropicaux du Musée Zoologique de l'Academie des Sciences de Pétrograde. Esse estudo, baseado em obras já naquela época consideradas raras e nos respectivos espécimes foi, por certo, a primeira revisão detalhada deste acervo, de interesse ornitológico até os dias de hoje.
Em 1919, pesquisadores competentes enfim voltam a figurar no staff científico do Zoological Cabinet de Varsóvia. Os tempos de produtividade estariam de volta e colocavam fim à estagnação imposta por burocratas russos (durante ocupação de 127 anos). Aparece Janusz Domaniewski como curador e voltam Dybowski e Siedlecki. Em 24 de setembro, foi criado o Museu Nacional de História Natural, absorvendo, dentre outras seções, o Zoological Cabinet e a magnífica biblioteca do Museu Branicki. O seu primeiro diretor foi o famoso malacólogo (cirurgião do exército por profissão) Antoni Jozéf Wagner, auxiliado pelo também conhecido Jan Sztolcman. Era um importante passo para o renascimento da pesquisa zoológica na Polônia.
Dois anos depois, ao fim da guerra, outro episódio foi marcante. Chrostowski acabou contratado como curador de aves neotropicais do Museu. Como consequência, passou a dedicar seu tempo ao estudo das coleções sul-americanas de Varsóvia, em especial aquelas obtidas por Konstanty Jelski, Jan Sztolcman, Jan Kalinowski, Jozéf Siemiradzki e outros, bem como para organização de suas anotações.
Espécies de aves de grande interesse científico na época e, que foram fartamente observadas e colhidas por Chrostowski nas duas expedições que fizera ao Paraná passaram, então, a ser seu objeto de estudo. Assim surgiu o On some rare or little known species of South American birds (1921). Adicionalmente, suas notas de campo acabaram sendo publicadas em um livro de 237 páginas intitulado Parana:  wspomnienia z pdrózy w roku 1914 (1922). Parte de seu tempo, enquanto curador da coleção, usou no árduo, e até certo ponto ingrato, ofício da organização e conservação do acervo de Varsóvia. Uma de suas atividades incluía o arranjo das vitrines da exposição e o armazenamento adequado de exemplares raros, protegendo-os das pragas e exposição da luz.
Mudanças políticas, no início da década de 20, movimentaram a Polônia. Imediatamente após a sua independência, dada em 1921, surgiu novamente em Chrostowski, o interesse de voltar ao Brasil. Ele preparou, então, uma nova e ambiciosa viagem, que cortasse todo o Estado amostrando-o de forma abrangente e proveitosa.
Assim, dirige-se aos colegas Tadeusz Jaczewski (professor de Zoologia da Universidade de Varsóvia) e Stanislaw Borecki (técnico em taxidermia do museu de Varsóvia) e, com o patrocínio do governo polaco mais uma pequena colaboração de vários naturalistas do Museu de Varsóvia, pôde levar a efeito seu projeto. A princípio, o novo governo polaco, negou-lhes financiamento; era tempo de grande inflação e falta aguda de divisas. Obstinado, Chrostowski consegue comprometer seu salário dos dois anos seguintes e, por intermédio de Jaczewski, surge uma mísera quantia de 75000 marcos provinda do Ministério dos Problemas Religiosos e Culturais e as passagens marítimas de ida e volta, pelo governo polaco.
Segundo Jaczewski, o maior problema para a organização da expedição não era o financiamento e sim as pressões que tinham de suportar a fim de que se dedicassem às pesquisas na Polônia. A essas colocações, Chrostowski respondia que a ciência não permite riscar fronteiras territoriais. Mas reconhecia que a escolha do Paraná como campo de seus estudos, prendia-se ao fato de que nesse território havia uma acentuada colonização polaca.
Partiram, afinal, os três viajantes, deixando a Polônia, em 4 de dezembro de 1921 e chegando ao Brasil, no Rio de Janeiro, exatos dois meses depois. Por via férrea, através da então conhecida Estrada de Ferro São Paulo-Rio Grande, atingiram Mallet, no centro-sul paranaense, em 2 de fevereiro daquele ano.
Dali seguiram, alternando viagens por terra, em automóveis e lombo de cavalo e burro, e por água, usando-se de pequenas embarcações de madeiras de lei maciças. O trajeto final percorrido somou quase 2000 quilômetros, tendo sido visitadas uma impressionante área, desde o sul do Paraná até as terras então inóspitas do vale dos rios Ivaí e Iguaçu. Foi uma viagem que cortou o Paraná de leste a oeste e de norte a sul, concluindo-se em Paranaguá em 13 de outubro de 1923.
Após a chegada à localidade de Pinheirinhos, todos os integrantes da equipe forçaram-se a uma parada, visto terem contraído malária, enfermidade que, na época, ceifava vidas nas áreas tropicais e subtropicais do Brasil. Em Chrostowski, a doença ficou agravada por uma forte pneumonia de difícil cura devido ao estado exausto que se encontrava seu organismo. Não obstante os esforços de Jaczewski de procurar auxílio médico, Chrostowski faleceu em 4 de abril de 1923, no local onde adoecera. Seguindo a tradição da época, foi enterrado nas proximidades da sede da vila, às margens do caminho que ligava Foz do Iguaçu a Guarapuava. Por coincidência, seu jazigo originalmente localizou-se no que hoje é o Parque Nacional do Iguaçu, um justo descanso para um dos primeiros cientistas a estudar a fauna paranaense.
Chrostowski considerava a morte como um atributo natural do viajante que se arriscava em prol da ciência em terras distantes; como que uma previsão em seus projetos de pesquisa e ansiedades de vida. A possibilidade de morte de qualquer um dos componentes da expedição foi sempre levada em conta pelo seu chefe. Seu jazigo, originalmente humilde como foram seus próprios hábitos, recebeu em 1934, um monumento em pedra, encimado por uma cruz de cedro, como homenagem da comunidade polono-brasileira; consta nele haver uma placa de bronze como parte dessa iniciativa.
A partir de 1993, seu legado passou a ser divulgado adequadamente em tratados de Ornitologia e História da Zoologia em geral. No mesmo ano foi cognominado Patrono da Ornitologia do Paraná.
Apesar do grande esforço de documentação verificado nas expedições ornitológicas dedicadas ao Paraná desde o Século XIX, a maior parte delas manteve o simples objetivo de obter espécimens para museus e assim, portanto, eram descompromissadas de qualquer interesse em outro campo investigativo.
É exatamente nesse ponto que o trabalho de Chrostowski diverge de todos os demais. Preocupado com minúcias biológicas das aves, que obtinha mediante demoradas observações de seus hábitos alimentares, vocais e reprodutivos, o naturalista expressava nitidamente seu interesse de publicar, ele mesmo, os seus resultados colhidos no Paraná.
Pode-se creditar a Chrostowski, ainda, as primeiras informações confiáveis sobre o dimorfismo sexual, bem como notas sobre o colorido do bico, íris e pernas e dados sobre alimentação e vocalização de algumas espécies antes apenas conhecidas por múmias de museu. Foi, por certo, o primeiro a notar a afinidade de um pássaro, chamado grimpeirinho (Leptasthenura setaria) com os pinheiros, com os quais parece manter uma relação ecológica restritiva. Igualmente pode-se dizer sobre os hábitos, vocalização e tipos de ambientes usados por diversas aves de distribuição confinada ao sul do Brasil.
Essa inclinação pela observação é notada claramente em um de seus artigos, que inclusive torna saliente o uso de dados nada tradicionais para a época, em sua concepção classificatória. Distinguia espécies muito parecidas não somente pelo colorido da plumagem, mas com igual critério, e pioneiramente, pelo canto, hábitos e hábitat preferencial.

