terça-feira, 29 de março de 2011

Gota de sangue de João Paulo II pode estar ajudando Kubica

Ampulheta com o sangue do Papa, no altar da Igreja da Santa Misericórdia em Cracóvia.
A empresa de pesquisa de opinião pública TNS OBOP perguntou a uma amostra significativa da população sobre crença em milagres. 64% disseram acreditar em milagres, 15% responderam que algo ocorreu com eles que podem definir como ocorrência de um milagre.
Também foi perguntado se a gota de sangue do Papa João Paulo II, enviada pelo Cardeal de Cracóvia, Stanisław Dziwisz, ao gravemente ferido piloto de Fórmula 1, Robert Kubica, pode ajudar no restabelecimento do corredor cracoviano. 47% das pessoas responderam afirmativamente, enquanto 34% não acreditam neste possível milagre.
O levantamento foi realizado pela TNS OBOP entre 3 a 6 de março último, sobre uma amostra representativa de âmbito nacional, com 1000 cidadãos polacos acima de 15 anos de idade.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Projekt Warszawiak grava novo vídeo-clip

Projeto Varsoviano grava novo vídeo-clip com "ar" dos anos 50. A música "Tango apaszowskie" será o segundo clip do grupo após "Nie masz cwaniaka nad warszawiaka". Erotismo e skate será a tônica deste novo clip. O vídeo de "Tango apaszowskiego" deve estar pronto até o final de maio.
O vídeoclip vem de encontro aos esforços de Varsóvia para ganhar o título de Capital Europeia da Cultura 2016. O roteiro é de Jędrek Sierocki e Angelika Paszek sobre uma ideia de Łukasz Garlicki. Sierocki é também diretor da produção.



sexta-feira, 25 de março de 2011

Wałęsa convocado para depor sobre Kobylański


O ex-presidente Lech Wałęsa (pronuncia-se Lérrrhh vaúensa), em 1995, rejeitou proposta de Jan Kobylański, milionário residente no Uruguai e patrocinador da Rádio Maria, o oferecimento de 200 mil dólares, em troca de permitir indicações sobre postos nas Embaixadas Polacas na América do Sul.
O Tribunal Distrital Mokotów, de Varsóvia, que lidera o processo de acusação criminal contra diplomatas e profissionais de veículos de comunicação ligados a Kobylański, está chamando Wałęsa como testemunha neste caso de suborno.
O ex-presidente vai depor em 27 de maio. "Acho que pouco, neste caso, poderei acrescentar alguma coisa", admitiu.
A proposta de Kobylański, segundo depoentes já ouvidos pelo Tribunal, o embaixador Ryszard Schnepf e sua esposa, a jornalista Dorota Wysocka-Schnepf teria sido feita à Wałęsa, em 1995, quando de sua visita A Montevidéu. Schnepf revelou novos detalhes da proposta. Explicou que o milionário Kobylański afastou o ministro Mieczysław Wachowski, da delegação presidencial e apresentou sua proposta: 200 mil dólares para a campanha presidencial de Lech Wałęsa, em troca de sua influência na indicação de embaixadores e cargos na América do Sul. A proposta, que chegou aos ouvidos do então Presidente, foi rejeitada, de pronto.
Aos 87 anos de idade, o milionário Jan Kobylański, fundador e chefe da União das Associações e Organizações Polacas na América Latina (USOPAL), e ex-cônsul honorário da República da Polônia no Uruguai. Antes de se estabelecer no Uruguai, o polaco Kobylański viveu várias décadas no Paraguai à sombra do ditador Alfredo Stroessner, onde teria enriquecido.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Estréia de atriz polaca na série "House"

Karolina Wydra
No episódio da série "House", apresentado na última segunda-feira, nos Estados Unidos, pela Fox apareceu um novo personagem, a bela Dominica. Para os refletores da fama, anunciou-se a personagem como uma mulher muito importante na sua vida do Dr. House e para surpresa de muitos... o que se ouviu foi um inglês com forte sotaque polaco! Não era para menos, a personagem Dominica foi encarnada pela atriz e modelo Karolina Wydra.
Dominica apareceu no trabalho com House, logo nos primeiros minutos do último episódio da série. Contudo, ela não é a paciente da semana. Evidentemente a equipe médica do Dr. House desconfia que ela é outra prostituta do chefe. Qual não foi a reação dos assistentes, quando ouvem o polêmico médico dizer que Dominica é a mulher com quem ele em poucos dias irá se casar.
Wydra, modelo e aspirante a atriz nasceu em Opole, na Silésia. Tem um 1,75 cm de altura e já tomou parte nas campanhas de marcas como Calvin Klein e Levi's Red. Ela também já apareceu em episódios de Law & Order e Criminal Intent, além de dois filmes que estão sendo aguardados para estrear "Crazy, Stupid, Love" e "Afters".
Segundo informações veiculadas por sites dedicados às séries das TVs norte-americanas, Wydra deverá permanecer na série House até o final da temporada.

terça-feira, 22 de março de 2011

Komorowski aprovado por 69% dos polacos

Foto: Bartosz Bobkowski
O presidente Bronisław Komorowski manteve sua posição de aceitação popular, no mês de março, segundo pesquisa de opinião realizada pela empresa CBOS com 69%.
O segundo lugar, com 53% apresentou empate entre o presidente do Partido SLD Grzegorz Napieralski e Ministro das Relações Exteriores Radosław Sikorski. Tamb[em foi apurado empate no terceiro lugar e desta vez, com 49% aparecem o primeiro-ministro Donald Tusk e o deputado do SLD, Ryszard Kalisz.
Os desaprovados pela opinião pública foram o presidente do PiS, Jarosław Kaczyński, que não tem a confiança de 55% da população. Ele é seguido pelo primeiro-ministro Tusk, em segundo lugar, que não tem a simpatia de 33% dos entrevistados e ainda, em terceiro, a ministra da Saúde, Ewa Kopacz com 30% de desaprovação. A CBOS ouviu 950 pessoas adultas, entre 3 a 9 de março.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Wajda condecorado com a Ordem da Águia Branca

