sábado, 5 de setembro de 2015

Nomes polacos tradicionais - grafia e significado


Mieszko I
Assim como as fronteiras do território, também os nomes, na Polônia, foram mudando ao longo do curso da história.
Os polacos são os descendentes modernos de tribos eslavas ocidentais. Assim seus nomes originais também eram nomes eslavos.
Parte destes antigos nomes eram ditemáticos, ou seja, eram nomes compostos de dois lexemas como, por exemplo: -sław, ou -mir, de Sławomir. Diz a lenda que seu portador cumpria a profecia de seu significado ...
Bolesław I Chrobry - Boleslau I o Bravo (primeiro rei coroado da Polônia)
No entanto, após o Concílio de Trento da Igreja Católica Apostólica Romana entre 1545-1563, foi imposta a proibição de se continuar a dar nomes dos pagãos para os recém-nascidos. No caso da Polônia, a maioria de seus nomes eram originalmente de tribos eslavas e, portanto, tornaram-se extremamente raros ou foram extintos pela proibição católica.

Apenas alguns nomes eslavos originais permaneceram em uso, destacadamente Kazimierz, Stanisław e Wojciech (pronuncia-se cajimiéj, stanissúaf e voitchiérrrhhh ) e isto por terem se tornado nomes de santos, consagrados pela própria igreja católica.
Alguns daqueles nomes polacos eslavos proibidos na idade média foram ressuscitados mais tarde, já no século 19, quando a Polônia foi varrida do mapa e redistribuída entre poderosos vizinhos invasores e ocupantes. Como uma manifestação do espírito patriótico, os polacos decidiram reavivar os antigos nomes polacos eslavos.

Neste texto, far-se-á a descrição desses nomes polacos eslavos, seguido de uma visão geral de nomes próprios de origem estrangeira que foram introduzidos na cultura polaca e que foram, com o passar do tempo, polonizados, bem como um levantamento de como tendências atuais estão se desenvolvendo.

Nomes de origem eslava


Kazimierz III Wielki - Casimiro III o Grande

Alguns nomes eslavos ainda em uso nos dias de hoje, como Sławomir, Mirosław, Bronisław ou Kazimierz (pronunciam-se suavomir, mirossuaf, bronissuaf ou cajimiéj) possuem significados heróicos.
Eles combinam lexemas como sław (glória, fama), mir (respeito, paz), broń- (defesa), e kazi- (destruir).
Outros nomes eslavos populares, como Bogumił ou Bogdan (pronuncia-se bógumiu ou bógdan), contem a raiz "Bóg / bog" (Deus) e são considerados nomes teofóricos - práticas de nomenclatura semelhantes são encontrados em praticamente todas as línguas - ainda assim, um grande número de nomes eslavos desapareceram para o "bem" da cristianização.
Nomes como Mściwoj, Świętobor, Racimir, Chwalimir, Trzebiesław (pronuncia-se mchitchivoi, chivientobor, ratchimir, rrhhvalimir, tjebiessuaf) são bem mais prováveis ​​de serem encontrados em livros de literatura, história e didáticos do que nas ruas das cidades polacas hoje em dia.

Definições

A seguir um apanhado de nomes polacos eslavos, ainda em uso atualmente, com seus respectivos significados. Os nomes masculinos polacos geralmente terminam com uma consoante e os nomes femininos terminam com a letra "A".

Bogdan (pronuncia-se bógdan) - "dado por Deus" é um nome popular na Polônia, mas também na Ucrânia (Bohdan), este é o único nome de pessoa, polaco, com o sufixo "dan", o que leva linguistas a suspeitar de um empréstimo a partir dos Citas (povos turcomanos), que usaram o nome Bagadata (nome persa antigo derivado de Baga "Deus" e data "dado".  Este era um nome do século 3 a.C. dos persas sob o Império Selêucida com o mesmo significado de "dado por Deus".

Bożydar (pronuncia-se bójidar)- "presente de Deus", bastante raro, mas ainda utilizado. É uma tradução de seus equivalentes gregos e latinos Theodor e Theodatus, ou Teodoro (significado adorado por Deus).

Bożena (pronuncia-se bójena)- outro nome composto com a raiz eslava que significa Deus. Este antigo nome eslavo era conhecido no Reino Tcheco desde o século 12, mas tornou-se popular na Polônia durante o século 19.

Bogumił (pronuncia-se bógumiu) - "alguém que é querido a Deus".  Às vezes é considerado uma cópia do Theophilos grego.

Bogusław (pronuncia-se bógussuaf) - nome teofórico significando "para louvar a Deus". Conhecido em todas as línguas eslavas e popular desde a Idade Média. Na Polônia, o nome explodiu em popularidade durante os anos 1950 e 1960.

Bolesław (pronuncia-se bólessuaf) - a raiz bole vem de bolye e significa muito, ou mais. Assim, o nome pode ser traduzido como "aquele que vai ter um monte de glória (fama). Foi inicialmente utilizado pelos duques da dinastia Piast.  Mas sua popularidade foi diminuindo a partir de 1920.

Bronisław (pronuncia-se brónissuaf) - outro nome com a raiz "sław" bronić que significa defender - o que pode ser traduzido como "aquele que vai defender a sua glória".

Czesław (pronuncia-se Tchessuaf) - o cze- em Czesław vem do verbo czcić - ou seja adorar. A composição pode ser traduzida como aquele que "vai adorar ou respeitar o bom nome [glória - fama] (da casa)". O nome era popular até 1950 - mas já não o é tanto nos dias de hoje.

Jarosław (pronuncia-se iárossuaf) - jary - como adjetivo significa vigoroso e poderoso; o nome, portanto, pode ser composto para significar "aquele que tem forte glória ou fama". O nome tem sido popular na Polônia desde o renascimento dos nomes eslavos no século 19. Foi muito popular na década de 1960 e 1970.

