sexta-feira, 8 de abril de 2011

Polônia flutua sobre gás natural

Foto: Rafał Michałowski
O carvão e os mineiros estão intimamente ligados à história da Polônia. Não só porque a principal fonte de energia do país é o carvão, mas também porque sem o mineiros polacos a queda da União Soviética poderia ter retardado muitos anos. Não fosse a marcha de 70 mil mineiros de Katowice até Gdańsk a pé (mais de 700 km), Lech Wałęsa e os trabalhadores dos estaleiros do Norte, do Sindicato "Solidariedade", não teriam naquele 1989 derrubado o regime soviético das Europa Central e do Leste.
Mais recentemente, quando da entrada da Polônia, na União Europeia e o perigo do fechamento das usinas termoelétricas movidas à carvão, os mineiros temeram pela sua sorte. E mais, o país como um todo começou a se perguntar: como vamos sobreviver sem carvão. Afinal, os rios de planície não têm potencial hidrelétricos para substituir o carvão e a os ventos não sopram o suficiente para rodar as hélices dos modernos moinhos.
Quando a Ucrânia fechou as torneiras dos gazodutos russos que passam por seu território e levaram italianos e alemães ao desespero, descobriu que a Rússia - uma das maiores reservas mundiais de gás natural estava construindo em parceria com a Alemanha um gasoduto sob o mar Báltico, justamente para não contemplar a Polônia. A Gazprom, binacional russo-alemã do gás era presidida pelo ex-chanceler alemão Gebhard Schroeder.
Tudo isso é passado!
A U. S. Energy Information Agency (EIA) acaba de anunciar que a Polônia pode ter 5.300.000 bilhões de metros cúbicos de gás sob a camada de xisto. Tal quantidade é 2,5 vezes mais do que os depósitos da Noruega.
O Relatório sobre os recursos de gás de xisto em 32 países ao redor do mundo foi publicado ontem pela EIA. É um gás disperso em rochas de xisto. Sua exploração começou apenas nos últimos anos graças às inovadoras tecnologias da American Gas Industry.
Com a exploração do xisto, os EUA se tornaram o maior produtor de gás do mundo, e assim, os preços da matéria-prima nos Estados Unidos estão caindo nos últimos três anos. Agora, o gás está custando 150 dólares mil metros cúbicos. Isso é mais de 2,5 vezes mais barato do que Gazprom cobra pela mesma quantidade de gás vendido.
De acordo com as previsões da EIA do xisto polaco podem ser extraídos 22.400.000 bilhões de metros cúbicos de gás. Com o consumo atual na Polônia, esta perspectiva anunciada permitirá gás suficiente por 380 anos.
"Isso para nós é uma notícia muito boa. Garante-nos os investidores que já estão conosco, e outros que queiram trabalhar na prospecção de gás de xisto.", disse Henryk Jacek Jezierski, vice-ministro do meio-ambiente, o geólogo-chefe do país.

P.S. Apresenta-se aí, mais uma oportunidade para o Brasil estreitar seus laços comerciais com a Polônia. A Petrobrás em São Mateus do Sul é uma exploração pioneira do óleo, nafta, enxofre e gás combustível, a partir do xisto betuminoso, no Brasil. E o responsável por esse ineditismo foi um polaco-paranaense, Roberto Angewitz, que em 1935 numa pequena usina construída por ele, naquela cidade do Sul do Estado do Paraná, chegou a produzir 318 litros de óleo de xisto por dia. Há quem diga que o polaco era alemão. Mentem! Era polaco da nhanhã méessmooo!

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Partituras de gênios alemães em Cracóvia




Fotos: Michał Łepecki

Partituras de Haydn, Beethoven, Schubert e também a primeira edição do "Fausto", de Antoni Radziwill estão na exposição de manuscritos da Biblioteca Iaguielônica de Cracóvia. A exposição foi inaugurada, nesta terça-feira, durante O XV Festival de Páscoa de Ludwig van Beethoven.
Embora, há de oito anos, o Festival Beethoven, seja realizado em Varsóvia, parte dele ainda é possível acompanhar em Cracóvia. Seguindo a tradição, a inauguração solene do festival foi realizada na Biblioteca Iaguielônica, onde foi aberta esta exposição de manuscritos e partituras de grandes compositores. Entre as peças expostas estão obras-primas da coleção da antiga Biblioteca da Prússia, em Berlim, como esboços de composições de Ludwig van Beethoven, Joseph Haydn e manuscritos de canções de Robert Schumann e Johannes Brahms. Um deleite para os amantes da história da música clássica também é mostrado ali, como a primeira edição do "Fausto" de Antoni Radziwill de 1835. A exposição vai até 22 de abril. A entrada é gratuita.