Foto: Sławomir Kamiński
O presidente da República da Polônia Bronisław Komorowski condecorou com a mais alta honraria da nação, o cineasta Andrzej Wajda (pronuncia-se andjei váida), nesta segunda-feira.
Wajda, o mais premiado dos cineastas polacos, recebeu a medalha da Ordem da Águia Branca, dias depois de completar 85 anos de idade (6 de março). Wajda co-fundador da escola de cinema polaca, ganhou, entre tantas premiações a Palma de Prata de Cannes em 1957 pelo seu filme de estréia internacional, "Kanal", o prêmio FIPRESCI, em Veneza, para "Cinzas e Diamantes" em 1959, a "Concha de Prata", do Festival de San Sebastian por "O Casamento" em 1973, O Prêmio FIPRESCI do Festival de Cannes por "O Homem de Mármore", em 1978, e a "Palma de Ouro" de Cannes por "O Homem de Ferro" em 1981.
Quatro de seus filmes foram indicados ao Oscar: "Terra Prometida" (1976), "As Criadas de Wilko" (1980), "Homem de Ferro" (1982) e "Katyn" (2008). Em 2000, Wajda recebeu um Oscar Honorífico pelo conjunto da obra.
O Presidente Komorowski ao colocar a medalha no peito do cineasta disse: "Obrigado, Andrzej Wajda, por toda a sua obra, que foi partilhada para grandes coisas... Obrigado a quem moldou minha geração, a geração de pessoas - Solidariedade -, pessoas que colocam questões difíceis e trazem a esperança de que é nas situações difíceis que você pode encontrar uma saída inteligente e boa". Komorowski acrescentou: "Estou ciente de que, ao impor em ti a medalha da Águia Branca, em certo sentido, tenho a oportunidade para agradecer perante toda a nossa sociedade, mostrando-lhes realmente o serviço prestado a nós por um grande polaco".
Wajda retribuiu dizendo: "Nós esperamos que nossa obra possa ajudar nossa sociedade, que superou as dificuldades, em nome da "Solidariedade ", e agora de uma Polônia Liberta".

sábado, 19 de março de 2011

Majchrowski foi condecorado por Komorowski

Jacek Majchrowski / Foto: Michael Lepecki
O prefeito de Cracóvia Jacek Majchrowski foi agraciado com a Cruz de Comandante com Estrela da Ordem da Restauração da Polônia pelos serviços extraordinários prestados ao governo da Polônia. A comenda foi entregue diretamente pelo Presidente da República, Bronisław Komorowski.
A cerimônia foi realizada durante uma reunião com representantes da União Metropolitana Polaca.
Jacek Maria Majchrowski nasceu em 13 de janeiro de 1947, na cidade de Sosnowiec. Advogado, professor de Direito, historiador das doutrinas políticas e jurídicas da Universidade Iaguielônica, é membro do Tribunal de Estado. Profundo conhecedor da Segunda República Polaca (1918-1945), tendo documentando a história do período, especialmente as atividades da direita polaca.
Prefeito de Cracóvia pela terceira vez, Majchrowski recebeu o título de doutor, em em 1974, em Direito. De 1987 a 1993, como professor titular, foi Diretor da Faculdade de Direito e Administração. Desde 1965, ele era um membro do Partido Comunista, e deu legitimidade à imposição da lei marcial.
Desde 1999, pertenceu ao Partido SLD foi eleito pela primeira vez em 2002, prefeito de Cracóvia. Mas deixou o partido durante o segundo mandato. Foi reeleito pela terceira, em 2010, vez sem pertencer a qualquer partido político.
O Prof. dr Jacek Majchrowski é autor de inúmeros artigos científicos e 14 livro de história, especialmente sobre a Segunda República Polaca. Seu mais recente livro foi publicado pela Livraria Acadêmica "Pierwsza Kompania Kadrowa – portret oddziału".
Além da última condecoração presidencial, ele já havia recebido em 2009 a medalha da Ordem de Mérito da República da Hungria.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Maria, o único reator nuclear da Polônia

Foto: Albert Zawada
Este é o único reator nuclear na Polônia. Sugestivamente chamado de Maria, ele está localizado, em Świerki, nas proximidades de Varsóvia. Maria produz isótopos para a indústria e a medicina. A foto acima é de 2005 e mostra a sala de controle da usina.
A fonte principal de energia na Polônia é o carvão mineral. Com 95% de seu território coberto por planícies, a bacia hidrográfica expressiva, com rios importantes que cruzam o país como o Vístula, o Odra e o Warta, não possuem potencial energético, pois a única usina hidroelétrica esta localizada nas montanhas ao Sul do território, justamente um existem quedas de água natural.
Os demais rios de planícies se tivessem uma barragem inundaria milhares de hectares de terras férteis e produtivas.
O uso da energia eólica começa a proliferar, mas são insuficientes para a demanda, bem como a energia solar restrita à residências.
A abundância do carvão mineral sempre foi uma das maiores riquezas da terra polaca e daí o porquê do expressivo contingente de mineiros entre a classe trabalhadora.
Katowice, capital da voivodia da Silésia, concentra não só a maior zona metropolitana da Polônia, superando a capital Varsóvia, com mais de 3,5 milhões de habitantes. A explicação para tanta gente morando numa mesma região é justamente a maior concentração de minas de carvão e usinas termoelétricas.
Embora possua apenas esta usina, com seu reator Maria, a Polônia está ilhada pela Alemanha e Ucrânia, países com grande número de usinas nucleares. Czernobyl está localizada não muito longe da fronteira da Polônia.

