domingo, 23 de setembro de 2007

Polaco ou polonês?

Reproduzo artigo do colunista Dante Mendonça do jornal "O Estado do Paraná", dante@oestadodoparana.com.br com o título de "Polaco ou polonês?" publicado na edição deste domingo 23/09/2007, em Curitiba.
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Ao começar a escrever o livro A Banda polaca - O humor do imigrante no Brasil Meridional - uma das minhas preocupações foi o adjetivo pátrio: polaco ou polonês? Este gentílico ainda é motivo de muita “briga de ripa” entre os imigrantes, por ter se transformado numa expressão pejorativa. Na língua polaca, é “polak”. No espanhol, é “polaco”. No italiano, é “polacco”. No inglês, é “polish”. No alemão, é “polnisch”. Em bom português, é “polaco”. Na língua francesa é onde encontramos “polonais”. Este galicismo foi sugestão do embaixador da França ao cônsul Gluchowisk, em 1927, como forma de substituir o polêmico “polaco”, usado para ofender os imigrantes e seus descendentes. No prefácio da Banda polaca, o jornalista e historiador paranaense Ulisses Iarochinski defende o uso do gentílico “polaco” e faz questão de assim ser chamado, com muito orgulho:
Creio que seja necessário saudar a ousadia de Dante Mendonça ao utilizar a palavra “polaco”. Desde já alerto que ele pode ter problemas com a comunidade “polonesa”, pois não foi uma nem duas vezes que meu trabalho sofreu censura. Justo pelo uso adequado do termo “polaco” na língua portuguesa. Utilizar “polaco” impediu, por exemplo, a publicação do artigo “A etnia polaca no Brasil”, de meu doutoramento na Universidade Jagiellonski de Cracóvia, em uma revista brasileira de estudos científicos. Não bastasse isso, reportagens produzidas por mim para jornais e televisão do Brasil tiveram, sem meu consentimento, mudados os registros do termo “polaco” para “polonês”.
O termo “polaco” sofre há pelo menos 85 anos campanha sistemática pela sua eliminação da língua falada no País. Alguns chegam a pregar sua total extinção dos dicionários e documentos. As gerações mais antigas simplesmente abominam o termo. Quando escrevia Saga dos polacos, publicado em 2001, o presidente de uma associação étnico-cultural do interior do Paraná interrompeu a entrevista quando ouviu o termo “polaco”. O homem, também descendente de imigrantes da Polônia, afirmou que não prosseguiria a conversa se continuasse a ouvir “polaco”. Ele se sentia terrivelmente agredido com a palavra. Perguntei o porquê da irritação. O polonês-paranaense respondeu que era um termo pejorativo.
- Por que, pejorativo?
- Não sei a razão! Meu pai sempre dizia que não aceitasse ser chamado assim, porque essa palavra era muito feia e que significava burrice e que na verdade estavam nos chamando de filho da puta. Agora chega. O senhor não pode sair por aí falando “polaco, polaco”!
Este incidente seria apenas o primeiro. Na fase de lançamento do livro por 25 cidades brasileiras, houve pelo menos outras três situações delicadas. Uma delas, inclusive, com agressão física. Irritado com o título do livro, um senhor chegou a me esmurrar duas vezes durante a seção de autógrafos.
Os estudiosos da etnia apontam que o preconceito contra a palavra “polaco” teria se iniciado na época da importação de prostitutas européias pelo Império Brasileiro. Como naquele momento a maioria das mulheres no Rio de Janeiro era de escravas africanas, o reino queria “branquear” a população. Como as importadas eram em sua maioria loiras como as “polacas” do Sul do Brasil, a população logo começou a qualificá-las de “polacas”. Num momento imediatamente posterior, a população carioca passou a denominar qualquer prostituta, fosse loira, preta, branca, amarela ou índia, com o termo “polaca”. (Ulisses Iarochinski).

