domingo, 29 de março de 2009

Cracóvia não é só para um dia




O Aeroporto Jornal, na verdade uma revista que é distribuída gratuitamente nos aeroportos do Paraná e consequentemente sobrevoa os ares brasileiros a bordo dos Boing e Airbus traz em sua última edição uma reportagem com texto e fotos de minha autoria. A revista é dirigida pelos jornalistas Jean Feder e Sonia Bithencourt. Com a permissão de ser o autor transcrevo aqui o "convite" para se conhecer Cracóvia e sua história:


Cracóvia atrai mais turistas

Panorama visto da torre da catedral de Wawel - Foto: Ulisses Iarochinski

A cidade mais bela da Polônia, também é o mais importante centro cultural das Europa Central e do Leste. E isto não é frase de efeito é a mais pura verdade. Cracóvia experimenta nos últimos 5 anos um crescimento vertiginoso de turistas do mundo inteiro. De 500 mil turistas recebidos em 2002, Cracóvia ultrapassou a barreira dos 5 milhões de turistas no ano de 2005. E este número só vem aumentando, muito em parte devido, à entrada do país na União Europeia, em maio de 2004, e da morte do Papa João Paulo II em abril de 2005. Praticamente invadida nos meses de maio a setembro por uma avalanche de mais de 8 milhões de turistas no último verão europeu. A maioria deles, entretanto, vindos em excursões de agências de viagem, dentro de pacotes turísticos que incluem Budapeste, Viena e Praga. Infelizmente, estes turistas perdem o melhor da cidade, pois passam apenas algumas horas em caminhadas pela praça central e castelo real e vão embora desconhecendo os verdadeiros encantos da cidade. Para vir a Cracóvia é preciso muito mais do que algumas horas, é preciso viver a atmosfera da cidade medieval, da cidade do período romântico, do período das revoltas contra a ocupação austríaca de 123 anos. Isto é conhecer Cracóvia.

História marcante

Igreja Basílica Mariacka - Foto: Ulisses Iarochinski

Historicamente ela foi responsável pela reunificação do reino polaco, dividido após a morte do rei Boleslau III, em 1138, com Ladislau I que em 1306, transformou-a na capital do Reino da Polônia. Seu apogeu ocorreu no período dourado do Rei Casimiro – O Grande - entre os anos de 1333 a 1370. De capital da Polônia, ela passou a ser também o maior centro cultural e científico do renascimento. No período de Casimiro foi criada a Academia de Cracóvia, precursora da Universidade Iaguielônia, onde concluíram doutorado Nicolau Copérnico e Karol Wojtyla. Com o reinado da filha de Casimiro, Edwirges (Padroeira da União Europeia e Santificada por João PauloII), Cracóvia se tornou também a capital do maior império da Europa daqueles dias. O casamento da última representante da Dinastia Piat com o Duque da Lituânia, Iaguielo, simbolizou a criação do Grande Reino Unido Polônia Lituânia. Reino que estendeu seus domínios do mar Báltico no Norte, ao mar Negro no Leste da Europa.
Mas os dias de poderio de Cracóvia acabaram em 1596, quando o rei eleito, Ladislau IV, príncipe sueco da Dinastia Wasa, translada a capital da Monarquia Republicana da Polônia para Varsóvia. Apesar da mudança, a catedral do Castelo Real de Wawel continuou sendo a Cripta Mortuária de todos os reinos polacos. A cripta ao receber também os restos mortais de heróis da história, transformou-se em panteão Pátria polaca.

Uma cidade que pulsa

Mercado de artesanato Sukiennice no Rynek (praça central)
Foto: Ulisses Iarochinski

Mas não é só essa história latente que a cidade tem para contar e mostrar. Se no ano de 2000, existia na cidade apenas um Albergue da Juventude, denominado “Schronisko”, e os polacos desconheciam a palavra Hostel, desde o primeiro semestre de 2006 surgiram mais de 300 destas pousadas na cidade, acompanhadas de luxuosos hotéis cinco estrelas. O número de bares e restaurantes deu um salto vertiginoso. Para se comer um bom “pierogi”, um “bigos” ou uma sopa de cogumelos silvestres numa tigela de pão, nada como os restaurantes “UBabcia Malina”, “Chlopskie Jadlo” e “Bar Mleczny”. As mercearias e pequenas lojas que haviam transformado o panorama da cidade comunista em capitalista foram rapidamente sendo substituídas por lojas de grandes marcas mundiais como Puma, Malboro, Sephora e Zara.
A cidade guarda uma raridade. Se o Louvre de Paris tem a Madona Gioconda, o Czartoryski de Cracóvia tem a Madona Cecília Gallerani e seu Arminho. Esta madona é um dos ícones gráficos da cidade junto com o dragão. Depois, ou antes, do museu, é preciso passar algumas horas no Rynek - a Praça do Mercado Central, pois ela certamente é o símbolo da Cidade, colorida e cheia de vida.
Há 8 séculos, na Sukiennice (mercado do tecido na praça central), vende-se roscas típicas, lembranças, e o melhor do artesanato do país. Pode-se comprar ali o que se desejar. Cópias dos quadros “O tributo prussiano” de Jan Matejko, “o panorama do piedoso samaritano” de Remblant, a “Madona e o Arminho” de Da Vinci, o “Altar” de Veit Stoss. Milenarmente Cracóvia é a cidade das artes por excelência. Por isso Cracóvia tem algo de excepcional. Aqui se pode descansar, aqui se pode permanecer e beber muita cerveja polaca, além de brindar “zdrowie” com a verdadeira vodca.
Na mesma praça está a basílica Santa Maria, curiosa com suas duas torres diferentes, ambas construídas por dois irmãos. Ah, sim! Também há o famoso toque do trompete. Um dos guardiões ao dar o toque de alarma que os tártaros chegavam foi ferido na garganta por uma flecha. Por isto a melodia executada a cada hora na torre mais alta recorda aquele guardião da muralha.

