terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Este é o "post" número 2000 de JAROSIŃSKI do Brasil

Lá se vão 5 anos e 2000 publicações do blog JAROSIŃSKI do Brasil. Aliás ele teve dois começos. O primeiro, em 21 de julho de 2005 foi criado para abrigar meus artigos de doutorado. Estreava com o artigo para meu doutorado em história "Porque Polaco!" e que acabaria virando minha dissertação de mestrado em Cultura Internacional, na mesma Universidade Iaguielônica de Cracóvia com o título de "Polaco - Identidade cultural do brasileiro descendente de imigrantes da Polônia", que lancei como livro em Curitiba, em novembro último. Mas era uma época em que o formato blog ainda não tinha atingido o ápice na Internet e ficou nisso mesmo.
Um ano depois, a terrível temperatura que atingiu Cracóvia, em janeiro de 2006, permitiu fazer uma foto de meu rosto com pingos de gelo. Gelo formado pelo bafo de meu nariz, a uma temperatura de 33 graus negativos, às 9 horas daquela manhã belíssima de céu azul e sol forte de domingo. Enviada para o colunista Dante Mendonça e publicada no Jornal "O Estado do Paraná", a foto foi reproduzida no blog do cartunista Solda.
Ainda naquele 2006, um terceiro "post" foi acrescentado ao blog. Foi uma prosa-poema em homenagem ao dia das mães. Enviei "Meu Sonho de menino", como presente para minha mãe Eunice, através de e-mail para meu irmão em Ponta Grossa. Cícero imprimiu e levou como um cartão de dia das mães para ela em Curitiba.
Novo recesso no blog. Os estudos na Polônia e um trabalho ali e aqui de correspondente internacional para a TV Bandeirantes e Jornal "O Estado de SPaulo" roubavam tempo para se escrever sobre qualquer coisa no blog.
Mas foi um artigo escrito durante o Campeonato Mundial de Volei, realizado em Katowice, onde o Brasil sagrou heptacampeão mundial, que acabou parando no Jornal Tribuna do Paraná, reproduzido no blog do cartunista Solda e dali reenviado para o blog do Juca Kfouri, na Folha de São Paulo, que JAROSIŃSKI do Brasil deslanchou. "Corte previsto" explicando os motivos que levaram o técnico Bernardinho a cortar da equipe dos Jogos Panamericanos o melhor do torneio, Ricardinho. Reproduzido em várias comunidades do Orkut e fóruns de discussão, o artigo, causou muita polêmica e eu recebi muitos desaforos das "viúvas" do jogador. Finalmente percebi a força do formato blog e de como poderia divulgar as coisas de polaco e a Polônia, entre leitores de língua portuguesa, espalhados pelo globo. Leitores tão distantes como Finlândia, Chile, Nova Zelândia, Japão, Angola, Estados Unidos, Rússia, Moçambique, Portugal, Honduras...Montain View, Recife, Guarani das Missões...Curitiba.
Nos anos seguintes e com o aumento cada vez de leitores, houve momentos em que publicava 5 textos diariamente. Desde que passei a viver na ponte-aérea Cracóvia/Curitiba, o número de "posts" diários se reduziu a apenas um. Mas poucas vezes houve interrupção, inclusive em dias que estava nos ares sobre o Oceano Atlântico.
Hoje, neste "post" de número 2000 quero reproduzir texto de um dos jornalistas mais representativos do jornalismo Paranaense, Aroldo Murá. Ele com sua sensibilidade foi o único a lembrar-se do falecimento e dos feitos de uma polaca-paranaense que nos deixou dias atrás:

SOFIA EXTRAORDINÁRIA
Não só as novas gerações de paranaenses são incapazes de identificar o nome de Sofia Winklerwiski Dyminski. Os de meia idade também. E deixam passar batida a morte da pintora, tradutora e parte da memória preciosíssima da etnia polonesa entre nós.
Pois ela morreu semana passada e, afora anúncio de missa por sua alma, não percebi nenhum movimento sobre o fato, nos meios culturais oficiais ou não.
Mas eu tive a ventura de comprar, no final do ano, o livro “Imigrantes Poloneses no Brasil em 1891”, obra seminal do padre e jornalista Zygmunt Chelmicki, que Sofia traduziu. Um trabalho em que ela se debruçou por 30 anos, e consumado ano passado graças, em parte, a auxílios fundamentais, como os dados pelo professor Paul, revisor da obra.

SOFIA – 2
Por sugestão de seu sobrinho (e uma das pessoas a quem devo momentos, na juventude, de preparo intelectual preciosos) professor Luiz Gonzaga Paul, casado com Halina Dyminski Paul, fui à Bienal do Livro realizada em novembro no Shopping Estação.
Comprei o livro no stand da Editora do Senado, mas perdi o melhor, a oportunidade de ter meu volume da obra autografado por Sofia. Com compromisso assumido anteriormente para a mesma a hora da tarde de autógrafos, antecipei minha presença. Ela ainda não havia chegado.

SOFIA – 3
Agora, passo os olhos sobre minha limitada pinacoteca e lá encontro o óleo sobre tela “Às margens do rio”, assinado pela artista plástica que é parte de nosso melhor inventário das artes visuais do século XX. Isto mesmo.
Releio partes do livro que ela traduziu, um esforço hercúleo, pois haveria de ter cuidados no adequar a linguagem a um português de fácil compreensão nos dias hoje. E assim o fez, mas absolutamente fiel ao original. Por anos, refletiu sobre “a conveniência” da tradução, com a qual trabalhou por trinta anos. Havia patrício que a advertiam sobre possíveis perseguições de autoridades brasileiras, pois a obra do padre Chelmicki é pesada nas críticas aos governos de então. Pura bobagem esse medo.

SOFIA – 4
O livro é obrigatório em qualquer estante da história das imigrações. No Paraná, o livro pode ser ponto de partida para novos estudos acadêmicos. Revela o autor e padre numa missão de cem dias aqui com objetivo de conhecer as condições de vidas do “Eldorado do Brasil” que tanto atraia seus patrícios. Mas ele também movimentou-se no país acolhendo poloneses desiludidos com o sonho brasileiro e, assim, levando-os de volta ao lar. Só que depois, anos depois de 1891, haveria uma segunda “onda brasileira”, trazendo da Polônia boa parte dos poloneses que ficaram no Paraná, SC e RS.
Sofia tinha 93 anos, era brasileira naturalizada, e para o Brasil se mudara em 1929. Seus quadros estão em galerias oficiais e particulares no país e exterior e sua produção pictórica garantiu-lhe participações em mostras como o Salão Paranaense.