Edyta Geppert: a mais notável

Talvez a mais notável cantora da Polônia. Minha ídola!!! E isso, desde a primeira vez que ela me emocionou num espetáculo no pátio interno do Collegium Maius da Universidade Jagielloński (iaguielonhsqui), em julho de 2000. Foi quando estive pela segunda vez na Polônia. Mas eu já tinha ouvido aquela voz forte cinco anos antes, quanto estive pela primeira vez em Varsóvia. Pouco antes de embarcar de retorno ao Brasil, fui numa das lojas de discos do centro da cidade e pedi ao vendedor que me indicasse duas fitas cassetes, uma do melhor cantor e outra da melhor cantora. O polaco me vendeu então Janusz Jackowski e Edyta Geppert. Passei cinco anos ouvindo aquelas duas vozes. Portanto, quando no espetáculo em 2000, reconheci naquela linda loira cantora, a mesma voz que me acompanhava há cinco anos, naturalmente fui às lágrimas. Na platéia, todos comportados, como num concerto de música clássica. Mas eu não me aguentava e aplaudia e gritava em português: maravilhosa, você é linda, bravíssimo!!!! Até que ela notou minha presença e meus gritos e ao contrário da colega brasileira que não parava de me beliscar para que eu me contivesse, a maravilhosa polaca passou o resto do show cantando e olhando só para mim. É verdade!!! Tanto que ao final do show fui o primeiro a bater na porta do improvisado camarim. Falei diretamente para Edyta que ela era a maior "show-womam" do mundo depois de Elis Regina. Não sei como, mas na hora consegui um CD autografado por ela.

Infelizmente nestes cinco anos que moro em Cracóvia, não tive ainda a oportunidade de voltar a assistir um show ao vivo com Edyta Geppert. Mas posso vê-la no alto de seus 54 anos como um monumento à beleza e ao canto neste vídeo da apresentação no Festival da Canção de Sopot deste ano:



Edyta Geppert, nasceu em 27 de novembro de 1953, em Nowa Ruda. Antes de se formar na Faculdade de Música Frederyk Chopin de Varsóvia, já se apresentava no grupo de Música e dança "Nowa Ruda". É também atriz e pedagoga. Edyta, tornou-se conhecida do público em 1984, quando venceu a VII Mostra da Canção de Atores de Wrocław (vrotssuaf) e o Grande Prêmio do XXI Festival Nacional da Canção Polaca de Opole. Edyta é única cantora polaca a vencer três vezes este festival, nos anos de 1984 com a música "Jaka róża, taki cierń" (iak ruja, taqui tchiérnh - como rosa, tal espinho), que ela canta neste vídeo; em 1986 com "Och, życie kocham cię nad życie" (Orrh, jitchie corram tchien nad jitchie - oh! vida amo te além da vida) e em 1995, com "Idź swoją drogą" (idji svoion drogon - vá por seu caminho).
Edyta Geppert não canta apenas canções suaves, versátil interpreta também "country", "hard-rock", "heavy-metal" e claro "jazz", "blues" e até bossa nova. Mas é reconhecida por seu talento dramático, lírico e poético. Seu portal oficial é http://www.egeppert.com/ . E com certeza quando eu voltar para casa, uma música na voz da "minha monstro sagrado polaca" vai me acompanhar pra lembrar da Polônia, pro resto da minha vida. Clique no link htpp://www.ui.jor.br/pamientasz.mp3 e ouça a canção "Czy pamientasz jak to było" (Tche pamientach iak to biúo - você se lembra como foi)

Zamość: sexta maravilha da Polônia

Zamość, classificada em sexto lugar, pelos Internautas do Jornal Rzeczpospolita" (jétchpospolita), entre as 7 Maravilhas da Polônia, foi declarada patrimônio da humanidade pela UNESCO em 1992.
A cidade murada foi construída, em 1580, pelo comandante das legiões polacas daquela região, Jan Zamoyski (ian zamoisqui) em estilo renascentista e por isso mesmo conhecida como a "Pérola do Renascimento". Sua praça central, Rynek Wielki (rinek viélqui - mercado grande) de 100 x 100 metros é realmente uma maravilha. Zamoyski contratou o arquiteto italiano Bernardo Morando, para projetar a cidade segundo uma concepção antropomórfica. A cabeça deveria ser o Palácio de Zamoyski, a coluna vertebral seria a ulica (ulitsa - rua) Grodzka, cruzando a praça central -Rynek Wielki - do oriente para o ocidente na direção do Palácio. Os braços compostos pelas ruas, ulica Solna (ulitssa solna) (ao Norte da praça) e a ulica Bernardo Morando (Ao Sul da praça). Ao longo destas ruas estão outras praças, Rynek Solny e Rynek Wodny (mercado do Sal e Mercado da Água), como se fosses os órgãos internos da cidade. Os Bastiões seriam as mãos e os pés encarregados da defesa da cidade. Esta configuração praticamente existe até os dias de hoje. Infelizmente, durante a ocupação russa, em 1866, foram explodidas e postas abaixo estas defesas. Restou apenas a trincheira VII e fragmentos da muranha. Tudo é muito bonito, mas vale a penas ver os seguintes locais: Ratusz (torre), Edifícios ao redor da praça central, Edificio armênio do século 17, Edifícios Morandowska II, Szczebrzeska e Turobińska do início do século 17 na ulica S. Staszica. No Rynek Solny, está o edifício "Dom Rabina" da metade do século 17 e a catedral renascentista Ressurreição do Senhor e a igreja de São Tomás Apóstolo, do fim do século 16, onde está a cripta do fundador da cidade marechal-de-guerra Jan Zamoyski. Além de outras atrações turísticas como a Akademia Zamojska, o Arsenal, Rotunda Zamojska e a Sinagoga. Esta foi construída em 1620. Durante a segunda guerra mundial, os alemães derrubaram e destruíram tudo o que tinha dentro. No fim de 1967 a prefeitura da cidade terminou a restauração e reconstrução da sinagoga e ali agora funciona a biblioteca pública e o Museu Judaico de Zamość.

