quinta-feira, 25 de agosto de 2016

13 Coisas sobre a Polônia

TREZE COISAS SOBRE A POLÔNIA
QUE É PRECISO EXPLICAR AOS ESTRANGEIROS

Texto de Karolina Góralska



1. A Polônia não está localizado no círculo polar.
Não existem ursos polares a vaguear livremente através das planícies cobertas de neve. Não é muito frio durante todo o ano. E não, nós todos não usamos aqueles ridículos chapéus de pele com protetores de orelha. (Bem, não o fizemos antes que se tornaram moda.) A Polônia tem um clima moderado, com quatro estações bem marcadas e no verão aqui realmente fica quente.

2. Nós não somos todos os comunistas.
Caso você tenha perdido esse momento da história, há mais de 25 anos a Polônia transformou rapidamente e com sucesso de um regime comunista para uma república democrática. Nossos pais e avós experimentaram as graves repercussões de uma tentativa fracassada de colocar as nobres fundamentos de Marx e Engels em prática através de uma imposição violenta. E assim, a maioria dos polacos atualmente odeiam um pouco a simples menção ao comunismo.

3. Como nós não nos cansamos de comer batatas todos os dias.
Porque há tantas maneiras de comer batatas! Cozidas e polvilhadas com endro fresco, acompanhando kotlet; cozida e coberta com um cogumelo selvagem num molho cremoso; feita como panqueca salgada e coberto de goulash; pierogi, kopytka, pyzy - como poderia alguém se cansar de tantas variedades?

4. A Polônia não é um país minúsculo.
A Polônia é o nono maior país da Europa, tanto em termos de população como de território. Sua área é apenas um pouco menor que o da Alemanha e maior do que o Reino Unido ou a Itália.

5. A Polônia não é um país empobrecido.
A turbulenta história polaca afetou a economia do país, mas hoje a Polônia é um dos países de mais rápido crescimento na Europa Central, com uma educação de qualidade, mercados estáveis e fortes investimentos estrangeiros. A pobreza relativa ainda toca cerca de 7,4% da população, mas este número é semelhante aos níveis de pobreza relativa de qualquer outra nação desenvolvida.

6. Nós todos não vivemos em Varsóvia.
Há 38 milhões de pessoas na Polônia e a população de Varsóvia é inferior a 2 milhões. Então, da próxima vez que você encontrar alguém da Polônia, não pergunte: "Oh, você é de Varsóvia?", apenas porque essa é a única cidade polaca que você já tenha ouvido falar. Há uma grande chance do polaco na sua frente ser um daqueles 36 milhões que vivem em outros lugares.

7. Mas também nem todos vivem no campo.
Embora fazendas e florestas cubram 90% do território polaco, a maioria da população polaca vive em cidades e vilas. Cada um de nós não possuí um burro animal de estimação, mas a maioria de nós tem um parente com um pedaço de terra e nós adoramos passar fins de semana com eles, rodeados por campos e florestas.

8. Nós não somos todos os alcoólatras.
Não começamos nosso dia com uma dose de vodca no café da manhã. Sim, estamos orgulhosos de o quanto é boa a vodca polaca, especialmente porque é tão barata. E sim, nós bebemos muita vodca e somos orgulhosos do quanto podemos suportar seus efeitos. Mas, sério, nós realmente só bebemos em ocasiões especiais.

9. Sim, a Polônia tem praias e sim, tem montanhas.
Quase 800 km de litoral e 3 grandes cadeias de montanha (Cárpatos, Sudetos e Santa Cruz) divididas em 44 faixas, exatamente. Onde você imaginou gelo-desertos, existem diversas paisagens. Dunas móveis na região da Pomerânia é uma curiosidade à escala europeia. Chamamos Mazuria "A terra de mil lagos", apenas porque há tantos. A Polônia também tem o único deserto da Europa Central, Pustynia Błędowska. Há zonas úmidas no parque nacional Biebrzański, desfiladeiros em Ojców e as ilhas Woliński.

10. Como é possível pronunciar "W Szczebrzeszynie chrząszcz brzmi w trzcinie?"
A pronúncia polaca pode não ser fácil, mas esta frase em particular é um trava-língua, difícil de pronunciar, mesmo para os polacos nativos. O idioma polaco usa muitas consoantes, mas quando elas são agrupadas correspondem a um único som, o que significa que você não tem pronunciar cada letra. Por exemplo, "sz" é pronuncia como "ch", "cz" como "tch", "rz" mais ou menos como "j" no francês "je t'aime". Soa mais fácil, não é?

11. As cidades polacas não são restos feios da era comunista.
Stare Miasto ou Cidade Velha, o centro de todas as grandes cidades, está rodeado por kamienice, alguns dos quais têm 700 anos de idade. Estes belos edifícios residenciais são pintados em cores brilhantes e decorados com esculturas fantásticas e - basta olhar para imagens de Poznań, Wrocław, ou Kraków. As cidades polacas são testemunho de séculos de história. Toruń está cheia de arquitetura gótica; Malbork tem o maior castelo medieval construído de tijolos de toda Europa; Gniezno uma catedral do ano 1170. E todas as cidades polacas são verdes com parques ribeirinhos.

12. Sobrenomes polacos.
Meu sobrenome é Góralska, mas do meu pai é Góralski. Isso acontece com todos os sobrenomes polacos que terminam com -ski / ska ou -cka / CKI (e alguns outros). Sobrenomes com essas terminações funcionam como adjetivos e adjetivos tem a necessidade em idioma polaco de concordar em gênero com o substantivo. Então a sílaba final -ski é para homem, e -ska para o sexo feminino.

13. Polônia não só produz pessoas não-famosas.
Muitos dos famosos polacos são erroneamente taxados com outras nacionalidades. Roman Polański, diretor de cinema, é polonês. Frederic Chopin, criou músicas em Paris, mas nasceu e cresceu na Polônia. Maria Skłodowska-Curie casou com um cientista francês e trabalhou na França. Joseph Conrad era um polaco (seu nome verdadeiro era Józef Konrad Korzeniowski) e ele nem sequer dominava o inglês até ele ter 20 anos de idade. Nicolaus Copernicus, o cara que descobriu que o sol não girava ao redor da Terra, mas o contrário – também era polaco! E sem sua teoria o italiano Galileu Galilei não teria descoberto nada.

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Polônia - Lição de casa antes de viajar



Em torno da praça principal, Cracóvia reúne suas atrações e restaurantes (foto: Dayse Regina Ferreira)

Antes de viajar, é preciso fazer a lição de casa: aprender o que é proibido ou mal visto em cada país ou em cada região do país, saber quais os caminhos para conhecer melhor a cidade que se está visitando, conhecer um pouco da culinária local e até repetir algumas palavras no idioma de cada lugar.
Fotos: Dayse Regina Ferreira

Frutas, legumes, produtos da terra, naturais e frescos, na gastronomia polaca
Se os atletas franceses que vieram para a Olimpíada no Rio, como a nadadora Aurélie Muller, que acabou desclassificada na chegada da maratona aquática pela atitude anti-esportiva; o nadador Camille Lacourt, que acusou o chinês vitorioso Sun Yang de doping; os treinadores dos judocas derrotados Cathy Fleury e Pierre Duprat, que puseram a culpa no juiz, tivessem lidos um pouco sobre o Brasil e o Rio, talvez ficassem longe de escorregar na maionese.
E, principalmente, faltou a Renaud Lavillenie um pouco de bom senso, tentando tirar o ouro de Thiago Braz, que literalmente voou no salto com vara. O francês usou o subterfúgio de colocar sua derrota como causada pelas vaias recebidas. E chorou, ao sentir que não tinha condições de se equiparar ao vencedor. No entanto, bastava ter saltado com destreza e elegância, como foi o caso do brasileiro. E bastava também ter lido um pouco sobre a reação dos que assistiam aos jogos, para saber que faz parte da cultura brasileira a vaia. No Ceará o povo vaia até o Astro Rei, quando o pôr do sol não fica bonito na praia...