Outros nomes eslavos, mas não polacos possuem variantes com o lexema JAR- que incluem Jaromir.

Kazimierz (pronuncia-se cajimiéj)- combina a raiz mir (respeito), e kazić (destruir), ou seja, "comandar, dominar bravamente e com calma, comandar de tal forma que não dê paz aos seus inimigos''. O nome de muitos reis e duques dos Piast e das dinastias Iaguielônica, como Casimiro I - o Restaurador, ou Casimiro III - o Grande. São Casimiro (1458 -1484), príncipe herdeiro da dinastia Iaguielônica, tornou-se o patrono da Lituânia e da Polônia.
Casimiro é um dos únicos nomes polacos que se tornaram bastante populares fora da Polônia. No final do século 18, o nome foi levado para a América por Kazimierz (Casimiro) Pułaski.

Lech Wałęsa - Prêmio Nobel da Paz (pôs fim a União Soviética)
Lech (pronuncia-se lérrhh) - é um dos raros nomes eslavos com lexema simples em polaco. Segundo a lenda, os irmãos Lech, Czech e Rus são os pais fundadores dos povos polaco, tcheco e russo (e ucraniano e bielorrusso), respectivamente. Lech é um nome tipicamente polaco que continua muito popular. Sua etimologia é incerta - a maioria das hipóteses leva ao verbo Lścić - (para agir dolosamente); Lech poderia ser um diminutivo de Lścisław.

Lesław (pronuncia-se léssuaf) - este nome foi muito provavelmente introduzido pelo poeta romântico tardio Roman Zmorski (1824-1867). Foi especialmente popular na década de 1950.

Leszek (pronuncia-se léchék) - provavelmente uma versão hipocorístico (diz-se de ou qualquer palavra criada ou prenome modificado, ou qualquer vocábulo usado antroponimicamente com intenção de carinho, para uso no trato familiar ou amoroso, sempre no diminutivo) derivado de Lestek, que por sua vez já é diminutivo de Lech.

Ludomir - "aquele que garante a paz - o respeito - para as pessoas", a partir de lud- raiz que significa povo.

Marzanna (pronuncia-se májana) - emobra o nome não seja popular no momento, ele remonta à antiguidade eslava. Marzanna era uma divindade eslava, e ela ainda está presente no folclore polaco. Uma efígie da deusa é queimada no primeiro dia de Primavera.

Mieczysław (pronuncia-se miétchssuaf)- a forma mais antiga era provavelmente Miecisław (pronuncia-se miétchissuaf), que vem do verbo mietać - "para jogar". e sław- glória.

Mieszko (pronuncia-se miéchko) - é o nome do primeiro governante histórico da Polônia; definitivamente é raro, mas ainda assim é um nome dado ainda para muitos meninos polacos. É provável que foi originalmente derivado de um diminutivo de Miecisław (pronuncia-se miétchissuaf).

Mirosław (pronuncia-se miróssuaf) - assim como Sławomir (pronuncia-se suavomir) combina (em sequência invertida) com os dois lexemas mais empregados em nomes eslavos polacos. Ele pode ser composto no sentido de "aquele que elogia a glória" ou "aquele que ganha fama por ordem ou paz que estabelece". É considerado um dos mais antigos nomes polacos.

Przemysław (pronuncia-se pjemissuaf) - A partir da palavra Przemysł (pronuncia-se pjemissu) que significa consideração, cautela, brincadeira. Assim pode-se dizer que é inteligente, engraçado, Apareceu pela primeira vez em documentos de 1243 como nome de alguém.

Radosław (pronuncia-se radóssuaf) - combina a raiz Rado que significa contente feliz, satisfeito, e sław (glória, fama), ou seja, "a glória de ser feliz, ou a fama de feliz.

Radzimir (pronuncia-se radjimir) - a raiz radzi- remonta a raci- que significa lutar; alguém ansioso para lutar. Não é um nome popular.

Sławomir - uma variante do Mirosław; o nome desapareceu no século 16 para reaparecer no século 19.

Santo Estanislau
Stanisław (pronuncia-se stanissuaf) - raiz de "stand" ou "tornar-se", pode expressar um desejo para a glória ou fama; um dos nomes mais populares polacos. Está registrado, no início do século 13, como Stanislaus - uma forma que ganhou a Europa Ocidental, onde obteve popularidade.
Ele tem sido usado, na França, como Stanislas, que provavelmente está ligado ao fato do rei polaco Stanisław Leszczyński ter residido em Nancy.
Stanisław também é o nome do santo polaco (sepultado em caixão de prata e colocado no meio do corredor da catedral de Wawel, em Cracóvia), e conhecido nos países católicos como um líder da tribo americana Yokut, tribo nativa do Norte da Califórnia, do século 19, que foi chamado de Estanislao.
Stanislaus, juntamente com outros nomes polacos, ganhou popularidade no também no século 19, na Irlanda. Foi uma época em que ambos os países católicos enfrentaram uma situação política desoladora. Dar um nome polaco, na Irlanda, naquela época, foi visto como um sinal de simpatia para com a nação polaca que estava sofrendo com as ocupações russas, austríacas e prussas (alemãs).
Outro fator pode ter influenciado foi uma tradição jesuíta forte em algumas famílias católicas irlandesas - o nome do irmão de James Joyce era Stanislaus.

Tomisław (pronuncia-se tomissuaf)- Nome eslavo mais popular nos Balcãs (Tomislav) do que na Polônia. A etimologia liga o tomi de Tomisław com o antigo verbo eslavo tomiti - de tormento, assediar.
Este nome pode ser traduzido como "aquele que é atormentado pela necessidade de ser famoso".