Sinagoga Judaica na cidade velha
A cidade é o centro de uma microrregião composta por ela, mais Tomaszów Lubelski, Hrubieszów e Bilgoraj. Região esta, que antes da segunda guerra possuia 510 mil habitantes, dos quais 340 mil eram polacos católicos, 110 mil ucranianos e 60 mil polacos judeus. Nas 4 cidades, os judeus eram praticamente 51% da população urbana. Os judeus sefardis chegaram na cidade em 1588, procedentes da cidade de Lwów. Cinquenta anos mais tarde podiam ser encontrados ali também muitos judeus Asquenazis. Zamość foi o centro do iluminismo judeu Haskalah. Nasceram ali, entre outros, Ludwik Zamenhoff - criador da língua Esperanto - e Rosa de Luxemburgo - a revolucionária socialista. Em 1939, de uma populaçao de 28.873 habitantes, 12.531 eram judeus, ou seja 43% da cidade. Atualmente são 66.802 os moradores.


Edificios renascentistas na Praça Central
Os nazistas ao ocuparem a cidade na segunda guerra estabeleceram um plano de evacuação e de colinização. Queriam recolocar 60 mim pessoas de etnia alemã na área antes do final de 1943. Entre 1941 e 43, durante a operação Wehrwolf Action I e II foram expulsas 110 mil polacos de 297 vilas ao redor. Cerca de 30 mil eram crianças que foram adotadas por famílias alemãs para serem germanizadas no Deutsches Reich. Aqueles que não foram para os campos de concentração, fugiram para as florestas, onde organizaram a resistência, ajudando os expulsos e subornanado alemães para retirarem as crianças adotadas. Até meados de 1943, os nazistas conseguiram assentar 8 mil colonos alemães. Entre estes assentados estavam os pais do atual Presidente da Alemanha Horst Köhler, que nasceu na localidade de Skierbieszów. Se fosse válida a lei brasileira, ele seria considerado polaco.

sábado, 22 de setembro de 2007

Doda está doente

A mais popular cantora polaca do momento, Doda, cancelou três espetáculos nesta semana por estar doente. Ela estava em excursão para promoção de seu mais novo CD "Diamond Bitch".
Em seu portal na Internet a loira estonteante se desculpou de seus fãs dizendo "Desculpem-me, mas infelizmente sou humana e como todos normalmente também fico doente. Escrevo a vocês com 39 graus de febre, a cabeça roda com tontura, não posso abrir os olhos, os nariz está trancado, tentei comer, mas prefiro morrer do que ter essa dor de garganta". Os fãs de loiraça Doda - Dorota Rabczewska naturalmente estão tristes e rezam pelo pronto restabelecimento da ídola. Veja e ouça uma de suas músicas "katharsis":


Polônia rejeita observadores

Tusk do PO (o atirador) não concorda com Kaczyński do PiS
(legenda: Cartuchos se acabam...! Dais sondagem!)

O governo da Polônia informou que não aceitará observadores da OSCE-Organização de Segurança e Cooperação na Europa, nas eleições parlamentares do próximo dia 21 de outubro. Segundo o Porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da Polônia, Robert Szaniawski (chaniavsqui), já foi enviada uma mensagem ao órgão comunicando a decisão, salientando que a Polônia tem uma democracia consolidada. Por sua vez, Urdur Gunnasdottir, porta-voz do organismo, diz que a OSCE é sempre convidada para eleições e cabe a ela decidir se acompanha, ou não eleições de seus países membros.