A comida de rua também é tradição em Cracóvia
Quem também não fez a lição de casa foi o atleta pinochio norte americano, cuja fama de mentiroso ultrapassou fronteiras. Ryan Lochte parece ter QI de ameba ( as amebas que nos desculpem) e até ter sido influenciado pela presidenta, quando apresentou desculpas, sem realmente assumir seus erros. Foi uma “lição de casa” baseada em sofisma.
Também “não saiu de casa” o jornalista de Nova York, que não gostou do biscoito de goma Globo, tradição nas praias cariocas desde tempos imemoriais. Gosto não se discute, mas escrever contra, foi um tiro no pé. Claro que ninguém é obrigado a provar -- e gostar – de escorpião ou gafanhoto frito, como é hábito na Ásia. Comer olho de carneiro como no Oriente, cérebro de macaco vivo, preso no meio da mesa para ser aberto na frente do freguês como iguaria real ( vi isso acontecer em Hong Kong), são experiências que fogem da cultura ocidental. Também não dá para esperar muito de quem só consome hambúrguer com fritas e come macarrão chinês em frente da televisão.

A vida é colorida na Polônia
Para viajar ao exterior convém sempre ter um mínimo de informações, principalmente quando a língua do país não é tão conhecida como o inglês, francês, espanhol ou italiano. Vai para a Polônia? Dedique algumas horas para leituras sobre o país de Chopin e aprenda que a Polônia não é apenas a beleza de seu mar, suas praias, seus bosques, seus monumentos históricos, suas tradições e cultura.
Polônia também é gastronomia, com uma culinária rica e receitas que não existem em outros países. Cada região tem suas especialidades, que perduram há séculos sem nenhuma modificação, já que os campos, bosques e pomares continuam produzindo os mesmos alimentos e produtos. A cozinha polaca é saudável e cheia de sabores, porque a maioria dos produtos utilizados tem origem natural e recebem como condimentos as plantas aromáticas (tomilho, orégano, alfavaca, cominho, salvia), todas com propriedades calmantes ao sistema digestivo humano.

Sopa é uma presença constante na mesa da Polônia
A história da arte culinária polaca tem mais de mil anos e conserva suas tradições. Parte da cultura nacional, é o traço de união entre o passado mais remoto e a história contemporânea. Já na Idade Média a Polônia era conhecida pela hospitalidade e a boa mesa. Só para lembrar: o soberano polaco Boleslau, o Valente, ofereceu um banquete no ano 1000 para comemorar a peregrinação do imperador Otton III a Gniezno – então capital da Polônia – para visitar o sepulcro de São Adalberto. A festa ficou para a história.
Também ficou famosa a mansão “Wierzynek” de Cracóvia, que no ano de 1364 recebeu monarcas e príncipes convidados ao casamento do imperador Carlos com a neta do rei polaco Casimiro, o Grande. Os festejos foram descritos pelo cronista francês Guillaume de Machault (1300-1377), que não poupou elogios à hospitalidade e aos famosos pratos oferecidos aos convidados.

Peixe frito, salada de legumes frescos, um bom vinho e a vida fica mais fácil
A cozinha polaca aceitou influencias estrangeiras e o surgimento de grandes quantidades de legumes nas receitas é resultado do trabalho da rainha Bona Sforza, italiana esposa do rei Segismundo I, o Velho (metade do século XVI). Influências francesas foram notadas nos temperos mais equilibrados, nos sabores realçados, nos aromas dos produtos e na arrumação mais elegante das mesas. A gastronomia polonesa também recebeu complementos dos pratos russos e a Lituânia. A bebida diária dos eslavos e durante muitos séculos dos polacos, foi a cerveja. Também em destaque o hidromel. Eram bebidas que aplacavam a sede e acompanhavam as comidas, como hoje se usa a água mineral.
A cerveja na Polônia originou até algumas anedotas históricas. Dizem as lendas que o papa Clemente VIII, que ficou na Polônia em 1588 como legado da Santa Sé, acabou um fã incondicional da cerveja fabricada em Warka. Já com a dignidade papal em Roma, ficou gravemente doente e começou a delirar por causa da febre e do efeito dos remédios. E suplicava, em suas crises, “Piva di Varca”. Os cardeais reunidos em torno do leito, pensavam que o enfermo estava invocando a ajuda de algum santo e começaram a rezar: Santa Piva di Varca, ora pro nobis. Si non é vero...

Folhado recheado com creme, a sobremesa preferida do papa polaco
APERITIVOS E COMIDINHAS
Para acompanhar as vodcas de fama mundial – Wyborowa, Zubrówka, Polonaise – são comuns os presuntos, como o Krakus, as salsichas defumadas ou frescas, as tortas de coelho, os vegetais e pepinos em conserva. As sopas mais tradicionais são o barszcz, de beterraba vermelha, com pequenos raviólis recheados de carne ( kolduny) ou com feijões. Żur é uma sopa espessa, meio ácida e bastante apimentada com salsicha, o krupnik, sopa de cevada e o chłodnik, sopa fria de pepinos frescos, acelga, ovos cozidos.
As carnes são geralmente de porco, em bifes empanados fritos na manteiga. Zrazy são pedaços de carne de gado com molho de cogumelos. As carnes recheadas em geral têm molho de cerejas, passas ou cogumelos. A carne de vaca pode ser cozida ao natural com molho de nabo branco. Língua também é bastante apreciada e são muitas as receitas de pato ou marreco assados com maçãs, a carne de caça, os filés de javali ou de veado, além de perdizes, codornas e faisão assado.

Panquecas recheadas, morangos, creme de leite: esqueça o regime e seja feliz 
Os peixes incluem trutas, carpas, e outros peixes de água doce, servidos com gelatina, fritos ou assados. Enguias e salmão geralmente são servidos defumados. Como entrada fazem sucesso os arenques com creme de leite, em azeite ou em escabeche de especiarias.
As hortaliças cultivadas na Polônia têm grande variedade: couve flor, nabo, cenoura, ervilhas, couve de Bruxelas, servidas cruas em saladas. E há ainda alho porró, nabo branco, pepinos em conserva, aipo . Embutidos em geral são servidos com salada de beterraba e nabo branco (cwikla) e as carnes com cenoura e ervilhas, repolho recheado com maçã.
Nas massas o rei é o pierogi, como raviólis recheados com batata, repolho ou linguiça. Faz sucesso também o knedle, croquetes com cerejas ou morangos, os crepes com queijo branco e frutas, os croquetes de massa (leniwe pierogi, kopytka), as almondegas com carne picada (pyzy).
Um dos pratos nacionais mais especiais são os cogumelos. São preparados fritos na frigideira, cozidos com creme de leite ou em escabeche. Os cogumelos secos, de sabor mais acentuado, são usados em sopas, molhos, carnes. Uma delícia é o pierogi com cogumelos e repolho.
Doces em geral incluem massa e frutas em conserva. Tortas de biscoito, pães de mel, tortas de queijo, doces com chocolate. Folhado recheado com creme era a sobremesa predileta do papa polaco que foi ator, antes de se tornar padre e virar atração turística no país cheio de atrativos. Boa viagem e bom apetite.
Entre as bebidas, águas minerais, sucos de frutas naturais como a groselha negra e vermelha, de maçãs e morangos. Entre as melhores cervejas a famosa Warka, Zywiec, Okocim, Lezajsk. O hidromel já caiu de moda, mas quando existe, é de alta qualidade.