P.S. Caro Aroldo! Tive o privilégio de me antecipar a você, embora também não tenha conseguido o autógrafo da senhora Sofia. Quando descerraram as fitas abrindo a Bienal do Livro no Estação entrei junto com as autoridades e convidados e fui o primeiro a chegar ao primeiro estande, justo o da Editora do Senado. De longe, vi na vitrina o livro da senhora Sofia. Fui o primeiro comprador da Bienal, fui o primeiro a comprar o livro da senhora Sofia. A leitura tem me causado muitos momentos de emoção e conhecimento sobre minhas origens.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Kubica se recupera da cirurgia, na Itália


O piloto polaco de Fórmula1, Robert Kubica, que recupera do grave acidente que sofreu no rali "Ronde di Andora", realizado neste domingo, próximo a cidade de Gênova, no Norte da Itália, receberá a visita de Eric Boullier, chefe da Renault-Lotus, e do companheiro russo Vitaly Petrov, nesta segunda-feira. O piloto da Renault-Lotus, pilotando um Skoda Fabia da classe S2000, bateu em um guard rail, que no momento entrou pelo cockpit e atingiu o lado direito de seu corpo.
"A notícia do acidente de Robert veio como um choque para toda a equipe. Todos nós desejamos uma rápida recuperação a ele. Ficamos muito impressionados com a maneira que os médicos o atenderam e gostaríamos de agradecer a todos no Hospital Santa Corona por seu profissionalismo e dedicação. Estou viajando para a Itália com Vitaly Petrov para vê-lo e dizer que estamos esperando por seu retorno", disse Eric Boullier, em comunicado oficial da escuderia.
Kubica (pronuncia-se Kúbitssa) passou, ontem, por uma operação de sete horas, no Hospital Santa Corona, em Pietra Ligure. Os médicos afastaram o risco de amputação da mão direita do piloto, mas alertam que é necessário uma semana para saber se as funções motoras do membro serão comprometidas. Segundo os médicos, ele foi colocado em coma induzido no domingo e deve acordar em algum momento desta segunda-feira, dependendo do progresso de seu estado de saúde.

Mario Igor Rossello, médico especialista em mãos, ficou animado após a operação, mas disse que é muito cedo para dizer se ele se recuperará das lesões
"Foi uma operação importante e difícil. O antebraço de Robert foi cortado em dois lugares, com lesões significantes em ossos e tendões. Fizemos o nosso melhor para reconstruir suas funções. Usamos sete médicos, divididos em duas equipes, e um total de sete horas para completar a cirurgia. Ao fim da operação, a mão de Robert estava bem vascularizada e aquecida, o que é bom. Ele permanecerá em monitoramento constante, pois seu caso ainda é sério."


Vídeo de dentro do carro do piloto Mauro Moreno reproduzindo o percurso de Kubica antes do acidente. Moreno é o primeiro a passar pelo local. Moreno para o carro e seu navegador Bonato desce para ver o acidente:




Volta só daqui um ano
O Dr. Rossello, o médico que operou Kubica admitiu que a reparação dos nervos afetará a funcionalidade da mão. No momento em que o carro bateu no guard rail foram causados ferimentos muito grandes nas mãos do piloto polaco. As mãos têm muitos pequenos músculos, tendões e nervos, que se rompidos podem reduzir a eficiência e evitar os movimentos das mãos, que são necessários para os motoristas
A reabilitação deverá ser longa e árdua. "Estamos lidando com os tendões, que devem ser mantidos imóveis por até três meses, pois qualquer esforço pode rompe-los novamente. Se o dano for grave a capacidade de movimentos precisos podem não voltar mais"
Previsões menos otimistas dão conta que Roberto Kubica só poderá voltar a pilotar daqui um ano. Assim a temporada 2011, que reiniciou com bons treinamentos, acabou para o segundo piloto polaco da história da Fórmula1 (o primeiro é Emerson Fitipaldi - filho de mãe polaca).

sábado, 5 de fevereiro de 2011

A Polônia inteira está deixando de ler

Foto: Iwona Burdzanowska
Foi se o tempo em que o índice de leitura e empréstimos nas bibliotecas beiravam os 100%. Sim! Mas isso eram tempos de comunismo. Desde a queda do império soviético e restauração da república democrática, os polacos têm lido menos.
"As crianças e os jovens lêem menos", alertam bibliotecários de todo país. Dois entre três professores da escola fundamental buscam incentivar os alunos a buscarem um livro. Na Szkole Podstawowej (Escola Fundamental) nrº. 17, na ulica Krochmalnej, em Lublin, com dinheiro da União Europeia foi formado um círculo de leitura na biblioteca.
As pesquisas mais recentes realizadas por leitores da Biblioteca Nacional entre os estudantes do ensino médio mostra que um em cada quatro alunos do ensino médio não lê livros. Esta tendência também é evidente nos estudos de leitura entre os adultos - por exemplo, em 2008, este índice era de 62%.
Muitos polacos não lêem nem um único livro por ano. Os bibliotecários relatam que os estudantes estão lendo apenas aqueles livros obrigatórios. Para alguns adolescentes, a biblioteca é um lugar atraente somente quando se pode usar a Internet. Sem acesso a grande rede, eles nem se aproximam das bibliotecas.
Por isso, programas de incentivo à leitura como este implantado na Escola Fundamental da nr º 17  da ulica (rua) Krochmalnej são muito importantes. No final de fevereiro, as aulas serão realizadas com dois grupos, formados por crianças das classes I a III, e IV-VI.
A professora Janina Łatwińska ressalta a importância de padrões aprendidos no lar, "se a criança não vê os pais lendo um livro é pouco provável que ela própria vá se interessar pela leitura na escola, ou na biblioteca".
Como convencer os alunos a ler? Esta é a pergunta que move professores em mudar esta tendência pela não leitura de livros. Programas de incentivo são a única esperança. Entre estes planos, estão visitas orientadas às livrarias, onde as crianças audam a escolher livros para serem adquiridos pela biblioteca da escola.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Presidente da Ucrânia visita Polônia


Presidentes Viktor Janukowicz i Bronisław Komorowski
Os presidentes polaco e ucraniano estiveram visitando as obras de construção do Estádio Nacional, em Varsóvia, por aproximadamente 15 minutos no dia de ontem.
O polaco Bronisław Komorowski serviu como um guia para o presidente da Ucrânia, país vizinho que sediará junto com a Polônia o Torneio de Seleções Europeias - Euro 2012.
Komorowski havia visitado o estádio, 7 meses atrás, junto com o presidente da UEFA, o ex-jogador francês, Michel Platini, num vôo de helicóptero sobre Varsóvia.
O presidente polaco chamou a atenção do colega ucraniano, Viktor Yanukovicz para o desenho do teto do estádio e disse que a instalação desta parte é uma operação bastante difícil devido sua altura.
O ministro do Esporte e Turismo, Adam Giersz, mencionou que este será o maior estádio da Europa em termos de volume. Presidente ucraniano se mostrou muito satisfeito com o projeto. "O Estádio Nacional de Varsóvia será único. Estamos satifesitos de organizar em conjunto com a Polônia a Eurocopa de 2012".
Antes da visita ao estádio, o presidente ucraniano foi recebido oficialmente no Palácio do Presidencial. Durante as conversações, polacos e ucranianos abordaram as questões de cooperação económica entre os dois países, a integração da Ucrânia com a União Europeia e os preparativos para o Euro 2012.
Depois, Bronisław Komorowski e Viktor Yanukowicz assinaram um protocolo da cooperação polaco-ucraniana para os anos 2011-2013. Este é descrito em ações de curto prazo e ações a longo prazo. Como, por exemplo, a cooperação polaca para a integração europeia. Janukowicz afirmou que ele e Komorowski também discutiram "Odessa-Brody-Gdansk".