Diplomatas europeus comentaram em Viena, onde fica a sede da organização encarregada de monitorar as eleições, que a Rússia poderia se auto-convocar para ir a Polônia ver de perto as eleições polacas, recusando a decisão do governo da Polônia. A Suíça que terá eleições no mesmo dia já aceitou a presença dos observadores. A OSCE é composta por 55 países membros da Europa, EUA, Canadá e países da antiga União Soviética. Missões da organização estiveram monitorando as últimas eleições para Presidente da França, parlamentares na Bélgica em 2006, no Canadá e Itália em 2004, e nos Estados Unidos.
P.S. As siglas dos partidos: PO-Platforma Obywatelska (platforma obivatélsca -Prataforma da Cidadania) partido de oposição de Donald Tusk e PiS-Prawo i Sprawiedliwość (pravo i spraviédlivochtch - Direito e Justiça) partido da situação de Lech Kaczyński.

Malbork: a terceira maravilha


A cidade de Malbork foi construída ao redor da fortaleza-Castelo da "Ordensburg Marienburg". Fundada em 1274 pelos cruzados teutônicos, quando estes invadiram a Polônia. Alegando estarem ungidos pelas graças divinas trucidaram os polacos e tornaram a Virgem Maria padroeira do Castelo. O Quartel General da Ordem Teutônica é considerado o maior castelo do mundo feito inteiramente de tijolos. Por volta de 1415 a cidade chegou a ter cerca de 85 casas e 89 estabelecimentos comerciais. Após a guerra dos 13 anos e tendo aquelas terras voltado aos seus legítimos donos, o castelo passou a fazer parte dos domínios do Rei Casimiro IV da Polônia, em 1457. Os moradores da cidade, todos de origem germânica, resistiram a voltar para seus locais de origem além rio Odra, o que gerou instabilidade na região ainda durante algum tempo. A construção de Malbork durou quase 230 anos e na verdade é um conjunto de 3 castelos ligados entre si. Durante o período teutônico era cobrado pedágio de todos aqueles que cruzavam o rio Nogat e os "ungidos de Deus" impuseram o monopólio do comércio do âmbar. A cidade se tornou membro da Liga hanseática, tendo sido local de muitas de suas reuniões. A cidade voltaria a ser invadida séculos mais tarde, antes da partilha da Polônia, em 1795. Mas finalmente, com o fim da Segunda Guerra Mundial voltou a fazer parte da Polônia. Desde 1960, o local vem sendo palco de diversas produções de cinema e televisão. No total já foram rodados ali 14 produções, sendo a última em 2006, "Battle for the Bible", direção de Sean Grundy, para a TV Pionier, da Grã-Bretanha. Pode-se chegar a Malbork de trem, ônibus e automóvel, ou a partir dos aeroportos de Gdańsk e Varsóvia. No último censo foram registrados 41 mil habitantes no munícipio.

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Sete maravilhas da Polônia

O jornal "Rzeczpospolita" (jetchpospolita) realizou durante três semanas uma pesquisa pela Internet para eleger as 7 maravilhas da Polônia. Foram inicialmente inscritos 400 lugares maravilhosos. Destes, na fase final de votação, restaram 27 locais. A partir destas opções, os 82 mil internautas chegaram às primeiras colocadas. Pela ordem de votação são estas as 7 maravilhas da Polônia:
1 - Mina de Sal de Wieliczka (cidade de Wieliczka - 20 km de Cracóvia) - 29.058 votos
2 - Cidade Velha e panorama do rio Vístula em Toruń (região Central) - 28.021 votos
3 - Castelo de Malbork (região Norte) - 15.686 votos
4 - Castelo Real e Catedral do Wawel (Cracóvia) - 13.117 votos
5 - Canal de Elbląg (região Norte) - 12.719 votos
6 - Renascentista cidade de Zamość (região Leste) - 11.735 votos
7 - Rynek Główny e centro da cidade de Cracóvia (região Sul) - 10.244 votos
As sete posições da lista receberam 60% de todos os votos.

Kopalnia Wieliczna

Panorama de Torun

Castelo de Malbork

Castelo e Catedral do Wawel

Canal de Elbląg

Cidade de Zamość

Rynek Główny e Centro da Cidade de Cracóvia

Nas demais posições foram votados os seguintes locais: 8° lugar, Cidade Velha de Gdańsk (9076 votos); 9°. Mosteiro Jasnogórski em Częstochowa (7393 votos); e em 10°. Ruínas do Castelo de Ogrodzieniec (7113 votos).