terça-feira, 15 de março de 2011

Duas cobras grandes em trem na Polônia

Fot. Tomasz Wiech
 Cobras enormes em trem na Polônia causam a maior confusão. A composição que fazia o trajeto Gdynia - Zakopane se atrasou na estação de Iława (na voivodia warmińsko-mazurskie), quando um réptil de 3 metros e meio escapou do pacote onde se encontrava.
Segundo o assessor de imprensa da polícia Sławomir Nojman, de Iława, informou que o pacote com uma cobra foi colocada num dos compartimentos de serviço do trem. Antes de Iława a cobra escapou e depois de algum tempo um trabalhador da estação ajudou a capturar a cobra. Era um espécime impressionante, tinha três metros e meio de comprimento. Ele acrescentou que era incapaz de determinar se era um réptil venenoso. Seu destinatário era para ser um morador de Nowy Sącz (ao Sul, na Voivodia da Małopolska).
Nojman admitiu que a polícia, em qualquer caso, verificou outros pacotes e encontraram uma outra cobra. "Esta era menor, tinha pouco mais de um metro e meio. Ambas as serpentes foram retiradas do trem para serem transportado para Olsztyn". Nojman informou que os répteis não causaram nenhum dano.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Prisão preventiva para antissemitas na Polônia

Foto: Iwona Burdzanowska

O Promotor-Geral ordenou a prisão preventiva em toda a Polônia de todo aquele que cometer crimes antissemitas. Enquanto isso, o promotor de Lublin ainda não considerou  que o muro pichado com uma suástica diante do casa de Tomasz Pietrasiewicz seja antissemitismo.
Sobre a carta dos promotores, em fevereiro, o promotor-geral Andrzej Seremet acredita que as investigações sejam "precipitadas" por desconsiderar os casos de antissemitas. Muitas vezes, os investigadores se recusam a iniciar uma investigação quando alguém destrói paredes, lápides, sinagogas, pintando uma suástica e a Estrela de Davi. Os promotores explicaram que não existe motivo de promoção do fascismo e do incitamento ao ódio, porque não há provas de que o agressor tenha uma visão fascista ou antissemita.
Em outros casos, não é possível provar que a vítima não seja judeu, então não se pode falar sobre o crime do ponto de vista étnico. O promotor Distrital-Sul de Lublin se recusa iniciar investigação sobre a professora Barbara Jedynak da UMTS, a qual disse à Dra. Marzena Zawanowska, que conduzia as aulas de estudos judaicos: "Você é judia". Qual o motivo? Zawanowska, inquirida pelo promotor, depôs que não é judia.
No caso do muro da casa de Tomasz Pietrasiewicz, "Nós nos perguntamos sobre a decisão de acusação, que ainda não alterou a qualificação jurídica", disse Dariusz Libionka, historiador do Museu Estatal do Campo de Extermínio de Majdanek.
"Sobre isto, se isto é um crime de ordem ideológica, grafitar a suástica nazista sobre a parede da casa de Pietrasiewicz, sabendo que este senhor é identificado com a cultura judaica, talvez seja muita especulação. Mesmo porque, há pouca chance de captura dos autores do ataque."

domingo, 13 de março de 2011

Tusk escreve no Wyborcza

Foto: Franciszek Mazur
"Eu sonhei com isto, olhando para a frente, o maior desafio será o de elevar o padrão de vida nacional de famílias polacas. Isso não pode ser feito com um corte simples, o trabalho de base, altera muitas áreas de nossas vidas."
O texto faz parte de um artigo que o primeiro-ministro Donald Tusk escreveu e que foi publicado pelo jornal Gazeta Wyborcza, neste fim de semana.
Segundo Tusk, desafio, hoje, para a Polônia não é a "luta pela sobrevivência da nação, para salvá-la da queda, mas pelo desenvolvimento. Tempo para construir a paz e prosperidade". Ele pensa que o ser polaco necessita um pouco da normalidade Europeia.
Melhorar a qualidade de vida para milhões de famílias polacas exige "mudanças pontuais e árduas em centenas de leis diferentes." Esta "revolução silenciosa de passos", como Tusk gosta de sublinhar não é um "engajamento de emoções coletivas que envolvem a ideia de uma carga enorme de trabalho nas bases".
Um dos fatores determinantes para uma "normalidade" europeia ainda "está longe". Tusk recorda a construção e modernização de mais de 1,4 mil km de estradas. Foram abertos 195 km de auto-estradas e 400 km de vias expressas, além de 134 km de rotatórias.
O Primeiro-ministro sublinha que nenhum governo na história da Terceira República começou tantos e vultuosos investimentos em infra-estrutura, como o seu.
Para habilitar mães jovens na volta ao trabalho de modo mais rápido, o governo facilitou o estabelecimento de creches, criação de pré-escolas e as equipes de atendimento (número de vagas nas pré-escolares aumentaram em 190 mil vagas). O pós-parto foi estendido para menos 20 semanas e incluído a licença paternidade.
O governo também está investindo em professores, porque depende de seu nível de educação as escolas polacas. Tusk aponta que os salários aumentaram em média de 30 por cento.
Para a Polônia dar um salto de civilização, ela deve se beneficiar de fundos europeus. "No começo de março, foram recebidos cerca de 70 bilhões złotych da UE - cerca de mais da metade do que receberam os outros, como por exemplo, a Espanha!".Mas a maior derrota, Tusk reconhece é encolher a administração no governo. "Em 31 de dezembro de 2007, o governo empregava 382.500 pessoas. No final de 2010, elas já são 457 mil". Disse o primeiro-ministro, embora o governo tenha aprovado uma lei que limita o número de funcionários públicos em 10 por cento. Para resolver a questão o Presidente apelou para o Tribunal Constitucional.
Outra falha do governo de Tusk é o sistema ferroviário polaco. "Foi mostrado nas imagens de televisão, jovens embarcando em um trem, em Zakopane, através de uma janela. Isto é o que melhor resume, o caos que reina nos trilhos no final do ano passado," afirmou o primeiro-ministro.
Mas ele acrescenta que os responsáveis ​​pela confusão em parte foram as bilheterias que não conseguem atender a demanda. E que o governo está trabalhando na melhora da qualidade da infra-estrutura ferroviária. A renovação das estações ferroviárias - incluindo Varsóvia e Katowice - passaram 980 milhões złotych.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Iarochinski: Descobertas na Polônia

Centro Sul – Na última edição o Jornal Hoje Centro Sul apresentou a problemática que existe em torno dos termos “polaco” e “polonês”, de acordo com o jornalista e doutor em Cultura Internacional, Ulisses Iarochinski.