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Cracóvia, assinado Pacto pela Cultura

O cineasta Andrzej Wajda no congresso cultural - Foto: Krzysztof Karolczyk
"Tenho minha opinião sobre o assunto. Devemos mudar a abordagem da cultura e tudo relacionado com ela, então assinar o Pacto para a cultura é participar ativamente no processo de mudanças legislativas para que o Estado aumente os gastos em cultura", disse ontem o prefeito de Cracóvia, Jacek Majchrowski, que dessa forma, juntou-se à iniciativa do "Movimento Cidadãos pela Cultura", que realizou em Cracóvia há dois anos o Congresso da Cultura. Na foto, o diretor de cinema Wajda era um dos participantes ativos dos debates.
O documento assinado foi entregue em mãos do presidente prof. Jerzy Hausner, um dos idealizadores do Pacto. Os membros do movimento querem contribuir para que os debates, propostas, requerimentos e declarações relativas durante o Congresso da Cultura sejam efetivamente consignados, como aumentar o financiamento para a cultura. Isto, significa, dobrar a dotação destinada à cultura, que atualmente é de 0,5% do orçamento Estatal e da diversificação das fontes de financiamento.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Reynaldo Jardim... morreu


Recebi e-mail de uma amiga de origens portuguesas, matogrossense, que vive em Florianópolis fazendo arte. Trazia ela, uma triste notícia para o jornalismo cultural deste país, área que meu amigo criou para o lúdico de todos nós. Reynaldo Jardim era esposo, na época que o conheci, da jornalista paulistana-curitibana, Marilu Silveira, que me dirigia no grupo teatral Gil Vicente. Eu era ator e declamador e Jardim era a figura que da platéia e da coxia orientava Marilu e a todos nós.
Depois da segunda temporada, por sugestão do Jardim, Jair Brito, então diretor da Rádio Cidade de Curitiba, comprou o espetáculo para ser o especial daquele natal da rádio de 1981. Semanas mais tarde estavámos nós no estúdio de gravação do Camargo, ali no Juvevê. Jair Brito, Marilu, Cláudia Paciornik e Jardim do outro lado do imenso vidro do estúdio. Encerrada a gravação... saímos nós, os atores, do estúdio e Jardim colocando a mão no meu ombro disse ao Jair: contrata este rapaz como locutor da tua rádio, ele leva jeito.
E Jair me perguntou: quer trabalhar em rádio? Fiz que sim com a cabeça. Ele então completou: Aparece amanhã lá na rádio para um teste. Jardim me deu um abraço e parabenizou. Dia seguinte fui na rádio. Aprovado, comecei a trabalhar com um mestre do rádio, indicado por outro mestre, este da poesia e do jornalismo cultural.
Anos mais tarde, depois de deixar  o emprego na TV Iguaçu, fui direto ao Jornal do Estado, onde Jardim estava começando um grande e novo projeto, uma revolução do jornalismo do Paraná. Contei a ele que havia me desentendido com o Jamur Júnior na TV e precisava de emprego. Jardim me perguntou qualquer coisa se eu estava disposto a trabalhar imediatamente. Falou que eu deveria ter vindo dois meses atrás, quando ele estava formando a equipe e agora não via outro jeito senão este e disse mais alguma coisa, que, confesso não entendi direito.
Como a sucursal da Editora Abril ficava nas emediações, entendi que ele tinha me dito, que se eu aceitava trabalhar na Revista Visão. Disse que sim! Então, em vez de sair do prédio do jornal, ele me levou até uma sala, abriu a porta, e disse às duas pessoas que estavam lá dentro. Olha este rapaz... é o Ulisses, ele é o novo colega de vocês. Então, virou-se para mim e disse: pode começar a trabalhar, sente-se e revise.
Bem, não era na Revista Visão, mas na revisão do jornal. Duas horas atrás, eu era chefe de jornalismo do SBT no Paraná... e agora sentava-se para ser revisor de textos no jornal que o Jardim tinha inventado... Mais um dos tantos que ele inventou, desde antes do Caderno B do Jornal do Brasil e do Anexo do jornal Diário do Paraná.
Entretanto, acho que o texto abaixo, enviado pela minha amiga Márcia conta melhor das coisas do Jardim e de seus últimos momentos como "encarnado" na Terra. Saudades do mestre, indicador, amigo e e e.....