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Rafał Stec: Europa se faz pequenininha

Dida, Cafú e Serginho - campeões da Europa (foto: Dylan Martinez)

O exótico e polêmico jornalista esportivo da Gazeta Wyborcza, Rafał Stec (rafau stetz) está bastante preocupado neste início de Copa dos Campeões (Champions League) com a América do Sul. Nas transmissões dos jogos pela Telewizja Polska Kanał 2, o jovem jornalista mostrou uma página do jornal italiano “Gazzetta Dello Sport” com um mapa do Brasil cheio de fotografias de jogadores brasileiros presentes no mais importante campeonato europeu de clubes. Na edição de hoje do Gazeta Wyborcza, Stec volta à carga num longo artigo. Conta histórias de argentinos e brasileiros que se naturalizaram, que falsificaram passaportes, que mudaram de nome e etc. Segundo Stec, o brasileiro chegou na Europa Eriberto e voltou pra casa Luciano.
Desfilando com sua peruca rastafari loira por todos os estádios da Europa, o jovem jornalista polaco, fez as contas e descobriu que apenas Glasgow, Rosenborg, Olympique Marselha e Steaua Bukareszt, não possuem jogadores sul-americanos. Clubes potentes da Itália como Milan, Inter e Roma "caíram no conto da genialidade artística dos jogadores do Amazonas". A Itália, que segundo Stec, sempre se revelou a terra dos maravilhosos grandes goleiros têm agora como titulares das três equipes citadas, Dida, Júlio Cesar e Doni. O Milan foi mais longe, tem nada menos do que 8 brasileiros. O CSKA de Moscou tem Daniel Carvalho e Vagner Love como seus atacantes. Em Istambul, o Fenerbahçe é uma colônia brasileira, isto para não falar em Portugal, onde os "Canarinhos" não são apenas importados, mas naturalizados.
Stec fez as contas e descobriu que os brasileiros são maioria na Champions com 95 jogadores. Depois dos brasileiros estão 62 franceses, 57 espanhóis, 54 italianos, 46 portugueses, 37 alemães, 36 turcos, 35 argentinos, 27 romenos, 23 tchecos e 22 servos. Stec só se esqueceu de contar quantos polacos estão no campeonato. Não citou os goleiros Dudek e Boruc, nem os atacantes Smolarek e Żurawski. Assim, quando é convidado especial nas transmissões da TV Polaca, o impetuoso jornalista levanta sua peruca rastafari loira para o alto (num coque como prima-dona que acaba de se levantar) e fica repetindo:
“Brazylijczyków”, “Brazylijczycy”, “Brazylia”.
Evidentemente que poucas vezes suas intervenções são para elogiar, mesmo quando Ronaldinho Gaúcho, Deco ou Alex10 (de Curitiba) dão espetáculo. Não teve comentário, por exemplo, para os espetaculares dribles que Alex10 deu na defesa italiana da Internazzionalle, antes de servir seu compatriota Deived, para este fazer o gol da vitória do Fenerbahçe.
P.S. Apesar de escrever bem, falta ao cabeludo Stec, conhecimento, humildade e às vezes até respeito. Mas sobra presunção e arrogância. Mas assim é o mundo dos polêmicos, não?

"Polacos! Voltem."

O Presidente Lech Kaczyński (lérrhh catchinhsqui) pediu para que os polacos, que foram trabalhar em outros países da União Européia, voltem para casa. Segundo o presidente, cerca de 1 (um) milhão e 200 mil polacos trabalham fora da Polônia. Kaczyński diz que não pode proibir ninguém de escolher o lugar de trabalhar e morar, mas tem o direito de querer a volta e que tudo fará para que esta gente retorne para casa. O Presidente polaco acrescentou que aqueles que foram trabalhar na Grã-Bretanha e desejam ficar, analisem que podem também voltar à Pátria. De acordo com uma pesquisa recente, 60% do meio milhão de polacos que trabalha na Ingalterra ainda não se decidiu se realmente quer ficar no Reino da Família Windsor. "Estas pessoas precisam se convercer que seus lugares é no nosso país", sublinhou o presidente polaco, que já ordenou ao ministro de Relações Exteriores e ao do Trabalho e Políticas Sociais que facilite esta volta aos emigrados.
Com razão, o presidente faz este apelo, pois a realização da Copa Européia de Futebol em 2012, vai transformar a Polônia num canteiro de obras. Não serão apenas 6 novos estádios, mas centenas de hotéis, milhares de quilômetros de rodovias e ferrovias, modernização e ampliação de estações e aeroportos, além de várias outras melhorias na infra-estrutura do país. Já existem setores preocupados com a falta de cimento nos próximos cinco anos, por causa deste volume de construções.