Visite os arredores

Janela da Cúria, onde o Cardeal Karol Wojtyla conversava com os fiéis
Foto: Ulisses Iarochinski


Não bastassem os museus, os teatros, os bares, os “pubs” têm tudo para a alma e desejos. É bem provável que nesta cidade tenha vivido um dragão. Pois a lenda sobre ele parece real, com seus personagens. O rei Krakus e a filha Wanda são nomes originalmente polacos, assim como é Casimiro, da palavra Kazimierz, de ("kazić=destruir") e – (“mir=paz") e que significa "aquele que, quem destrói a paz”. Kazimierz, também é o bairro mais visitado da cidade. Simplesmente por que ali viveram durante séculos os judeus. O bairro do Kazimierz, até bem pouco tempo, local de ruínas e “mulambentos” apartamentos se transformou. Novos hostels, bares, restaurantes rapidamente coloriram o bairro de tristes lembranças. Tanto que muitos ousam dizer que o Kazimierz (pronuncia-se cajimiéj) seria o novo “Quartie Latin”, “Soho”, ou “Village”. Hotéis como “Rubinstein”, “Ariel”, “Sarah” trouxeram de volta os empresários judeus.
A prefeitura também faz sua parte. Eventos culturais e artísticos da cidade, como a “Misteria Paschalia”, “Cracow Screen Festival”, “Sacrum Profanum” e Coke Live Music Festival, Festival de Cultura Judaica, são dos mais concorridos no mundo nos últimos três anos. Tudo isto para oferecer aos turistas um “algo a mais” do que o mais bem preservado conjunto arquitetônico da idade média da Europa.
Mas os dias são curtos e os arredores da cidade guardam outras surpresas, como a mina de sal de Wielicka (patrimônio da humanidade); os campos de concentração e extermínio alemão-nazistas de Auschwitz e Birkenau; a cidade onde nasceu o Papa, Wadowice; a cidade que despertou a vocação sacerdotal de Karol Wojtyła; Kalwaria; a capital do inverno polaco, Zakopane e os mosteiros de Kamedłów e Tyniecki.

sábado, 28 de março de 2009

Duppa e a cerveja

Foto: Kombidosbrothers

Procurei através da Internet alguma repercussão das apresentações de Isidório Duppa no Festival de Curitiba, o maior encontro da arte teatral na América Latina. Nada! Nenhuma linha. Mas reclamações através de comentários de leitores sobre cancelamento de um espetáculo paulista sim! Ou sobre a longa duração da peça Maria Stuart com Júlia Lemmertz. Mas nenhuma crítica ou citação do espetáculo mais curitibano e paranaense do Festival. Por isso aí vai mais um "causo" do personagem de Gláucio Karas:

"Iscuitei uma buzina de Kombi no porton e a cachorada saiéu loca corendo prá vê quim éra, e num é qui éra um Kombi mésmo, só qui ansim meio fantasiada cós vidro tudo iscuro. Descéu do Kombi um camarada de boné e com esses colete cheio de borso, qui néi de pescaria falando qui tavam percurando uma propriedade típica de polaco pra fiumá uma filme de televison pra uma fábrica de cerveza de casa, uma tár de Rause Bíer, falô qui si dexásse dava pra iéu uma caxa de cerveza.

Iéu pensô, proque non? No finar das conta num ia custá nada. Iéu falô intom qui pudia e iele foi inté o Kombi e abriu a porta dos passagero e iéu quase caiu sentado no chon. Dessero do Kombi umas seis mossa só de biquíni, néi sei se é ansim qui si chama, proque na parte de tráis num dava pra vê pano ninhum e na frente só um trapinho. O sution era tão piquininho qui parissia que cada mossa tinha duas casa de jão-de-baro depindurada. Iéu ficô paralizado oiando aquilo, inté qui ielas fizero fila e viéro tudo balanssando os cabelo cumprido pra pérto de iéu e cada uma déu um béjinho na minha rosto.

Vige Nossa Senhora!!!! Makto Boska! Iéu só tinha visto mossa désse jéito no cartáis da parede da oficina mecânica. Mosso do boné inton preguntô si iéu gostei das siliconada, num disse que sim néi qui non, proque vóis num saía, poquinho mexeu com cabéssa, inton foi aí qui discubriu qui móssa qui si veste desse jéito si chama de siliconada.

Entraro tudo na casa, fiumaro na cozinha, na varanda, no potrero, im cima da carossa, segurando cavalo, corendo detráis das galinha, trepando nos pinhéro e despóis de cada isforço tomavam um gole da cerveza e falavam: "Rause Bíer, o sabor da roça". Iéu via tudo aquilo e mi dava água na boca, de tomá cerveza tambéi.

Preguntéi pro home do boné proque usá siliconada pra porpaganda de cerveza, e iele disse qui si num tive muié bunita a cerveza num vende, é pros home quando ponhá cerveza no copo, aparecê na cabéssa deles uma dessas siliconada e pensá qui tão junto delas, qui iço éra procauza de um tár de Márqueti.

Ieste Seu Márqueti deve ser muito intiligénte mésmo, iéu mésmo sin tomá cerveza já ta ca cabéssa nas móssa.

Foro imbora e dexaro pra iéu a caxa de cervéza Rause Bíer, ponhéi uma méia dúzia pra gelá no riberon e tomei, tomei, tomei., e desgracera, num aperéceu ninhuma mossa na cabéssa, única coisa qui deu mésmo foi um mijadéra desgraçada. "

Semo Polaco Non Semo Fraco. Izidório Duppa.

Atentados contra a preservação

Cracóvia sempre foi relutante em permitir a construção de arranha céus na cidade, principalmente no perímetro interno ao antigo fosso medieval. Mas alguns sacrilégios foram cometidos, como por exemplo, a substituição do sobrado que havia na Praça Szczpanski.



Sobrado na esquina da ulica (rua) Reformacka com praça Szczepański, ao redor do ano 1930.

No lugar do sobrado desde 1940, está o edifício KKO, construído pelos ocupantes alemães para uso do governo geral nazista.