Polaco: as “descobertas” de Iarochinski

Cultura, Destaques / 10 de março de 2011 11:01

Texto: Marina Lukavy, da Redação
Fotos: Divulgação
Publicado na Edição 559, em 09 de março de 2011.



Cerveja, vodka, charuto e sonho são de origem polaca

Ulisses Iarochinski, que esteve em Irati na quarta-feira (23), para o lançamento do livro “Polaco – Identidade Cultural do Brasileiro Descendente de Imigrantes da Polônia”, também abordou questões como a culinária polaca adquirida por outros países e a temática ucranianos x rutenos.
Segundo Iarochinski, muitas questões apresentadas como “descobertas” são conhecidas na Polônia, mas não no Brasil. As informações são disponibilizadas em livros e publicações no idioma polaco. “Aqui no Brasil quem sabe falar polaco? É necessário que os descendentes daqui aprendam o idioma para compreender a história do país. Não inventei nada, aprendi o idioma que é muito complicado, discuti com professores, conversei com muitas pessoas e agora quero contar tudo isso”, explica o autor.
Os principais motivos apontados por Iarochinski para que houvesse a “perda” de idiomas no Brasil, foi a “Lei da Naturalização” instituída por Getúlio Vargas, em 1938, e medo da deportação para campos de concentração na Alemanha.
“A lei obrigou o fechamento de escolas de todas as etnias que ensinavam o idioma dos países dos imigrantes. Muitos também, não falavam mais sua língua de origem, porque tinham medo de ser deportados para morrer nos campos de concentração. Assim como aconteceu com Olga Benário Prestes, jovem militante comunista alemã que foi deportada para a Alemanha durante o governo de Vargas. Lá, foi executada pelo regime nazista em um campo de concentração. Então, todo esse conjunto fez com que as línguas de origem fossem se perdendo”, acrescenta Iarochinski.


Culinária polaca
Quais são os alimentos que você considera típicos da culinária da Polônia? Para Iarochinski, o charuto e o sonho são polacos. Já o tão famoso pierogi, teria origem tártara, ou seja, mongol. A palavra “pierogi” deriva de pier, uma palavra tártara. “Em 1410, na Batalha de Grunwald, a Polônia conseguiu apoio desse povo  e de outras etnias que viviam no reino da Polaco e expulsaram os saxônicos, que naquele momento, ainda não eram chamados de alemães. Dai o porque, acredita-se que foram os tártaros que trouxeram para a Polônia o pierogi, que era algo simples de fazer”,completa.
De acordo com o autor, o charuto também não é árabe e sim polaco, pelo simples fato de o repolho nascer na Polônia. No Líbano, que fica no deserto ,e portanto,  local onde não nasce repolho. A receita sírio e libanesa é feita com folha de parreira.
A origem do sonho foi “descoberta” por acaso, durante o período em que Iarochinski esteve na Polônia. Ele lembra que uma amiga o convidou para ir até uma confeitaria comer um doce legitimamente polaco, o pączki, mas, para sua surpresa, o pączki nada mais era do que o sonho. “Depois disso liguei para casa, pois desde criança comia sonho. Perguntei como eles tinham aprendido a fazer o doce e me contaram que haviam aprendido com uma vizinha que era polaca”, afirma.
Na Polônia, o autor trabalhou como correspondente da TV Bandeirantes e do jornal O Estado de SPaulo, mas como não era um trabalho diário, ele também passou a trabalhar como guia turístico. Certa vez, convidou três empresários portugueses para quem estava prrestando serviço de guia e intérprete, para comerem um doce tipicamente polaco, e ao chegar na confeitaria os homens afirmaram que o "sonho brasileiro", era conhecido como "Bolas de Berlim", em Portugal - e não sonho.
“Agora vem a pergunta: como na Alemanha aprenderam a fazer o sonho?  A resposta é simples: Porque durante vários períodos da história, pelo menos , durante uns 600 anos, os alemães tentaram acabar com a Polônia. Isto não ocorreu somente na 2ª Guerra Mundial. Foram várias invasões e em cada uma delas, eles adquiriam a cultura da Polônia. Como é o caso do sonho, e de muitas outras coisas, que surgiram lá e que o mundo conhece como sendo alemãs ou americanas”, considera.
Neste sentido, também é assim que a cerveja ficou conhecida como alemã e não polaca. Iarochinski conta que durante suas constantes visitas a bibliotecas, descobriu que no século XI existiam cervejarias na Polônia, enquanto que na Alemanha e na Europa não existia nenhuma. A cerveja surgiu no Egito, há cinco mil anos e nesta época era feito como um fermentado de cereais. A primeira vez que se adicionou o lúpulo e se fez uma receita para elaborar a bebida que hoje se chama cerveja, foi na Polônia.
“Existiam cervejarias na Polônia há 300 anos, quando num reino da  atual Alemanha foi pego a receita e a condessa do lugar baixou um decreto de que a partir daquela data a cerveja tinha que ser com aquela receita. Desde então, por causa desse decreto, todo mundo considera que a cerveja é alemã. Da mesma forma, a Rússia também se vangloria que é dona da vodka, o que é mais uma mentira, pois a vodka é polaca”, ressalta.