P.S. Porém, os polacos só voltarão mesmo, se os salários ficarem dignos. Os grandes investimentos na Polônia atualmente são atraídos justamente por que o salário de um trabalhador é muito baixo, o que chega a ser aviltante.
Foto: Radek Pietruszka

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Polônia mais uma vez contra

O jornal "Diário de Notícias" de Lisboa, desde que Portugal, através de seu primeiro-ministro José Socrates assumiu a presidência rotativa da União Européia vem dando destaque a Polônia. Hoje uma de suas machetes dizia: "Polónia obriga UE a desistir do dia europeu contra pena de morte" (os portugueses usam acento agudo em Polônia).
A Polónia obrigou ontem a UE a deixar de lado o seu projecto de instituir um dia europeu contra a pena de morte a 10 de Outubro. A iniciativa tinha sido apresentada pela Comissão Europeia, no âmbito dos esforços europeus para uma abolição universal da pena de morte, e deveria recolher apoio unânime. Mas tal não aconteceu. "Infelizmente constatei que não é possível um consenso entre os 27", disse o ministro português da Justiça, Alberto Costa, citado pela AFP, após o Conselho de Justiça e dos Assuntos Internos (JAI), em Bruxelas. O ministro assegurou, porém, que a presidência portuguesa da UE mantém a sua intenção de organizar uma conferência internacional de alto nível, a 9 de Outubro, em Lisboa, para promover a abolição universal da pena de morte. Em 2006 foram executadas 1 591 pessoas no mundo.A pena capital não existe na UE, mas o Governo polaco considerou "inútil" a instituição deste dia, a menos que também fosse instituído um dia de defesa da vida que incluísse a proibição da eutanásia e do aborto. A exigência foi feita numa altura em que decorrem negociações técnicas sobre o futuro tratado europeu, ao qual Varsóvia apresenta reservas, mas também em clima pré-eleitoral. E o Governo polaco precisa de agradar aos eleitores ultracatólicos (sobretudo ouvintes da Rádio Marya).

P.S. As diferenças ortográficas no texto decorrem do modo peculiar da língua escrita em Portugal grafar determinadas palavras. E para os ferrenhos defensores da palavra "polonês", observe-se que os portugueses usam etimológicamente o adequado termo "polaco".

Janela no mundo

De 26 a 30 de setembro, em Gdańsk (Norte da Polônia) acontece o "III Festival da Cultura Mundial - OKNO NA ŚWIAT" (okno na schviat - janela no mundo). Serão quatro dias de espetáculos musicais, mostra de danças africanas e irlandesas, performances, representações teatrais e cinema. Durante o festival estarão representadas várias expressões artísticas de diferentes países, em especial daqueles exóticos.

A bela Joanna


Joanna Liszowska (ionna lichovsca), atriz, cantora e modelo é de Cracóvia. Começou sua carreira artística, em 2001, no festival Przeglądzie Piosenki Akstorskiej (pjeglondjie piossenqui aktorsquiei -Mostra de Canções de Atores) quando recebeu três prêmios. Em seguida, conquistou o "Grande Prêmio" do "Festival da Canção Artística" de Rybnik e outro troféu no "Festival de Interpretação de Música" de Sopot. No teatro atuou nos musicais "Studio Buffo" e "Panna Tutli Putli". No teatro varsoviano estrelou "Komedia", cantando como Roxie no musical "Chicago". Nesta semana, ela acaba de ser classificada para a próxima fase no programa "Jak Oni Śpiewają" (iak oni schpievaion - Como Elas Cantam).

Desemprego é ficção

Foto: Michał Mutor
Na Polônia, não trabalham, apenas pessoas que não querem. É o que informa o jornal "Dziennik Polski". Segundo uma pesquisa realizada este ano, a maioria das estatísticas sociais, que aponta como 12% o desemprego no país, é ficção. Para o prof. Janusz Czapiński, autor do "Diagnóstico Social 2007", realmente existe desemprego na Polônia, não há como negar, mas ele certamente é a metade do que indicam as estatísticas. Desempregados não são apenas aqueles registrados, mas segundo este índice, também aqueles que estão prontos para trabalhar, aqueles que estão procurando outro emprego e etc.. Assim, o índice real seria de 7,6% e não 12,5%. Além disso, existe um milhão de pessoas que não estão interessadas em trabalhar, afirma o professor. E por que não querem trabalhar? São várias as razões segundo ele. Muitas pessoas não chegam nem a procurar trabalho, pois não possuem a qualificação esperada. Contudo 18% não querem mesmo trabalhar, pois não querem perder o seguro social.