Lá da Polonia, terras longes

Alfredo Coelho foi um dos poetas selecionados por Fredencis (pseudônimo) para ilustrar "A Polonia na Literatura Brasileira", livro publicado em 1927, em Curitiba, por Editores Placido E Silva & CIA Ltda. Seu poema "Nívea" expressa sua devoção para com uma polaquinha:

Nívea

De eburneas fórmas - radiações de estrella,
Contornos leves e feições serenas,
É muito loira e tem mãos pequenas
A minha suave e lyrial Graziella.

Lá da Polonia - terras longes, Ella
veio a estes climas argumentar-me as penas...
Loiras formosas e ideas morenas,
De olhos ardentes, têm ciumes d´Ella!

Ha lactescencias de luar e neve,
Fulgencias de astro em suas carnes quentes,
Novas, de opala, viginaes, macias...

Graziella é a Dama de cintura breve,
Fórmas eburneas e resplandescentes,
Que ora começa a escurecer meus dias...

sexta-feira, 27 de março de 2009

Milagres de João Paulo II

Aleksandra Zapotoczny e Cardeal Stanisław Dziwisz
Foto: Mateusz Skwarczek / AG


"Falo para ele:: "Tantos anos te ajudei, agora você me ajuda". confessa o cardeal Stanisław Dziwisz durante o lançamento do livro "Nowe cuda" (nóve tssuda - novo milagre) sobre o Papa João Paulo II. O livro lançado nesta semana já se encontra na segunda posição na lista dos mais vendidos.
A obra organizada por Aleksandra Zapotoczny, do Escritório da Postulação de Processos de Beatificação e Canonização de João Paulo II em Roma contém cartas deixadas junto à tumba do papa polaco no Vaticano.
"Muitas pedem oração e graças aos seus diversos problemas. Algumas delas são emocionantes", diz Aleksandra que trabalha no periódico "Totus Tuus".
As cartas de ingleses são bastante consisas, já a de italianos e polacos chegam a ter 15 páginas. "A última carta é do Brasil de uma casa de menores. São crianças muito jovens que não sabiam assinar e deixaram impressos seus dedinhos na carta", acrescenta Aleksandra.
O atual cardeal de Cracóvia Monsenhor Dziwisz lembrou que na qualidade de secretário pessoal do Papa durante toda sua vida, afirmou que no caso da candidatura tem algum problema com os milagres atribuídos ao Papa, mas assim mesmo lembrou que, "numa das viagens ao México, uma mãe pediu uma benção especial a seu filho de 12 anos, que estava morrendo de câncer. O filho já havia sido desenganado pelos médicos e iria morrer. Dois meses depois recebemos cartas de vários bispos dizendo que o menino estava com saúde e sem nenhum problema com o câncer.


Para o lançamento do livro foi preparada uma grande campanha, com posters e grandes painéis como o que foi colocado no edíficio da Cúria Metropolitana de Cracóvia, onde o Papa foi cardeal durante os anos de 1964 e 1978.




Foto: Ulisses Iarochinski

quinta-feira, 26 de março de 2009

O gueto de Varsóvia

Leopoldo Staff escreveu:

Mais do que o pão
A Poesia é sempre necessária
Quando não é dela que precisamos.

As palavras deste extraordinário poeta, citadas no texto de um convite para uma tertúlia lieterária no Gueto em fevereiro de 1942, poderiam ser o mote da vida cultural em toda a Polônia ocupada.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Mais uma vez Justyna


Foto: AFP
A rainha polaca das pistas de esqui não pára de ganhar. Venceu mais uma vez. No Grande Prêmio, em Falun, na Suécia, neste fim de semana, ela não deu chances às concorrentes. Mantém-se no topo da classificação do Campeonato Mundial. Venceu todas as provas dos 10, 15 e 30 km. Justyna Kowalczyk, polaca, virtual campeã do mundo de esqui. No final de fevereiro, ela ja havia ganhado a Copa do Mundo, na Austria, com as duas medalhas de ouro e uma de prata.

domingo, 22 de março de 2009

Aos Judeus polacos

Warszawskie getto" Warszawa 1988
United States Holocaust Memorial Museum.


O Gueto de Varsóvia - 1940/1943
Em todos os corações polacos, estas palavras
devem estar gravadas como na pedra:
O derramamento de sangue, o muro das execuções,
Dachau e Auschwitz e a nossa casa destruída,
Todas as sepulturas anônimas e todas as celas das prisões nos unem.

Władysław Broniewski

Um polaco, arquiteto dos deuses

Figura 3: Painel representando a santa ceia ao centro
Foto: Fabricio J. Nazzari Vicroski

É indiscutível a contribuição advinda da Polônia na formação da nação brasileira, sobretudo, na região Sul do país, onde a imigração polaca ocorreu de forma mais expressiva, especialmente a partir do século XIX.
Pode-se destacar inúmeras personalidades com intensa atuação em áreas como a política, medicina, engenharia, arquitetura, entre outros ofícios, alguns deles pioneiros em suas áreas, além, é claro, da grande massa de inomináveis camponeses, que, juntamente com levas de imigrantes de outras nacionalidades promoveram intensas modificações no sistema de produção agrícola do país, contribuindo explicitamente para o seu desenvolvimento econômico.
Gostaria, no entanto, de ater-me neste momento a apenas um destes aspectos, precisamente a contribuição ao meio artístico, descrevendo, de forma breve, a história do célebre artista plástico Arystarch Kaszkurewicz, e mais especificamente seu legado presente na forma de arte interna na Catedral de Erechim, município situado no norte do Estado do Rio Grande do Sul, região que recebeu grandes contingentes de imigrantes polacos.
Nascido em 1912, já em seus primeiros anos de infância Arystarch Kaszkurewicz viu o seu país ocupado e partilhado entre a Rússia, Prússia e Áustria, teve ainda o infortúnio de presenciar as duas grandes guerras do século XX, logo após a 1ª Guerra Mundial (1914-1918), a Polônia finalmente recupera sua independência no dia 11 de novembro de 1918, e o futuro artista cresce num país livre.
No entanto, é a 2ª Guerra Mundial (1939-1945) que deixa marcas profundas em Kaszkurewicz, pois a explosão de uma granada o fez perder as duas mãos e o olho esquerdo. A guerra fez com que abandonasse sua terra natal, e no ano de 1952 chega ao Brasil , estabelecendo-se inicialmente em São Bernardo do Campo, no Estado de São Paulo.