Referências
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Chrostowski, T. 1912. Kolekcya ornitologiczna ptaków paranskich [Collection ornithologique faite à Paraná en 1910 et 1911]. Sprawozdan z Posiedzen Towarzystwa Naukowego Warszawskiego 5:452-500.
Chrostowski, T. 1921. On some rare or little known species of south-american birds. Annales Zoologici Musei Polonici Historia Naturalis 1(1):31-40.
Chrostowski, T. 1921. Sur les types d’oiseaux neotropicaux du Musée Zoologique de l’Academie des Sciences de Pétrograde. Annales Zoologici Musei Polonici Historia Naturalis 1(1):9-30.
Chrostovski (sic), Th. 1922. Sur les types d'oiseaux néotropicaux du Musée Zoologique de l'Academie des Sciences. Annuaire du Musée Zoologique de L'Académie des Sciences de Russie 23:390-403.
Chrostowski, T. 1922. Parana: wspomnienia z pdrózy w roku 1914 [Memoirs from the trip to Parana 1914, título traduzido por M.Luniak]. Poznan/Varsóvia, Nakladem Ksiegarnia Sw. Wojciecha. 237 pp., 16 fig., 1 mapa. Biblioteka Podrozy, Przygod i Odkyryc, vol. 1.
Chrostowski, T. 1922-1923. Polska Ekspedycja Zoologiczna. Swit 19, 32 (1922); 2, 14, 15 (1923).
Czopek, L. 1994. Popularna encyklopedia powszechna. Cracóvia, Oficyna Wydawnicza. Vol.3, p.132 (verbete: "Chrostowski Tadeusz").
Gajl, K. 1923. Wspomnienia o sp. Tad.Chrostowskim. In: Miesiecznik poswigcony naukow przyrodniczym i ich zastosowaniu. Wydawany przez Polskie Towarzystwo im. M.Kopernika. Przyroda i Technika10(2):630-632.
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Suchodolski, B. ed. 1963. Wielka encyklopedia powszechna PWN. Varsóvia, Panstwowe Wydawnictwo Naukowe-PWN. Vol.2, p.507 (verbete "Chrostowski, Tadeusz").
Sztolcman, J. 1923. Tadeusz Chrostowski. Przeglad Geograficzny 4. Kronika geograficzna [Chronique géographique].
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Wolski, T. 1937. Polski slownik biograficzny. Kraków, Polska Akademia Umiejetnosci. Vol.3, p.449-450

domingo, 4 de setembro de 2011

A situação econômica da Polônia atual

Filme produzido pela Agência Polaca para o Desenvolvimento das Empresa e Ministério da Economia e distribuído  Ministério da Relações Exteriores da Polônia, em formato animação.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Andrzej Waida no Brasil