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Trailer do filme Katyń

Legenda: "Oculta meio século a verdade sobre o crime"

Narração: "Senhores, devemos perseverar, sem vocêss não existirá Polônia Livre"

"Katyń" reabre feridas escondidas

Desde domingo, na "avant première" em Varsóvia e ontem em Gdynia, a Polônia só fala numa coisa. O assunto é o mesmo em todos os noticiários e programas de rádio e TV. Katyń de Andrzej Wajda (andjei vaida) trouxe a discussão um passado escondido pelo comunismo. Nesta foto, do exército alemão se comprovava na época o crime russo contra os Polacos. Mas os aliados, pressionados por Stalin, preferiram ignorar e taxar a mosntruosidade russa como mentira nazista. Na sexta-feria, dia 21, quando o filme ganhar as telas de todos os cinemas da Polônia... a discussão só vai aumentar. O maior cinema de Cracóvia Kino Kijów (quino quiiów - cinema kiev) com 828 lugares já está com sua lotação praticamente esgotada nas seções de sexta-feira próxima.

Monges enclausurados

No fundo e ao cento, as torres da igreja do Monastério de Kamedłów, em Cracóvia, monges vivem em total clausura. Existem poucos mosteiros, como este, no mundo. O sistema sobrevive desde a idade média.

Kamedłów em idioma italiano é Camáldoli. Os monges no idioma português são chamados de Camaldulenses e pertencem à Congregação Camaldulense da Ordem de São Bento, a qual foi criada por São Romualdo de Ravenna, em Camáldoli, Arezzo, Itália, em 1012.

Em Cracóvia, eles estão na Montanha de Prata, bairro de Bielany, desde 1604, quando o nobre Mikołaj Wolski doou o terreno ao monge capelão Sebastian Lubomirski. Desde então os eremitas camaldulenses vivem na Polônia com a denominação em latim de "Congregatio Eremitarum Camaldulensium Montis Coronae", ou em idioma polaco, "Kongregacja Pustelników Kamedułów Góry Koronnej".

No mosteiro de Bielany vivem 58 monges (censo de 2003) sendo 21 monges polacos (censo de 2006). Existe um outro mosteiro na localidade de Kazimierz Biskupi, na cidade de Konin (Centro da Polônia).

A página oficial da Ordem na Internet é um pouco confusa sobre a existência e quantidade de mosteiros da Congregação no Mundo. Em alguns trechos omitem a presença dos monges até mesmo na Polônia. Em outros, diz que eles estão presentes na Itália (10 centros), na França, na Hungria, na Áustria e na Polônia (dois mosteiros).

Fora do continente europeu, encontram-se comunidades camaldulenses nos Estados Unidos, Índia, Tanzânia e Brasil (Mogi das Cruzes).

Chegaram ao Brasil e se estabeleceram incialmente em Caxias do Sul, mas pouco tempo depois o mosteiro foi fechado. Segundo H. Dall´Alba, em seu livro A Saga dos Camaldulenses no Rio Grande do Sul, “Lamentavelmente, em 1926, interrompeu-se esse afluxo cultural e até místico: os membros da venerável família de São Romualdo foram convidados inapelavelmente a recolher-se à casa-mãe, na Itália, por um desses equívocos obscuros da história, que os pósteros custam tanto a compreender e perdoar” (p. 12).


Porta de Entrada do Mosteiro

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Invasão soviética de 17 de setembro