Ucranianos e rutenos
“Nunca existiram ucranianos, pois estes são na verdade rutenos,  são da Rutênia, um povo que viveu sempre nas terras da Polônia em irmandade. Esses imigrantes que chegaram aqui e se dizem ucranianos, quando vieram para o Brasil não eram  ucranianos, nem polacos, porque não existia diferença para o governo brasileiro entre polaco e ruteno. Eles tinham documentos austríacos e russos, e assim eram considerados pelas autoridades brasileiras”, destaca Iarochinski.
Conforme o autor, a afirmação é embasada no fato de que todos os ucranianos que imigraram para o Brasil, também vieram da milenar Polônia. Isso porque a Ucrânia não existia naqueles tempos, esta foi criada apenas, em 1922, pela  Rússia, como República Socialista Soviética da Ucrânia e, portanto, “pertencente” aos russos soviéticos.
“A palavra Ucrânia deriva da preposição ‘U’ do idioma eslavo que quer dizer ‘aqui, de’, que é utilizada para designar quando se está com alguém, um ser animado, e de ‘kraj", que é ´país´. Em qualquer idioma eslavo com pequenas alterações, a palavra Kraj significa ‘aqui no meu país’. Essa palavra, inclusive é de um poema de um poeta polaco de 1870″, observa.
Iarochinski narra que depois da 1ª Guerra Mundial quando a Polônia conquistou a sua independência e voltou a ser uma república, os rutenos também quiseram ter o seu próprio Estado. Aquela região polaca era disputada pela  Rússia, que a ocupou por 127 anos.  Com o fim da primeira guerra mundial e a vitória da revolução Bolchevique, estes apoiaram os rutenos contra a Polônia e  moldaram a República Socialista Soviética do “Nosso País”. “Então, estes que vieram para o Brasil nunca foram ucranianos, os filhos deles podem até ser”, considera.
Parte do povo ruteno, depois de 1922, negaram a ser chamados de ucranianos, e foram taxados pelo governo da Ucrânia, que se instalava de minoria rutena. “A Ucrânia de hoje sempre foi a Rutênia milenar e os ucranianos sempre foram rutenos. Este povo ruteno tem mais de 2 mil anos e o denominado ‘ucraniano’, apenas 87 anos de existência. Portanto, os atuais cidadãos ucranianos tanto podem ser rutenos, cossacos, bem como polacos. Pois o que define uma etnia, o pertencimento a uma nação, não é uma carteira de identidade, um passaporte ou um diploma de cidadão”, conclui o autor.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Curso "Pogadajmy po polsku" em Curitiba

Setor de Humanas Edificio Dom Pedro I - UFPR - Rua General Carneiro, 460
Curso de extensão: Pogadajmy po polsku – Roda de conversação em polaco
Data de Início: 14.03.2011
Data de Término: 28.11.2011
Horário: Segundas-feiras, de 17:30 às 18:30 h, com intervalo na época do recesso, de 25.06.2011 a 01.08.2011.

Objetivos: De acordo com a proposta do Departamento de Letras Estrangeiras Modernas (DELEM) e considerando-se a existência da área de Letras "Polonês" na UFPR, optamos pela criação de um curso de extensão que visa, além da aproximação e integração da Universidade com a comunidade de falantes de língua polaca no Estado do Paraná, a oferta de um espaço público que permita aos alunos e outros falantes de polaco aperfeiçoarem o conhecimento e uso desse idioma. O diferencial desse curso encontra-se na forma como será ministrado. A conversação descontraída e informal, sob moderação do professor presente, versará sobre temas variados, permitindo que os cursistas desenvolvam a oralidade na língua polaca e se atualizem com referência aos assuntos abordados.

Realização: Professores: Aleksandra Piasecka - Till, Eduardo Nadalin, Marcelo Paiva de Souza e Piotr Kilanowski
Coordenação: Prof. Piotr Kilanowski
Frequência e Avaliação: A aprovação se dará pela freqüência mínima de 80%

Informações e Inscrições:
Local: Departamento de Letras Estrangeiras Modernas (DELEM) - Rua General Carneiro, 460 / 9.º andar, sala 919 ou 914
Período: de 28.02.2011 até 18.03.2011
Horário: de 8:00 às 12:00h na segunda, terça, quinta e sexta e de 14:00 às 18:00h na segunda, terça, quarta e quinta.
Responsável: Ana Simas ou Piotr Kilanowski
Telefone/Fax: 3360-5183
E-mail: emaildopiotr@gmail.com
Valor da Taxa de Inscrição: Isento.
Vagas Limitadas

Coordenação e realização: Prof. Piotr Kilanowski

Frequência e avaliação: A frequência mínima para obtenção de certificado será de 80%. O aluno será avaliado por sua participação e contribuições nas discussões e pelo trabalho de tradução realizado.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Jaruzelski não irá à beatificação em Roma

Foto: Albert Zawada
 Ele continua vivo. Respondendo a processos. Sendo condenado. Recorrendo nos tribunais superiores. Mas há quem diga, que a história ainda o tratará como herói. Dizem que ele impediu os russos de invadir a Polônia, quando das reviravoltas provocadas pelo sindicato Solidariedade, que transformou o eletricista Lech Wałęsa (pronuncia-se Vauensa) em herói e presidente da República.
O general Wojciech Jaruzelski, embora recolhido à sua residência, ainda é figura na cena polaca.
Nesta quarta-feira, o General Jaruzelski informou que não vai a Roma. Não irá comparecer à cerimônia de 1º. de maio, quando da beatificação do Papa João Paulo II. "Eu não quero dar uma desculpa para - informações sensacionais -, que poderia prejudicar as relações com a cerimônia religiosa.", afirmou o último presidente comunista da Polônia.
Em seu comunicado, Jaruzelski escreveu que "Há vozes de alguns políticos e colunistas questionando de forma -preventiva - meu potencial participação na composição da delegação polaca durante a cerimônia de beatificação do Papa polaco João Paulo II".
Jaruzelski prossegui dizendo que "Quero tranquilizar a todos. Quando eu era o Presidente da República da Polônia, eu tive oito conversações diretas com o Papa João Paulo II (incluindo três em que eu não era uma pessoa oficial), onde foram apresentadas provas extensas no contexto do processo de beatificação".
Para encerrar seu comunicado, Wojciech Jaruzelski conclui: "Provavelmente seria difícil lidarem com a minha participação na cerimônia. Levando tudo isso em conta, eu declaro que, em maio deste ano, eu não vou a Roma."