Wanda (pronuncia-se vanda e não uanda, pois não é nome inglês, W em idioma polaco e português tem som de V e não de U) - É um nome genuinamente polaco, lendário e muito provavelmente foi cunhado pelo historiador medieval polaco Wincenty Kadlubek. 
Wanda é um dos nomes polacos mais usados fora da Polônia. E a maioria das pessoas desses outros países acredita ser um nome bíblico, ou alemão. O que é um erro grosseiro e demonstrativo de toda a ignorância a respeito da história da Polônia e dos polacos.

Wacław (pronuncia-se vatssuaf) - Segundo linguistas, Wacław remonta a Więcław (pronuncia-se vientssuaf) que é um diminutivo de Więcesław (pronuncia-se vietssessuaf) que tem seu equivalente russo como sendo Vyacheslav.
Com więce- que significa "mais" - semanticamente este é basicamente uma outra variante de Bolesław (veja acima a definição). Na primeira metade do século 20 foi muito popular - mas sua popularidade foi diminuindo desde então.

Wieńczysław (pronuncia-se vientchssuaf) - pode até ser parecido com outro nome antigo, mas na verdade Wieńczysław apareceu pela primeira vez, no início do século 18; wieńczyć- significa "coroar", assim fica sendo "aquele que deve ser coroado com a glória e/ou fama."

Wiesław (pronuncia-se viéssuaf) - É conhecido desde o século 14 e que poderia ser uma forma abreviada de Wielisław  de wieli- "muito". É outro nome que significa "alguém que deve ser mais famoso" ... (comparável a Bolesław e Wacław.)

Wisława (pronuncia-se vissuava) - É provavelmente derivado de Witosława, um nome bastante popular do século 12. Ele não é muito popular hoje, mas Wisława Szymborska definitivamente imortalizou o nome.

Władysław (pronuncia-se vuadissuaf) - Muito provavelmente veio para o idioma polaco através dos Tchecos. O equivalente polaco deveria ser Włodzisław (pronuncia-se vuódissuaf). A raiz "wład-" ou "władz-" significa exercer o poder, governar. Em latim foi grafado Ladislao.
Apropriadamente, ele tem sido o nome de muitos reis da Europa Central a começar por Ladislau I da Hungria (São Ladislaus), Władysław Jagiello, (pronuncia-se vuádissuaf iaguiélo), Władysław IV Waza.
Foi extremamente popular no início do século 19.

Włodzimierz (pronuncia-se vuódjimiéj)- Anteriormente era usado como uma versão polonisada do nome russo Vladimir. Lenin, por exemplo é conhecido como Włodzimierz em polaco, enquanto que Putin como Wladimir. Foi bastante popular no Leste da Polônia durante o século 19 e gradualmente chegou a todo o país durante o século 20.

Wojciech (pronuncia-se vóitchiérrhh) - Este antigo nome combina "woj -", guerreiro, e "ciech-" de cieszyć się - significado para ser feliz, alegrar-se, ou seja, "aquele que se alegra em batalha".
O nome de um mártir e primeiro santo e patrono da Igreja Católica polaca é conhecido, em português, como Santo Adalberto de Praga. Embora o nome Adalbert não tem nenhuma ligação etimológica. É um dos nomes polacos mais antigos e mais populares de todos os tempos.

Zbigniew Ziembiński - pai do moderno teatro brasileiro
Zbigniew (pronuncia-se sbigniéf) - Nome derivado da raiz "zby-" (para livrar, livrar-se) e "-gniew" (raiva) poderia ser interpretado como "alguém que está livre da raiva", que neste entendimento tem mais de budista do que do jeito eslavo de ser. Encontrado em fontes escritas, já no século 11 como Zbygniew.
Há outros nomes com o mesmo sufixo, como Zbysław, Zbylut, Zbywoj (pronuncia-se sbssuaf, sblut sbvói), mas eles definitivamente não são populares hoje em dia.

Zdzisław (pronuncia-se sdjissuaf) - "zdzie-" é supostamente derivado de "działać "(agir). O nome era conhecido já no século 12, mas foi esquecido no século seguinte. Ele retornou com popularidade no século 19.

Ziemowit (pronuncia-se jiémóvit) - Seria uma versão distorcida da Siemowit ( pronuncia-se chiémóvit) - Composto de "Siemo"- (do pré-eslavo * sěmьja) que poderia significar "a família ou casa" e "-wit" (senhor, senhor). O significado pode ser considerado como "senhor da casa '. Siemowit era um nome comum dos governantes da dinastia Piast.

Nomes estrangeiros disfarçados de polaco

A versão polonisada dos nomes cristãos mais comuns, como Piotr, Łukasz, Andrzej, Grzegorz, Agnieszka, Małgorzata ou Katarzyna (pronuncia-se piótr, uúcach, andjiei, gjegój, agniechca, maugójata e catajina) respectivamente Pedro, Lucas, André, Gregório, Inês, Margarete e Catarina são bastante reconhecíveis. Alguns deles, no entanto, têm uma história própria, e portanto, enganosa.

Jacek (pronuncia-se iatssék)- este nome polaco popular não é de maneira alguma o correspondente de Jack, Jake ou Jacob, pois Jacob é Jakub em polaco). Na verdade é uma forma de Jacinto.

Jerzy (pronuncia-se iéj) - É o equivalente polaco de Jorge.

Maciej (pronuncia-se mátchiei) - alguns nomes cristãos têm duas variantes em polaco, sendo usados como Mateusz (pronuncia-se mateuch) e Maciej. Ambos são derivados de Mathaeus (Mateus). O mesmo vale para Bartłomiej (pronuncia-se bartuómiei) e Bartosz (pronuncia-se bartóch) que tanto pode ser Bartholomaeus (Bartholemew), com o último nome em ambos os pares são considerados uma forma mais plebeia.