Cavalaria Polaca, de 1939, em defesa da Pátria

Naquele sábado, Lublin já havia caído nas mãos dos alemães. Às 04.00 horas, o Exército Vermelho invadiu a Polônia a partir do Leste sob a alegação de libertar e proteger os Bielorrussos e os Ucranianos que viviam na parte oriental da Polônia. Tomada de surpresa em duas frentes ficou impossível às tropas polacas responder aos ataques. A invasão soviética fazia parte do Pacto assinado entre Ribbentrop e Molotov, em 23 de Agosto de 1939. O pacto incluía a não-agressão e um acordo de comércio, além de um protocolo secreto no qual estava acordado a partilha da Polônia entre a Alemanha e União Soviética. Assim, os soviéticos ficavam com o caminho livre para ocuparem os países do Mar Báltico. A invasão soviética foi realizada em duas frentes, uma comandada pelo General ucraniano Timoszenko e a outra pelo General bielorrusso Kowalow. As duas frentes formavam 1.5 milhões de soldados, 6191 tanques, 1800 aviões e 9140 peças de artilharia. Depois de intensos combates, nos dias seguintes, os soviéticos capturaram Wilno, Grodno e Lwów (cidades polacas) e alcançaram o Rio Bug em 23 de Setembro.
As patrióticas, mas escassas tripulações dos tanques polacos com equipamento velho e obsoleto lutaram bravamente e conseguiram destruir muitos veículos inimigos, enquanto defendiam a Pátria de alemães e soviéticos. A Campanha Polaca ainda está cercada por numerosos mitos tais como a informação de que Força Aérea Polaca teria sido destruída nas primeiras horas da invasão. Este mito foi criação da propaganda nazi-fascista e estava muito longe do que realmente se passou na realidade. A Cavalaria Polaca esteve ativa durante toda a campanha e atuou como infantaria montada. Um dos ataques da cavalaria Polaca de sucesso ocorreu em Krojanty, onde elementos do 18º Regimento de Lanceiros atacou e destruiu um batalhão de infantaria alemã. Este ataque ficou na história da Polônia como sucessos da Cavalaria contra os Panzers. A Aviação Polaca estava numericamente em desvantagem e os seus aparelhos eram velhos e obsoletos, mas mesmo assim, os pilotos polacos abateram 137 aviões inimigos. A Marinha Polaca afundou dois destróieres, 2 dragas-mina e fez estragos em outros barcos incluindo o "Schleswig-Holstein”. Mas perdeu o destróier 'Wicher', o caça minas "Gryft", o navio de treino de artilharia "Mazur" e dois pequenos barcos. Os soviéticos também perderam 42 tanques e 429 ficaram danificados, além de perderam 30 aviões. Os soviéticos fizeram prisioneiros 242.000 soldados polacos. Entre 70.000 a 120.000 soldados polacos conseguiram escapar para a Hungria e Romênia, 20.000 para a Letônia e Lituânia. Mas a maioria seguiu para o Ocidente, onde foram continuar a luta sob o comando do General Władysław Sikorski. Em 30 de Setembro, o Governo Polaco partiu para o exílio e se estabeleceu em Paris.
P.S. fonte de informações:
http://modernacontemp.freewebpages.org/poloniaww2.htm

Os irmãos ucranianos

Nas grandes ondas imigratórias da Europa Central para o Brasil viajaram e se instalaram juntos polacos e ucranianos. Ambos os povos naquele momento histórico estavam sob opressão de russos e austríacos. Durante os primeiros anos, muitos ucranianos foram confundidos com os polacos nas regiões de assentamento colonial no Paraná. A história de ambos, marcada por muito sofrimento e muitas conquistas, são muito parecidas. Muitos brasileiros "polskiego pochodzenia" têm também descendência ucraniana. O cineasta Guto Pasko (descendente de ucranianos) acaba de produzir um filme documentário que conta a trajetório de seu povo desde a Ucrânia até as terras do Sul do Brasil.
Mais do que retratar a história desse povo no Paraná, o filme nos mostra um panorama da Ucrânia e dos principais acontecimentos políticos que marcaram a sua história, explicando os motivos das três fases da imigração desta etnia ao Brasil, traçando um paralelo entre as comunidades ucranianas do Paraná com a história da Ucrânia antiga, desde o Principado de Kiev até os dias de hoje, nos evidenciando que, um século depois, a situação econômica e política da Ucrânia não mudaram e os ciclos imigratórios continuam.Dificuldade econômica, dominação política, fé, luta, sonhos, esperança...”Made in Ucrânia – Os Ucranianos no Paraná” é um retrato fiel da bravura desse povo que jamais se entrega.

P.S. O filme poderá ser visto na Cinemateca de Curitiba, Rua Presidente Carlos Cavalcanti, 1174. De 24 a 30 de setembro de 2007, sempre às 15:30 horas.Valor do Ingresso:R$ 5,00 Inteira / R$ 2,50 Meia / R$ 1,00 Domingo / Idosos acima de 60 anos não pagam.

Putin não reconhece Katyń


No dia do lançamento oficial do filme de Andrzej Wajda sobre o massacre de Katyń, o presidente russo Vladimir Putin "não reconhece assassinatos em Katyń pelo exército vermelho". A afirmação é do dissidente russo Władimir Bukowski. O dissidente disse a imprensa polaca neste domingo que apelou a Putin para que mude o conceito negativo nas páginas da história russa. Uma delas seria aceitar que o exército russo matou 40 mil oficiais polacos em Katyń. A apresentação, fora de concurso, do filme de Wajda é hoje no Festival de Gdynia.

Rzeszów a capital do Sudeste

Foto: Ulisses Iarochinski
Encantadora rua central de Rzeszów (jéchuf), ou Resovia em latim. Ela é a capital da voivodia de Podkarpacki, na região sudeste da Polônia. No períododa ocupação austríaca (1795-1918) fazia parte da Galicia. Tem atualmente cerca de 180.000 habitantes. Possui 3 instituições de ensino superior a Universidade Rzeszowski (com 10 faculdades) a Politécnica Rzeszowska e a Escola Superior de Informática e Administração, além de outras faculdades isoladas.