Figura 1: Um dos painéis da via-sacra
Foto: Fabricio J. Nazzari Vicroski



O artista, também formado em direito e fluente em nove idiomas, era especialista em afrescos, vitrais e mosaicos, encontrando grande destaque na Arte Sacra, à qual dedicou-se intensamente.
No ano de 2004 a jornalista Raquel Bueno, contando com o patrocínio da Eletrobrás, lançou um livro intitulado Aristarch - O Arquiteto dos Deuses, onde apresenta um belo resgate fotográfico das obras de Kaszkurewicz espalhadas por doze cidades brasileiras, uma pesquisa que lhe exigiu nada menos que sete anos de trabalho.
Suas obras estão espalhadas por 28 cidades brasileiras, desde o interior gaúcho como nas catedrais de Erechim e Passo Fundo ao nordeste do país, como no caso da catedral de São José em Fortaleza, no Ceará, além de cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Campinas, Santo André, Cuiabá, entre outras, e também no exterior, como Montevidéu no Uruguai.

Figura 2: Painel representando o batismo de Jesus
Foto: Fabricio J. Nazzari Vicroski

Em Erechim, podemos observar sua obra realizada com a técnica do esgrafito na Catedral São José, são quatorze painéis com dimensões de 3,57m de altura por 2m de largura representando a via-sacra (figura 1), além de três painéis maiores, um representando o batismo com 8,65m de altura e 3,66m de largura (figura 2), outro a ressurreição com 8,65m de altura e 3,76m de largura, e por fim, um maior no centro retratando a santa ceia, com 8m de altura e 15,95m de largura (figura 3), é neste painel de destaque que o artista discretamente deixou uma marca, uma alusão a Polônia, sua terra natal, trata-se da Orzeł Biały, ou seja, a Águia Branca, Sob a sigla JHS (do latim Jesus Hominum Salvator – Jesus Salvador dos homens). A águia é um símbolo com forte significado para os polacos, relacionado à própria fundação do país, e neste caso Kaszkurewicz representou-a com a coroa, fazendo uma alusão à Polônia independente, soberana (figura 4).

Figura 4: A águia branca com a coroa sob a sigla JHS
Foto: Fabricio J. Nazzari Vicroski

Para observadores desavisados, este é um elemento que provavelmente passará despercebido, no entanto, para um admirador com um conhecimento conciso acerca da história deste artista, sua obra poderá eventualmente fornecer outros significados.Wycinanka(figura 5), uma técnica artesanal muito popular na Polônia que consiste em recortar e colar pedaços de papel que combinados compõem formas geométricas com diversos estilos e motivos destinadas a decorar as residências, a primeira vista similares a um crochê.


Figura 5: A decoração lembra a Wycinanka
Foto: Fabricio J. Nazzari Vicroski


Notas
1 - Sua entrada no Brasil só foi possível em virtude de uma série de articulações, pois um decreto da época proibia a entrada de portadores de necessidades especiais no país, o que só foi possível com uma autorização do então presidente Getúlio Vargas.
2 - BUENO, Raquel. Aristarch - O Arquiteto dos Deuses. Eletrobrás. Campinas, SP: Ed. do autor, 2004.
3 - A técnica do esgrafito consiste basicamente em desenhos ornamentais a fresco que imitam o relevo.

Referências
BUENO, Raquel. Aristarch - O Arquiteto dos Deuses. Eletrobrás. Campinas, SP: Ed. do autor, 2004.
MALCZEWSKI, Zdzisław. Polskie ślady w Brazylii. Disponível em: . Acesso em: 11 fev. 2009.
PALDES, Julaine. Wycinanki - Recorte e Colagem. Revista Cekaw, Ano II, nº 5. Porto Alegre: 2008.
IAROCHINSKI, ULISSES. Saga dos Polacos - A Polônia e seus emigrantes no Brasil. Curitiba: U. Iarochinski, 2000.
. Acesso em: 11 fev. 2009.

Fabricio José Nazzari Vicroski nasceu no município de Áurea/RS em 1978. É Graduado em História pela URI- Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões, Campus de Erechim. Tem experiência na área de Arqueologia. Atuando principalmente nos seguintes temas: Arqueologia de contrato, arqueologia pré-histórica, educação patrimonial, restauração de cerâmica arqueológica. Fez o curso de língua e cultura polaca, de um ano de duração, na Universidade de Wrocław, na Polônia.

P.S. Texto e fotos "postados" sob autorização do autor.

sábado, 21 de março de 2009

FIFA omite Bosque do Papa em Curitiba

Estátua de Mikołaj Koperniko e casas de troncos no Bosque do Papa em Curitiba
Foto: Ulisses Iarochinski

O sítio oficial da FIFA- federação Internacional de Futebol Associado, depois de duas gafes cometidas no mapa com as cidades concorrentes a sediarem jogos da Copa do Mundo de 2014 (já corrigidos) onde colocava a capital do Acre, Rio Branco em Roraima e grafava a cidade de São Paulo como "San Paulo", ao fazer a apresentação da cidade de Curitiba comete mais uma.
A apresentação, aliás, bastante elogiosa, deixa de citar o Parque Papa João Paulo II como um dos pontos turísticos da cidade. Talvez, não seja culpa da FIFA, tal desleixo, pois apenas cita alguns parques dos mais de 25 que a cidade possui. Mais provavelmente seja, culpa da própria prefeitura de Curitiba, que em muitas de suas publicações deixa de apresentar o memorial mais significativo da cidade, justo por pertencer à etnia de mais contingente populacional da capital paranaense, pelo Parque não ter sido uma criação do IPPUC-Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba, nem do ex-prefeito Jaime Lerner (filhos de polacos nascidos na Polônia). Mas de ter sido uma iniciativa da própria comunidade polaca da cidade e da Missão Católica Polaca no Brasil junto ao governo do Estado. Este "descuido" promocional da Prefeitura já foi maior no passado. Parecia que havia se extinguido, mas como a FIFA deve ter se baseado no material produzido pela prefeitura para tentar sensibilizar o organismo mundial de realizar a Copa do Mundo na terceira maior cidade polaca do mundo e a etnia polaca ser a mais representativa em número e influência entre as quatro principais etnias formadoras da cidade, esta falta de "gentileza" só pode ser debitada a esta antiga rusga com o Bosque do Papa. É como se o Parque Memorial Polaco com sua coleção de casas de troncos essencialmente polacas não fizesse parte da cidade de Curitiba. Lamentável!
Gafes já corrigidas