P.S. Os alemães tentam em vão reaver estes originais, que são propriedade da Polônia. O governo polaco todas, às vezes, em que é instado a isso, responde dizendo: "Se vocês nos devolverem tudo o que vocês pilharam, roubaram do patrimônio cultural, histórico e nacional da Polônia durante a II Guerra Mundial... podemos começar a conversar.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Livros mais vendidos na Polônia

O que os polacos estão lendo? A lista dos livros mais vendidos nos últimos dois meses refletem as vendas reais nas maiores cadeias de livrarias, lojas e redes de supermecados da Polônia.




segunda-feira, 4 de abril de 2011

Torres gêmeas em Cracóvia?





Cracóvia entrou na corrida para se construir os maiores arranha-céus da Europa. Pelo menos é o que se vislumbra após a última Grande Feira Imobiliária de Cannes (França), quando foi apresentado projeto para construção de duas torres gêmeas de 311 metros de altura.
Os dois edifícios seriam construídos na ulica (rua - proncuncia-se: ulitssa) Skotnicki, numa área contígua ao contorno rodoviário da cidade.
Os edifícios terão nos pisos inferiores, instalações comerciais e escritórios, salas de conferências e no topo apartamentos residências para valorizar o panorama deslumbrante. O custo da construção é de 2,5 bilhões de złotych. A Firma Capital High que quer levantar as duas torres confirma que já comprou terreno de 10 hectares.

domingo, 3 de abril de 2011

Duppa no Festival de Teatro de Curitiba


A impressão desta ilustração pode ser apresentada na bilheteria do teatro para ter um desconto de 50% no preço do ingresso. Duppa é garantia de risadas.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Mentira polaca de mil anos

Bolesław Chrobry  - Quadro de Jan Matejko
Há exatos mil anos, o então príncipe Bolesław - Chrobry (Boleslau - o Bravo) foi acusado de fiasco político pelo líder da oposição, o príncipe Jaromir. Era 1º de abril de 1011.
A "Kłamstwo czerwieńskie" (mentira vermelha) de Boleslau foi tão criticada por Jaromir que este chegou a bradar que a política polaca era um fiasco internacional.
Pois a mentira do príncipe, que seria coroado o primeiro Rei da Polônia, em 1025, fez o preço das coisas aumentarem bastante, em mais de 55 dinares (dinar - moeda da época e atualmente, moeda nacional de vários países árabes).

quinta-feira, 31 de março de 2011

Cracóvia: como proteger a Velha Cidade

Foto: Krzysztof Karolczyk
Os conselheiros municipais de Cracóvia, preocupados com o patrimônio da Stare Miasto (Cidade Velha)  têm um plano para protegê-la. Na legislatura anterior, tal plano foi aprovado com alterações tão graves que a sua introdução exigirá a reutilização do documento para discussão pública. "O plano foi encaminhado ao Voivoda da Małopolska, e este orientou re-arranjos e preservação ambiental", afirma Grzegorz Stawowy, presidente da Comissão de Planejamento e Meio Ambiente - RMK.
Algumas semanas atrás, o documento voltou para a magistratura, e na quarta-feira, mais uma vez o caso foi apresentado em sessão. "O presidente depende da provação do plano o mais rapidamente possível, porque sem ele, a Cidade Velha não tem nenhuma proteção." explica Jan Janczykowski, da Conservadoria de Monumentos da Voivodia.
No entanto, está em curso a construção das casas na Cidade Velha e de estacionamentos subterrâneros nas praças św. Ducha e Szczepański. Tais ações podem danificar os porões de casas históricas. Na praça Szczepanski estão os restos mortais de um cemitério e na praça św. Ducha relíquias da Ordem do Espírito Santo. Como deter isto é o que preocupa Janczykowski.

P.S. A Velha Cidade (Stare Miasto) de Cracóvia é o conjunto arquitetônico mais original e preservado de toda a Europa. Nem mesmo as loucuras nazistas conseguiu destruir este patrimônio da humanidade. Não será, portanto, esta geração de autoridades regionais e municipais a por tudo a perder. O que ficou dentro do Planty (um bosque que circunda a velha cidade e onde um dia foram as muralhas e o fosso) é um tesouro dos mais importantes do mundo. Permitir estas intervenções é um crime de lesa-humanidade. E estes conselheiros, construtores, arquitetos não podem ter tanto poder assim, ou seja, o de decidir através de plano, ou não. Os cidadãos não só da cidade, mas de todo o país com certeza não permitem tal poder decisório a uns poucos "gatos pingados" de plantão.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Hotel Cracóvia não poderá ser demolido