terça-feira, 8 de março de 2011

Mosteiro de Alvernia queimou

Foto: Michał Łepecki
Considerado uma jóia da região de Cracóvia, o mosteiro da localidade de Alvernia foi consumido pelas chamas neste fim de semana.
Os bombeiros tiveram um imenso trabalho durante quase 24 horas para combater as chamas. Felizmente, antes do fogo começar foi possível salvar o quadro de Jesus "Ecce Homo", ícone da Dívina Misericórdia.
O mosteiro de Alvernia foi criado, em 1616, por iniciativa de Krzystof Koryciński, proprietário de terras nas proximidades, com a aparência do mosteiro de Monte Alverne, na região da Toscana italiana. No morro italiano de Alverne, São Francisco de Assis passava muito tempo em oração e foi lá, em 1224, ele recebeu as estigmas - ferretes representando cada uma das cinco chagas de Cristo.

Fot. Michał Łepecki
As chamas surgiram na noite de domingo na parte residencial do mosteiro dos monges Bernardinos e rapidamente chegou ao sótão. Queimou cerca de mil metros quadrados de telhado.
"Conseguimos salvar um fragmento de uma pequena torre e a torre principal. Algumas imagens e arquivos conseguimos retirar a tempo", disse Bogdan Malinowski, chefe dos bombeiros.
Por enquanto, os bombeiros não querem falar sobre a causa do sinistro. Mas extra-oficialmente, o fogo teria tido início na sala da caldeira na parte traseira da parte residencial do mosteiro.
A destruição da igreja histórica é mais sentida, por se saber que há dezoito meses havia terminado sua restauração. "Ficou uma jóia! Foi um esforço enorme restaurar a igreja", admitiu, com pesar, o guardião do mosteiro Padre Bartłomiej Mazurkiewicz.

Alvernia fica entre Cracóvia e o Campo de Auschwitz, a uns 30 km à Oeste da capital da Małopolska.
Incêndio

segunda-feira, 7 de março de 2011

Najuá: Iarochinski explica preconceito contra o termo "polaco"

A radialista Genoveva Zavilinski, o secretário de Cultura Rafael Ruteski e o escritor Iarochinski
Da Redação, com fotos de Genoveva Zavilinski

No dia 23 de fevereiro aconteceu o lançamento do livro "Polaco – Identidade Cultural do Brasileiro Descendente de Imigrantes da Polônia", de autoria do escritor, jornalista e historiador, Ulisses Iarochinski, no Centro Comercial Clube do Comércio, em Irati e teve o apoio da Secretaria Municipal de Patrimônio Histórico, Cultura, Lazer, Turismo e Desportos e da radialista e incentivadora da cultura em Irati, Genoveva Zavilinski.
Antes do lançamento, o autor proferiu uma palestra sobre o tema do livro. O preconceito contra o termo "polaco", que Iarochinski tenta explicar no livro, nasceu no Brasil, originado entre os próprios imigrantes da Polônia que criaram outro termo para identificar a etnia, o “polonês”. O historiador conta que eles se sentiam envergonhados porque seus pais e avós se fixaram principalmente no interior, longe dos recursos das cidades; diferente do que aconteceu com outras etnias, como os alemães, por exemplo, que se instalaram nos centros maiores.
Quando vinham para a cidade, muitos se sentiam inferiorizados por estarem longe da civilização e por não terem condições de dar estudo para seus filhos. A vida no campo era muito difícil naquela época. As famílias polacas até mesmo deixavam de ensinar a língua de origem para seus descendentes.
Depois, com o desenvolvimento do país, continua explicando Iarochinski, muitos polacos se mudaram para as cidades, estudaram e subiram de classe social. Intencionados de fugir do que era visto por eles como estigma, estes imigrantes e descendentes criaram outra denominação para identificá-los, o "polonês", para separá-los do grupo que continuavam com a vida mais simples no interior, os "polacos".
A palavra polonês não existe na Polônia, assim como não existe o idioma polonês. Aquele que nasce na Polônia se chama "polaco".
Passado tanto tempo, nos dias de hoje, alguns brasileiros descendentes de imigrantes polacos, querem tentar obter a cidadania na Polônia, para poder estudar, trabalhar ou morar na Europa. Porém, o consulado não fornece os documentos porque os imigrantes fugiram da guerra e vieram para o Brasil ilegalmente. Para o consulado da Polônia, eles não existem, contou Iarochinski.

domingo, 6 de março de 2011

Orgulho de ser polaco

No último lançamento do livro "Polaco" na cidade de Irati fui entrevistado por alguns jornalistas da cidade. Um deles, a repórter do jornal "Hoje Centro Sul", publicou reportagem neste domingo neste jornal sobre minhas opiniões e conhecimento da etnia polaca e a Polônia. Esta é a reportagem de Marina Lukavy:


O orgulho de ser polaco sob a perspectiva de Iarochinski
Cultura / 3 de março de 2011

A palavra polaco foi alvo de preconceito

Centro Sul - Polaco sim, polonês não. Para o jornalista e doutor em Cultura Internacional, Ulisses Iarochinski, é assim que devem ser chamados todos os descendentes de imigrantes da Polônia. No lançamento do seu segundo livro, Iarochinski discute questões polêmicas como preconceito a etnia, culinária polaca adquirida por outros países, criação da palavra “polonês” e a temática ucranianos x rutenos.

O autor esteve em Irati na última quarta-feira (23), para o lançamento do livro “Polaco – Identidade Cultural do Brasileiro Descendente de Imigrantes da Polônia”. A obra é a tradução para o português da sua tese de mestrado, escrita originalmente em polaco e defendida na Universidade Iaguielônia, de Cracóvia, na Polônia. Iarochinski é natural de Monte Alegre (PR), quando esta ainda era Tibagi.