Publicado originalmente no site do jornal BEM PARANÁ

domingo, 21 de agosto de 2016

A pobreza extrema existe na Polônia

Como se apresenta a pobreza na Polônia.
Fatos importantes sobre a pobreza dos polacos.

Na pobreza extrema vivem, hoje, mais de 2 milhões e 800 mil polacos. O que corresponde a 7,4% dos habitantes do país, que sobrevivem com menos de 540 złoty por mês. A população atual do país é de 38.478.602 habitantes

Por que os pobres não diminuem, uma vez que de acordo com dados da GUS, a situação financeira dos polacos está melhorando? Como olhar a pobreza na Polônia estando ela na União Europeia?

Embora o desemprego esteja caindo e o rendimento médio mensal per capita tenha subido no ano passado 3,2%, segundo o Escritório Central de Estatística, as estatísticas sobre a pobreza no país ainda permanecem ao mesmo nível que em 2013.

De acordo com o Dr. Krzysztof Szwarc, do Departamento de Estatística e Demografia da Universidade de Economia de Poznań, o índice de pobreza extrema na Polônia piorou.

"De acordo com dados da OSC em 2014, 7,4% dos polacos vivem em extrema pobreza, o mesmo percentual de 2013. Mas isto é uma ilusão. Ele apenas mudou, porque a o limite da linha de pobreza extrema aceitou um nível de subsistência maior. Em 2013, esse valor era de 551 para 1 pessoa, e em famílias de 4 pessoas de 1486 dólares. Em 2014, caiu, respectivamente, para 540 ouro e 1458 de ouro", diz Szwarc.

Os ricos ficaram mais ricos, e os pobres tiveram aumento de pobreza
A taxa de pobreza relativa em 2014, também se manteve inalterada face a 2013, tendo ascendido 16,2% (6 milhões e 200 mil pessoas), de acordo com uma pesquisa de orçamentos familiares. Apenas foi ligeiramente reduzida a taxa de pobreza oficial que caiu para 12,2% (4,6 milhões de pessoas), dos 12,8% registrado um ano antes.

Em todo o ano passado, 2015, melhorou um pouco a situação financeira dos polacos, mas o crescimento dos salários teve pouco efeito sobre as estatísticas da pobreza.

"A compensação é vagamente relacionada a taxa de pobreza. Em primeiro lugar, porque a pobreza, refere-se somente a um grupo específico de pessoas. Como pode ser visto a partir das análises, a grande maioria delas pertencem a famílias sem emprego. Mesmo que eles estejam empregados, trabalham para receber o mínimo, o que nos últimos anos não se alterou significativamente. As mudanças nos salários, medida pelo CSO, referem-se a toda a população. Em segundo lugar, a renda das famílias é completamente diferente do salário – pois a renda é a soma dos salários de todos os membros do agregado familiar ", - diz o prof. Tomasz Panek, vice-diretor do Instituto de Estatística e Demografia na Escola de Economia de Varsóvia, co-autor de "Diagnóstico Social".

A renda não é melhorada igualmente em todos os grupos sociais. "Pode-se até dizer que os grupos mais pobres ainda estão mal. Se você dividir a renda dos grupos, pode-se perceber que os mais ricos têm mais e mais, enquanto as despesas dos mais pobres excedem significativamente o rendimento. Assim, a melhoria média é devido a uma melhoria significativa da classe média abastada e a falta de melhora da situação entre os mais pobres ", comenta o Dr. Piotr Broda-Wysocki do Departamento de Políticas Públicas do Instituto de Ciência Política da Universidade Cardeal Stefan Wyszyński, de Varsóvia.

Szwarc, da Universidade de Economia de Poznań aponta outro fator que deve ser levado em conta ao se analisar os dados GUS. "Tentando justificar a estabilização da taxa de pobreza realmente deve-se mencionar a redução do número da população polaca, e, portanto, no denominador da taxa de pobreza. De acordo com dados das OSC, a partir de 31 de dezembro de 2013, a Polônia passou a ter uma população de 38.495.659 pessoas, um ano mais tarde, a queda foi cerca de 20 mil, chegando a 38.478.602", diz o especialista.

A pobreza não é igual
Diferenças entre os vários indicadores de pobreza? Como mencionado acima, o determinante de pobreza extrema chamado “mínimo de subsistência” é calculado pelo Instituto de Trabalho e Assuntos Sociais (ILSS). Esta é a quantidade mínima de despesas que pode atender às necessidades atuais, e que não podem ser adiadas. De acordo com a OSC, o consumo de menos do nível mínimo de existência conduz à "destruição biológica."

A pobreza relativa ocorre quando as despesas são inferiores a 50% da despesa média de todas as casas. No quarto trimestre de 2014, este montante foi de 713 złoty por mês.

Por outro lado, a pobreza, ou nível de intervenção social, está representada pelo montante, que de acordo com a Lei sobre a elegibilidade de assistência social é concedido pelas prestações pecuniárias de assistência social. A partir de outubro de 2012, para uma família com apenas um pessoa, este montante é 542 złoty, e para cada membro de uma família com vários integrantes é de 456 złoty.

Vítimas da pobreza: jovens, desempregados, família numerosa
Ao longo das últimas décadas, as estatísticas sobre a pobreza entre os polacos melhorou bastante, mas nos últimos anos tem havido um aumento alarmante no percentual de pessoas afetadas pela pobreza extrema. Mesmo em 2005, a taxa de pobreza extrema no país foi de 12,3%. O menor nível de pobreza foi registrado em 2008, da ordem de 5,6%. Desde então, a taxa vem subindo lentamente.

Os fatores que contribuem para as pessoas caírem na pobreza ainda são os mesmos. Não é nenhuma surpresa que o maior risco de pobreza extrema está entre os desempregados. De acordo com dados do Escritório Central de Estatística, em famílias onde pelo menos uma pessoa estava desempregada, a taxa de pobreza extrema foi de 15%, que é duas vezes mais que a média polaca. Quando a taxa de desemprego, manteve-se com pelo menos duas pessoas, a taxa de pobreza extrema aumentou para 33%.

Em termos de distribuição de fonte de renda, o maior risco de pobreza extrema entre os polacos, está fora do grupo dos desempregados. Neste grupo, a taxa de pobreza extrema é de 21%. Em segundo lugar, estão os pensionistas com12,5%. E o terceiro lugar é o dos agricultores com 12,1%. A pobreza extrema, embora em menor grau, afeta também os que estão empregados. A proporção neste grupo da população é de 6,5%. Somente nas posições subsequentes estão os pensionistas, com 5,8%. Entre os trabalhadores por conta própria, o índice de pobreza é de 4,1%.