Foto: Michał Łepecki
 O Hotel Cracovia foi declarado pela Prefeitura da cidade patrimônio histórico municipal no dia de ontem. Dessa forma, ele é considerado monumento da cidade. Ainda, no dia de hoje, a Voivodia (Estado) da Małopolska deve fazer o mesmo declarar o edifício do hotel patrimônio da região. Em tal condição, o novo proprietário não poderá mais demolir o estabelecimento. Qualquer reforma deverá ter a aquiecência dos poderes públicos.
O já lendário Hotel Cracovia (escrito assim mesmo em idioma polaco, ou melhor Latim) deveria operar só até o final de junho. Então ele deve ser fechado. Os planos preliminares do novo proprietário Echo Investimento SA sobre o edifício modernista ainda não são conhecidos. Por enquanto, boatos dão conta que no local será erguido um "complexo de edifícios de natureza mista."
Segundo Jan Janczykowski, em conformidade com a lei alterada sobre a Protecção dos Monumentos, a partir destes decretos municipal e regional a demolição total do hotel não terá consentimento.
O Hotel Cracovia Hotel está localizado na ulica Marszałka Ferdynanda Focha, quase em frente ao Parque Błonia e atualmente faz parte da cadeia Orbis.
Foi construído entre 1961 a1964 com projeto arquitetônico de Witold Cęckiewicza. Sua inauguração aconteceu em 22 de junho de 1965, com o título de construção mais longa (150 m) e um dos maiores e mais modernos hotéis da Polônia.
O prédio de cinco andares tem 510 camas em 309 quartos e 9 suites, além de restaurante, cafeteria, salas de conferências e um cassino para os hóspedes.

terça-feira, 29 de março de 2011

Gota de sangue de João Paulo II pode estar ajudando Kubica

Ampulheta com o sangue do Papa, no altar da Igreja da Santa Misericórdia em Cracóvia.
A empresa de pesquisa de opinião pública TNS OBOP perguntou a uma amostra significativa da população sobre crença em milagres. 64% disseram acreditar em milagres, 15% responderam que algo ocorreu com eles que podem definir como ocorrência de um milagre.
Também foi perguntado se a gota de sangue do Papa João Paulo II, enviada pelo Cardeal de Cracóvia, Stanisław Dziwisz, ao gravemente ferido piloto de Fórmula 1, Robert Kubica, pode ajudar no restabelecimento do corredor cracoviano. 47% das pessoas responderam afirmativamente, enquanto 34% não acreditam neste possível milagre.
O levantamento foi realizado pela TNS OBOP entre 3 a 6 de março último, sobre uma amostra representativa de âmbito nacional, com 1000 cidadãos polacos acima de 15 anos de idade.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Projekt Warszawiak grava novo vídeo-clip

Projeto Varsoviano grava novo vídeo-clip com "ar" dos anos 50. A música "Tango apaszowskie" será o segundo clip do grupo após "Nie masz cwaniaka nad warszawiaka". Erotismo e skate será a tônica deste novo clip. O vídeo de "Tango apaszowskiego" deve estar pronto até o final de maio.
O vídeoclip vem de encontro aos esforços de Varsóvia para ganhar o título de Capital Europeia da Cultura 2016. O roteiro é de Jędrek Sierocki e Angelika Paszek sobre uma ideia de Łukasz Garlicki. Sierocki é também diretor da produção.



sexta-feira, 25 de março de 2011

Wałęsa convocado para depor sobre Kobylański


O ex-presidente Lech Wałęsa (pronuncia-se Lérrrhh vaúensa), em 1995, rejeitou proposta de Jan Kobylański, milionário residente no Uruguai e patrocinador da Rádio Maria, o oferecimento de 200 mil dólares, em troca de permitir indicações sobre postos nas Embaixadas Polacas na América do Sul.
O Tribunal Distrital Mokotów, de Varsóvia, que lidera o processo de acusação criminal contra diplomatas e profissionais de veículos de comunicação ligados a Kobylański, está chamando Wałęsa como testemunha neste caso de suborno.
O ex-presidente vai depor em 27 de maio. "Acho que pouco, neste caso, poderei acrescentar alguma coisa", admitiu.
A proposta de Kobylański, segundo depoentes já ouvidos pelo Tribunal, o embaixador Ryszard Schnepf e sua esposa, a jornalista Dorota Wysocka-Schnepf teria sido feita à Wałęsa, em 1995, quando de sua visita A Montevidéu. Schnepf revelou novos detalhes da proposta. Explicou que o milionário Kobylański afastou o ministro Mieczysław Wachowski, da delegação presidencial e apresentou sua proposta: 200 mil dólares para a campanha presidencial de Lech Wałęsa, em troca de sua influência na indicação de embaixadores e cargos na América do Sul. A proposta, que chegou aos ouvidos do então Presidente, foi rejeitada, de pronto.
Aos 87 anos de idade, o milionário Jan Kobylański, fundador e chefe da União das Associações e Organizações Polacas na América Latina (USOPAL), e ex-cônsul honorário da República da Polônia no Uruguai. Antes de se estabelecer no Uruguai, o polaco Kobylański viveu várias décadas no Paraguai à sombra do ditador Alfredo Stroessner, onde teria enriquecido.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Estréia de atriz polaca na série "House"

