domingo, 29 de março de 2009

Cracóvia não é só para um dia




O Aeroporto Jornal, na verdade uma revista que é distribuída gratuitamente nos aeroportos do Paraná e consequentemente sobrevoa os ares brasileiros a bordo dos Boing e Airbus traz em sua última edição uma reportagem com texto e fotos de minha autoria. A revista é dirigida pelos jornalistas Jean Feder e Sonia Bithencourt. Com a permissão de ser o autor transcrevo aqui o "convite" para se conhecer Cracóvia e sua história:


Cracóvia atrai mais turistas

Panorama visto da torre da catedral de Wawel - Foto: Ulisses Iarochinski

A cidade mais bela da Polônia, também é o mais importante centro cultural das Europa Central e do Leste. E isto não é frase de efeito é a mais pura verdade. Cracóvia experimenta nos últimos 5 anos um crescimento vertiginoso de turistas do mundo inteiro. De 500 mil turistas recebidos em 2002, Cracóvia ultrapassou a barreira dos 5 milhões de turistas no ano de 2005. E este número só vem aumentando, muito em parte devido, à entrada do país na União Europeia, em maio de 2004, e da morte do Papa João Paulo II em abril de 2005. Praticamente invadida nos meses de maio a setembro por uma avalanche de mais de 8 milhões de turistas no último verão europeu. A maioria deles, entretanto, vindos em excursões de agências de viagem, dentro de pacotes turísticos que incluem Budapeste, Viena e Praga. Infelizmente, estes turistas perdem o melhor da cidade, pois passam apenas algumas horas em caminhadas pela praça central e castelo real e vão embora desconhecendo os verdadeiros encantos da cidade. Para vir a Cracóvia é preciso muito mais do que algumas horas, é preciso viver a atmosfera da cidade medieval, da cidade do período romântico, do período das revoltas contra a ocupação austríaca de 123 anos. Isto é conhecer Cracóvia.

História marcante

Igreja Basílica Mariacka - Foto: Ulisses Iarochinski

Historicamente ela foi responsável pela reunificação do reino polaco, dividido após a morte do rei Boleslau III, em 1138, com Ladislau I que em 1306, transformou-a na capital do Reino da Polônia. Seu apogeu ocorreu no período dourado do Rei Casimiro – O Grande - entre os anos de 1333 a 1370. De capital da Polônia, ela passou a ser também o maior centro cultural e científico do renascimento. No período de Casimiro foi criada a Academia de Cracóvia, precursora da Universidade Iaguielônia, onde concluíram doutorado Nicolau Copérnico e Karol Wojtyla. Com o reinado da filha de Casimiro, Edwirges (Padroeira da União Europeia e Santificada por João PauloII), Cracóvia se tornou também a capital do maior império da Europa daqueles dias. O casamento da última representante da Dinastia Piat com o Duque da Lituânia, Iaguielo, simbolizou a criação do Grande Reino Unido Polônia Lituânia. Reino que estendeu seus domínios do mar Báltico no Norte, ao mar Negro no Leste da Europa.
Mas os dias de poderio de Cracóvia acabaram em 1596, quando o rei eleito, Ladislau IV, príncipe sueco da Dinastia Wasa, translada a capital da Monarquia Republicana da Polônia para Varsóvia. Apesar da mudança, a catedral do Castelo Real de Wawel continuou sendo a Cripta Mortuária de todos os reinos polacos. A cripta ao receber também os restos mortais de heróis da história, transformou-se em panteão Pátria polaca.