Ferreira Gullar, Lygia Pape, Theon Spanúdis, Lygia Clark e Reynaldo Jardim

Essa noite nosso Rey morreu.
Desculpem a repetição do tema triste, mas o faço por uma obrigação imperial, ou ordens do Rey, para afastar a tal da tristeza pungente, que a meia noite me fez chorar um pouquinho e baixinho abraçado à Maria.
Pois agora sorrio e me perco em o que dizer nessa hora. Por isso a repetição do tema: essa noite o Rey morreu. Tenho tantas histórias dele para festejar. Algumas nossas. Poucas minhas sobre ele. De Reynaldo Jardim, devo quase tudo de bom que me aconteceu nos últimos tempos. E como nunca fomos tão piegas, deixo a última história que presenciei em sua casa, na sexta feira passada, dia 28 de janeiro, como uma maneira de dizer "até breve".
Estávamos em um jantar na casa de Reynaldo e Elaina, junto do ilustre poeta e diretor da Biblioteca Nacional, Antônio Miranda. Acho que ele já tinha ido embora quando o Rey nos parou na sala, pediu que ficássemos mais um pouco e contou de uma ligação inusitada que havia recebido há poucos dias.
Um homem ligou para Reynaldo dizendo que morava em São Paulo, que achou seu telefone na internet e que estava ligando por causa de sua mãe. Disse que eles foram amigos no colégio, quando Rey Jardim havia completado pouco mais de 20 anos. Pediu então, permissão para que a mãe, uma senhora de seus 80 e poucos, pudesse ligar para o desconfiado poeta.
Heleninha, chamava-se a senhora. Contou ao Rey e a sua esposa, por telefone, que eles tinham sido muito amigos. Enfatizou à Elaina que nunca foram namorados, apenas amigos. Claro que, todos nós que ouvíamos a história, e a própria Elaina, pensávamos: "obviamente, o Rey a comeu!"
Bom, ela falou que o Rey, na época, ainda lhe escrevera um poema. "Comeu, certeza!" afirmamos todos e rimos. Reynaldo Jardim se defendia dizendo que não tinha a mínima idéia de quem era essa tal de Heleninha. Disse que lembra o colégio, mas que havia na sala apenas um outro homem além dele, e o resto era só mulher. "Como poderia me lembrar de todas?"
Enfim, achamos interessante o re-encontro inusitado de 60 anos e comentávamos como troça. Reynaldo cantava as moças desde a tenra idade. Um poema a mais, um a menos...
Mas não é que a Elaina, depois da poeira baixada e já com outros assuntos em pauta enquanto conversávamos, mexia na correspondência do dia e encontrou uma carta! Endereçada ao nobre Rey! Cujo o remetente levava o nome de Helena (não lembro o sobrenome)!!.
Todos abismados e curiosos enquanto ela abria a carta. De lá, tirou dois pedaços de papel. Um bilhete curto que dizia mais ou menos assim (não sei as palavras certas e escrevo de memória, portanto, perdoem qualquer erro, mas afirmo que esse era o teor):
"sou a Heleninha, sua amiga do colégio tal. Não sei se se lembra de mim, mas nunca me esqueci de você. Você me escreveu um poema que, desde aquela época, o tenho usado como uma oração, uma reza mesmo, que evoco nas melhores e piores horas de minha vida. Esse poema faz parte das minhas melhores lembranças e queria que soubesse o quanto de alegria me proporcionou nesses mais de 60 anos, muito obrigada. Sua amiga para sempre, Heleninha".
Elaina desdobrou o outro pedaço de papel e lá havia uma cópia em xerox de um texto em versos. O título era algo com "canto", ou "cântico". Elaina reconheceu a letra na hora. Disse que ainda é a mesma. "A assinatura também é igualzinha, Rey!" exclamou Elaina.
Ela leu em voz alta o poema todo, pois é a única que decifra com desenvoltura a letra de Reynaldo Jardim. No final, a assinatura: Reynaldo Jardim, 8 de outubro de 1948.
Todos ficamos arrepiados e sorrisosos! Não digo que brotaram lágrimas em mim, mas a vi na Maria, na Elaina que ria, no Rey que ouvia.
Reynaldo fez isso com Heleninha. Fez isso comigo também. Fiz-lhe um filme pequeno para homenageá-lo. É meu primeiro filme. Ganhamos a Mostra Brasília, no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro em 2010. Além do Candango, tenho também na estante, um Jabuti, pois ele me deu o que ganhou em 2010, com Sangradas Escrituras (livro antologia). Tenho certeza que nosso premio no cinema também lhe veio como uma homenagem. Reynaldo faz isso com as pessoas. Reynaldo Jardim é gênio criador, artista revolucionário e delirante. Liderou ou influenciou os lideres de todas as grandes revoluções artísticas do século 20, tanto na poesia, como, e principalmente, na imprensa brasileira. Repito: Reynaldo fez isso em Heleninha, em mim e em milhares de outros. Reynaldo faz isso com as pessoas. Ele marca, com uma assinatura funda, nossa pele, nossa forma de pelear, nossas palavras e futuros e histórias e cores e coragens e sorrisos fugazes ou eternos e reticências... Essa noite ele morreu. Viva o Rey!

Alisson Sbrana


O HOMEM CULTURA
Reynaldo Jardim, foi um jornalista e poeta brasileiro nascido em São Paulo, no dia 13 de dezembro de 1926, e falecido em Brasília, em 1º de fevereiro de 2011. Reynaldo Jardim faleceu aos 84 anos de idade, em decorrência de complicações causadas por aneurisma na artéria aorta abdominal. Ele estava internado no Hospital do Coração, de Brasília. Foi redator das revistas O Cruzeiro e Manchete;Exerceu cargos de chefia na Rádio Clube do Brasil, na Rádio Mauá, na Rádio Globo e na Rádio Nacional no Rio de Janeiro e na Rádio Excelsior de São Paulo.
Realizou reformas gráficas em jornais como A Crítica (Manaus), O Liberal (Belém), Diário do Paraná, Correio de Noticias, Jornal do Estado e Gazeta do Povo (Curitiba), Jornal de Brasília (Brasília) e Diário da Manhã (Goiânia).
Em Brasília, foi editor do caderno Aparte, do Correio Braziliense e diretor executivo da Fundação Cultural do Distrito Federal. Participou, nos anos 50, da Reforma do Jornal do Brasil - onde criou o Suplemento Dominical do Jornal do Brasil, o Caderno de Domingo e o Caderno B. O SDJB tornou-se o mais importante suplemento literário de poesia concreta do Brasil, por onde passaram Oliveira Bastos e Mário Faustino.
Ao ser obrigado a deixar o JB, em 1964, devido à repressão militar, Reynaldo Jardim foi diretor da revista Senhor e diretor de telejornalismo da recém-inaugurada TV Globo. Já em 1967, criou o jornal-escola O Sol com textos criativos e projeto gráfico inovador. Viúvo do primeiro casamento, no qual teve dois filhos: Teresa e o filho falecido Joaquim. Estava casado com a jornalista Elaina Maria Daher.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Kopców de Cracóvia estão ruindo

Foto: Mateusz Skwarczek

As três maiores elevações em Cracóvia, Pilsudski, Kościuszko e Krakus, estão em muito mau estado. Ameaçam ruir e o dinheiro para a reparação ainda não foi liberado. Os quatro morros de Cracóvia são cartões postais da cidade e é difícil imaginar a paisagem sem eles. Todos são uma atração turística e um local de passeios e eventos ao ar livre.
Estes morros são artificiais e foram erigidas como memorial de importantes eventos históricos ou pessoas para comemorar o mérito de cada uma. Se não for encontrado rapidamente dinheiro para a sua reparação, eles vão ser destruídos.
A Administração de Infraestrutura e Transportes da prefeitura solicitou ao Conselho Municipal e à Comissão Social para a Restauração de Monumentos Históricos de Cracóvia liberação para buscar financiamento da restauração do Kopce (morro) Krakus.
"Até agora, cerca de 100 mil złotych (59 mil reais) é o dinheiro necessário para uma obra do projeto para impedir a degradação conseguido", informou Jacek Bartlewicz, porta-voz da Infraestrutura e Transporte.
As chuvas torrenciais do ano passado, durante o mês de maio danificaram seriamente a estrutura dos morros artificais.
De acordo com Halina Rojkowskiej para a proteção dos monumentos de Cracóvia é necessário monitorar constantemente. "Caso contrário, precisaremos fechar os locais para os visitantes", adverte.
O diretor Leszek Cierpiałowski do Comitê Kopce Kościuszko estima que os reparos necessários deverão custar cerca de 5 milhões złotych (de acordo com estudos encomendados pelo Voivoda (governador) da Małopolska. O Comitê não tem esse montante, mesmo para desenvolver um simples projeto de restauração. A situação é semelhante no Kopce (Monte) Piłsudski. Embora já exista um projeto de reparação, que ainda não existe dinheiro para começar os trabalhos. Aqui são necessários 2 milhões de złotych.
Os danos podem ser vistos a olho nu, segundo Andrzej Hawranek, presidente do comitê de orçamento do conselho municipal, que preparou uma emenda ao orçamento municipal destinando os 2 milhões para recuperar o monte Piłsudski.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Zakopane prepara cerimônia e ópera