“Festival de Cinema Polaco 2011 – WAJDA no BRASIL”
Local: Cinemateca de Curitiba (R. Carlos Cavalcanti, 1174)
Período: de 6 a 11 de setembro/2011

O público paranaense poderá ver que Andrzej Wajda (pronuncia-se Andjei vaida) não fugirá de assuntos polacos, e em uma visão mais ampla, igualmente dos assuntos europeus, o que cria uma chance maravilhosa de aprofundar o conhecimento sobretudo o que a Polônia e os países da região viveram durante anos.Uma “oportunidade maravilhosa”, por ser o conhecimento vindo não de um manual tedioso, mas de obras de arte, que irão nos proporcionar impressões estéticas e emocionais. Queremos tirar todas as duvidas: uma forte ligação da criação de Wajda (também no teatro, mas esse não e o assunto da presente mostra) com história, tradição, cultura polaca e com a vida contemporânea da Polônia, não significa que será incompreendida no estrangeiro.

Aula de história do cinema contemporâneo
A primeira apreciação do programa da retrospectiva causa uma suspeita: os filmes foram escolhidos um pouco ao acaso. Mas não é assim. Quem assistir a todos os filmes passará pela história da Polônia - começando pela “República Nobre” do século XVIII em “Senhor Tadeu” a em “A Vingança”, pela II República Polaca do tempo entre as guerras em “As Senhoritas de Wilko” e “Crônica dos Acidentes Amorosos”, a ocupação nazista em “Korczak”, etapas de pior ou menor vigilância do comunismo em “Os Inocentes Charmosos”, “Tudo a Venda” , “O Homem de Marmore” e em “O maestro” e, parcialmente em “Cálamo”, até os tempos modernos, novamente em “Cálamo”).
O espectador irá repetir igualmente uma aula da história do cinema contemporâneo, não somente polaco. Pois os filmes de Wajda fazem parte das tendências da cinematografia mundial (e graças a isso se tornam mais compreensíveis fora da Polônia), ou no mínimo dos cursos importantes da cinematografia nacional.

PROGRAMAÇÃO


Dia 06/09 (terça-feira)
16h00 - Cálamo / Tatarak
- O Mesclado / Przekładaniec
19h30 - A Vingança / Zemsta

- Neste horário acontecerá a abertura oficial com a presença de Dorota Barys, Cônsul Geral da Polônia em Curitiba

Dia 07/09 (quarta-feira)
16h00 - Senhor Tadeu / Pan Tadeusz
19h30 - Korczak / Korczak

Dia 08/09 (quinta-feira)
16h00 - Crônica dos Acidentes Amorosos / Kronika Wypadków Miłosnych
19h30 - As Senhoritas de Wilko / Panny z Wilka

Dia 09/09 (sexta-feira)
16h00 - O Maestro / Dyrygent
19h30 - O Homem de Marmore / Człowiek z Marmuru

Dia 10/09 (sábado)
16h00 - Tudo à Venda / Wszystko na Sprzedaż
19h30 - Os Magos Inocentes / Niewinni Czarodzieje

Dia 11/09 (domingo)
16h00 - Cálamo / Tatarak
- O Mesclado / Przekładaniec
19h30 - Os Magos Inocentes / Niewinni Czarodzieje

SINOPSES:

CÁLAMO / TATARAK
direção: Andrzej Wajda
roteiro: Andrzej Wajda
fotografia: Paweł Edelman
direção de arte: Magdalena Dipont
música: Paweł Mykietyn
elenco: Krystyna Janda, Paweł Szajda, Jan Englert, Jadwiga Jankowska-Cieślak, Julia Pietrucha, Roma Gąsiorowska, Krzysztof Skonieczny e outros.
Polônia, 2009, 83 minutos, cores, legendas em português - Formato da projeção: Digital
“Cálamo” é um filme baseado em um conto de Jaroslaw Iwaszkiewicz, um dos mais renomados escritores polacos. A princípio uma história sutil e tocante sobre um amor impossível, no entanto, Wajda vai mais fundo, criando um conto multidimensional sobre o sentimento, que chega tarde demais, e sobre a morte, que sempre chega cedo demais.
Marta (Krystyna Janda), uma mulher educada e de meia-idade, casada com um médico (Jan Englert) de uma pequena cidade, não sabe que tem uma doença terminal. Há anos chora a morte de seus dois filhos, mortos no Levante de Varsóvia. Certo dia conhece um homem mais novo, um simples trabalhador chamado Bogus (Paweł Szajda), o qual a encanta com sua juventude e inocência. Este encontro à beira de um rio coberto por cálamos é marcado pela fascinação recíproca de duas existências, onde uma caminha para o fim prematuro e a outra somente acaba de entrar na maturidade. No entanto o destino se mostra cruel para eles. Essa é somente a primeira dimensão do filme, pois “Cálamo” é igualmente um filme sobre a criação de um filme, e a personagem principal não é somente a fictícia Marta, mas a atriz que a interpreta. Andrzej Wajda entrelaça no conto de Iwaszkiewicz um autêntico monólogo de Krystyna Janda sobre a morte prematura de seu marido Edward Klosinski, um reconhecido operador de cinema, ao qual este filme foi dedicado. Desta maneira, ambas as mulheres, Krystyna e Marta – se misturam em um único ser ferido, que precisa encontrar forças em si mesma e superar a perspectiva de uma morte inevitável.