Aqui o texto em idioma inglês reproduzido so site da FIFA com a não menção do Bosque do Papa João Paulo II:

"Curitiba
The city of Curitiba is one of the finest examples of a bulky economic and industrial development carried out with responsibility and organisation. Since it was declared the capital of the state of Paraná in 1853, the city has gone through several major urban planning projects to avoid uncontrolled growth and thus has become an international role model in dealing with such sensitive issues as transportation and the environment.

Curitiba is now the most populous city in the southern region of Brazil, with 1.8 million inhabitants, and stands right at the centre of a metropolitan area whose economy ranks fourth in terms of contribution to the country's gross national product. With all that, Curitiba still maintains the structural conditions to offer a remarkable welfare and quality of life to its residents, thanks to its innumerable parks and a high-profile cultural schedule.

The curitibanos owe a lot of their cultural richness to the massive immigration process through which the south of Brazil underwent during the 19th century, when it welcomed a huge contingent of Germans, Italians, Ukrainians and Polish. These traits are noticeable in such city landmarks as the Santa Felicidade neighbourhood, with its first-class Italian cantinas; the Bosque Alemão (German Wood) and the Ukrainian church replica at fabulous Tingüi Park.

Besides the Tingüi, other important parks that showcase Curitiba's concern with preserving green areas include the Tanguá, the Barigüi and the impressive Botanical Garden. Other city attractions revolve around its pulsating cultural life, like the Ópera de Arame (a theatre all built with glass and iron wires) and the pungent Oscar Niemeyer Museum, designed by the architect himself.

Football

Curitiba is home to two traditional clubs of Brazilian football: Coritiba Foot Ball Club and Clube Atlético Paranaense, who meet for one of the most exciting derbies in the country, the Atletiba - a reason for frenzy in Curitiba since the two teams' very first meeting in 1924.

Coritiba, nicknamed Coxa, conquered the Campeonato Brasileiro title in 1985 and own the Couto Pereira stadium, while rivals Atlético Paranaense, the Furacão (Hurricane), were national champions in 2001 and are proud owners of the Joaquim Américo stadium, popularly known as Arena da Baixada, which was demolished and rebuilt from the scratch in 1999 and is now considered one of the best and most modern football grounds in Brazil

The city's third representative in Brazil's main football scene are Paraná Clube, founded in 1989 as a fusion of two other teams; Colorado and Pinheiros. The Tricolor plays its home matches at the Durival de Britto e Silva stadium, which was one of the venues of the 1950 FIFA World Cup Brazil™."

"Negócio" do casamento é controlado

Foto: Łukasz C.

Cresce a cada dia o número de pedidos de leitores deste blog, geralmente brasileiros que moram na Inglaterra, sobre informações de casamento com cidadãos(ãs) polacos(as). Em função disto busquei esclarecimentos sobre a questão junto ao departamento responsável da autoridade polaca por analisar pedidos de cidadania polaca daqueles que não são descendentes de imigrantes polacos.
Segundo este departamento, que a princípio negava-se a dar informações, no caso de casamento de um(a) cidadão(ã) polaco(a) com um estrangeiro(a) o procedimento para casar na Polônia é:

1 - negativas do cidadão(ã) estrangeiro(a) de que não seja casado com outra pessoa no exterior. São negativas de igreja e de cartório e que devem ser traduzidos por tradutor juramentado e legalizadas no Consulado Brasileiro de Varsóvia.
2 - negativas do cidadão(ã) polaco(a) de que não é casado na Polônia com outra pessoa...negativas também da igreja e do cartório.
3 - o cidadão(ã) polaco(a) deve apresentar "zameldowania", ou seja, registro de residência que é feito nas prefeituras das cidades onse se mora.