Uma cidade que pulsa

Mercado de artesanato Sukiennice no Rynek (praça central)
Foto: Ulisses Iarochinski

Mas não é só essa história latente que a cidade tem para contar e mostrar. Se no ano de 2000, existia na cidade apenas um Albergue da Juventude, denominado “Schronisko”, e os polacos desconheciam a palavra Hostel, desde o primeiro semestre de 2006 surgiram mais de 300 destas pousadas na cidade, acompanhadas de luxuosos hotéis cinco estrelas. O número de bares e restaurantes deu um salto vertiginoso. Para se comer um bom “pierogi”, um “bigos” ou uma sopa de cogumelos silvestres numa tigela de pão, nada como os restaurantes “UBabcia Malina”, “Chlopskie Jadlo” e “Bar Mleczny”. As mercearias e pequenas lojas que haviam transformado o panorama da cidade comunista em capitalista foram rapidamente sendo substituídas por lojas de grandes marcas mundiais como Puma, Malboro, Sephora e Zara.
A cidade guarda uma raridade. Se o Louvre de Paris tem a Madona Gioconda, o Czartoryski de Cracóvia tem a Madona Cecília Gallerani e seu Arminho. Esta madona é um dos ícones gráficos da cidade junto com o dragão. Depois, ou antes, do museu, é preciso passar algumas horas no Rynek - a Praça do Mercado Central, pois ela certamente é o símbolo da Cidade, colorida e cheia de vida.
Há 8 séculos, na Sukiennice (mercado do tecido na praça central), vende-se roscas típicas, lembranças, e o melhor do artesanato do país. Pode-se comprar ali o que se desejar. Cópias dos quadros “O tributo prussiano” de Jan Matejko, “o panorama do piedoso samaritano” de Remblant, a “Madona e o Arminho” de Da Vinci, o “Altar” de Veit Stoss. Milenarmente Cracóvia é a cidade das artes por excelência. Por isso Cracóvia tem algo de excepcional. Aqui se pode descansar, aqui se pode permanecer e beber muita cerveja polaca, além de brindar “zdrowie” com a verdadeira vodca.
Na mesma praça está a basílica Santa Maria, curiosa com suas duas torres diferentes, ambas construídas por dois irmãos. Ah, sim! Também há o famoso toque do trompete. Um dos guardiões ao dar o toque de alarma que os tártaros chegavam foi ferido na garganta por uma flecha. Por isto a melodia executada a cada hora na torre mais alta recorda aquele guardião da muralha.

Visite os arredores

Janela da Cúria, onde o Cardeal Karol Wojtyla conversava com os fiéis
Foto: Ulisses Iarochinski


Não bastassem os museus, os teatros, os bares, os “pubs” têm tudo para a alma e desejos. É bem provável que nesta cidade tenha vivido um dragão. Pois a lenda sobre ele parece real, com seus personagens. O rei Krakus e a filha Wanda são nomes originalmente polacos, assim como é Casimiro, da palavra Kazimierz, de ("kazić=destruir") e – (“mir=paz") e que significa "aquele que, quem destrói a paz”. Kazimierz, também é o bairro mais visitado da cidade. Simplesmente por que ali viveram durante séculos os judeus. O bairro do Kazimierz, até bem pouco tempo, local de ruínas e “mulambentos” apartamentos se transformou. Novos hostels, bares, restaurantes rapidamente coloriram o bairro de tristes lembranças. Tanto que muitos ousam dizer que o Kazimierz (pronuncia-se cajimiéj) seria o novo “Quartie Latin”, “Soho”, ou “Village”. Hotéis como “Rubinstein”, “Ariel”, “Sarah” trouxeram de volta os empresários judeus.
A prefeitura também faz sua parte. Eventos culturais e artísticos da cidade, como a “Misteria Paschalia”, “Cracow Screen Festival”, “Sacrum Profanum” e Coke Live Music Festival, Festival de Cultura Judaica, são dos mais concorridos no mundo nos últimos três anos. Tudo isto para oferecer aos turistas um “algo a mais” do que o mais bem preservado conjunto arquitetônico da idade média da Europa.
Mas os dias são curtos e os arredores da cidade guardam outras surpresas, como a mina de sal de Wielicka (patrimônio da humanidade); os campos de concentração e extermínio alemão-nazistas de Auschwitz e Birkenau; a cidade onde nasceu o Papa, Wadowice; a cidade que despertou a vocação sacerdotal de Karol Wojtyła; Kalwaria; a capital do inverno polaco, Zakopane e os mosteiros de Kamedłów e Tyniecki.

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