Polaco ou polonês?

Desde o lançamento do seu primeiro livro em 2000 (Saga dos Polacos), o autor revela que já arrumou boas brigas pelo uso do termo. Por julgar que nenhuma editora iria se interessar pela temática e publicaria o livro, Iarochinski confeccionou tudo sozinho. Durante a montagem da capa percebeu que a palavra “poloneses” era muito extensa e resolveu utilizar “polacos”. Mal sabia ele o tamanho da confusão que viria pela frente.

Descendente e neto de polacos, o autor sempre viu as palavras polonês e polaco como sinônimos. “Quando fiz a capa para mim não tinha muita diferença entre polaco e polonês. Bendita a hora em que coloquei esta palavra, nunca imaginei que tivesse tanta encrenca com isso”, conta.

“Saga dos Polacos” foi lançada em 27 cidades do Sul do Brasil com grande porção da população sendo descendentes da Polônia. Irati também foi contemplada com o lançamento durante um evento no “Clube Polaco”, como se refere Iarochinski ao Clube Polonês.

Uma história curiosa e que ilustra a polêmica em que o autor se inseriu aconteceu na cidade de Erechim (RS). “Estava certa vez no município, lançando o primeiro livro, quando levantou um senhor e veio até perto de mim. Ele se abaixou e pensei que iria me falar algo, mas para minha surpresa o sujeito deu um murro em meu braço. E ele ainda gritou: ‘Aqui em Erechim não tem polaco, aqui só tem polonês’. Só fui entender a diferença depois de ir para a Polônia”, lembra.

Iarochinski brinca que usou da sua experiência dentro do jornalismo para fazer com que o lançamento do livro em Curitiba tivesse uma boa divulgação. Como era editor do caderno de Cultura do Jornal do Estado, sabia que os conteúdos para a editoria eram poucos nos primeiros dias da semana. Apesar de ter escolhido uma terça-feira chuvosa para o lançamento, reuniu 350 pessoas, vendeu 150 livros e teve uma ótima repercussão.

E foi a “Saga dos Polacos” que abriu as portas para que o autor pudesse ampliar seus estudos na área. Por meio de um convite do Consulado da Polônia em Curitiba viajou para o país, e lá estudou a cultura e o idioma polaco, depois fez mestrado e doutorado. “Para mim saber das origens sempre foi uma preocupação. Queria saber quem somos e o que fazemos no mundo enfim, porque existimos”, completa.

Após aprender o idioma, Iarochinski virou frequentador assíduo das bibliotecas e esteve sempre em busca de novas descobertas. Ele explica que na Polônia não existe nenhum preconceito e nenhuma diferença entre polonês e polaco. Isso se comprova na tradução, no idioma da Polônia, no qual a única palavra que surge é polak.

O preconceito em relação ao termo polaco surgiu no Brasil. Durante o período em que o país passou por um intenso processo de imigração, o Paraná recebeu principalmente eslavos. Iarochinski conta que os polacos foram considerados analfabetos e burros por não saberem o idioma português. Além disso, o processo de adaptação dos imigrantes da Polônia foi muito difícil, principalmente em comparação aos alemães. Estes vieram para as cidades, eram imigrantes urbanos que conviviam com a classe que falava português, já os polacos foram colocados em cidades do interior, ainda bem pouco desenvolvidas.

“Por exemplo, Irati que está a 150km de Curitiba, naquela época essa distância poderia ser comparada como se fosse daqui até Amazônia, e isso levou os polacos a um distanciamento. Mesmo em Curitiba, quando chegaram as primeiras 32 famílias em 1871 vindas de Brusque (SC), os polacos foram colocados no bairro Pilarzinho e foram descriminados. Imigrantes alemães também foram para o bairro e já odiavam os polacos por toda a situação de conflito entre os países. A partir daí começaram a chamar os polacos de bêbados, burros, analfabetos e ignorantes. Neste cenário surge o preconceito contra a etnia, não contra o termo”, esclarece.

A palavra polaco começou a ter sentido pejorativo no Rio de Janeiro. Em função da escravidão a população carioca era composta por muitos africanos, e o imperador queria “branquear” a população da capital brasileira, então incentivou a vinda de prostitutas europeias. As primeiras a chegarem ao Brasil eram da França, depois vieram trazidas dos Açoures, de Portugal, da Espanha e da Itália.

De acordo com o autor, nesta época uma máfia judia com sede em Buenos Aires e em Varsóvia foi até pequenas cidades que estavam sem estado e por isso se misturavam. Alguns locais eram parte da Rússia e da Prússia (Alemanha atualmente), e ainda outra porção era austríaca. “Aquelas comunidades judias que há mil anos estão na Polônia, passaram a ter olhos azuis e ficar loiros. Estes não são como os palestinos do Oriente Médio, eles viraram polacos”, observa.

Como estas prostitutas que eram trazidas pelos judeus eram loiras e de olhos azuis, começaram a ser chamadas de polacas no Rio de Janeiro e neste contexto surge o sentido pejorativo do termo. “Os próprios descendentes adquiriram preconceito contra a palavra porque não queriam ser chamados de ‘filhos de prostitutas’. Os judeus que estavam em Curitiba também negam que são polacos, pelo convencionalismo adotado”, complementa.

Foi também no Brasil que houve a criação da palavra polonês. O termo foi imposto por uma elite de imigrantes da Polônia que frequentava a Universidade Federal do Paraná e que não queria ser confundida com o “caipira analfabeto”, que aos olhos dos brasileiros por não saber falar português era burro.