Uma vez casados e querendo o casal residir na Polônia. Então será dado um visto de residência para o(a) estrangeiro(a) morar na Polônia. O primeiro visto temporário terá validade de um ano apenas. Para que o "consorte" (marido ou esposa) estrangeiro possa morar na Polônia é necessária a apresentação de "zameldowania" (registro de residência). Este registro só é concedido se o casal for proprietário de um imóvel. A prefeitura solicita como comprovante a apresentação da "escritura" do imóvel feita em Cartório.
Se o casal não possuir imóvel, o mais comum é que o pai, ou mãe do "consorte" polaco(a) forneça uma declaração de que aquele estrangeiro (a) reside no imóvel de propriedade do pai. Também é necessária a apresentação da escritura do imóvel.
Cumpridas estas formalidades, o consorte receberá então uma carteira de visto de residência temporária de um ano. Findo este ano de moradia em território da Polônia e não na Inglaterra, o processo todo terá que ser refeito.
Na segunda vez, o visto e a carteira de residência para o estrangeiro terá validade de dois anos. Ao final de três anos, o consorte estrangeiro, uma vez, que morou efetivamente estes três anos em território da Polônia, receberá (desde que solicitado) o visto permanente de residência e permissão de trabalho e uma carteira que terá de ser revalidada a cada dez anos.
Nestes três anos iniciais, a polícia fará visitas incertas a residência apontada na "zameldowania" (registro de residência) para verificar se realmente o casal mora ali. Também investigarão junto aos vizinhos para saber se realmente o casal mora ali e se realmente é um casal. Se não morarem a polícia imediatamente comunica ao departamento que concedeu o visto para que este seja cassado.
Resumindo, um casamento não dá direito a cidadania polaca, nem europeia, nem a passaporte polaco à um estrangeiro. Apenas permite a concessão de visto de residência permanente e permissão de trabalho para a Polônia, não para a União Europeia e muito menos para morar ou trabalhar na Inglaterra, legalizando assim sua condição do país da rainha de Windsor.
No caso dos filhos destes casais, desde que registrados nos consulados respectivos e depois de um processo de solicitação de reconhecimento de cidadania, este poderá ter a cidadania e o passaporte polaco (comunitário). Mas o marido, ou a esposa estrangeira não terão nenhum dos dois documentos. A carteira de motorista poderá ser solicitada, mas a Carteira de identidade, não!
Para complicar a situação... o Consulado do Brasil em Varsóvia, informa que uma determinação do Itamaraty em vigor há um mês impede o reconhecimento de papéis (negativas de casamento no Brasil) no consulado para efeitos de casamento com cidadãos polacos(as).
A idéia das autoridades polacas é impedir o crescente "negócio" do casamento de pessoas que nem sabem onde, no mapa mundo, está localizada a Polônia, que nada sabem de sua história, nunca tiveram o interesse e nem terão de residir na Polônia e de serem efetivamente contribuintes.
Segundo o pensamento generalizado, é cada vez comum, principalmente na Inglaterra "a venda" do casamento por parte de jovens polacas(os) a extracomunitários (brasileiros, peruanos, indianos, árabes, africanos) por preços que variam entre 3 a 7 mil libras esterlinas. Não bastasse isso, os procedimentos fazem parte dos controles da União Europeia no sentido de conter a imigração ilegal.
Casar com uma linda polaca de olhos azuis não parece ser um bom negócio, se a intenção é apenas legalizar residência na Inglaterra, França ou Itália. A única possibilidade é o visto de residência permanente na Polônia, mas somente após três anos de moradia efetiva no território polaco. Cidadania e passaporte não. Claro que as autoridades reconhecem que alguns casamentos são movidos apenas por amor, mas o percentual deste é insignificante perante o "negócio" do casamento.

Varsóvia mais perto de Lisboa

Airbus 320. Foto: Divulgação TAP

A TAP de Portugal informou que neste verão de 2009 abrirá uma nova linha em voo direto de Lisboa a Varsóvia. Tanto portugueses como polacos e até brasileiros podem a partir de 11 de junho voar direto entre as duas cidades. A Tap espera ter muitos passageiros da Polônia querendo passar as férias de verão em Portugal. Serão cinco voos semanais. Os voos a partir do Aeroporto de Portela devem levantar no período da tarde e chegar no início da noite em Varsóvia. Já do aeroporto Fryderyk Chopin devem partir bem cedo e já às 9 horas da manhã estar aterrissando em Lisboa. Os aviões utilizados no percurso serão os Airbus 320.
Para o porta-voz dos "Aeroportos Estatais" da Polônia, Jakub Mielniczuk, "Lisboa era uma das poucas capitais europeias que ainda não tinham conexão direta com nossa Varsóvia. Esta é uma excelente notícia e certamente será o melhor meio de transporte entre os dois países."
A decisão dos portugueses está levando em conta apenas os turistas polacos, pois apesar do número crescente de jovens portugueses que estão vindo estudar na Polônia, trabalhar ou buscar casamento com uma beja jovem loira de olhos azuis, parece não se fiar muito na rentabilidade dos voos a partir de Lisboa. Talvez, porque os diretores em Lisboa, passe despercebido o crescente número de excursões de brasileiros descendentes de polacos do Sul do Brasil que estão vindo conhecer a terra de seus ancestrais.
Um voo entre São Paulo - Lisboa - Varsóvia, certamente será mais atrativo e disputado do que um entre São Paulo - Londres - Varsóvia, já que a British Air tem o costume de perder as bagagens e mesmo porque não é o mesmo aeroporto que serve para a conexão. Enquanto um recebe voos do Brasil outro aeroporto, distante mais de uma hora de trem, recebe os voos de Varsovia.
E de mais a mais o brasileiro precisa conhecer melhor Portugal do que Itália, França, Inglaterra, Suíça ou Alemanha, atuais conexões entre Brasil e Portugal.

Escala de voos:
Warszawa - Lizbona / 1-34-67 (dias da semana) 06:05 -09:05 (horário) TP581 (voo). Reservas (infolinia +48 42 27 333 80)
Lizbona - Warszawa -23-567 (dias da semana) 16:50-21:45 (horário) TP580 (voo). Reservas (infolinia +48 42 27 333 80)

sexta-feira, 20 de março de 2009

"Semo polaco non semo fraco" na TV Record

O Gláucio Karas, ou seu personagem teatral Isidório Duppa, de Araucária-PR continua repercutindo. A reportagem abaixo foi emitida pela Rede Record de Televisão para todo o Paraná.

Primavera chega com neve

Foto: Ulisses Iarochinski

Alguém esqueceu de avisar alguém... a primavera ainda não chegou aqui, pelo contrário tem nevado e chovido a semana inteira... esta foto foi feita às 19:00 no Rynek de Cracóvia, com um grupo de jovens turistas italianos, que posaram para foto, justo pelo efeito causado pelas lâmpadas existentes do chão da praça. Primavera .... prima...vera... esverdeia estes campos brancos da Polônia, antes que seja tarde!!!