O MESCLADO / PRZEKŁADANIEC
direção: Andrzej Wajda
roteiro: Stanisław Lem
fotografia: Wiesław Zdort
cenografia: Teresa Barska
música: Andrzej Markowski
elenco: Bogumił Kobiela, Ryszard Filipski, Anna Prucnal, Jerzy Zelnik, Piotr Wysocki, Tadeusz Pluciński, Gerard Wilk, Marek Kobiela e outros.
Polônia, 1968, 35 minutos, preto e branco, legendas em português - Formato da projeção: Digital
Realizado no final dos anos 60, é um filme de curta metragem sobre os acontecimentos do futuro, no começo do século XXI. O roteiro foi escrito pelo especialista em obras de ficção científica e também grotesco, Stanislaw Lem. Desde a estréia de "O Mesclado" passaram-se 43 anos, nesse meio tempo a medicina fez um progresso enorme. Hoje em dia os transplantes de órgãos humanos são comuns. O que antes parecia pura fantasia, virou realidade. Naqueles anos uma obra de arte grotesca sob a direção de Wajda causou muitas emoções, ganhou reconhecimento da crítica, e o sucesso foi confirmado através de muitos prêmios e distinções prestigiosas, entre outras do Comitê de Rádio e Televisão e Medalha Especial no Festival de Filmes de Ficção Científica em Sitges na Espanha. Com grande êxito o curta de ficção científica foi exibido pela televisão na Europa.
A personagem principal do filme é o piloto de carros de corrida, Richard Fox (Bogumil Kobiela). Múltiplo medalhista e ganhador de vários prêmios, faz sucesso junto com o seu irmão, Thomas (Marek Kobiela), um ótimo co-piloto. Em uma corrida, os irmãos têm um grave acidente com sérios ferimentos e são levados para a clínica dirigida por um genial médico (Jerzy Zelnik), especializado em transplantes de órgãos humanos. As vítimas da terrível catástrofe ficam sujeitas a operações complexas. O médico salvou somente a vida de Richard, e se verifica já terem sido transplantados vários órgãos de Thomas.
Quando a esposa do falecido (Anna Prucnal) tenta receber a indenização da companhia de seguros, estoura um escândalo. A firma decide pagar-lhe somente 30 por cento do valor total, justificando que somente uma parte do homem foi enterrada. Os demais órgãos de Thomas "estão vivos" e funcionam normalmente no corpo do seu irmão.
Richard, que também aguarda pela indenização da companhia de seguros, é informado pelo advogado que o caso se apresenta como muito difícil.
Ao mesmo tempo acontece um outro acidente trágico, onde morrem oito pessoas que se encontravam no percurso da corrida, entre elas a viúva de Thomas. Richard de novo consegue sobreviver graças à intervenção do genial médico. O piloto "mesclado" com os órgãos das vítimas do acidente, tem cada vez menos partes de seu próprio corpo.

A VINGANÇA / ZEMSTA
direção: Andrzej Wajda
roteiro: Andrzej Wajda
fotografia: Paweł Edelman
direção de arte: Tadeusz Kosarewicz, Magdalena Dipont
música: Wojciech Kilar
elenco: Roman Polański, Janusz Gajos, Andrzej Seweryn, Katarzyna Figura, Daniel Olbrychski, Agata Buzek, Rafał Królikowski e outros
Polônia, 2002, 100 minutos, cores, legendas em português - Formato da projeção: Digital
Czesnik Raptusiewcz (Janusz Gajos) divide o mesmo castelo que o odiado escrivão Milczek (Andrzej Seweryn). Ele quer se casar com a viúva Podstolina (Katarzyna Figura) e ambiciona suas propriedades, porém, ele não sabe que a própria Podstolina está procurando um marido rico. Consciente de sua aparência e sua falta de polidez social, Czesnik pede ajuda a Papkin (Roman Polanski) para que esse arranje o casamento. Papkin se faz de conquistador e grande herói, sendo na verdade um covarde e fantasiador, mas ama de forma muito romântica Klara (Agata Buzek), tutelada e sobrinha do escrivão. Mas Klara está apaixonada pelo filho do escrivão, Waclaw (Rafal Krolikowski). Os jovens percebem que o seu amor está passando por uma grande prova, pois nem o pai de Waclaw - o escrivão, nem o tio e protetor de Klara - Czesnik, não pretendem aceitar este casamento. Segue-se assim uma série de intrigas, mentiras, sequestro, acertos e desacertos desta comédia.