Em 1927, foi realizado um evento no Consulado da Polônia em Curitiba, um dos convidados era o embaixador da França. “Durante o encontro, a polêmica era que todos aqueles que ali estavam já tinham acendido da classe agrícola para a Universidade, então não queriam ser taxados de polacos, que é o termo que está no país desde o seu descobrimento em 1500. O termo polonês foi então sugerido por esse embaixador da França”, encerra Iarochinski.

A discussão continua

Na próxima edição você vai poder conferir outras informações e “descobertas” que Ulisses Iarochinski traz em seu livro. Não perca!

Texto: Marina Lukavy, da Redação.
Fotos: Adriana Souza, da Redação






































sábado, 5 de março de 2011

A feira de cavalos de Skaryszew

Foto: Paweł Kozioł
Foto: Jacek Marczewski
O fotógrafo Krzysztof Jarczewski documentou cenas de maus-tratos com os famosos cavalos polacos vendidos internacionalmente na Feira de Cavalos de Skaryszew. As origens da feira remontam ao tempo do Rei Władysław IV, quando este, em 1633, permitiu a realização da feira todos os anos na primeira segunda-feira e terça-feira da Quaresma. Este ano, a Feira acontece nos dias 14 e 15 de março. São esperados compradores Itália e França.
O fotógrafo Jarczewski, de Radom convida todos os fotógrafos a virem ao local da Feira para documentar o abuso e os maus tratos contra os cavalos. Seu trabalho faz parte da Fundação Internacional de Bem-Estar Animal Movimento VIVA!
Skaryszew é uma cidade da Polônia, na voivodia da Mazóvia e no município Radom. Estende-se por uma área de 27,49 km², com 3922 habitantes, segundo os censos de 2004, com uma densidade 142,7 hab/km².

sexta-feira, 4 de março de 2011

UEFA: ingressos mais baratos na Euro2012

Mascotes Euro 2012 no estádio de Gdansk - Foto: Damian Kramski
 Na verdade, há apenas uma notícia até o momento digna de assim se considerar: se alguém consegue um bilhete para assistir pelo menos uma partida para o Euro2012, ele é capaz de falar de si mesmo: "Eu sou muito sortudo".
A UEFA anunciou com orgulho que os preços dos ingressos serão acessíveis aos polacos e ucranianos e, portanto, mais barato do que os vendidos durante o Euro 2008. E, de fato, os valores anunciados para as partidas de grupo, são mais baratos. Custam 30 euros, ou cerca de 15 euros a menos do que quatro anos antes. Além disso, a segunda categoria de preços serão de 70 euros enquanto na Áustria e Suíça, eram de 80 euros. Mas a terceira categoria, ou seja, os melhores bilhetes estão mais caros do que em 2008.
Assim, oportunidade de comprar um bilhete por 30 euros dos jogos dos grupos é um verdadeiro milagre. Pois o percentual de bilhetes colocados à venda nesta faixa de preço é de apenas 25% em comparação com os mais caros.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Hoje é dia de "Pączki... dia da gula

Foto: Anna Jarecka
Quinta-feira gorda! A Europa comemora este dia, pelo menos desde o século XIII. Mas na Polônia a data vai além da simples lembrança de que é a última quinta-feira antes da quaresma. Na terra do quase beato João Paulo II, a quinta-feira gorda é um festival consagrado à gula. A gulodice do polaco tem nome: "Pączki"! Palavra que em sua tradução literal é apenas "broto de rosa", mas que em seu significado brasileiro é o famoso "sonho". Sim aquele bolinho recheado com marmelada e polvilhado com açúcar de confeiteiro. Contudo, na Polônia a guloseima é feita com geléia extraída justamente dos brotos das rosas... uma delícia!!!
Há 700 anos, o último dia de carnaval era considerado a terça-feira gorda, justamente o dia que antecede a quarta-feira de cinzas. Mas a tradição foi mudando. Primeiro para a segunda-feira, depois para o domingo, logo em seguida para sábado. Como toda sexta-feira era ligada a ideia da Paixão de Cristo... a comilança acabou ficando com a quinta-feira anterior.
Marcin Stańczuk, etnógrafo do Museu de Radom, explica que "os três últimos dias de carnaval, domingo, segunda e terça-feira eram chamados dias primos ou primas. Nestes tempos, estes dias eram dedicados à festas, danças e jogos".
O ponto alto das cerimônias era a terça-feira, quando os meninos se vestiam de mulher velha, de Diabo, de Judeu, de Milionário, de cigano e de Urso. Os disfarçados desfilavam pela vila, cantando e faziam barulho batendo com pedaços de pau nas panelas vazias.
Os "alegres" visitavam casas e pediam por refrescos. Em troca da graça, desejavam prosperidade agrícola, colheita abundante, uma prole grande de animais para reprodução. Por essa ocasião, diversas travessuras eram feitas, tais como besuntar senhoras de negro, o que era considerado motivo de sorte da família e um bom presságio para os próximos tempos que viriam.
Com o passar dos séculos, os foliões e os visitados na Polônia, foram incorporando às brincadeiras, os "pączki" (sonhos) como moeda de troca. Os desfiles foram acabando, os cantos emudecendo, mas o "sonho" permaneceu. Assim como os "desejos de boa aventurança"!
Hoje, em todas as vilas e cidades, os polacos preparam a guloseima às centenas e saem pelas ruas e estradas distribuindo "sonhos". Para que estes desejos se realizem, de verdade, é preciso ganhar e comer pelos menos dois "sonhos" e meio.
Tanto isso é verdade, que o doce no Brasil, tem o nome de "sonho", porque foi trazido pelos imigrantes polacos. Pois até o século XIX, nenhum brasileiro, ou português tinha comido o "sonho". Os portuguêses foram aprender com os "usurpadores das terras polacas", os alemães, que o confeito polaco era de "bola de Berlim".
Nada mais equivocado, já as bolas alemãs não estão relacionadas ao desejo e ao sonho... apenas à pança. Já o "sonho" brasileiro é o verdadeiro pączki (pronuncia-se pontchki).!!!

Ai ai ai... que gostosura polaca!!!