quinta-feira, 19 de março de 2009

Jovens polacos xenófobos

O detido de 18 anos, Rafał Sochoń
 - Foto: Arquivo da Polîcia

Na Univedidade de Medicina de Białymstok estudam mais de 180 estrangeiros. E quase todos afirmam que andar pelas ruas da cidade, frequentar os shopping centers, bares e discotecas esta bastante inseguro para eles. Vidar, estudante da Noruega de origem vietnamita desistiu dos estudos e da cidade por causa disso. Ele se encantou com a Polônia, durante o jogo pela Copa do Mundo de 2006, entre Polônia e Alemanha. Resolveu então estudar e morar na Polônia. E foi o que fez. Mas as atitudes xenófobas de grande parte da juventude polaca da cidade o fez desistir de continuar morando na Polônia.
O caso de Vidar não é isolado, esta semana Sosia, uma sueca de origem cubana foi atacada por jovens carecas polacos, dentro do banheiro do Shopping Galeria Biały. A moça tinha ido comprar brinquedo para seu filho. Sentiu-se perseguida pelos corredores e quando entrou no banheiro, imediatamente foi cercada por carecas. Deram-lhe um soco no rosto e roubaram uma sacola de compras. Quando seu marido, cubano, chegou em seu socorro, já não eram dois., bandidos, mas sim três e logo mais deles apareceram. A chegada de um vendedor de loja assustou os "holligans", que fugiram.
O Tribunal Regional emitiu ordem de detencao e conseguiu deter um dos bandidos. É Rafał Sochoń de 18 anos, que ficará a disposição da promotoria, detido por três meses para investigação. Comprovado o ataque, ele será condenado a três anos de prisão.
"Sabemos que os estudantes estrangeiros se sentem inseguros nas ruas", afirmou Adam Kiełpiński, do departamento de assistência aos estudantes de língua inglesa da universidade.
Segundo o porta voz da Universidade, Lech Chyczeski, "cerca de 30 estudantes já registraram queixas contra jovens da cidade por demonstrações de racismo".
O vice-prefeito da cidade Tadeusz Arłukowicz se defende dizendo que sua cidade é tolerante, no que é contestado pelo porta-voz do Comando de Polícia Jacek Dobrzyński, que confirma que excessos têm ocorrido.
O marido cubano de Sosia, diz que "não conheço outra cidade na Polônia, tenho esperança que as outras sejam outra coisa. Mas em Białymstok ficaremos apenas mais alguns meses, depois voltamos para a Suécia. Por agora tenho medo de ficar aqui com minha esposa e meu filho".

quarta-feira, 18 de março de 2009

"Boa noite" de Mickiewicz

Foto da capa: Ulisses Iarochinski

Já está circulando nos aeroportos e aviões que cruzam os céus do Paraná, o jornal Aeroporto, com matéria e fotos sobre "Cracóvia não é só para um dia", assinada por mim.

Na capa, a foto da estátua de Adam Mickiewicz considerado o maior poeta da língua polaca, também é minha.

Mickiewicz está para a Polônia assim como Camões está para Portugal, Cervantes para a Espanha, Dante Alighiere para a Itália.

A estátua está na praça central de Cracóvia, o famoso Rynek Główny (pronuncia-senék guufni - mercado central), considerada a maior praça medieval da Europa em área territorial.

Já o Jornal Aeroporto é editado pelos jornalistas Jean Feder e Sônia Bittencourt, em Curitiba.

Em 1998, o prof. Henryk Siewierski, publicou pela Oficina Editorial da UnB com patrocínio da Associação Cultural da Etnia Polonesa de Santo Ângelo - RS, o livro "Adam Mickiewicz - um poeta peregrino".

Este é um dos sonetos do grande poeta polaco, nascido na então cidade polaca de Vilno (atualmente em território lituano), e traduzida por Marcelo Paiva de Souza, doutor pela Universidade Jagielloński de Cracóvia e recentemente vencedor do concurso para novos professores do curso de graduação recém-implantado de Letras-Polaco, na Universidade Federal do Paraná.


DOBRANOC

ż więcej nie będziem bawili,

Niech anioł snu modrymi skrzydły cię otoczy,

Dobranoc! niech odpoczną po łzach twoje oczy,

Dobranoc! niech się serce pokojem zasili.



Dobranoc! z każdej ze mną przemówionej chwili

Niech zostanie dżwięk jakiś cichy i uroczy,

Niechaj gra w twoim uchu; a gdy myśl zamroczy,

Niech się mój obraz sennym źrenicom przymili.



Dobranoc! obróć jeszcze raz na mnie oczęta,

Pozwól lica. - Dobranoc! - Czhesz na zługi klasnąć?

Daj mi pierś ucałować. - Dobranoc! zapięta.



- Dobranoc! już uciekłaś i drzwi chcesz zatrzasnąć.

Dobranoc ci przez klamkę - niestety! zamknięta!

Powtarzając: dobranoc! nie dałbym ci zanąć.



BOA NOITE

Boa noite! hoje não vamos brincar mais,

Que a asa azul do anjo do sono logo te abrace,

Boa noite! findo o choro descanse a face,

Boa noite! repouse o coração na paz.


Boa noite! de cada momento loquaz

Ao meu lado fique um som suave e fugaz,

Que ele ressoe em teu ouvido, e quando passe,

No afago à pupila meu vulto se desfaz.


Boa noite! volta-me ainda o olhar cansado,

O rosto. - Boa noite! - Criadas aqui?

Um beijo no seio. - Boa noite! fechado.


- Boa noite! bates a porta e vais fugir.

Boa noite pelo trinco - ah não! trancado.

Mais um: boa noite! e não te deixo dormir.

terça-feira, 17 de março de 2009

A diva Maryla

Foto: divulgação da cantora

A grande Diva da música polaca em todos os tempos e idades continua agitando com novas músicas. Mas este seu sucesso nunca morre e é sua marca registrada, "Remedium", do LP "Wsiąść do Pociągu" de 1978.
Maryla Rodowicz, ou Maria Antonina Rodowicz, foi apontada pela "Polska Akademia Muzyczna" de Londres através de plebiscito para o "PAM Awards 2008" em três categorias: Solista de 2008, Cantora do Ano (com a música "Jest cudnie") e com o Album do ano POP/DANCE 2008 (Jest cudnie). Agora em fevereiro foi lançado pela PRO-FANACJA (Swa-Wola 6), o disco especialmente para fãs com uma edição de 120.000 exemplares com músicas de Maryla dos anos 70 e 80. "Jest cudnie", este disco do ano passado tem uma variedade de baladas influenciadas por ritmos sulamericanos. Uma das canções foi composta pela cantora e compostora Kayah e outras por Czesław Niemen. Maryla tem um fã-clube polaco muito ativo chamado "Marylomania".
No disco "Entre no Trem", esta a música com o nome de "Remedium".