Mikołaj (pronuncia-se micóuai) - o equivalente polaco de Nicolas é perceptível através do uso do M em seu início, um recurso usado pelos polacos do nome tcheco (Mikoláš), do eslovaco (Mikuláš), do Bielorrusso (Mikalai), do ucraniano (Микола - Mykola) -, mas também do húngaro (Miklós). O eslavo russo e outros mantiveram o N inicial (Nikolay), como no original grego Nikolaos.

Tadeusz Kościuszko - herói de 2 mundos
Tadeusz (pronuncia-se tádeuch) - Um dos nomes mais comuns (ou mesmo arquetípicos) polaco não tem quaisquer raízes eslavas. Tadeusz chegou ao polaco diretamente do latim (Thadaeus), mas suas origens se encontram no aramaico (תדי, Taddai / Aday pode ser traduzido como "coração valente") e grego (Θαδδαῖος).
Até o século 19, ele não era um nome muito popular na Polônia, com exceção das áreas do norte-oriental da República das Duas Nações Polônia-Lituânia, onde tinham sido estabelecido o culto religioso de Judas Tadeu algum tempo antes.
O nome ganhou importância com o surgimento de figuras históricas, como Tadeusz Kościuszko (pronuncia-se tádeuch cóchiuchco) e Tadeusz Rejtan (pronuncia-se reitan). Ambos nasceram no Leste da República das Duas Nações (atualmente território da Bielorrússia) e se tornaram exemplares do espírito patriótico polaco no momento da partições da Polônia.
O nome foi dado então (em memória de Kościuszko) por Adam Mickiewicz para o principal herói do seu poema épico Pan Tadeusz - o que definitivamente contribuiu para a popularidade do nome na Polônia.
Até o final do século 18, o nome também tinha sido popularizado na América. Thaddeus Stevens, político chave da Guerra Civil e Reconstrução da Nova Era, e conhecido por sua oposição implacável ao sistema escravista nos Estados Unidos da América ganhou seu nome como homenagem a Kościuszko (herói de dois mundos).
O general polaco junto com seu compatriota Puławski foram determinantes na Guerra pela Independência das 13 colônias inglesas. Tanto é verdade que tanto Kościuszko como Puławski são denominações de ruas, avenidas, praças, monumentos e pontes por todo os Estados Unidos. As principais pontes de Nova Iorque levam os nomes dos dois polacos.
Tadzio (pronuncia-se tádjio) é um diminutivo de Tadeusz.

Nomes germânicos (alemães)

Nomes alemães disfarçados de polaco incluem:

Jadwiga (pronuncia-se iádviga) - É uma versão polonizada do nome alemão Hedwig. Em português é Edvirges. As duas Santas Edvirges são polacas. Uma delas é a Rainha Jadwiga Piast, fundadora da Universidade Iaguielônica e padroeira da Polônia e da União Europeia.

Santa Kinga (Conegunda) - rainha da Polônia
Kinga (pronuncia-se quinga) - uma forma abreviada do nome antigo alemão Kunegunda. Em português Conegunda e em momento algum derivação do inglês King (rei). Kinga é atualmente um dos nomes de mulher mais populares da Polônia, muito em função da Rainha Kinga (húngara de nascimento e esposa do rei da Polônia, Bolesław V - Wstydliwego e consagrada como Santa Kinga (ou Conegunda).

Olga - Este é um um empréstimo precoce do nome saxônico (alemão)  originais Helga

Waldemar - enquanto este é obviamente um nome saxônico (waltan - exercer o poder, regra, mar - grande, famoso), Waldemar tem em alguma ligação com nome eslavo Vladimir (em polaco: Włodzimierz).
Ambos os nomes têm o mesmo significado e são compostos de raizes que são cognatas. O nome de Waldemar apareceu na Polônia apenas no século 19.

Zygmunt (pronuncia-se zegmunt) - originalmente um nome alemão. Sigmund ou Sigismund é derivado das palavras SIGU - "vitória". "mão, proteção" mãos "munt" - e pode ser traduzido como "aquele cuja proteção subvenciona a vitória". A versão em polaco Zygmunt ganhou muita popularidade na Polônia, após os nome de diversos reis como Sigismund I - o velho, Sigismund II Augusto e Sigismund III Vasa, e continua a ser popular (consideravelmente mais do que os seus equivalentes alemães). O nome próprio do famoso psiquiatra Sigmund Freud foi escolhido pelo pai de Freud, o Sr. Jacob, que era conhecido por suas simpatias para com polacos, muito em função de seus ancestrais terem vivido durante séculos na República Polaca, antes da família se mudar para a Galicia (província austríaca nos territórios polacos ocupados pelo Império Habsburgo). Jacob Freud deu este nome para seu filho, como homenagem aos reis polacos, conhecidos por sua tolerância e proteção para com os judeus.

Nomes Lituanos

Vários nomes populares poloneses tem origem na Lituânia. Isso remonta a séculos de intercâmbio cultural no seio da Comunidade Polaco-Lituana. Embora seja incerto, Olgierd (Algierdas) e Danuta podem ter vindo também do Lituano.

Danuta - é um nome de origem lituana que provém da palavra "danutie", ou seja, é uma combinação de significados referentes a "céu e filha". Alguns o classificam também como sendo de origem latina, da palavra "donata" (agraciada por Deus). Também é possível que deriva de uma nomes pré-eslavos do Sul a partir dos nome Dana, Danka, Danica (pronuncia-se dánitssa), que significa o “bebê doado por Deus”.