A pobreza também está fortemente associada aos baixos níveis de escolaridade. No grupo das famílias, que mantém uma pessoa que tenha concluído o ensino médio, a taxa de pobreza extrema é elevada com seus 18,2%. No caso das pessoas com ensino superior, o percentual vem diminuindo para 0,9%.

Mais frequentemente do que a pobreza entre adultos na Polônia os que estão em maior risco são os jovens e as crianças. A taxa de pobreza extrema entre as pessoas com menos de 18 anos de idade foi de 10%, em 2014. Para efeito de comparação, entre as pessoas com idades entre 18 e 64 anos, a pobreza extrema afeta 7% dos polacos.

A situação é mais terrível em famílias com muitos filhos. Entre os casais com três crianças, a taxa de pobreza extrema, em 2014, ultrapassou 11%. Enquanto isso, em agregados familiares onde o número de dependentes é pelo menos de 4 crianças, vivendo abaixo do mínimo de subsistência, o percentual é de até 26,9%. Outro fator que aumenta o risco de pobreza extrema é a presença de uma pessoa com deficiência na família.

Mapa da pobreza da Polônia
Uma clara diferença também pode ser vista por regiões de residência dos polacos. Entre a população rural viviam em extrema pobreza no último ano, 11,8% de pessoas. Nas grandes cidades, com mais de 500 mil habitantes, a pobreza atinge apenas 1% dos residentes.

O mapa da pobreza polaco não mudou durante anos. A maioria dos pobres polacos que vivem na região Warmia-Mazuria e na região da Santa Cruz (Świętokrzyski), áreas agrícolas típicas o desemprego é elevado, 18% na Warmia-Mazuria e 14,1% na Santa Cruz. Estes dados são referentes a abril de 2015, e o nível dos salários também é baixo, respectivamente 3.441 złoty e 3.530 złoty brutos para o primeiro trimestre de 2015. A taxa de pobreza extrema nestas regiões é de 15 e 12%. "Warmia-Mazuria é uma área agrícola, onde não está muito desenvolvida a agricultura, são fazendas pós-estatais, longe do dos centros urbanos, com pouca infraestrutura moderna", diz o Dr. Piotr Broda-Wysocki.

O problema da pobreza em grande medida também se aplica às regiões Podlaska (tradução aproximada: sob a floresta) e Wielkopolska (Grande Polônia), onde a taxa de pobreza extrema é superior a 10%.

Na outra ponta do ranking está a região da Silésia, onde está registradas a menor taxa de extrema pobreza do país, da ordem de 4,7%.

"A Silésia, mesmo que, às vezes, seja tocada por crises associadas à reestruturação da indústria, é uma área muito mais rica, com todas as vantagens acima mencionadas, e uma melhor organização dos grupos sociais. Mesmo a falta de trabalho - graças a uma série de soluções políticas - não os leva ao empobrecimento imediato, como é no Norte do país. Além disso, a proximidade de um aglomerado de várias cidades cria novas oportunidades, por exemplo, para os jovens. O que, no Norte, não há na mesma medida ", explica Dr. Piotr Broda-Wysocki.

Logo atrás da Silésia, em termos de taxa de pobreza extrema, classifica-se a Mazóvia com 5,2% e a região da cidade Łódź (pronuncia-se uúdji) e arredores com 5,4%. Mas a situação destas duas regiões tem suas peculiaridades. Por exemplo, a Mazóvia. Uma linha separa os ricos de Varsóvia, com o resto da região. Sem a capital (da região e do país) a taxa de pobreza extrema na região sob para 7,7%, configurando-se numa taxa mais elevada do que a média polaca.

"Por muitos anos, a região oriental (que faz fronteira com Lituânia, Bielorrússia e Ucrânia) tem os piores índices em termos de desenvolvimento econômico se comparados com a região ocidental. No entanto, esta opinião não se encaixa em percentagem quando comparadas com a elevada taxa de pobres da região da Wielkopolska. A percentagem dos pobres está ligada ao percentual das zonas rurais que habitadas por 41% da população (aqui a taxa de pobreza é 14,8%), na Santa Cruz, a zona rural corresponde a 55% da população (e aqui a taxa de pobreza é de 12,2%). Na Wielkopolska, a zona rural tem 41% da população da região e tem 10,1% de taxa de pobreza extrema. E, por sua vez, a região silesiana tem 23% de população rural e taxa de pobreza de 4,7%. Na região da Baixa Silésia, a população rural é de 31% e a taxa de pobreza extrema é de 5,6. Na Pomerânia Ocidental a zona rural tem 31% da população e 7,2% de taxa de pobreza. Nas vilas rurais o risco de pobreza é maior "- diz Krzysztof Szwarc.

Como explicar a pobreza extrema polaca no contexto da União Europeia?
O serviço de estatística da UE possui diferentes abordagens para medir a pobreza na sociedade. De acordo com a metodologia do Eurostat, a linha de pobreza na UE assumida é de 60%, o equivalente ao rendimento médio nacional após as transferências sociais em cada país.

De acordo com os últimos dados disponíveis do Eurostat 24,5% dos habitantes da União Europeia estão em risco de pobreza ou exclusão social.

A maior percentagem da população em risco de pobreza foi registrado na Bulgária com 48% da população em situação de pobreza e exclusão. Na Romênia, o índice chega a 40,4%, e em crise a esmagada Grécia possui 35,7%. Entre os países da UE os que possuem as menores taxas de pobreza e exclusão social estão Islândia (13%), República Tcheca (14,6%) e a Holanda (15,9%).

As pessoas em risco de pobreza
ou exclusão social em percentagem da população


Polônia Letônia, Lituânia, Estônia, Bélgica, Finlândia, França, Grã-Bretanha, Portugal, Áustria, Zona Euro (17 países), Luxemburgo, Alemanha, Chipre, Itália, Irlanda

Na Polônia, o índice é de 25,8%. Por isso, é apenas ligeiramente superior à média da UE. O que coloca o país em 13º. lugar na comunidade, à frente, entre outros, de Hungria, Itália, Portugal e Espanha.

"O período imediatamente após 1989 não foi um momento empobrecimento permanente e de crise permanente. Você pode se perguntar se funcionou bem naquela época, a prosperidade foi distribuída da melhor e da forma mais justa. E, certamente, pode-se relatar uma série de objeções. Mas também não produziram os mitos que mergulham o país na pobreza. Como o país está ficando rico e ao nível dos indicadores da UE, ele é mais visível "- diz Dr. Piotr Broda-Wysocki.

O especialista salienta que não deve surpreender que alguns países chamados da antiga União tenham queda pior do que a Polônia. "Em primeiro lugar, a Polônia nunca fui um país extremamente rico - para que não possamos ter muitos pobres. Em segundo lugar, num momento em que nos compusemos, eles não se desenvolveram no mesmo ritmo ou caíram em períodos de recessão. Sob tais condições, a distância é reduzida."

Analisando os dados do Eurostat, é claro que o país é um líder absoluto em termos de progresso no combate à pobreza. Mesmo em 2005, a percentagem de polacos em risco de pobreza foi de 45,3%, nível mais elevado do índice registrado em seguida, apenas na Letônia (46,3%). Em 2013, o percentual de risco de pobreza na Polônia caiu em até 19,5%. Nenhum outro país tem neste campo tais grandes desenvolvimentos.