Remedium (ou, Entrar no trem)

Letra: Magda Czapińska
Melodia: Seweryn Krajewski
(LP: Wsiąść do pociągu ; CD: Full, Antologia III, Niebieska Maryla)

Światem zaczęła rządzić jesień,
Topi go w żółci i czerwieni,
A ja tak pragnę czemu nie wiem,
Uciec pociągiem od jesieni.

Uciec pociągiem od przyjaciół,
Wrogów, rachunków, telefonów.
Nie trzeba długo się namyślać,
Wystarczy tylko wybiec z domu.

Wsiąść do pociągu byle jakiego,
Nie dbać o bagaż, nie dbać o bilet,
Ściskając w ręku kamyk zielony,
Patrzeć jak wszystko zostaje w tyle

W taką podróż chcę wyruszyć,
Gdy podły nastrój i pogoda
Zostawić łóżko, ciebie, szafę,
Niczego mi nie będzie szkoda.

Zegary staną niepotrzebne,
Pogubię wszystkie kalendarze.
W taką podróż chcę wyruszyć,
Nie wiem czy kiedyś się odważę


Remédio
Tradução livre de Ulisses Iarochinski:
No mundo começou a governar o outono,
Ele se derrete em amarelo e vermelho,
E eu assim desejo o que não sei
Escapar no trem do Outono.

Fugir no trem dos amigos,
Inimigos, contas, telefones.
Não é preciso refletir muito,
Suficiente é só sair de casa.

Entrar no trem foi algo como,
Não cuidar da bagagem, não se preocupar com bilhete,
Apertando nas mãos a pedrinha verde,
Olhar como tudo fica assim

Nesta viagem eu quero partir,
Quando um infame humor e clima
Deixar a cama, você, armário,
Nada vai me prejudicar.

Relógios não são necessários,
Perco todos os Calendários.
e em tal viagem eu quero partir,
Não sei se alguma vez me atrevo

Kubica: favoritos são Massa e Barrichelo

Foto: Bartosz Bobkowski

Com o encerramento dos testes em Barcelona, o piloto cracoviano Robert Kubica (Cubítsa) está cada vez mais rápido. Mas inigmático afirma que as equipes favoritas este são, a eterna Ferrari e a sensação dos testes, a nova Brawn GP, do brasileiro Rubens Barrichello.
Kubica da BMW não foi claro de que aposta no brasileiro, mas que a equipe que subsituiu a Honda vai dar muito trabalho este ano. Ao ser entrevistado Kubica disse que, "não sou favorito. Kimi Räikkönen e Felipe Massa têm apenas dois fortes concorrentes ao título este ano Jason Button e Rubens Barrichelo."

Vem mais neve por aí


Nos últimos dias o Castelo do Przegorzały tem conseguido ficar por momentos acima das nuvens que teimam em encobrir Cracóvia. O sol no entanto não dura mais do que uma hora no alvorecer, depois some como se nunca tivesse existido.
Muita gente se prepara para o início da primavera, mas que nada os metereologistas prevêm que durante o resto da semana volta a nevar diariamente.

Cracovia, campeão de hóquei no gelo

Foto: Mateusz Skwarczek

"Campeão, Campeão, Cracóvia", foi o grito de quase duas mil pessoas a cada gol marcado, ou seja sete vezes.
Os cracovianos venceram na final do "play-off" ao GKS Tychy e pela oitava vez sagraram-se campeões da Copa de hóquei no gelo da Polônia.
O clube da cidade que tem o nome escrito em latim e portanto da forma que se escreve e pronúncia em português, ou seja, Cracovia (apenas sem o acento agudo no O) completou cem anos de existência em 2006. Neste mais de um século, rivaliza-se no futebol com a outra equipe da cidade, o Wisła Kraków (este com o nome escrito em idioma polaco), mas no hóquei não tem nem a sombra do rival. É soberano com uma das torcidas mais fanáticas do país.
Tanto que no final da partida correram para levantar nos braços e fazer a volta olímpica o presidente do clube, Janusz Filipiaki. Pois reconhecem nele a importância das três conquistas deste ano, a "medalha de ouro da Federação de Hóquei no Gelo", da "medalha prefeito de Cracóvia" e a "medalha Presidente da Voivodia Małpolska".
Outro carregado em delírio pela massa foi o treinador Rudolf Rohaczek, que vence pela décima vez a copa polaca.
Para Rafał Radziszewski, goleiro do Cracovia e um dos mais ovacionados, "No ano passado, a final foi mais acirrada, a maioria dos jogos terminou com pouca diferença de gols. Mas desde a primeira partida desta Copa a sorte nos sorriu e somos campeões!"


Foto: Mateusz Skwarczek

Comarch Cracovia 7 X 0 GKS Tychy
Tempos: 2 x0, 4 x 0, 1 x 0
Gols: Kowalówka (2), Pasiut, L. Laszkiewicz, Rutkowski, D. Laszkiewicz e Słaboń.

Cracovia: Radziszewski - Csorich, Bondarevs, L. Laszkiewicz, Słaboń, D. Laszkiewicz - Szkorvanek, Dudasz, Verczik, Mihalik, Witowski - Noworyta, Dulęba, Piotrowski, Kowalówka, Drzewiecki - Kłys, Wajda, Radwański, Pasiut, Rutkowski.

GKS: Sobecki (31. Witek, 41. Sobecki) - Gonera, Prochazka, Bacul, Parzyszek, Paciga - Mejka, Majkowski, Proszkiewicz, Garbocz, Jakesz - Kotlorz, Śmiełowski, Bakrlik, Bagiński, Woźnica - Banachiewicz, Maćkowiak, Jakubik, Krzak, Wołkowicz.