Foto: Tomasz Wiech
Durante a beatificação do Papa João Paulo II, no dia primeiro de maio próximo, os montanheses polacos vão se reunir no estádio Wielka Krokwia (Grande Viga) em Zakopane. No local, serão instalados grandes telões para mostrar a transmissão da cerimônia desde o Vaticano.
Segundo o vice-prefeito de Zakopane, Wojciech Solik, "a cerimônia no estádio, é o mesmo lugar onde, em 1997, os "góralów" (montanheses), prestaram homenagem ao mais conhecido montanhês polaco de todos os tempos, o Santo Padre"
Em junho de 1997, o estádio Wielka Krokwia, foi uma parada memorável da peregrinação do Papa à sua terra natal, as montanhas do Sul da Polônia. Ali, naquele estádio, João Paulo II, recebeu um tributo memorável da região Podhale: "Filho da Montanha, o maior da família dos polacos". O pavilhão construído recentemente no estádio também vai abrir uma exposição dedicada ao Papa. 
A prefeitura da cidade sabe que embora estejam sendo organizadas várias Peregrinações à cerimônia de beatificação pelas numerosas paróquias do Sul da Polônia, incluindo o santuário em Ludźmierz, muitos vão permanecer na cidade, porque já está sendo impossível conseguir ônibus de fretamento no país. Nas regiões mais próximas da Alemanha, os polacos estão fretando ônibus alemães para dar atendimento aos milhares de peregrinos que buscam estar presentes na Piazza San Pietro, no Vaticano.
Por ocasião da beatificação papal, os montanheses deverão apresentar uma ópera. A obra deverá conter quatros atos  e encenada por montanheses de Zakopane, Nowy Targ, Tatrańska Bukowina, Ludźmierz, Kościelisko e Poronina.

domingo, 30 de janeiro de 2011

Olbrychski despreza Jarosław Kaczyński

Daniel Olbrychski - Foto: Wojciech Surdziel
Na infância, os Kaczyński foram espancados.

A frase é de ninguém mais, ninguém mais do que o ator polaco mais representativo do cinema da Polônia e certamente o mais conhecido em todo o mundo. O polêmico Daniel Olbrychski, o mesmo que um dia entrou a cavalo num salão de exposições em Varsóvia e de espada em punho destruiu todos os posteres do Adolf Hitler.
A frase faz parte de uma longa entrevista concedida pelo ator ao jornal Rzeczpospolita e reproduzida pelos demais, neste sábado.
Para Olbrychski, Jarosław Kaczyński é desprezível. Como também são o PiS (Partido da Lei e Justiça) dos irmãos políticos. Na entrevista para Robert Mazurek no caderno "Plus Minus" , Olbrychski anuncia que vai votar a favor do PO (Partido da Plataforma Cívica), porque tem confiança neste partido, e porque "não pode admitir que os polacos possar dar o poder ao PiS.
"Eu não posso nem dizer que eu não gosto de Jarosław Kaczyński", diz Olbrychski. "Mas eu gostei de seu irmão, e da esposa. No entanto, em política, eu confio e tenho reconhecimento por pessoas como Tadeusz Mazowiecki, Jan Krzysztof Bielecki e Hanna Suchocka, e certamente não tenho por Kaczyński, Lepper, Giertych, ou Macierewicz", salienta.
Olbrychski avalia que um político que inspira "semelhante admiração sentida por Mazowiecki" é Donald Tusk. Segundo Obrychski, o ex primeiro-ministro Tadeusz Mazowiecki era a única pessoa adequada para servir como elemento de transição no período entre o fim do comunismo e a democracia que se instalou na Polônia em 1990. E ele foi um excelente primeiro-ministro naquele momento. "Eu lamento muito, quando o prejudicaram, e o que está acontecendo no momento, no entanto, as discussões dentro do PO", diz ele.
E, apesar das alegações de que "não gosto de Kaczyński", o ator fala muito fortemente: "Eu olhei para ele por muitos anos, não só agora, quando decidiu substituir o seu irmão, e eu sempre pensava nele como um homem perigoso para a política nacional e a cooperação internacional. (...) suspeito de sua liderança e de sua condição mental e que agora canta - Pátria livre, dai-nos de volta Senhor -. Kaczyński é o líder de um partido partido com fortes traços bolchevique, que avalia que a maioria da sociedade é estúpida. (...) Ele é um homem profundamente inadequado para representar a Polônia e os polacos, como gostaria de ver. Nós todos sabemos que da sua personalidade, da sua agitação,da sua falta de compreensão do mundo." Perguntado como "conhece tão bem Kaczyński", ele responde: "Por terceiros que o conhecem desde a infância, porque eu conheço pessoas que participaram juntos com os irmãos Kaczyński da elaboração do filme - Os dois que roubaram a Lua - (...) Olhando para eles como um ator tentando entender o personagem que eu fará, vejo que eles deviam ter sido espancados por colegas de classe. Um colega da produção de "Os Dois", disse que Kaczyński, estava chorando alto quando falou que deveriam voltar à escola, pois lá iriam vencer mais do que antes.(...) Eles foram espancados. Talvez indevidamente, podem ter sido provocados a agredir as pessoas com violência ali", avalia.

PS. A entrevista com o ator no caderno Plus Minus do Jornal Rzeczpospolita só pode ser acessada via Internet mediante cadastro e pagamento.

Daniel Olbrychski
Nasceu em 27 de fevereiro de 1945 em Łowicz, na Polônia, e possui uma das mais longas carreiras artísticas de um ator polaco, inclusive internacionalmente. Mais conhecido por ter sido protagônista nos filmes dirigidos por Andrzej Wajda, ele está presente em muitos filmes alemães, franceses, ingleses e hollywoodianos.
Entre suas atuações se destacam as participações no filme "O tambor", baseado no livro ganhador do Prêmio Nobel, o alemão Günther Grass, e tambem no filme "A insuportével levesa do ser". Além da atuação em "As senhoritas de Wilko", "O bosque das betulas", "Wesele" (todas dirigidas por Wajda); "Vida familiar" (dirigido por Krzysztof Zanussi), "Retratos da vida" de Claude Lelouch, "Rosa Luxemburgo" (dirigido por Margarethe von Trotta), "O barbeiro da Sibéria" (dirigido por Nikita Mijalkov) e em um dos curta-metragem do "Decálogo", de Krzysztof Kieślowski.
Em 1986, foi agraciado na França com a "Legião de Honra" e 2007, recibeu o "Prêmio Stanislavsky" no Festival de Cinema de Moscou por sua trajetória como ator e sua devoção aos princípios da escola desse grande mestre do teatro universal.

sábado, 29 de janeiro de 2011

Estação de trem de Wrocław remodelada






Fotos: Sławomir Pawłowski
A foto acima é da plataforma 4 da Estação de trens de Wrocław está quase pronto o telhado. Ela será coberta por um toldo, e na parte central está montada uma clarabóia. Na estação continuam a mudar tetos e paredes. A reforma e reconstrução está em ritmo acelerado, inclusive com trabalhos nortunos. Após a conclusão da remodelação, a estação estará semelhante ao que era em 1905. As outras três fotos mais acima são de várias frentes de trabalho, como a praça em frente a estação.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Ciganos polacos discriminados