Karolina Wydra
No episódio da série "House", apresentado na última segunda-feira, nos Estados Unidos, pela Fox apareceu um novo personagem, a bela Dominica. Para os refletores da fama, anunciou-se a personagem como uma mulher muito importante na sua vida do Dr. House e para surpresa de muitos... o que se ouviu foi um inglês com forte sotaque polaco! Não era para menos, a personagem Dominica foi encarnada pela atriz e modelo Karolina Wydra.
Dominica apareceu no trabalho com House, logo nos primeiros minutos do último episódio da série. Contudo, ela não é a paciente da semana. Evidentemente a equipe médica do Dr. House desconfia que ela é outra prostituta do chefe. Qual não foi a reação dos assistentes, quando ouvem o polêmico médico dizer que Dominica é a mulher com quem ele em poucos dias irá se casar.
Wydra, modelo e aspirante a atriz nasceu em Opole, na Silésia. Tem um 1,75 cm de altura e já tomou parte nas campanhas de marcas como Calvin Klein e Levi's Red. Ela também já apareceu em episódios de Law & Order e Criminal Intent, além de dois filmes que estão sendo aguardados para estrear "Crazy, Stupid, Love" e "Afters".
Segundo informações veiculadas por sites dedicados às séries das TVs norte-americanas, Wydra deverá permanecer na série House até o final da temporada.

terça-feira, 22 de março de 2011

Komorowski aprovado por 69% dos polacos

Foto: Bartosz Bobkowski
O presidente Bronisław Komorowski manteve sua posição de aceitação popular, no mês de março, segundo pesquisa de opinião realizada pela empresa CBOS com 69%.
O segundo lugar, com 53% apresentou empate entre o presidente do Partido SLD Grzegorz Napieralski e Ministro das Relações Exteriores Radosław Sikorski. Tamb[em foi apurado empate no terceiro lugar e desta vez, com 49% aparecem o primeiro-ministro Donald Tusk e o deputado do SLD, Ryszard Kalisz.
Os desaprovados pela opinião pública foram o presidente do PiS, Jarosław Kaczyński, que não tem a confiança de 55% da população. Ele é seguido pelo primeiro-ministro Tusk, em segundo lugar, que não tem a simpatia de 33% dos entrevistados e ainda, em terceiro, a ministra da Saúde, Ewa Kopacz com 30% de desaprovação. A CBOS ouviu 950 pessoas adultas, entre 3 a 9 de março.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Wajda condecorado com a Ordem da Águia Branca

Foto: Sławomir Kamiński
O presidente da República da Polônia Bronisław Komorowski condecorou com a mais alta honraria da nação, o cineasta Andrzej Wajda (pronuncia-se andjei váida), nesta segunda-feira.
Wajda, o mais premiado dos cineastas polacos, recebeu a medalha da Ordem da Águia Branca, dias depois de completar 85 anos de idade (6 de março). Wajda co-fundador da escola de cinema polaca, ganhou, entre tantas premiações a Palma de Prata de Cannes em 1957 pelo seu filme de estréia internacional, "Kanal", o prêmio FIPRESCI, em Veneza, para "Cinzas e Diamantes" em 1959, a "Concha de Prata", do Festival de San Sebastian por "O Casamento" em 1973, O Prêmio FIPRESCI do Festival de Cannes por "O Homem de Mármore", em 1978, e a "Palma de Ouro" de Cannes por "O Homem de Ferro" em 1981.
Quatro de seus filmes foram indicados ao Oscar: "Terra Prometida" (1976), "As Criadas de Wilko" (1980), "Homem de Ferro" (1982) e "Katyn" (2008). Em 2000, Wajda recebeu um Oscar Honorífico pelo conjunto da obra.
O Presidente Komorowski ao colocar a medalha no peito do cineasta disse: "Obrigado, Andrzej Wajda, por toda a sua obra, que foi partilhada para grandes coisas... Obrigado a quem moldou minha geração, a geração de pessoas - Solidariedade -, pessoas que colocam questões difíceis e trazem a esperança de que é nas situações difíceis que você pode encontrar uma saída inteligente e boa". Komorowski acrescentou: "Estou ciente de que, ao impor em ti a medalha da Águia Branca, em certo sentido, tenho a oportunidade para agradecer perante toda a nossa sociedade, mostrando-lhes realmente o serviço prestado a nós por um grande polaco".
Wajda retribuiu dizendo: "Nós esperamos que nossa obra possa ajudar nossa sociedade, que superou as dificuldades, em nome da "Solidariedade ", e agora de uma Polônia Liberta".