Grażyna - (pronuncia-se grajina) - Este nome, ainda relativamente popular na Polônia, foi inventado por Adam Mickiewicz, em um poema de 1823, a partir do gražus, um adjetivo lituano, que significa bela.

Witold (pronuncia-se vitold) Vem do lituano Vytautas - E pode ser traduzido como "aquele que leva as pessoas".

Por que os polacos nomeiam coisas e nomes com uma abundância de diminutivos em polaco?
Os polacos tendem a usar diminutivos em tudo a todo tempo.

Katarzyna é chamada de Kasia (pronuncia-se cáchia), Kaśka (pronuncia-se cachisca).
Com sufixos como -ek, -US, um nome pode ter toda uma gama de versões informais.
Stanisław é chamado de Stach, Staś, Stasiek, ou Staszek ou mesmo Stachu.

Isso vale para a maioria dos nomes polacos.

- Bolesław é Bolek (pronuncia-se bolessuaf, bólék)
- Eugeniusz, Eugenia é Gieniek, Gienia (pronuncia-se eugueniuch, guiéniék, guienha)
- Grzegorz é Grzesiek, Grześ (pronuncia-se gjegój, gjechiék, gjech)
- Jakub é Kuba, Kubuś (pronuncia-se iacub, cuba, cubuch)
- Karol é Lolek (pronuncia-se caróu, lólék)
- Jan é Janek, Jasiek, Jaś, Jasiu (pronuncia-se ian, ianék, iachiék, iach, iachiu)
- Jarosław é Jarek (pronuncia-se iarossuaf, iarék)
- Jerzy é Jurek, Jurko, Jurk (pronuncia-se iéj, iúrék, iurco, iurk)
- Józef é Józek, Józio, ou Ziutek (pronuncia-se iusef, iusek, iujio, jiutek)
- Kazimierz é Kazik, kazio (pronuncia-se cajimiéj, kajik, cajo)
- Krzysztof é Krzysiek, Krzyś (pronuncia-se kjichtóf, kjichiék, kjich)
Maciej é Maciék - (pronuncia-se matchiei, matchiék)
- Mirosław é Mirek (pronuncia-se mirossuaf, mikék)
- Paweł é Pawelku (pronuncia-se pávéu, paveucu)
- Radosław é Radek (pronuncia-se radossuaf, radék)
- Szymon é Szymonku
- Wojciech é Wojtek (pronuncia-se vóitchiérrhh, vóiték)

O mesmo vale para nomes das meninas:

- Antonina é  Tonka, Tonia, Tońcia e Nina (pronuncia-se antonína, tonca, tónha, tónhtchia, nína)
- Aleksandra é Ola (pronuncia-se alékssandra, ola)
- Agnieszka e Agata é Aga (pronuncia-se agnhiéchca, agáta, ága)
- Alicja é Ala (pronuncia-se alicia, ála)
- Barbara é Basia, Baśka (pronuncia-se barbára, báchia, bachka)
- Ełżbieta é Ela, Elka (pronuncia-se éujbiéta, éla, élca)
- Jadwiga é Iga, Inina, Jadzia (pronuncia-se iádviga, íga, ínina, iádjia)
- Katarzyna é Kasia, Kaśka (pronuncia-se catajina, cáchia, cáchca)
- Joanna é Aśka ou Ásia, Joaśka (pronuncia-se ionna, áchca, áchia, ioachca)
- Julianna é Julcia, Julka (pronuncia-se iultssia, iulca)
- Małgorzata é Małgośka, Gośka, Gosia, Małgosia (pronuncia-se maugójata, maugóchca, góchia, maugóchia)
- Urszula é Ula, Ulka (pronuncia-se urchula, úla, úlca)

Lista dos 10 nomes mais registrados nos cartórios da Polônia em 2014

Meninas:
1. Lena - 9642
2. Zuzanna - 8856
3. Julia - 8572
4. Maja - 8055
5. Zofia - 6733
6. Hanna - 6407
7. Aleksandra - 5935
8. Amelia - 5586
9. Natalia - 5,205
10. Wiktoria - 5,149

Meninos:
1. Jakub - 9382
2. Kacper - 7232
3. Antoni - 7143
4. Filip - 6903
5. Jan - 6817
6. Szymon - 6112
7. Franciszek - 5139
8. Michał - 5004
9. Wojciech - 4,959
10. Aleksander - 4,896

A lista demonstra claramente que os nomes típicos eslavos estão longe de ser popular, atualmente. Apenas Wojciech aparece em os 10 mais. A lista é cheia de nomes de origem cristã (derivados do latim, grego, hebraico ou aramaico).
Na lista das meninas lista, o primeiro nome eslavo só  é encontrado no 31º posto da classificaçao, o Jagoda), Kinga, que não é originalmente eslavo mas pode ser considerado um nome tipicamente polaco está em 35º, Olga está em 56º e Kalina em 57º.
Na Lista dos meninos, além de Wojciech estar em nono lugar, apresenta Stanisław em 20º, Miłosz em 21º, Przemysław em 62º e Radosław em 64º. 

Texto baseado em reportagem de Mikołaj Glinski


segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Polônia quer repatriar polacos e seus descendentes

O governo da Polônia quer lançar um projeto para tentar trazer para casa as centenas de milhares de polacos que moram em outros países, plano que contrasta com a rejeição em receber refugiados, conforme o sistema de cotas proposto pela Comissão Europeia (CE, órgão executivo da União Europeia).