Foto: Wojciech Kardas
Alguns restaurantes populares e discotecas no centro da cidade de Poznań não permitem a entrada de ciganos. Quando um deles se esgueira, entra em ação um segurança. Embora a discriminação ostensiva seja proibida pela Constituição, a polícia rejeita uma queixa formal. Cenas de discriminação se repetem. Semanas atrás na Discoteca Cuba Libre, seguranças aproximaram-se da mesa onde quatro homens estavam sentados:
- "Quais são as nacionalidades dos senhores?"
Bem-vestido, um dos homens, aparentando de 35 anos de idade responde francamente:
- "Eu sou um cigano."
Um dos seguranças então ordenda:
- "Ciganos... vocês devem sair. Mas os senhores polacos podem ficar."
O desconvidado de 35 anos de idade, de nome Adam, motorista de profissão, acompanhado pelos seguranças deixa o estabelecimento. Antes de sair forçado ainda pergunta:
- "Este é um bar apenas para os polacos?" Em resposta, ele ouve a explicação de que o gerente não admite a entrada de ciganos.
O relato foi feito para a reportagem do jornal Gazeta Wyborcza. A reação do jornalista foi:
- "Foi difícil para nós acreditar na história do Adam. Mas por via das dúvidas resolvemos fazer uma prova: fomos à mesma discoteca, juntamente com vários ciganos uma semana depois. O segurança nos deteve na entrada. Isto pode ser comprovado pela gravação com câmeras escondidas":

Ciganos não sao bem vindos

A proprietária do Cuba Libre, Klaudia Lopez afirmou sem hesitação que os ciganos são barrados.
- "Não só eu introduzi essa proibição. Grupos de ciganos são um inferno. Além de sujos, a mesa ocupada por eles, depois da sua saída parece saiu de um terremoto."
Nem todos os donos de restaurantes se utilizam de seguranças para retirar convidados indesejados. O gerente do popular Piano Bar, Maciej Kurzawa declara:
- "Nós nos recusamos silenciosamente os ciganos. Dizemos, por exemplo, que todas as mesas já estão reservadas."
Desconvidado do Cuba Libre, Adam queixou-se à uma Organização Cigana. E o relato acabou na polícia. A polícia, contudo, explicou que não havia motivos para iniciar uma investigação.
O cigano buscou então Patrick Pawelczak, defensou público da Voivodia da Wielkopolska (Grande Polônia). A questão foi levada ao Ministério do Interior, onde trabalha uma equipe sobre o Racismo e Xenofobia. Małgorzata Woźniak do Ministério disse que, "Vamos enviar mediadores para um diálogo iniciado entre a comunidade cigana e os proprietários de lojas.
Por sua vez, a Fundação de Helsínque para os Direitos Humanos declarou que irá ajudar a preparar um processo contra os donos de restaurantes e discotecas na região da Wielkopolska por discriminarem os ciganos.
Dorota Pudzianowska da Helsinque disse que os ciganos têm o direito de exigir indenização. Ouvido pelo jornal Gazeta, Roman Kwiatkowski, co-fundador da Associação Cigana da Polônia, disse que "Neste país, não há um dia que não aconteça violência contra um cigano. Wrocław e Lublin nos recusam entrada nas lojas. Em Bytom ocorreram ataques brutais contra ciganos. Perturba-me que essas coisas aconteçam também em Poznań, pois lá residem ciganos de sucesso. Por gerações, vivemos na Polônia. Infelizmente, há hoje na Europa mais minorias ciganas discriminadas. Nossa situação começa a assemelhar-se à condição dos judeus antes da Segunda Guerra Mundial."

O motorista cigano Adam  - Foto: Piotr Skórnicki
Klaudia Lopes, de origem cubana, nascida na Polônia diz que não é racista. "Com a gente trabalham pessoas do Chile, Tunisia e Inglaterra. Nosso restaurante é famoso pelo fato de que é seguro, divertido, colorido. Para alguns, até mesmo a cor da pele, porque às vezes nossos clientes escuros cheiram mal, o que significa que há muitos negros no local. Os ciganos também nos perguntam - Klaudia, você nos espulsará daqui? - Mas eu digo: Não!"
Klaudia trabalha no setor há 15 anos, foi garçonete, e diz que desde aquele tempo, o gerente daquele estabelimento não permitia a entrada de ciganos. Por que, segundo ela, os ciganos sempre faziam arruaças no local.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Cracóvia, cenário de filme de Bollywood


Fotos: Adam Golec


Em junho, estreiará nos cinemas da India o thriller "Aazaan" (conhecido sob o título de "Mujjahir"). Aproximadamente 20 minutos do filme foi gravado em Cracóvia. Será mostrado Vamos ver, entre outros: Plac Szczepański, ulice: Pijarską i Floriańską, Rynek Główny, Kazimierz e Balice. A data da première na Polônia ainda é conhecida.
Estas fotos são das gravações em Cracóvia e o vídeo abaixo é da promoção do filme nos cinemas na India e que já está no youtube.
Bollywood veio gravar em Cracóvia, no início de outubro do ano passado. O filme indiano fala sobre a tentativa de se fazer um ataque terrorista com armas biológicas roubadas. Estrelado por Sachin Joshi, que se associou a Arya Babbar. Paisagens cracovianas foram escolhidas como pano de fundo para cenas de ação espetaculares, efeitos especiais perseguições, lutas e explosões.
Na praca Szczepański, os cineastas trabalharam para gravar a cena de fuga onde um ator indiano foi substituído por um dublê polaco. O herói pulou a janela e, em seguida, sai pulando sobre as varandas até chegar ao chão, correndo pela rua do canto.
A escolha do local "europeu e histórico" foi selecionado por sua concepção, construção e um grande espaço quadrado, ideal para a equipe de filmagem. Por trás da cena do Hotel Forum (interditado e fechado há alguns anos) foi filmado a cena de luta entre um coreógrafo e coordenador de acobracias. A cena da explosão foi realizado diante de um maquete da Basilica de Santa Maria (Mariacka). Esta cena foi o prelúdio da cena de ação mais espetacular de Cracóvia, a cena da explosão no Rynek (praça central) realizada no dia 12 de outubro.
Várias ruas de Cracóvia também foram cenário para inúmeras perseguições. Uma delas acabou na ponte Pilsudski, de onde o perseguido saltou para dentro de um barco no rio Vístula. Os atores de Bollywood também aparecem no bairro judeu do Kazimierz, no restaurante Alchemia, no aeroporto de Balice e no monte Kopcy de Kosciuszko.
Além da Polônia, o herói indiano vai ser visto na Alemanha, República Tcheca, Marrocos e China. Trabalharam para gravar as cenas em Cracóvia, mais de uma centena de profissionais, sendo mais de 50 deles vindos diretos de Bollywood.


quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Retrato falado do terrorista da Rússia