sábado, 19 de março de 2011

Majchrowski foi condecorado por Komorowski

Jacek Majchrowski / Foto: Michael Lepecki
O prefeito de Cracóvia Jacek Majchrowski foi agraciado com a Cruz de Comandante com Estrela da Ordem da Restauração da Polônia pelos serviços extraordinários prestados ao governo da Polônia. A comenda foi entregue diretamente pelo Presidente da República, Bronisław Komorowski.
A cerimônia foi realizada durante uma reunião com representantes da União Metropolitana Polaca.
Jacek Maria Majchrowski nasceu em 13 de janeiro de 1947, na cidade de Sosnowiec. Advogado, professor de Direito, historiador das doutrinas políticas e jurídicas da Universidade Iaguielônica, é membro do Tribunal de Estado. Profundo conhecedor da Segunda República Polaca (1918-1945), tendo documentando a história do período, especialmente as atividades da direita polaca.
Prefeito de Cracóvia pela terceira vez, Majchrowski recebeu o título de doutor, em em 1974, em Direito. De 1987 a 1993, como professor titular, foi Diretor da Faculdade de Direito e Administração. Desde 1965, ele era um membro do Partido Comunista, e deu legitimidade à imposição da lei marcial.
Desde 1999, pertenceu ao Partido SLD foi eleito pela primeira vez em 2002, prefeito de Cracóvia. Mas deixou o partido durante o segundo mandato. Foi reeleito pela terceira, em 2010, vez sem pertencer a qualquer partido político.
O Prof. dr Jacek Majchrowski é autor de inúmeros artigos científicos e 14 livro de história, especialmente sobre a Segunda República Polaca. Seu mais recente livro foi publicado pela Livraria Acadêmica "Pierwsza Kompania Kadrowa – portret oddziału".
Além da última condecoração presidencial, ele já havia recebido em 2009 a medalha da Ordem de Mérito da República da Hungria.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Maria, o único reator nuclear da Polônia

Foto: Albert Zawada
Este é o único reator nuclear na Polônia. Sugestivamente chamado de Maria, ele está localizado, em Świerki, nas proximidades de Varsóvia. Maria produz isótopos para a indústria e a medicina. A foto acima é de 2005 e mostra a sala de controle da usina.
A fonte principal de energia na Polônia é o carvão mineral. Com 95% de seu território coberto por planícies, a bacia hidrográfica expressiva, com rios importantes que cruzam o país como o Vístula, o Odra e o Warta, não possuem potencial energético, pois a única usina hidroelétrica esta localizada nas montanhas ao Sul do território, justamente um existem quedas de água natural.
Os demais rios de planícies se tivessem uma barragem inundaria milhares de hectares de terras férteis e produtivas.
O uso da energia eólica começa a proliferar, mas são insuficientes para a demanda, bem como a energia solar restrita à residências.
A abundância do carvão mineral sempre foi uma das maiores riquezas da terra polaca e daí o porquê do expressivo contingente de mineiros entre a classe trabalhadora.
Katowice, capital da voivodia da Silésia, concentra não só a maior zona metropolitana da Polônia, superando a capital Varsóvia, com mais de 3,5 milhões de habitantes. A explicação para tanta gente morando numa mesma região é justamente a maior concentração de minas de carvão e usinas termoelétricas.
Embora possua apenas esta usina, com seu reator Maria, a Polônia está ilhada pela Alemanha e Ucrânia, países com grande número de usinas nucleares. Czernobyl está localizada não muito longe da fronteira da Polônia.