SENHOR TADEU / PAN TADEUSZ
direção: Andrzej Wajda
roteiro: Andrzej Wajda, Jan Nowina Zarzycki, Piotr Wereśniak
fotografia: Paweł Edelman
direção de arte: Allan Starski
música: Wojciech Kilar
elenco: Bogusław Linda, Daniel Olbrychski, Grażyna Szapołowska, Andrzej Seweryn, Marek Kondrat, Krzysztof Kolberger, Jerzy Bińczycki, Alicja Bachleda-Curuś, Michał Żebrowski, Jerzy Trela, Jerzy Grałek, Marian Kociniak, Piotr Gąsowski, Mieczysław Kalenik e outros
Polônia, 1999, 147minutos, cores, legendas em português - Formato da projeção: Digital
Adam Mickiewicz escreveu “Senhor Tadeu” em 1834, depois de dez anos no exterior. Carregado de lirismo e saudade do país, num longo poema apresenta a visão de um mundo aristocrata em extinção, tornando pública a imagem contemporânea dos polacos e da Polônia.
A tentativa de transferir para as telas esta epopéia nacional encontrou desde o princípio disputas e controvérsias com respeito tanto ao elenco como à configuração do roteiro. Mesmo com a maioria não acreditando no sucesso de tal empreitada, Andrzej Wajda não desistiu de seus planos. Tomando em consideração os gostos dos espectadores atuais, o diretor se focou na ação, no romance, com um toque de humor e lindas paisagens, não ignorando as estrofes poéticas originais, com as quais os atores se comunicam.
Na penumbra de um apartamento em Paris, imigrantes polacos se encontram e relembram a sua pátria. Adam Mickiewicz (Krzysztof Kolberger) nos narra o conto sobre a Última Incursão Armada na Lituânia. Estamos no ano de 1811.
Tadeusz Soplica (Michal Zebrowski), depois de terminar os estudos, retorna para o palacete lituano da família. Dono da propriedade, o Juiz (Andrzej Seweryn) é seu tio e protetor.
Visitando antigos recantos da casa, Tadeusz chega ao seu quarto de infância, aonde encontra Zosia (Alicja Bachleda-Curus). Esta linda jovem atiça as suas imaginações juvenis despertando seus sentimentos de desejo e paixão. À noite, durante um jantar oferecido no castelo, acontece uma disputa entre os aristocratas rurais da família Soplica e o Conde (Marek Kondrat), último descendente dos Hareszko, Tadeusz encontra a sedutora Telimena (Grazyna Szapalowska) e iniciam um romance. Porém, em pouco tempo descobre que ela é a governanta da linda e jovem Zosia. Tadeusz nem desconfia que o padre Robak (Bogusław Linda), respeitado e reconhecido por seus atos patrióticos, é Jacek Soplica, o pai de Zosia que, em sua juventude cometeu um crime e que o fez se esconder em um monastério. O filme celebra seu triunfo batendo todos os recordes de bilheteria.

KORCZAK / KORCZAK
direção: Andrzej Wajda
roteiro: Agnieszka Holland
fotografia: Robby Muller
direção de arte: Allan Starski
música: Wojciech Kilar
elenco: Wojciech Pszoniak, Ewa Dałkowska, Teresa Budzisz-Krzyżanowska, Marzena Trybała, Piotr Kozłowski, Zbigniew Zamachowski, Jan Peszek, Aleksander Bardini, Wojciech Klata, Andrzej Kopiczyński, Michał Staszczak e outros.
Polônia, 1990, 113 minutos, cores, legendas em português - Formato da projeção: Digital
Este filme retrata a vida de Janusz Korczak, escritor, pedagogo e amigo das crianças. Passou três anos da guerra com as crianças do orfanato no Gueto de Varsóvia e em um esforço heróico tentou garantir que tivessem uma existência com um mínimo de dignidade. Em 1936, Janusz Korczak (Wojciech Pszoniak), depois de mais um programa na Rádio Polônia, descobre que a transmissão interronpida. Durante as férias, em colônias de férias estudantis, ex-pupilos de Korczak o acusam devido à sua bondade, alegando que não foram preparados para a vida no mundo “real”, onde com frequência precisam encarar o anti-semitismo. Em setembro de 1939, Janusz Korczak com o uniforme do Exército Polaco cumpre seu dever nas ruas de Varsóvia. Um ex-aluno seu, Heniek (Piotr Kozlowski) tenta convencê-lo a tirar o uniforme para não chamar a atenção dos alemães.
Korczak tenta separar as crianças do horror do dia-a-dia, organizando aulas e brincadeiras. Chegam ao Orfanato os representantes do Conselho do Gueto pedindo que ele aceite mais crianças. Korczak recusa-se, tentando assegurar o melhor cuidado às “próprias” crianças. Mas depois muda de opinião. Korczak prepara uma peça de teatro baseada na obra de Rabindranath Tagore, falando sobre a morte, achando que as crianças devem se acostumar com ela. No Gueto chegam informações sobre o destino dos judeus deslocados do Gueto. Korczak com os colegas de trabalho pensam no que fazer. Ele recebe uma proposta para deixar o orfanato, mas Korczak decide continuar junto até o final. Acredita que os alemães não tocarão nos orfanatos. Os alemães chegam ao orfanato e iniciam o deslocamento. As crianças tranquilamente caminham pelas ruas do Gueto acreditando que vão para uma excursão. Korczak entra nos vagões com as crianças e partem na direção do campo de concentração de Treblinka.