Em Moscou terminou a identificação das vítimas do atentado suicida no aeroporto de Domodiedovo. Ainda não se sabe quem era o terrorista, que também foi morto no ataque. A imprensa russa publicou fotos do dramático atentado. E também divulgou retrato falado do possível terrorista.
O jornal "Nezavisimaya Gazeta", reconhece que os extremistas no ataque de segunda-feira, sejam brancos, criticando os serviços especiais, por falta de um diagnóstico correto da situação. Cita opiniões de um ex-comandante especial "Alfa", Sergei Goncharov, que afirma que "o Norte do Cáucaso hoje não é nada do que foi no passado, mesmo nos tempos soviéticos." Segundo o jornal, as autoridades da Federação Russa, além de fortalecer os serviços de segurança, deveriam levar a sério o desenvolvimento econômico do Norte do Cáucaso. "Se não existe nenhum trabalho, isto alimenta o terrorismo e guerra de clãs." publicou o diário.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Toda a Polônia viajará para Roma


Mais de dois milhões de pessoas estão programadas para viajarem a Roma no dia 01 de maio. Vão acompanhar na praça São Pedro, no Vaticano, a beatificação de João Paulo II.
Varsóvia é uma das cidades que está preparando talvez uma representação bastante expressiva de peregrinos. "O interesse é enorme", afirmam paróquias e agências de viagens.
O vice-presidente da agência Itaka, Piotr Henicz reconhece que, imediatamente, após o anúncio da data oficial da cerimônia, sua empresa foi assoberbada de perguntas sobre a viagem a Roma. Com tanta procura, a ida a Roma, transformou-se num desafio para os organizadores. Onde encontrar tanto ônibus de turismo, e acomodações na capital italiana. Os preços também subiram. Uma viagem de ônibus saindo de Varsóvia, a partir de abril 28 a 3 de maio está custando cerca de 2000 złotych (mais ou menos 1180 reais) por pessoa.
Com tanta procura e falta de voos e ônibus, a Companhia de Trens PKP InterCity planeja trens especiais para Roma. Os detalhes da viagens devem ser divulgados nos próximos dias. Existem também muitas promessas de fretamento de dez aeronaves da LOT para Roma. Ao contrário da empresa aérea polaca que mantém voos regulares para Roma e Milão desde Varsóvia, Katowice e Cracóvia, a companhia de trens não possui viagens diretas, estas são realizadas em conexão com trens alemães, tchecos, austríacos e italianos.
Mas nada é impossível para os polacos quando o assunto é o maior herói da pátria católica mais fervorosa do mundo. Cerca de 97% da população polaca se confessa Católica Apostólica Romana. A Polônia históricamente é uma ilha católica cercada ao Norte, Oeste e Sul por nações protestantes e a Leste pelo Ortodoxos dos cleros russo e grego.

Ataque em Moscou mata 35 passageiros

"Ataque na Rússia", diz a manchete do jornal
Pelo menos 35 pessoas foram mortas e mais de 150 ficaram feridas em atentado no aeroporto Domodiedowo de Moscou, na tarde de ontem. Um terrorista suicida, provavelmente do Cáucaso (região), explodiu uma bomba no maior e mais moderno aeroporto da Rússia.
"Entrei no saguão de desembarque um momento depois da explosão. Tudo estava destruído. Em todos os lugares, todas as paredes estavam cheias de pedaços de vidro e alguns trapos sujos de sangue", disse um passageiro, que chegou ontem à noite em Moscou.
Domodiedovo recebe anualmente 22 milhões de passageiros (em comparação com o Aeroporto Okęcie de Varsóvia basta dizer que o polaco recebe 10 milhões). O aeroporto, dista aproximadamente 40 km do centro da capital russa, considerada a cidade melhor protegida no país.


O terrorista ao redor das 16:40 horas (horário local) esperava sua mala na esteira na área de bagagens. Haviam vários passageiros de várias cidades da Europa Ocidental.
A explosão provocou a morte de dois cidadãos britânicos e entre os feridos estavam um eslovaco, sérvio, francês e italiano.
O número de vítimas foi tão grande que especialistas estimaram que o artefato deveria pesar 5 kg de TNT. Além disso, a carga continha pregos, esferas de rolamentos e outros pequenos objetos de metal. O artefato é um método comum usado pelos terroristas do Cáucaso Norte da Rússia. A explosão demoliu o salão, estilhaçou todas as janelas, quebrou portas de elevadores, derrubou repartições.


Os investigadores anunciaram que uma das câmeras instaladas na entrada do salão registrou a entrada no prédio três homens de "aparência branca". A milícia está procurando essas pessoas.
Alguns meios de comunicação russos informaram que os funcionários da segurança detectaram uma semana atrás, que forte golpe de choque estava sendo preparado na capital. "Nós não soubemos como poderia ser evitado este atentado", disse um investigador.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Peregrinaçoes para Beatificação de João Paulo II

O portal de Internet polaco Escritório Católico de Peregrinações dispõe informações sobre várias peregrinações a partir da Polônia. Reúne informações sobre roteiros, preços e condições de saída. Neste momento, há pelo menos três peregrinações a Roma para assistir a Beatificação do Papa João Paulo II. O sítio é em idioma polaco, mas nada impede que peregrinos de outros países se incorporem aos grupos polacos.
Ele pode ser acessado através do endereço: www.pielgrzymek.pl/
Algumas delas saem de Katowice de ônibus por um período de cinco dias (ida e volta) ao preço de 700 zlotych (413 reais) em quartos em Roma de 2 e 3 pessoas. Outra saindo de Wroclaw custa 650 zlotych e dura 3 dias. O trajeto de Wroclaw de ônibus dura 26 horas.
No jornal Gazeta do Povo, de Curitiba, edição desta segunda-feira, há uma reportagem sobre a intenção de brasileiros estarem também presentes em Roma, no dia primeiro de maio, inclusive com citações minhas. Acesse em: www.gazetadopovo.com.br

500 dias para a EuroCopa 2012

Fotos: Robert Kowalewski


As fotos mostram a estação de trem próxima ao estádio nacional, em construção, na capital polaca. Na plataforma, está parada uma composição moderna SKM. Mas o prédio e o estacionamento ao lado permanecem com  imagens do vandalismo e descaso público.
A construção do estádio está custando 1,9 bilhões de złotych. A promessa da inauguração é para 22 de julho próximo. Mas hoje no salão de conferências do Hotel Marriot, o ministro dos esportes abre a exposição "500 dias para a Euro 2012 da UEFA".
Festa, festa, dinheiro, dinheiro muito dinheiro, mas segundo uma carta publicada no jornal Gazeta Wyborca, de autoria do leitor Senhor Michal (o jornal ocultou o sobrenome do leitor) indaga as autoridades sobre o entorno ao Estádio Nacional, "(...) Não faz muito tempo, as autoridades prometeram que a construção de edifícios ao redor do Estádio começará logo após o Euro. Mas até agora nada acontece. Nada tem sido feito neste sentido e, se caso a Euro 2012 irá estimular o desenvolvimento desta parte da cidade eu não vejo nada além do gramado do estádio."
O jornal foi buscar respostas à indagação de seu leitor e entre tantas explicações soube que, a empresa Dawos e JEMS, que ganhou a concorrência para a urbanização há 2 anos e meio, deverão ser construídos um auditório para 20 mil pessoas, dentro de um centro de congressos com várias salas de conferências, um hotel cinco estrelas com 400 quartos, lojas de comércio e 40 mil metros quadrados de salas para escritórios. Dois meses atrás, o Centro Nacional de Desportos, que supervisiona o Estádio Nacional, fez uma consulta junto a arquitetos para projetar o alredor do estádio.
Mas nada foi informado ainda sobre o que deve acontecer com a estação de trem que receberá multidões de espectadores. O tempo urge e não se fala nem em planos, tampouco de orçamento para reurbanizar a estação de trem.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Kaczyński: o avião caiu por culpa dos russos