Cerca de 20 milhões de pessoas formam a diáspora polaca, apesar de apenas um terço ter nascido na Polônia. A maior parte é descendente de polacos que deixaram o país nos últimos 150 anos por causa de guerras e outros problemas similares, mas também por questões econômicas.
Exemplo recente é emigração de perto de 1 milhão de cidadãos polacos para Reino Unido e República da Irlanda. Os imigrantes polacos representam 3% da população na Irlanda. Já no Reino Unido, o polaco é a segunda língua mais falada depois do inglês, como consequência da avalanche de trabalhadores da Polônia que chegaram ao país depois do ex-primeiro-ministro Tony Blair (1997-2007) ter aberto o mercado de trabalho para os cidadãos do leste da União Europeia.


O novo presidente polaco, o nacionalista-ultraconservador Andrzej Duda, insiste que é preciso fazer com que esses emigrantes retornem. Ele afirma que eles trarão experiência, novos conhecimentos e novas famílias, algo necessário em um país que enfrenta baixos índices de natalidade e um envelhecimento progressivo da população.
Andrzej Duda
Mas o plano de Duda vai mais longe e busca melhorar a imagem da Polônia no exterior, devolver às raízes do país os que o deixaram, através do reforço do ensino do polaco, além de fornecer incentivos para aqueles que quiserem voltar para casa. "Temos consciência de que muitos de nossos compatriotas em outros países já perderam a nossa nacionalidade, falam outra língua e não conhecem nosso idioma", disse recentemente o ministro das Relações Exteriores da Polônia, Grzegorz Schetyna.
O ministro, que anunciou programas para colaborar com os países onde vive a maior parte dos polacos no exterior, reconheceu também que inicialmente a aproximação deverá ser "na língua do local no qual eles residem".
Grzegorz Schetyna
Trata-se de um ambicioso plano para "reeducar" esses milhões de polacos ou descendentes distribuídos por países como Brasil, Argentina, Alemanha, Ucrânia, Reino Unido e Estados Unidos, onde cerca de dez milhões de pessoas declararam ter origem polaca.
"Não me parece algo fácil, já que na Polônia os salários são muito baixos e quase não dispomos de auxílios sociais. Existem mais oportunidades fora", Anna Przewoska, polaca que mora há seis meses em Londres.
A fuga de profissionais que afeta o país nos últimos anos se soma aos baixíssimos índices de natalidade, o que projeta um panorama desolador para o ano de 2060, no qual, segundo o Eurostat, a Polônia poderia perder 18,3% de seus habitantes, com mais de um terço de toda população acima dos 65 anos.
O número de polacos com menos de 15 anos caiu 40% durante os últimos 23 anos, enquanto a população com mais de 65 anos cresceu cerca de 50%. "Sobretudo desde que entramos na União Europeia (2004) é notável a mudança de tendência na Polônia, especialmente nas regiões urbanas, onde os casais cada vez se casam mais tarde e, em muitos casos, têm apenas um filho ou nenhum, algo impensável há 20 anos", disse a socióloga Małgosia Woś.

Estátua do Santo João Paulo II na cidade de Częstochowa 
Uma das razões pelas quais muitos polacos migraram para o Reino Unido são as ajudas por filho, o que faz com que a taxa de natalidade entre as mulheres polacas seja maior no território britânico do que no país de origem.
No início desse ano, o primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, anunciou que irá propor novas normas à UE com o objetivo de limitar o acesso dos imigrantes aos benefícios sociais oferecidos pelo governo britânico.
Ele citou os polacos como exemplo de abuso de generosidade do sistema. O plano do governo polaco para trazer de volta os emigrantes contrasta com a rejeição à proposta da CE de estabelecer cotas para dividir os refugiados nos países do bloco.
Segundo o projeto, a Polônia deveria aceitar os pedidos de asilo de 2.659 eritreus e 40.000 sírios que chegaram à Itália e à Grécia, além de outros 962 refugiados procedentes de acampamentos de fora da União Europeia.
O número de imigrantes ilegais que ingressou em território polaco chegou na primeira metade do ano a 2.900, quase o dobro que no mesmo período de 2014, mas muito abaixo do registrado em Itália, Grécia e Hungria.
A maior parte deles não tem intenção de permanecer na Polônia, mas fixar residência em países da Europa Ocidental.

Fonte: Agência de notícias EFE

Ana Cristina Panek expõe na Polônia: “UM OLHAR”

O Centro de Cultura Judaica - CCJ - em Cracóvia, na Polônia, receberá a exposição fotográfica a partir do dia 17 de setembro.


Filha de polacos - o pai foi herói do Levante de Varsóvia e a mãe fez uma carreira científica internacional - que vieram para o Brasil para fugir dos horrores da Guerra, Ana Cristina Panek, ou “Ania”, como assina em suas fotos, nasceu com um instinto de observação cheio de peculiaridades.


“A formação de Ania como cientista fez dela um observador arguto, capaz de encontrar nos objetos e nas formas mais simples da vida cotidiana, imagens que prendem a atenção”, conta o curador da exposição Pedro Soares de Araújo.
O enfoque no rosto e no torso de pessoas passou a refletir o interesse da artista naqueles que trazem marcas evidentes da vida. “A fotografia é um paradoxo, um conflito. Vejo a beleza e também o lado obscuro das coisas. Quando fotografo surge uma relação íntima com aquilo que amo e que o tempo irá levar embora. É a beleza colorida da tristeza”, explica.
A exposição é composta por 25 quadros que revelam ao público o seu modo de ver e a emoção a isto associada. “Verifiquei que nos anos de 2009 a 2011, Ania fotografou a família de todas as formas e ângulos possíveis. Já em 2013 passou a concentrar a sua atenção em detalhes ou pedaços peculiares das coisas a sua volta”, completa seu curador.


Exposição “Um Olhar” – Ana Cristina Panek
Quando: 17/09 até 27/10, às 19h.
Onde: CCJ – Centro de Cultura Judaica de Cracóvia – Polônia.