"O método para o sucesso era muito simples - um pouco muito ambicioso era o alvo. A boa análise da Dra. Irena Topińska preparada para EAPN, diz em suma, que a pobreza daqueles que estavam em piores condições, poderia ser mais fácil de ajudar. Todos os problemas estruturais, tais como a pobreza infantil, o problema dos limites de baixa renda, a falta de valorização de quase uma década, etc., permaneceu inalterada. Neste último caso um enorme impulso foi dado pelo resultado das eleições presidenciais", - afirma o Dr. Piotr Broda-Wysocki.

Em maio deste ano, o Ministério do Trabalho e Política Social anunciou que quer aumentar o critério de renda para se ter direito ao abono familiar para 754 złoty (um aumento de 31,4%). Quanto à renda familiar por pessoa haverá aumento para as famílias com um filho deficiente de 27% ou seja, até 844 złoty. As propostas de alteração já foram submetidas à Comissão Tripartite.

"Os limites das mudanças anunciadas para o sistema de bem-estar social são extremamente generosos. Por um lado, estou feliz, porque depois de 10 anos, vale a pena ter acabado com esta inclinação. Por outro, porque mostra uma completa falta de visão de política social - afinal, ainda em 2013 ninguém se preocupou que certas categorias da renda familiar que dá direito a receber assistência social estava abaixo do mínimo de subsistência", acrescenta o especialista da Universidade Cardeal Stefan Wyszynski em Varsóvia.

O Prof. Tomasz Panek de SGH adverte contra tirar conclusões erradas a partir dos dados do Eurostat. "Em risco de pobreza é um nome ruim. Ela é apenas a taxa de pobreza. Os dados do Eurostat, no entanto, não devem ser utilizados para comparações entre países, porque as linhas de pobreza de cada país são diferentes. Comparar os países na base é apenas uma ferramenta de políticos ", diz o professor.
De acordo com a União, os pobres, são aqueles que vivem em uma casa com uma renda não superior a 60% da renda média no país. De acordo com o economista, fazendo uso dessa definição, verificar-se-á que no Reino Unido a taxa de pobreza é do que na Polônia, o que é absurdo.

"Eurostat é realmente uma medida da desigualdade de renda em diferentes países", disse o prof. Tomasz Panek."A partir dos dados do Eurostat pode-se concluir unicamente que, na Polônia em comparação com outros países, diminuiu a desigualdade de renda. Ela está associada com a política da UE, que assume que as transferências são para reduzir essas desigualdades. A diminuição da desigualdade na Polônia é apenas relativa. Elas só foram inibidas ", acrescenta o economista.

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Sinfônica do Paraná homenageia Leminski


A Orquestra Sinfônica do Paraná apresenta na quarta-feira (24/08), às 20h30, no Teatro Guairão, o concerto “Paulo Leminski – Canções e Poemas”. A data de abertura homenageia o nascimento do poeta (24 de agosto).

Com regência do maestro Alessandro Sangiorgi, o concerto terá participações de Estrela Leminski, Téo Ruiz, Ná Ozzetti, Rogéria Holtz e Aurea Leminski.

O programa abre com a declamação da poesia "Sintonia para Pressa" e "Presságio" e segue com as canções e poemas "Verdura", "Se houver céu", "Hoje tá tão bonito", "A você amigo", "Navio", "Filho de Santa Maria", "Polonaises", "Live with me", "Xixi nas Estrelas", "Luzes", e "Valeu".

Todas as composições são do Leminski ou têm participação do poeta. Como parte das comemorações, na ocasião será lançado o LP duplo Leminskanções.

Leminski experimentou diversas linguagens artísticas. Faleceu aos 44 anos e deixou um grande legado na literatura e na música. Produziu cerca de 110 músicas, entre canções e parcerias, catalogadas em um livro de partituras recém-lançado. Nos anos 1980, estas composições foram gravadas por Caetano Veloso, Blindagem, A Cor do Som, Ney Matogrosso, Paulinho Boca de Cantor, Moraes Moreira, Itamar Assumpção e Ângela Maria.

O evento marca a abertura do “Mês da Literatura” que terá 11 escritores paranaenses percorrendo 25 municípios do interior do Estado. Cada autor visitará entre duas e três bibliotecas. Durante os encontros, os escritores, além de falar sobre suas próprias obras, também irão abordar assuntos como livro, leitura e formação de leitores.

Entre os autores convidados, estão romancistas (Cristovão Tezza e Miguel Sanches Neto), autores infantojuvenis (Cléo Busatto), poetas (Rodrigo Garcia Lopes e Karen Debértolis), críticos (José Castello) e jovens autores (Marcos Peres). Um recorte plural da cena literária paranaense.

A programação completa do Mês da Literatura estará disponível no site da Secretaria da Cultura: www.cultura.pr.gov.br.

Serviço:
Abertura do “Mês da Literatura” com o concerto da Orquestra Sinfônica do Paraná
“Paulo Leminski – Canções e Poemas”
Regência: Alessandro Sangiorgi
Participações especiais: Estrela Leminski, Téo Ruiz, Ná Ozzetti, Rogéria Holtz e Aurea Leminski
Dia 24 de agosto, às 20h30 Auditório Bento Munhoz da Rocha Netto – Guairão Ingressos: R$ 20 e R$ 10 (meia-entrada)
Classificação: maiores de 7 anos

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Palavras polacas - 6


Pronúncia
Masło (manteiga) = massúo,
Jajko (ovo) = iaico,
Patelnia (frigideira) = patélnia,
Boczek ( bacon) = bótchék,
Sól (sal) = sul,
Szczpiorek (cebolinha) = chtchepiorék,
Talerz (prato) = taléji,
Jajecznica (virado de ovos) = iaiétchnitssa

A maioria das palavras polacas são paroxítonas, portanto a sílaba tônica, ou forte é a penúltima. Uma consoante sozinha no final das palavras, não é uma sílaba, portanto, não é a última.

sábado, 30 de julho de 2016

Papa: convidado incômodo na Polônia

Gregorio Borgia - AP Photo
A fama de católicos devotos dos polacos se aplica em especial a seu governo nacional-conservador. Mas, ao contrariar expectativas em sua visita, Francisco estraga a festa, opina o jornalista Christoph Strack.

A coisa poderia ter sido tão boa: o papa, o sucessor do apóstolo Pedro, de visita a Cracóvia por cinco dias. Centenas de milhares de jovens entusiasmados, os olhos de todo o mundo pregados na cidade no sul da Polônia. E ele está acomodado nos melhores aposentos da cidade, no Wawel, o antigo castelo real, a apenas alguns passos da sepultura do novo "santo" da nação, o ex-presidente Lech Kaczyński, morto em 2010 num acidente aéreo.

Mas aí Francisco vem e simplesmente sai falando. Ele deixa bem claro que não está de acordo com os rumos da política polaca, diz o que gostaria que fosse diferente. Aí é que a festa começa de verdade. O discurso do líder da Igreja Católica aqui não pôde ser tão arrasador como sua crítica à União Europeia em 2014, no Parlamento Europeu, em Estrasburgo; como ao receber o Prêmio Carlos Magno há pouco menos de três meses, no Vaticano. Mas ela foi suficientemente direta.

Não se trata apenas do curso restritivo do governo nacional-conservador no tocante ao acolhimento de refugiados. Já na homenagem ao país anfitrião soou uma nota de crítica. Francisco evocou (em palavras, aliás, que em parte poderiam ser de seu grande antecessor polaco, João Paulo II o "sonho de um novo humanismo europeu", da cultura comum de toda a Europa, norteada pelo cristianismo.