CRÔNICA DOS ACIDENTES AMOROSOS /
KRONIKA WYPADKÓW MIŁOSNYCH
direção: Andrzej Wajda
roteiro: Tadeusz Konwicki
direção de arte: Janusz Sosnowski, Barbara Nowak
música: Wojciech Kilar
elenco: Paulina Młynarska, Piotr Wawrzyńczak, Magdalena Wójcik, Bernadetta Machała, Dariusz Dobkowski, Jarosław Gruda, Joanna Szczepkowska, Gabriela Kownacka, Leonard Pietraszak, Tadeusz Łomnicki, Tadeusz Konwicki e outros.
Polônia, 1995, 114 minutos, cores, legendas em português - Formato da projeção: Digital
"Naquele tempos a Lituânia tinha sua área geográfica indeterminada, uma formação étnica confusa, uma zona de cultura indefinida. Naquela época a Lituânia era um temporal de verão que chega de forma brusca, ou melhor, o interior de um vulcão em extinção. A Lituânia era então um grande sol se pondo, mostrando lindas e estranhas faixas de luz e os restos do arco-íris" – escreveu Tadeusz Konwicki em "Crônica dos acidentes amorosos". Essas palavras poderiam ser a moral deste filme de Andrzej Wajda, criado com base nesse romance. O autor de "Canal", extremamente sensível à composição de cada fotograma, encheu sua obra de claras e cintilantes imagens, paisagens de cidades, fotografias de um mundo seguro, comum e cheio de ternura. Nessa realidade apresentada conscientemente, mas de maneira inocente e idílica, o autor inseriu sinais de inquietação e temor, implicitamente anunciando a destruição. Pois a "Crônica dos acontecimentos amorosos", assim como o filme "Senhor Tadeu", se passa numa esfera tecida de lembranças e nostalgia. Nostalgia da inocência, da pureza e do mítico país da infância – a mais linda, e ao mesmo tempo, perdida para sempre. O fundamento e a única razão de ser deste mundo é a imaginação do artista – tão indefesa contra as confusões históricas e cataclismos.
Os movimentos dessa imaginação movem as personagens do filme de Wajda.

AS SENHORITAS DE WILKO / PANNY Z WILKA
direção: Andrzej Wajda
roteiro: Zbigniew Kamiński
fotografia: Edward Kłosiński
direção de arte: Allan Starski
música: Karol Szymanowski
elenco: Daniel Olbrychski, Anna Seniuk, Christine Pascal,Maja Komorowska, Stanisława Celińska, Krystyna Zachwatowicz, Zofia Jaroszewska, Tadeusz Białoszczyński, Paul Dutron, Zbigniew Zapasiewicz, Andrzej Łapicki e outros.
Polônia, 1979, 116 minutos, cores, legendas em português - Formato da projeção: Digital
As obras do escritor Jaroslaw Iwaszkiewicz (1894-1980) estão entre as mais ricas da literatura moderna polaca. Ao longo de seus 60 anos de incansáveis produções, Iwaszkiewicz se interessou por diversas áreas e estilos literários. Por toda a vida praticou a lírica, escreveu romances e novelas, dramas, ensaios, biografias, reportagens e críticas. Os romances ocupam um lugar muito especial entre as suas criações. Uma de suas características mais comuns é o realismo envolvido em termos psicológicos. Problemas comuns de cada ser humano, questões sobre a vida e a morte, sentimentos e amor, são observados através do prisma de um tempo que não para. Não há volta aos acontecimentos do passado. A imagem da realidade, sobre a qual por anos pensávamos ser a única verdade, agora sob a luz de novas experiências parece ser simples e banal. Um conto íntimo e repleto de reflexões sobre a relação do homem e os ciclos naturais: vida e morte.
A procura de vestígios de emoções passadas, o nosso herói Wiktor Ruben (Daniel Olbrychski), depois de anos ausente, visita a cidade onde passou sua juventude. Em uma cidadezinha do interior, numa mansão próxima a casa de seus tios, passou os anos de sua mocidade em companhia de algumas jovens senhoritas.
Agora, Julia (Anna Seniuk) aguarda o nascimento de gêmeos, Jola (Maja Komorowska) se casou, Fela morreu prematuramente, também mudaram Zosia (Stanislawa Celinska) e Kazia (Krystyna Zachwatowicz), e da pequena Tunia (Christine Pascal) cresceu uma linda mulher. O aparecimento de Ruben, com suas lembranças e desejo de acordar o passado, atormenta a paz de todos na mansão, revelando os seus destinos perturbados, dramas e fracassos da vida. Ruben sai da cidade decidido a nunca mais voltar.