terça-feira, 15 de março de 2011

Duas cobras grandes em trem na Polônia

Fot. Tomasz Wiech
 Cobras enormes em trem na Polônia causam a maior confusão. A composição que fazia o trajeto Gdynia - Zakopane se atrasou na estação de Iława (na voivodia warmińsko-mazurskie), quando um réptil de 3 metros e meio escapou do pacote onde se encontrava.
Segundo o assessor de imprensa da polícia Sławomir Nojman, de Iława, informou que o pacote com uma cobra foi colocada num dos compartimentos de serviço do trem. Antes de Iława a cobra escapou e depois de algum tempo um trabalhador da estação ajudou a capturar a cobra. Era um espécime impressionante, tinha três metros e meio de comprimento. Ele acrescentou que era incapaz de determinar se era um réptil venenoso. Seu destinatário era para ser um morador de Nowy Sącz (ao Sul, na Voivodia da Małopolska).
Nojman admitiu que a polícia, em qualquer caso, verificou outros pacotes e encontraram uma outra cobra. "Esta era menor, tinha pouco mais de um metro e meio. Ambas as serpentes foram retiradas do trem para serem transportado para Olsztyn". Nojman informou que os répteis não causaram nenhum dano.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Prisão preventiva para antissemitas na Polônia

Foto: Iwona Burdzanowska

O Promotor-Geral ordenou a prisão preventiva em toda a Polônia de todo aquele que cometer crimes antissemitas. Enquanto isso, o promotor de Lublin ainda não considerou  que o muro pichado com uma suástica diante do casa de Tomasz Pietrasiewicz seja antissemitismo.
Sobre a carta dos promotores, em fevereiro, o promotor-geral Andrzej Seremet acredita que as investigações sejam "precipitadas" por desconsiderar os casos de antissemitas. Muitas vezes, os investigadores se recusam a iniciar uma investigação quando alguém destrói paredes, lápides, sinagogas, pintando uma suástica e a Estrela de Davi. Os promotores explicaram que não existe motivo de promoção do fascismo e do incitamento ao ódio, porque não há provas de que o agressor tenha uma visão fascista ou antissemita.
Em outros casos, não é possível provar que a vítima não seja judeu, então não se pode falar sobre o crime do ponto de vista étnico. O promotor Distrital-Sul de Lublin se recusa iniciar investigação sobre a professora Barbara Jedynak da UMTS, a qual disse à Dra. Marzena Zawanowska, que conduzia as aulas de estudos judaicos: "Você é judia". Qual o motivo? Zawanowska, inquirida pelo promotor, depôs que não é judia.
No caso do muro da casa de Tomasz Pietrasiewicz, "Nós nos perguntamos sobre a decisão de acusação, que ainda não alterou a qualificação jurídica", disse Dariusz Libionka, historiador do Museu Estatal do Campo de Extermínio de Majdanek.
"Sobre isto, se isto é um crime de ordem ideológica, grafitar a suástica nazista sobre a parede da casa de Pietrasiewicz, sabendo que este senhor é identificado com a cultura judaica, talvez seja muita especulação. Mesmo porque, há pouca chance de captura dos autores do ataque."

domingo, 13 de março de 2011

Tusk escreve no Wyborcza

Foto: Franciszek Mazur
"Eu sonhei com isto, olhando para a frente, o maior desafio será o de elevar o padrão de vida nacional de famílias polacas. Isso não pode ser feito com um corte simples, o trabalho de base, altera muitas áreas de nossas vidas."
O texto faz parte de um artigo que o primeiro-ministro Donald Tusk escreveu e que foi publicado pelo jornal Gazeta Wyborcza, neste fim de semana.
Segundo Tusk, desafio, hoje, para a Polônia não é a "luta pela sobrevivência da nação, para salvá-la da queda, mas pelo desenvolvimento. Tempo para construir a paz e prosperidade". Ele pensa que o ser polaco necessita um pouco da normalidade Europeia.
Melhorar a qualidade de vida para milhões de famílias polacas exige "mudanças pontuais e árduas em centenas de leis diferentes." Esta "revolução silenciosa de passos", como Tusk gosta de sublinhar não é um "engajamento de emoções coletivas que envolvem a ideia de uma carga enorme de trabalho nas bases".
Um dos fatores determinantes para uma "normalidade" europeia ainda "está longe". Tusk recorda a construção e modernização de mais de 1,4 mil km de estradas. Foram abertos 195 km de auto-estradas e 400 km de vias expressas, além de 134 km de rotatórias.
O Primeiro-ministro sublinha que nenhum governo na história da Terceira República começou tantos e vultuosos investimentos em infra-estrutura, como o seu.
Para habilitar mães jovens na volta ao trabalho de modo mais rápido, o governo facilitou o estabelecimento de creches, criação de pré-escolas e as equipes de atendimento (número de vagas nas pré-escolares aumentaram em 190 mil vagas). O pós-parto foi estendido para menos 20 semanas e incluído a licença paternidade.
O governo também está investindo em professores, porque depende de seu nível de educação as escolas polacas. Tusk aponta que os salários aumentaram em média de 30 por cento.
Para a Polônia dar um salto de civilização, ela deve se beneficiar de fundos europeus. "No começo de março, foram recebidos cerca de 70 bilhões złotych da UE - cerca de mais da metade do que receberam os outros, como por exemplo, a Espanha!".Mas a maior derrota, Tusk reconhece é encolher a administração no governo. "Em 31 de dezembro de 2007, o governo empregava 382.500 pessoas. No final de 2010, elas já são 457 mil". Disse o primeiro-ministro, embora o governo tenha aprovado uma lei que limita o número de funcionários públicos em 10 por cento. Para resolver a questão o Presidente apelou para o Tribunal Constitucional.
Outra falha do governo de Tusk é o sistema ferroviário polaco. "Foi mostrado nas imagens de televisão, jovens embarcando em um trem, em Zakopane, através de uma janela. Isto é o que melhor resume, o caos que reina nos trilhos no final do ano passado," afirmou o primeiro-ministro.
Mas ele acrescenta que os responsáveis ​​pela confusão em parte foram as bilheterias que não conseguem atender a demanda. E que o governo está trabalhando na melhora da qualidade da infra-estrutura ferroviária. A renovação das estações ferroviárias - incluindo Varsóvia e Katowice - passaram 980 milhões złotych.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Iarochinski: Descobertas na Polônia