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Trem de ouro nazista encontrado na Polônia?

O trem de ouro pode ter sido encontrado na Colina de Sowich - Foto: Mieczysław Michalak 
Um trem nazista que estaria carregado com ouro, pedras preciosas e armas teria sido encontrado na Polônia.
Segundo a imprensa polaca, dois homens alegaram ter achado a "relíquia" que teria desaparecido ainda durante a Segunda Guerra Mundial.
O trem teria sumido em um local próximo ao que hoje é a cidade de Wrocław quando forças da União Soviética se aproximaram em 1945.
Os homens que encontraram o trem entraram em contato com um escritório de advocacia polaca para comunicar o achado. Os dois pedem "apenas" uma recompensa equivalente a 10% do valor do carregamento.


Portais de Internet polacos afirmam que a descrição do trem que teria sido encontrado corresponde à do comboio mencionado em relatos folclóricos da região que dizem que o trem era usado para transportar ouro e pedras preciosas e teria desaparecido no fim da guerra, próximo ao castelo Ksiąz.
O escritório de advocacia contatado pelos homens fica em Wałbrzych, a 3 km desse castelo. "Advogados, o exército, a polícia, e a brigada de incêndio estão cuidando disso", disse Marika Tokarska, representante do conselho distrital de Wałbrzych.
"Aquela área nunca foi escavada antes e não sabemos o que podemos encontrar." Dois websites de Wałbrzych dizem que o trem tinha instalado guaritas de onde soldados armados podiam defender o comboio.
Segundo o walbrzych24.com, um dos homens que alegam ter encontrado o trem era polaco e o outro era alemão.
Ainda de acordo com o portal, eles teriam comunicado as autoridades locais que formaram um comitê emergencial liderado pelo prefeito para investigar as alegações.
Outro site, o Wiadomości Wałbrzyskie, disse que a composição teria 150 metros de comprimento e carregaria 300 toneladas de ouro.
Joanna Lamparska, uma estudiosa da história de Wałbrzych, disse à Rádio Wrocław que havia rumores de que o trem teria desaparecido em um túnel e que transportava ouro e material perigoso à bordo.
A rádio acrescenta que pesquisas anteriores feitas na mesma área para encontrar o trem não foram bem-sucedidas.
Já o maior jornal do país, o Gazeta Wyborcza, publicou fotos dos túneis onde poderia estar o trem de ouro e em manchete pergunta e não afirma se realmente o tesouro foi encontrado: Odkryto hitlerowski złoty pociąg? (Descoberto trem de ouro de Hitler?)

Foto: Mieczysław Michalak 

sábado, 15 de agosto de 2015

Częstochowa: maior peregrinação a pé do mundo


A Polônia está na estrada desde maio para as peregrinações ao Santuário de Jasna Góra (pronuncia-se iásna gura - Monte Claro).
A culminação das caminhadas acontece de hoje 15 de agosto a 26 de agosto - dia de Nossa Senhora de Częstochowa (pronuncia-se Tchenstórróva), ou da Assunção da Bem-Aventurada Virgem Maria.


As paróquias organizam os grupos de peregrinos que ao longo do percurso de 30 km diários de caminhada são recebidos para pernoite por fiéis de paróquias das cidades seguintes, na direção da cidade de Częstochowa. Dia seguinte, os anfitriões que receberam os fiéis das cidades anteriores, seguem junto com os visitantes para o destino comum: Częstochowa. Nesta cidade está guardado o quadro da Czarna Madona - Nossa Senhora Negra, a Rainha da Polônia.
Neste 15 de agosto junto com 164 grupos de peregrinos de diversas cidades dos quatro cantos da Polônia, tradicionalmente, chegam os batalhões de soldados do exército, aos milhares.


Dependendo da distância das paróquias de origem, estes grupos de peregrinos católicos (95% da população do país se declara católica apostólica romana) percorreram entre 30 km a mil quilômetros a pé.
Apenas como exemplo da quantidade de peregrinos:
de Varsóvia já chegaram hoje, 5 grupos de peregrinos dos 304 que chegaram e ainda vão chegar até o dia 26 de agosto: primeiro grupo 5600 pessoas, segundo grupo 3700 pessoas, terceiro grupo 1600 pessoas, quarto grupo (de deficientes físicos em cadeiras de rodas) 638, quinto grupo com 420 pessoas.
Também chegaram 88 grupos de peregrinos que vieram de bicicleta com 5 mil pessoas.

Nos últimos dias, os grupos mais numerosos de peregrinos que chegaram, vieram das cidades de Cracóvia (35 grupos com 8500 pessoas), de Radom (37 grupos com 6300 pessoas) de Varsóvia (5 grupos com 5600) pessoas.
Os caminhos mais longos percorridos foram de 31 grupos de peregrinos de Lukecin (640 km em 20 dias de caminhada) e Świnoujście (621 km em 19 dias); 34 grupos que partindo de Hel andaram 634 km em 19 dias (Hel fica numa estreita península do Mar Báltico); 33 grupos de Ustka, incluindo pessoas de Koszalin e Kołobrzeg que percorreram a pé 630 km em 19 dias.
E os 23 grupos de Suwałki e Gołdap que fizeram 493 km. Os peregrinos de Ełcka percorreram 559 km em 17 dias.