O sumo pontífice falou de uma "consciência de identidade sem qualquer prepotência"; exortou à "abertura para a renovação"; alertou para a "unidade, também em meio a diferenças de opinião". Ele louvou a reconciliação teuto-polaca, iniciada pelas Igrejas; lembrou, ao seguramente devoto auditório, que Deus "transforma dificuldades em chances e cria novas situações onde parecia ser impossível".

E então se referiu expressamente à migração: é necessária "a disposição de acolher aqueles que fogem da guerra e da fome; a solidariedade perante os que foram privados de seus direitos fundamentais". Resumindo: cabe "fazer o que seja possível para minorar o sofrimento".

A bela congregação festiva em Wawel:
a primeira-ministra Beata Szydło, que apenas horas antes criticara veementemente a chanceler federal alemã, Angela Merkel, por sua política para os refugiados. Cujo ministro do Interior, Mariusz Błaszczak, anunciara, antes das palavras do papa, que França e Alemanha ilustravam o fracasso do multiculturalismo: que o homem de Roma dissesse o que quisesse, a Polônia permaneceria em seu curso político.

Szydło e Błaszczak se esforçaram para manter uma cara boa. E, aliás, também os bispos do país, muitos dos quais vivenciaram o comunismo ainda como padres e que agora se mostram tão satisfeitos com tanto conservadorismo, também nacionalista.

Francisco apelou às consciências deles todos - às dos bispos, ainda uma segunda vez, a portas fechadas. O "papa de longe" lembrou à Europa e à Polônia de valores fundamentais, da mensagem cristã inscrita no continente. Certamente ele não espera que a liderança polaca repita o que Merkel fez, ignorando as regras europeias numa situação percebida como emergencial.

Mas o papa Francisco formulou expectativas
- expectativas que valem para qualquer nação da Europa, diante do novo debate após os hediondos atentados. Extremamente significativo foi o Vaticano ter esclarecido previamente - numa iniciativa inusual, antes de uma viagem desse gênero - que o papa e os bispos da Polônia estavam de pleno acordo na questão dos refugiados. Só que os bispos seguramente ainda não estavam sabendo disso, poderia-se imaginar...

Um detalhe demonstra quão necessárias as palavras do pontífice foram para esta Polônia de 2016. O novo governo do Partido Direito e Justiça (PiS) forçou a emissora estatal à conformidade. O discurso do papa é o lead no site da televisão estatal na internet. E lá se dizia que Francisco teria frisado que a Polônia, esse país de emigrantes, deveria "facilitar o retorno" de seus próprios emigrados. Só mais tarde mudou-se a manchete para aquilo que jornalistas de todo o mundo noticiaram, quase literalmente: "Papa pede que Polônia acolha refugiados".

Dá para imaginar como foi acirrada a disputa na emissora, ainda antes do discurso papal. Pois também sobre outros detalhes do programa da visita o veículo espalhou boatos: consta que a liderança em Varsóvia teria desejado que Francisco visitasse o túmulo de Lech Kaczyński - cujo local de sepultamento, ao lado dos reis da Polônia, é antes inusitado. São apenas alguns degraus até as sepulturas de muitos grandes polacos, teria-se argumentado.

Não, respondeu Roma, os degraus altos... é o que disseram os boatos. Vai-se construir então uma escada rolante para ele, teria reagido alguém no mais alto escalão do país. Não, continuou sendo a resposta, e o papa não foi até o túmulo de Kaczyński. Mas talvez alguém tenha reparado a disposição com que o religioso subiu os degraus da estreita escada no Wawel para se encontrar com o presidente Andrzej Duda.

Os próximos dias do papa Francisco na Polônia ainda podem trazer muitas surpresas.

TEXTO: Christoph Strack
FONTE: Rádio Deutsche Welle

Últimos momentos do Papa Francisco em Cracóvia

Campus Misericódia em Brzegi / Cracóvia
A sexta-feira terminou com a Via Sacra com o Papa Francisco no Parque Błonia (pronuncia-se buonia). De acordo com os organizadores participaram aproximadamente 800 mil pessoas.

Aqueles peregrinos que estão alojados a uma distância maior de Cracóvia retornaram aos seus lugares para dormir. São esperados para a vigília, deste sábado, junto com o Papa, um milhão de peregrinos.

As estimativas apontam que amanhã, domingo, nas celebrações finais da Jornada poderão estar presentes mais de 1,8 milhões de pessoas, no Campus Misericordiae.

Esta área de Brzegi, entre Cracóvia e Wieliczka, está distante 12 km da praça central da cidade - Rynek Głowny - e tem aproximadamente 250 hectares.

De acordo com estimativas, ela poderia ser ocupada por até 2,5 milhões de pessoas.
No local foram construído dois edifícios. Um será a Casa de Misericórdia, lugar de apoio ambiental para idosos e deficientes.

No outro edifício deverá funcionar o "Pão Caridade", um centro de logística Caritas da Arquidiocese de Cracóvia para armazenar e distribuir alimentos diretamente para a paróquia

A Caritas deverá entregar pacotes de alimentos para cerca de 80 mil pessoas. Ambos os edifícios estão sendo considerados "monumentos de misericórdia".
Ao lado de um dos edifício foi construída uma torre com o "Sino da Misericórdia" que vai bater, anunciando a chegada do Papa Francisco, na manhã  deste domingo no campus.

terça-feira, 26 de julho de 2016

Cracóvia está protegida de ataques terroristas

Os recentes atentados na Alemanha elevaram o nível de alerta na Polônia, onde a Jornada Mundial de Juventude reunirá milhares de jovens de todas as partes do mundo.

No Angelus deste domingo o Papa Francisco pediu orações pelo evento e pelas vítimas dos recentes atentados em Kabul e Munique.

O Governo dos Estados Unidos já havia advertido em maio para o “risco de ataques terroristas na Europa” e em “grandes eventos”, entre os quais citou a JMJ. O Ministério do Interior polaco anunciou no domingo que serão deslocados mais 7.500 agentes para a JMJ, o que elevará à 20 mil o número total de agentes de segurança.

Os policiais serão responsáveis pelo patrulhamento das ruas, aeroportos, estações de trem, centros comerciais e locais que receberão um número significativo de pessoas. Da mesma forma, as forças de segurança farão uso de cinco helicópteros, bombeiros, agentes do Departamento de Proteção do Governo e guardas de fronteiras. “Não temos registro de ameaças terroristas na Polônia, porém, isto não quer dizer que não estamos em alerta diante do que acontece fora de nosso país”, afirmou o Ministro do Interior.


Durante toda a JMJ serão feitos controles aleatórios dos peregrinos com Raios X portáteis, detectores de metal e cães treinados para detectar explosivos. O Governo vai delimitar sete zonas de exclusão aérea, assim como a proibição de fogos de artifício e material pirotécnico.

A Polônia já havia montado um dispositivo de segurança em 4 de junho passado, às vésperas da reunião da OTAN, esquema que será mantido até a conclusão da JMJ. Um dos responsáveis pela segurança, o policial polaco Jan Lach, afirmou que “a segurança supõe um enorme desafio logístico, pois se trata de uma operação histórica pela envergadura e repercussão”.