Centro Sul – Na última edição o Jornal Hoje Centro Sul apresentou a problemática que existe em torno dos termos “polaco” e “polonês”, de acordo com o jornalista e doutor em Cultura Internacional, Ulisses Iarochinski.

Polaco: as “descobertas” de Iarochinski

Cultura, Destaques / 10 de março de 2011 11:01

Texto: Marina Lukavy, da Redação
Fotos: Divulgação
Publicado na Edição 559, em 09 de março de 2011.



Cerveja, vodka, charuto e sonho são de origem polaca

Ulisses Iarochinski, que esteve em Irati na quarta-feira (23), para o lançamento do livro “Polaco – Identidade Cultural do Brasileiro Descendente de Imigrantes da Polônia”, também abordou questões como a culinária polaca adquirida por outros países e a temática ucranianos x rutenos.
Segundo Iarochinski, muitas questões apresentadas como “descobertas” são conhecidas na Polônia, mas não no Brasil. As informações são disponibilizadas em livros e publicações no idioma polaco. “Aqui no Brasil quem sabe falar polaco? É necessário que os descendentes daqui aprendam o idioma para compreender a história do país. Não inventei nada, aprendi o idioma que é muito complicado, discuti com professores, conversei com muitas pessoas e agora quero contar tudo isso”, explica o autor.
Os principais motivos apontados por Iarochinski para que houvesse a “perda” de idiomas no Brasil, foi a “Lei da Naturalização” instituída por Getúlio Vargas, em 1938, e medo da deportação para campos de concentração na Alemanha.
“A lei obrigou o fechamento de escolas de todas as etnias que ensinavam o idioma dos países dos imigrantes. Muitos também, não falavam mais sua língua de origem, porque tinham medo de ser deportados para morrer nos campos de concentração. Assim como aconteceu com Olga Benário Prestes, jovem militante comunista alemã que foi deportada para a Alemanha durante o governo de Vargas. Lá, foi executada pelo regime nazista em um campo de concentração. Então, todo esse conjunto fez com que as línguas de origem fossem se perdendo”, acrescenta Iarochinski.