O MAESTRO / DYRYGENT
direção: Andrzej Wajda
roteiro: Andrzej Kijowski
fotografia: Sławomir Idziak
direção de arte: Allan Starski
música: Ludwig van Beethoven
elenco: John Gielgud, Krystyna Janda, Andrzej Seweryn,
Jan Ciecierski, Tadeusz Czechowski, Marek Dąbrowski, Janusz Gajos e outros.
Polônia, 1979, 102 minutos, cores, legendas em português - Formato da projeção: Digital
Quando pediram a Ingmar Bergman que apresentasse uma lista com os onze filmes que mais o impressionaram, ele aceitou o desafio e entre esses restritos onze filmes, nos primeiros da lista, estava “O Maestro” de Andrzej Wajda. Qual foi a razão de tal escolha, sobre a qual, os críticos polacos mencionaram que este filme não está nem mesmo entre os melhores de Wajda? Talvez possa ser a presença neste filme do motivo da “procura do tempo perdido”, idéia também constantemente presente nos filmes do autor de “Morangos Silvestres”? Talvez...
Sem dúvida nenhuma esse filme foi melhor recebido no exterior do que na Polônia. O filme ”O Maestro" recebeu prêmios em prestigiados festivais de cinema como o de San Sebastian e Santander.
Marta (Krystyna Janda) uma jovem e talentosa violinista, que durante seus estudos nos EUA conheceu John Lasocki (John Gielgud), maestro conhecido internacionalmente, que fora um grande amor de sua mãe. O choque causado por esse encontro com Marta, despertou no velho mestre, o desejo de voltar ao passado. Lasocki rompe contatos, descuida de seus compromissos e horários. Viaja para a Polônia e vai para a cidade onde nasceu há mais de setenta anos. Quer dirigir a V Sinfonia de Beethoven, a ser executada pela orquestra local. No entanto, o diretor desta orquestra é o marido de Marta, Adam (Andrzej Seweryn), pessoa ambiciosa e um pouco absorta. Com a chegada de Lasocki vê sua grande chance. Adam repara a fascinação de Marta pelo grande maestro, sua humildade, gentileza e entendimento da essência da música. Nasce então, um sentimento de ameaça que se transforma em raiva. Lasocki morre repentinamente.
Marta começa a julgar o marido em sua personalidade e caráter.
John Lasocki foi representado pelo astro britânico, John Gielgud. Marta foi representada por Krystyna Janda, então no início da sua carreira artística, no entanto Adam, foi representado por seu ex-marido Andrzej Seweryn. E justamente ele recebeu a melhor crítica.
A crítica provocava Wajda afirmando que não aproveitou suficientemente o papel da música de Beethoven. Escreveram que a “V Sinfonia” poderia ser um comentário metafórico do intrincado destino dos personagens, mas serviu somente como um belo acessório adicional. Mesmo assim, o filme “O Maestro”, ficou como uma gravação minuciosa das relações "trêmulas" entre as pessoas; sobre a insegurança de atitudes e ideais, padrões culturais passageiros e relativos.

O HOMEM DE MÁRMORE / CZŁOWIEK Z MARMURU
direção: Andrzej Wajda
roteiro: Aleksander Ścibor-Rylski
fotografia: Edward Kłosiński
direção de arte: Allan Starski
música: Andrzej Korzyński
elenco: Jerzy Radziwiłowicz, Krystyna Janda, Tadeusz Łomnicki, Jacek Łomnicki, Michał Tarkowski, Piotr Cieślak, Wiesław Wójcik, Krystyna Zachwatowicz, Magda Teresa Wójcik, Bogusław Sobczuk, Leonard Zajączkowski, Jacek Domański, Zdzisław Kozień, Irena Laskowska, Wiesław Drzewicz, Kazimierz Kaczor e outros.
Polônia, 1976, 153 minutos, cores, legendas em português - Formato da projeção: Digital
"O Homem de Mármore" nasceu no sacrifício. Foram necessárias muitas tentativas e intervenções para convencer os funcionários e diretores de cultura de que este não fosse um filme que atacasse o governo comunista. E foi? Foi, e de forma tão proeminente e minuciosa que gerou pânico. Esta obra de Wajda foi designada à distribuição limitada, fato que ao invés de mascarar, serviu para melhor popularizar e repercutir o filme. Uma obra que foi bem-sucedida em ligar uma arte sincera a uma crítica aberta sobre a mentira, violência e escravidão, tendo em si uma força singular de influência. Este filme se tornou também um grande evento, não apenas cultural. As mídias oficiais tentaram adulterar o seu sentido, falando e escrevendo que “O Homem de Mármore” é somente uma voz útil em um construtivo debate socialista sobre “o tempo dos erros e distorções” condenado já pelo partido comunista. Mas também desta vez “a vontade do partido” se desencontrou com “a vontade do povo”. A vida dramática de Mateusz Birkut (Jerzy Radziwiłowicz) foi com razão percebida pelos espectadores como uma metáfora de luta de uma unidade contra o totalitarismo. “A luta de Birkut pela verdade, afinal não acabou nos anos 50” - Wajda parecia dizer através de seu filme – “essa luta continua até hoje, e prova disso é a desesperada luta de Agnieszka (Krystyna Janda) contra a nomenclatura da televisão". Para o sucesso de “O Homem de Mármore” contribuíram o talento e trabalho de muitas pessoas, principalmente do diretor e dos atores principais. A criação espetacular de Mateusz Birkut, foi desempenhada pelo jovem ator do Teatro Velho de Cracóvia Jerzy Radziwiłowicz, antes conhecido apenas por dois papéis no cinema. Uma debutante absoluta na tela foi a expressiva Krystyna Janda, na época uma atriz de vinte e cinco anos de idade do Teatro Ateneum de Varsóvia. A atenção da crítica foi atraída também pela construção da obra de Wajda. Pois não se trata somente de um conto fascinante sobre o homem destruído pela história, mas também uma minuciosa gravação da realização de um filme. É um registro de um caminho frequentemente difícil de um autor cheio de obstáculos em forma de falta de dinheiro, má vontade das autoridades, problemas técnicos. Hoje o filme “O Homem de Mármore” já é um clássico e uma lenda.