Lach garantiu que tudo está preparado, pois já foram realizados os reconhecimentos dos lugares das cerimônias e os agentes “estão treinados e são totalmente profissionais e capazes de proporcionar aos participantes total segurança”. O trabalho da polícia polaca recebeu há alguns dias a aprovação do Chefe da Gendarmaria Vaticana, Domenico Giani, que visitou os lugares que o Papa Francisco percorrerá durante sua estada em Cracóvia. “A avaliação foi positiva e o Vaticano não apresentou nenhuma objeção aos dispositivo de segurança”, explicou à Agência Efe o Secretário Geral do Comitê Organizador da JMJ 2016, Padre Grzegorz Suchodolski.

Os Aeroportos de Cracovia-Balice e Katowice-Pyrzowice contarão, durante a JMJ, com agentes de fronteira de Portugal e Itália. Os controles serão realizados de forma aleatória em indivíduos selecionados com base em análises de riscos e informações fornecidos por outros países.

A Polônia também reforçou os controles nas suas fronteiras com o enclave russo de Kaliningrado e Ucrânia, de onde se prevê a chegada de 200 mil peregrinos. Até agora, 360 mil peregrinos de todo o mundo confirmaram a participação na 31ª Jornada Mundial da Juventude. 

Fonte: Rádio Vaticano (JE)

terça-feira, 19 de julho de 2016

Duda: Não existe nenhuma ameaça a Polônia

Aeroporto Internacional Papa João Paulo II de Cracóvia, em Balice
Após o ataque de 14 de julho, na França, o Presidente da Polônia, Andrzej Duda, afirmou que não há ameaças à segurança dos participantes da Jornada Mundial da Juventude (JMJ). "Não existe nenhuma ameaça a Polônia…Não há evidências de qualquer risco", declarou.


Um dia após o ataque de Nice, as autoridades polacas convocaram uma reunião de alto nível sobre terrorismo em vista da Jornada. O Ministro do Interior, Mariusz Błaszczack, acredita que não é necessário reforçar o dispositivo previsto, o mesmo que foi estabelecido para a cúpula da OTAN realizada em Varsóvia no início de julho - uma conferência em que não houve conflitos.




SEGURANÇA NAS FRONTEIRAS
Até 2 de agosto, os controles nas fronteiras entre a Polônia, a República Tcheca, a Alemanha, a Lituânia e a Eslováquia foram reforçados.

O tráfego de fronteira com o enclave russo de Kaliningrado e com a Ucrânia está suspenso. Em relação ao aeroporto de Cracóvia, onde o avião do Papa aterrizara, a supervisão será feita pelo Gabinete de Operações Antiterroristas. A proibição de transporte de armas também foi implementada.

A segurança dos peregrinos na JMJ em Cracóvia, mas também durante os eventos que se realizarão nas diferentes paróquias do país, será controlada por 20.000 policiais.

A polícia recebeu equipamentos adicionais, incluindo um robô projetado para desarmar explosivos. Uma possível evacuação dos peregrinos nas rotas designadas demoraria apenas oito minutos.

Fonte: Rádio Vaticano

quarta-feira, 13 de julho de 2016

Palavras polacas - 5


Pronúncia:
Bułka kajzerska = buuca caizérsca
Chleb (biały) = rrrb (biaue)
Bagietka = baguiétca
Bułka grahamka = buuca grarranca
Bułka wrocławska = buuca vrotssuafsca
Chleb razowy = rrrb rave (a pronúncia do ch é de R de início de palavra - forte e mudo - e o R é de meio de palavra, suave)
Rogal = gal (a pronúncia é do R de meio da palavra, suave).

A maioria das palavras polacas são paroxítonas, portanto a sílaba tônica, ou forte é a penúltima. Uma consolante sozinha no final das palavras, não é uma sílaba, portanto, não é a última.

Seleção polaca brilhou na Euro2016

Da esquerda pra direita em pé: Krzysztof Maczyński, Łukasz Fabiański, Tiago Cionek*, Artur Jędrzejczyk, Tomasz Jodłowiec e Kamil Glik.
Da esquerda pra direita agachados: Arkadiusz Milik, Piotr Zieliński, Bartosz Kapustka, Robert Lewandowski, Michał Pażdan.
No jogo contra a Ucrânia, em Marselha.
Foto: Kuba Atys
* Nasceu em Curitiba, brasileiro descendente de imigrantes da Polônia, com cidadania polaca.

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Palavras polacas - 4



Pronúncia
Masło = maSSÚo
Chleb = RRRléb" (o CH é gutural como os alemães pronunciam o R)
Ser =  SÉR (com o E aberto)
Szynka = CHinca (o y se pronuncia com i fraco...um som entre o I e o)

Sílaba tônica
As sílabas sublinhadas acima, na pronúncia, são as fortes, tônicas e os acentos é para indicar que são vogais abertas (agudo) e fechadas (circunflexo). A maioria das palavras polacas são paroxítonas, portanto, a sílaba forte é a penúltima. Excessão feita às palavras de origem latina, ou estrangeirismos.

Resposta polaca aos ucranianos

Carta de intelectuais e políticos polacos aos irmãos ucranianos em resposta à carta das personalidades ucranianas de 3 de junho de 2016, pedindo perdão aos polacos.

Obrigado por vossa carta e por favor aceite nosso pedido de perdão pelos erros polacos infligidos aos nossos irmãos ucranianos.

Irmãos ucranianos,
Em 1894, na Conferência Polaco e Ucraniana de literatos e jornalistas em Lwów (Lviv), Iwan Franko, poeta, escritor e pensador, disse: "Em todo o eslavismo não há duas nações tais, no que diz respeito à vida política e espiritual tão intimamente ligadas entre si, com inúmeros laços interligados por obrigações, e mesmo assim continuassem renegando um ao outro, como polacos e ucranianos”.

Ao longo do tempo, nossa infelicidade comum, evitou suplantar o ódio e o nacionalismo e sua filha irrenunciável – o crime – do qual provaram juntos polacos e ucranianos na Volínia e na Galícia Oriental, em Chełm, nas montanhas Bieszczady e nas terras de Przemyśl.
Esta sua carta muito nos rejubila, para que possamos trocar palavras em que "pedimos perdão", por fugirmos da responsabilidade pelos danos polacos que prejudicaram-nos quarenta anos desde o século passado. Nós também prestamos homenagem às vítimas dos conflitos fratricidas nas relações polaco-ucraniana.

Agradecemos por vossa carta e pedimos perdão pelos erros polacos infligidos aos nossos irmãos ucranianos. Antes de nós, termos similares foram proferidos pelos representantes da Igreja católica polaca, do perdão recíproco fortemente incentivado pelo nosso patricio, o Papa João Paulo II.
Nesta Reconciliação trabalharam incansavelmente Jerzy Giedroyc e Jacek Kuroń, e também os presidentes de nossos países. Apelamos às sociedades e aos parlamentos de ambos países, que não esqueçam sobre seus ensinamentos.

Culpa exige compensação, as quais nas relações entre nossas nações é a formação da verdadeira fraternidade. Apesar do rancor polaco e pusilanimidade ucraniana, nos bons tempos, mas também nos maus momentos, que, podemos ter, proximamente em nossa Europa comum, ameaçada pelos nacionalismos e pelo imperialismo russo. Diante de ameaças é mais fácil sobrevivermos juntos.