Culinária polaca
Quais são os alimentos que você considera típicos da culinária da Polônia? Para Iarochinski, o charuto e o sonho são polacos. Já o tão famoso pierogi, teria origem tártara, ou seja, mongol. A palavra “pierogi” deriva de pier, uma palavra tártara. “Em 1410, na Batalha de Grunwald, a Polônia conseguiu apoio desse povo  e de outras etnias que viviam no reino da Polaco e expulsaram os saxônicos, que naquele momento, ainda não eram chamados de alemães. Dai o porque, acredita-se que foram os tártaros que trouxeram para a Polônia o pierogi, que era algo simples de fazer”,completa.
De acordo com o autor, o charuto também não é árabe e sim polaco, pelo simples fato de o repolho nascer na Polônia. No Líbano, que fica no deserto ,e portanto,  local onde não nasce repolho. A receita sírio e libanesa é feita com folha de parreira.
A origem do sonho foi “descoberta” por acaso, durante o período em que Iarochinski esteve na Polônia. Ele lembra que uma amiga o convidou para ir até uma confeitaria comer um doce legitimamente polaco, o pączki, mas, para sua surpresa, o pączki nada mais era do que o sonho. “Depois disso liguei para casa, pois desde criança comia sonho. Perguntei como eles tinham aprendido a fazer o doce e me contaram que haviam aprendido com uma vizinha que era polaca”, afirma.
Na Polônia, o autor trabalhou como correspondente da TV Bandeirantes e do jornal O Estado de SPaulo, mas como não era um trabalho diário, ele também passou a trabalhar como guia turístico. Certa vez, convidou três empresários portugueses para quem estava prrestando serviço de guia e intérprete, para comerem um doce tipicamente polaco, e ao chegar na confeitaria os homens afirmaram que o "sonho brasileiro", era conhecido como "Bolas de Berlim", em Portugal - e não sonho.
“Agora vem a pergunta: como na Alemanha aprenderam a fazer o sonho?  A resposta é simples: Porque durante vários períodos da história, pelo menos , durante uns 600 anos, os alemães tentaram acabar com a Polônia. Isto não ocorreu somente na 2ª Guerra Mundial. Foram várias invasões e em cada uma delas, eles adquiriam a cultura da Polônia. Como é o caso do sonho, e de muitas outras coisas, que surgiram lá e que o mundo conhece como sendo alemãs ou americanas”, considera.
Neste sentido, também é assim que a cerveja ficou conhecida como alemã e não polaca. Iarochinski conta que durante suas constantes visitas a bibliotecas, descobriu que no século XI existiam cervejarias na Polônia, enquanto que na Alemanha e na Europa não existia nenhuma. A cerveja surgiu no Egito, há cinco mil anos e nesta época era feito como um fermentado de cereais. A primeira vez que se adicionou o lúpulo e se fez uma receita para elaborar a bebida que hoje se chama cerveja, foi na Polônia.
“Existiam cervejarias na Polônia há 300 anos, quando num reino da  atual Alemanha foi pego a receita e a condessa do lugar baixou um decreto de que a partir daquela data a cerveja tinha que ser com aquela receita. Desde então, por causa desse decreto, todo mundo considera que a cerveja é alemã. Da mesma forma, a Rússia também se vangloria que é dona da vodka, o que é mais uma mentira, pois a vodka é polaca”, ressalta.

Ucranianos e rutenos
“Nunca existiram ucranianos, pois estes são na verdade rutenos,  são da Rutênia, um povo que viveu sempre nas terras da Polônia em irmandade. Esses imigrantes que chegaram aqui e se dizem ucranianos, quando vieram para o Brasil não eram  ucranianos, nem polacos, porque não existia diferença para o governo brasileiro entre polaco e ruteno. Eles tinham documentos austríacos e russos, e assim eram considerados pelas autoridades brasileiras”, destaca Iarochinski.
Conforme o autor, a afirmação é embasada no fato de que todos os ucranianos que imigraram para o Brasil, também vieram da milenar Polônia. Isso porque a Ucrânia não existia naqueles tempos, esta foi criada apenas, em 1922, pela  Rússia, como República Socialista Soviética da Ucrânia e, portanto, “pertencente” aos russos soviéticos.
“A palavra Ucrânia deriva da preposição ‘U’ do idioma eslavo que quer dizer ‘aqui, de’, que é utilizada para designar quando se está com alguém, um ser animado, e de ‘kraj", que é ´país´. Em qualquer idioma eslavo com pequenas alterações, a palavra Kraj significa ‘aqui no meu país’. Essa palavra, inclusive é de um poema de um poeta polaco de 1870″, observa.
Iarochinski narra que depois da 1ª Guerra Mundial quando a Polônia conquistou a sua independência e voltou a ser uma república, os rutenos também quiseram ter o seu próprio Estado. Aquela região polaca era disputada pela  Rússia, que a ocupou por 127 anos.  Com o fim da primeira guerra mundial e a vitória da revolução Bolchevique, estes apoiaram os rutenos contra a Polônia e  moldaram a República Socialista Soviética do “Nosso País”. “Então, estes que vieram para o Brasil nunca foram ucranianos, os filhos deles podem até ser”, considera.
Parte do povo ruteno, depois de 1922, negaram a ser chamados de ucranianos, e foram taxados pelo governo da Ucrânia, que se instalava de minoria rutena. “A Ucrânia de hoje sempre foi a Rutênia milenar e os ucranianos sempre foram rutenos. Este povo ruteno tem mais de 2 mil anos e o denominado ‘ucraniano’, apenas 87 anos de existência. Portanto, os atuais cidadãos ucranianos tanto podem ser rutenos, cossacos, bem como polacos. Pois o que define uma etnia, o pertencimento a uma nação, não é uma carteira de identidade, um passaporte ou um diploma de cidadão”, conclui o autor.