TUDO À VENDA / WSZYSTKO NA SPRZEDAŻ
direção: Andrzej Wajda
roteiro: Andrzej Wajda
fotografia: Witold Sobociński
cenografia: Wiesław Śniadecki
música: Andrzej Korzyński
elenco: Beata Tyszkiewicz, Elżbieta Czyżewska, Andrzej Łapicki, Daniel Olbrychski, Witold Holtz, Małgorzata Potocka, Elżbieta Kępińska, Bogumił Kobiela e outros.
Polônia, 1968, 94 minutos, cores, legendas em português - Formato da projeção: Digital
O filme construído ao redor do tema da procura do ator desaparecido, que não apareceu para às gravações de um filme, é uma imagem de paixão e fraquezas do ambiente cinematográfico. "Tudo à venda" conta sobre um homem que de repente partiu. Sua morte força a refletir, quem ele foi de verdade, o que ele deixou para trás, quem ficará na memória dos que o amavam, Quanto tempo a lenda dele sobreviverá?
Em várias entrevistas com Andrzej Wajda aparece a frase de Zbigniew Cybulski no aeroporto de Roma, um pouco antes da morte dele: "Digam a ele (ao Wajda), que ainda vai sentir saudade de mim". Da exposição dessas palavras no filme vem a conclusão que essa obra era para ser um cálculo com o passado – com a amizade entre Wajda e Cybulski.
O ator Cybulski atuou somente três vezes nos filmes de Wajda: em "Cinzas e Diamante", "A Geração", e em "Magos inocentes". Mas o diretor tinha planos de realizar outros filmes com ele. Sua morte foi um choque; "à noite Polanski ligou com a notícia que Zbigniew morreu. De repente me senti como um autor sem seu personagem. Pensei que apesar de tudo, tenho que fazer um filme justo sobre ele, assim fascinante, mesmo que parasse de existir". Mas a morte de Zbigniew Cybulski foi somente um dos motivos para realização desse filme. Apesar podermos ver na tela muitos fatos da vida de Cybulski, não é um filme sobre ele. Como dizia Andrzej Wajda - esse é um conto sobre as pessoas que fazem filmes, sobre os diretores, atores, assistentes, ajudantes. Os atores do filme "Tudo à venda", tais como Beata Tyszkiewicz, Elzbieta Czyzewska ou Daniel Olbrychski representam eles mesmos, com seus próprios nomes e falam seus próprios textos. A ficção de um filme se mistura com a realidade. No título "venda" é o descobrimento dos próprios pensamentos, emoções, impressões, um certo exame de consciência.

OS MAGOS INOCENTES / NIEWINNI CZARODZIEJE
direção: Andrzej Wajda
roteiro: Jerzy Andrzejewski, Jerzy Skolimowski
fotografia: Krzysztof Winiewicz
cenografia: Leszek Wajda
música: Krzysztof Komeda
elenco: Tadeusz Łomnicki, Krystyna Stypułkowska, Wanda Koczeska, Kalina Jędrusik, Teresa Szmigielówna, Zbigniew Cybulski, Roman Polański, Krzysztof Komeda, Jerzy Skolimowski e outros.
Polônia, 2002, 100 minutos, cores, legendas em português - Formato da projeção: Digital
Andrzej Wajda disse sobre a sua obra: "...provavelmente um dos filmes mais politicamente neutros que realizei. Porém foi avaliado de outra maneira pelo poder comunista dos tempos de Gomułka. Um tema inocente, sobre um jovem médico, que gosta de meias elásticas e de bons cigarros, que tem um gravador e fica gravando as suas conversas com as mulheres, e o seu único passatempo é tocar bateria na banda de jazz de Krzysztof Komeda - verificou-se ser um tema mais delicado para os educadores da ideologia comunista de que o próprio Exército Nacional ou o Levante de Varsóvia". "Os Magos Inocentes" é um estudo psicológico de um casal jovem. Ele, um jovem médico de atletas, que em "seu tempo livre" toca jazz no porão. Não tem grandes ambições, sonha com uma casa e um carro, e não liga muito para as emoções. Tem um jeito próprio de construir sua autoconfiança, pinta o cabelo de loiro, tem comportamento natural, anda de moto, sua quitinete é um buraco vazio em função de um quarto com vários troféus e uma foto de Einstein. Ela, uma moça que encontrou por acaso em um clube de música. Não se sabe muito mais sobre ela. O casal passa uma noite junto, levando um certo jogo de amor entre caretas e poses, mas ficam cada vez mais fascinados um pelo outro. Com o passar do tempo um alegre jogo erótico se transforma em um streap poker. No jogo a aposta é alta e se a moça perder deverá se entregar...
Cinismo, indiferença e a atitude libertina dos personagens são apenas uma máscara, atrás da qual escondem-se emoções humanas normais ou pelo menos da nostalgia por elas. O filme causou um amplo debate social. As críticas depois de sua estreia foram extremamente diferentes - desde as agressivas até às positivas. Isso não prejudicou que "Os Magos Inocentes" conquistasse o diploma no Festival Internacional de Filmes em Edimburgo em 1961.


Maiores informações: Paulo Cesar Kochanny (Secretário Consular)
Consulado Geral da República da Polônia
Konsulat Generalny Rzeczypospolitej Polskiej
Av. Agostinho Leão Junior 234
Curitiba-PR 80030-110
Brasil
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