Foto: Bartosz Bobkowski
"Jogam com uma potência estrangeira contra seu próprio presidente. Jogo que terminou em tragédia. As visitas separadas do primeiro-ministro e do Presidente em Katyń. Isto foi a causa indireta da catástrofe Smoleński. A culpa direta deve ser assumida pelos nossos vizinhos. O avião caiu por culpa dos russos." Estas frases foram proferidas por Jarosław Kaczyński, gêmeo do presidente da Polônia sinistrado no acidente de avião no aerorporto de Smoleński, na Rússia em abril de 2010.

O líder do Partido PiS (Lei e Justiça) começou seu discurso na reuniçao do Conselho Político de seu partido clamando pela culpa russa. A reunião aconteceu na ulica (rua) Nowogrodzka, em Varsóvia, sede do partido, com mais de 250 pessoas. Faltou cadeiras para tanta gente. A certa altura, Jarosław Kaczyński interrompeu seu discurso. "Daqui não posso ver, mas estamos sentados confortavelmente? Todos? Será que ainda há algumas cadeiras livres?" E após se virar para o corredor pediu por mais cadeiras para aqueles que estavam em pé. Em seguida prosseguiu com seu discurso.
"Durante meses, ouvimos e sentimos algo muito negativo, para não dizer vergonhoso, instalaram uma campanha difamatória envolvendo muitas pessoas, inclusive o antigo presidente. Uma campanha em torno da pressão sentida pela falta dos que morreram. A ideia de cobrança do desastre de pessoas que morreram mostra o nível moral daqueles que a praticam. Mas, hoje, é claro que não há provas destas pressões em qualquer dos comentários polacos encontrados no relatório russo sobre o acidente".
E o irmão do presidente falecido seguiu com seu discurso, analisando o plano de voo e as ocorrências no percurso de aterrissagem. "O avião decolou, com uma previsão incorreta sobre o tempo, mas sabíamos que o aeroporto não tinha como fornecer esta previsão do tempo. Quando o avião se aproximou do aeroporto de Smoleński, não foi avisado de nada, pois o aeroporto não estava fechado. Deram dois sinais... O primeiro e mais importante, que induziu ao erro. E o segundo, a partir do qual a tripulação polaca, tinha que escolher entre a o que era verdade e o que era errado, mas que poderia tentar. Decidir descer das alturas é um procedimento normal. Com um plano adequado e serviços de aeroporto eficientes, não se associa nenhum risco. Mesmo em condições muito difíceis. Tanto que só agora é que sabemos que a equipe do aeroporto estava com falta de pessoal, o que convenhamos é um termo suave para dizer isto, por outro lado, não temos certeza se o avião era realmente bom. A equipe de controladores do aeroporto induziu em erro a tripulação do avião. E este foi o resultado da decisão em Moscou, dada por alguém de um nível elevado, e que no momento não é possível determinar. Quando o avião estava a uma altitude de 100 metros, foi lhe dada a informação de que deveria abortar a aterrisagem. O resto é um mistério. Sabe-se que o avião estava no caminho errado. Que naquele curso não poderia pousar, mas ele poderia levantar e voar para longe. Tal ordem foi emitida para o primeiro piloto, e este repetiu para o segundo piloto. O resto é preciso explicar."
E prosseguiu, incriminando os russos pelo acidente que vitimou seu irmão e outros 95 polacos que se dirigiam ao local das comemorações do genocídio polaco de Katyń, envolvendo o assassinato pelos russos de milhares de oficiais do exército polaco durante a II Guerra Mundial. "O segredo está nos destroços da aeronave. É ou foi, porque se sabe que os destroços foram destruídos. Ainda não temos uma quantidade enorme de material. Estamos lidando com a situação, que é um escândalo gigantesco e que resulta na culpa dos russos. Assim como é culpa dos próprios tripulantes de que este avião caiu. Mas que pode ser culpa também do próprio governo polaco. O governo da Polônia não tem de concordar com os procedimentos russos para a explicação desse terrível desastre. Quando eu digo que a Rússia é culpada, eu falo sobre culpa direta."

sábado, 22 de janeiro de 2011

Pianos de Chopin em Cracóvia

Foto: Ulisses Iarochinski
Um dos muitos pianos-monumentos distribuídos pelos recantos da cidade de Cracóvia para as comemorações do ANO CHOPIN 2010 fazem parte do visual da capital histórica e cultural da Polônia. Este está ao lado do Ratusz (Torre), no Rynek (Praça central).

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Polônia preocupada com baixa natalidade

Foto:. Graham Winterbottom 

Os baixos salários, a insegurança no mercado de trabalho, a falta de assistência integral do Estado e da falta de parceria entre os sexos são essencialmente os principais motivos para que jovens polacos não queiram ter filhos, segundo uma pesquisa revelada pelo Ministério do Trabalho da Polônia. É chocante que até um terço das pessoas entrevistadas pelo ministério não tenha a intenção de ter filhos. E metade delas atrasar a decisão sobre paternidade.
"Estamos muito preocupados com a situação instável no mercado de trabalho e os baixos salários e isto nos leva a postergar a ideia de filhos", foi este o tom da maioria das respostas da enquete. Empregadores e Estado não criam condições favoráveis para conciliar as obrigações profissionais e familiares.
Segundo os autores do relatório ministerial, empregadores se mostram relutantes em empregar mulheres que desejam constituir. Há convicção de que eles são trabalhadores pobres.
As empresas estão relutantes em concordar com um modo mais flexível nas relações trabalhistas. Poucos pais novos podem contar com o privilégio de poder trabalhar em casa, o que permitiria atendimento simultâneo para com as crianças.
O estudo, realizado pelo Centro de Desenvolvimento de Recursos Humanos e do Ministério do Trabalho e Política Social em 2009 fez mais de 120 entrevistas em profundidade e realizou discussões com polacos com idade entre 25 a 45 anos e residentes em cidades. O resultado do estudo está sendo apresentado agora.
De acordo com a taxa de crescimento populacional a Polônia tem diminuído continuamente desde 1984 a sua população. Entre os anos de 2003 a 2005 a taxa foi negativa. Em 2030, se a progressão continuar neste ritmo o país terá 2 milhões a menos de habitantes.
A Polônia é o país com a menor taxa de fecundidade atualmente na Europa. Na França, Irlanda e Suécia, o Estado e os empregadores estão encorajando o planejamento dos pais para terem filhos, inclusive com ajuda de imigrantes.