Mantemos para vós nossa admiração e solidariedade na luta contra o agressor, que há mais de dois anos ocupa parte da terra ucraniana, eles não querem admitir a realização do vosso sonho de viver numa Europa unida.

Lech Wałęsa, o primeiro presidente do Solidariedade, vencedor do Prêmio Nobel da Paz, ex-presidente da República da Polônia

Aleksander Kwaśniewski, ex-presidente da República da Polônia

Bronisław Komorowski, um ex-presidente da República da Polônia

Włodzimierz Cimoszewicz, ex-primeiro-ministro

Andrzej Olechowski, ex-ministro das Relações Exteriores

Adam Rotfeld, ex-ministro das Relações Exteriores

Radosław Sikorski, ex-ministro das Relações Exteriores

Paweł Kowal, ex-ministro das Relações Exteriores, presidente do Partido da Plataforma Cívica

Małgorzata Kidawa-Błońska, Vice-Presidente da Câmara dos Deputados

Róża Thun, deputada do Parlamento Europeu

Adam Szłapka, deputado, Partido Contemporâneo

Katarzyna Lubnauer, deputada, Partido Contemporâneo

Mateusz Kijowski, líder do Comitê Defesa da Democracia

Władysław Frasyniuk, um dos primeiros líderes do Solidariedade, um ex-prisioneiro político, duputado

Zbigniew Bujak, um dos primeiros líderes do Solidariedade, um ex-prisioneiro político, deputado

Zbigniew Janas, um dos primeiros líderes do Solidariedade, um ex-deputado

Bogdan Lis, um dos primeiros líderes do Solidariedade, um ex-prisioneiro político, deputado

Janusz Onyszkiewicz, primeiro porta-voz do Solidariedade, o ex-ministro da defesa

Henryk Wujec, membro da primeira diretoria do Solidariedade, ex-prisioneiro político, o ex-deputado

Grażyna Staniszewska, primeira líder do Solidariedade, presa durante a lei marcial, ex-deputada

Andrzej Wielowieyski, ex-deputado, senador, deputado do Parlamento Europeu, ativista católico

Adam Michnik, editor-chefe do jornal "Gazeta Wyborcza"

Jerzy Baczyński, editor-chefe do semanário "Polityka"

Bogusław Chrabota, editor-chefe do jornal "Rzeczpospolita"

Tomasz Lis, editor-chefe do semanário "Newsweek Polska"

Leszek Jażdżewski, editor-chefe do revista "Liberte!"

Jarosław Kuisz, editor-chefe do semanário de Internet "Kultura Liberalna"

Karolina Wigura, socióloga, "Kultura Liberalna", Universidade de Varsóvia

Sławomir Sierakowski, editor-chefe da revista "Krytyka Polityczna"

Seweryn Blumsztajn, presidente da Associação dos Jornalistas

Andrzej Seweryn, ator, diretor, diretor do Teatro Polaco Varsóvia

Grzegorz Gauden, ex-diretor do Instituto de Livros

Padre Kazimierz Sowa, padre católico romano, jornalista

Tomasz Dostatni, Dominicano, jornalista

Ludwik Wiśniewski, Dominicano, acadêmico, ex-ativista anticomunista e oposição democrática

Stanisław Opiela, padre jesuíta, ex-provincial da Província da Mazovia-Wielkopolska e Companhia de Jesus, ex-chefe da província independente russa

Andrzej Stasiuk, escritor, editor

Monika Sznajderman, editora

Paweł Smoleński, repórter, vencedor do Prêmio Reconciliação Polaca-ucraniana

Marek Beylin, jornalista do jornal "Gazeta Wyborcza"

Wojciech Maziarski, jornalista do jornal "Gazeta Wyborcza"

Danuta Kuroń, ativista social

Krzysztof Stanowski, ativista social, co-fundador do Comitê de Cidadãos Solidários com a Ucrânia

Iza Chruślińska, jornalista, participante das iniciativas sociais polaca-ucranianas.

Nota do tradutor: Esta carta responde ao apelo de 03 de junho 2016 feito por um grupo de ucranianos proeminentes, incluindo os ex-presidentes do país e patriarcas das Igrejas Católica e Ortodoxa Grega, que escreveram antes do aniversário do massacre da Volínia a carta "Os irmãos polacos". O Massacre efetuado no início de 1943, por nacionalistas ucranianos, realizou uma limpeza étnica que matou de 80 a 100.000 polacos. As ações polacas de retaliação matou de 10 a 20 mil ucranianos.

Tradução de Ulisses Iarochinski

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Palavras polacas - 3


Pronúncia das palavras:

Kominek = conék = Lareira
Drewno = drévno = Lenha
Fotel =tél = poltrona
Koc = cóts = cobertor
Ciasteczko = tchiastchco = bolacha
Kot = cót = gato
Gorąca czekolada = gorontssa tchecó

Sílaba tônica
As sílabas sublinhadas acima, na pronúncia, são as fortes, tônicas e os acentos é para indicar que são vogais abertas (agudo) e fechadas (circunflexo). A maioria das palavras polacas são paroxítonas, portanto, a sílaba forte é a penúltima. Excessão feita às palavras de origem latina, ou estrangeirismos.

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Operação Anaconda 2016: a maior operação da OTAN na Polônia

Tropas da OTAN fazem manobras no mar da Polônia
A Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) seria incapaz, atualmente, de defender os países bálticos em caso de invasão das forças russas, considerou ao jornal alemão 'Die Zeit' o general Ben Hodges, um dos militares americanos responsáveis na Europa.

"É verdade que a Rússia poderia conquistar os Estados bálticos antes que nós pudéssemos defendê-los", disse o general à edição do semanário publicada nesta quinta-feira. Ele é o comandante das forças terrestres da OTAN, por conta da operação militar Anaconda-16 que está sendo realizada na Polônia.

Estas manobras, que contam com 31.000 soldados de 24 países, combatem um agressor imaginário chamado "a União dos Vermelhos", que tem por objetivo os países bálticos e o norte da Polônia.
As operações são feitas antes da reunião de cúpula da OTAN em Varsóvia nos dias 8 e 9 de julho, que está focada em reforçar sua presença na parte leste da Europa.

Criticados pela Rússia, estas operações são oficialmente manobras polacas e não da Aliança, segundo o general americano. O presidente russo, Vladimir Putin, denunciou a agressividade da OTAN em um discurso na segunda-feira (20) diante dos deputados da Câmara Baixa do Parlamento.

"A OTAN multiplica sua retórica agressiva e seus atos agressivos próximo de nossas fronteiras", denunciou Putin. "Nestas condições, somos obrigados a prestar uma atenção especial às funções relacionadas com o reforço das capacidades de defesa de nosso país", destacou durante o 75º aniversário da invasão da URSS pelas tropas nazistas.

A OTAN decidiu reforçar suas posições militares em seu flanco oriental como não havia feito desde o fim da Guerra Fria, como resposta à anexação da Crimeia pela Rússia e ao conflito no leste da Ucrânia.
Esta atitude consiste em dispersar, de maneira rotativa, quatro batalhões multinacionais nos países bálticos e na Polônia em 2017. Esta medida deveria ser aprovada na cúpula de Varsóvia.
A reação da Rússia não se fez esperar. Putin ordenou a construção de uma nova base militar no Sudoeste do país,em Klintzy, perto da fronteira com a Ucrânia.

Fonte:AFP