Interprograma sobre Częstochowa produzido para TV Educativa do Paraná (É-Paraná) em 2010.



sexta-feira, 7 de agosto de 2015

"Semo polaco non semo fraco" há 7 anos em cartaz


“Semo Polaco Non Semo Fraco” está há sete anos arrancando risos e gargalhadas nos teatros de Curitiba e Araucária.
Desta vez a comédia inspirada na cultura polaca, apresenta o personagem Isidório Duppa envolvido com uma garota de programa.
Perseguido por Trambolhão, o leão-de-chacara, Isidório sai pelo mundo contando sua história.
Direção de Juscelino Zilio, texto de Gláucio Karas.
Elenco: Ademar Volpi, Edy Nascimento, Gláucio Karas, Juscelino Zilio e William Barbier.
De 07 a 29 de agosto, às 21 horas, Teatro Barracão, Rua 13 de maio, 160, Curitiba.

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Andrzej Duda toma posse como Presidente da Polônia


O presidente eleito da Polônia, o conservador e nacionalista Andrzej Duda, tomou posse nesta quinta-feira de seu cargo, respaldado pelo principal partido da oposição na Polônia, PiS - Direito e Justiça, após sua vitória nas eleições presidenciais realizadas no último mês de maio.
Duda, sexto presidente da Polônia desde a queda do comunismo em 1989, se dirigiu em uma sessão conjunta ao parlamento e ao Senado em discurso no qual defendeu uma maior presença da OTAN na Europa Oriental e pediu mudanças na política externa polaca. "Mas mudanças que não representem uma revolução", esclareceu.


Em sua mensagem, Andrzej Duda (pronuncia-se ándjei dúda), de 43 anos, também defendeu "reforçar" a posição da Polônia na União Europeia e o fortalecimento do exército.
O país centro-europeu realizará eleições generais no próximo mês de outubro, para as quais as últimas pesquisas apontam que o Partido da Plataforma Cívica / PO - Plataforma Obywatelstwa) poderia perder sua hegemonia e passar o bastão ao PiS, após oito anos de governo.
Na Polônia, é o primeiro-ministro quem controla o governo, enquanto o presidente exerce sua influência como chefe de Estado, das forças armadas e principal responsável em política externa, além de dispor da faculdade de propor e vetar leis.


sábado, 25 de julho de 2015

As mais saborosas sopas polacas

Łódź, 1964 - Foto: Miroslaw Stankiewicz / Forum
Os polacos são apaixonados por sopas. A maioria delas são originárias de um passado distante: algumas sequer foram mencionadas em livros de receitas antigas francesas, como as publicações de Escoffier ou Ali-Bab.
Em casas de famílias e restaurantes de comida caseira servem sopas em sua versão rural tradicional.
Elas são servidas com carne (às vezes com vegetais apenas) caldo de carne, pedaços de carne, salsichas, vegetais, ovos cozidos, macarrão ou cereais e contrastam com os cremes "veloutés" ou "Moulines" mais comuns no sul da Europa.
Alguns chefs renomados, como por exemplo Wojciech Modest Amaro, cujo restaurante recebeu a primeira estrela Michelin na Polônia, transforma sopas tradicionais em pratos modernistas.

Żurek
Żurek - foto: Katarzyna Klich / East News
É um sopa azeda de centeio (Żur, Żurek - pronuncia-se jur, júrék).
Mais especificamente, ela é um fermentado de farinha de centeio. É uma das sopas da moda mais surpreendentes, mais saborosas e mais antigas na Polônia.
O Żurek, onipresente, é preparado em inúmeras variações regionais. É a comida típica polaca da zona rural, que independentemente da profissão e do status social é consumida quase o ano todo.
A acidez do centeio, ou o azedo, vem de uma mistura de líquido fermentado naturalmente de água, com temperos e a farinha de centeio.
O fermentado pode ser comprado em garrafas em mercados, mas é fácil de fazer em casa.
Coloque a farinha de centeio em uma jarra grande, misture com água, especiarias e cubra com um pano limpo que permita o acesso de ar fresco. Depois de algum tempo, está pronto para ser usado.
Durante o processo de fervura, a sopa irá engrossar um pouco devido à farinha. O que os polacos adicionam à sopa depende de velhos hábitos, e irá variar de acordo com a região do país: alguns usam bacon defumado, carne, purê de batatas, ovos cozidos, cogumelos secos ou em conserva, mas também usam uma saborosa linguiça de porco, aromatizada e chamada de "salsicha branca" (kiełbasa biała).
Tradicionalmente esta sopa é servida na Páscoa. A versão vegetariana é frequentemente servida na vigília de Natal: esta é preparada com cogumelos secos da floresta, e por vezes, com rábano, batatas e ovos.
Existe uma famosa variação, o barszcz biały (sopa azeda branca), que é muito semelhante ao Żurek, mas que usa farinha de trigo fermentada ou zalewajka (e não de centeio). Ela é uma especialidade regional bem comum na zona central da Polônia.

Barszcz czerwony
(Sopa azeda vermelha, ou consomê de beterraba vermelha)
Sopa de beterraba azeda - Foto: Katarzyna Klich / East News
A beterraba é consumida durante todo o ano na Polônia, porque é reconhecida por ser saborosa e saudável.
Sopa de beterraba, chamado de "barszcz vermelha" é a preparação mais comum da beterraba no país.
Existem inúmeras variações da mesma. O barszcz (pronuncia-se bár-ch-tchde todos os dias, geralmente é servido com batatas, feijão cozido ou ovos cozidos.
Em festas e casamentos, ela é acompanhada por vários tipos de pequenos bolinhos salgados (kulebiaki, kapuśniaczki).
O barszcz tradicional consiste de um líquido fermentado que tem de ser preparado com dias de antecedência. 
Ele é feito de beterraba crua que se tornam ácidas naturalmente graças à fermentação em água e sal com alho e outras especiarias.
O tal líquido (zakwas) não é usado só para barczcz, mas pode ser tomado como uma bebida saudável.
O ponto alto do consumo do barszcz na Polônia é na vigília de Natal em sua versão vegetariana tradicional. Pois, não é apenas uma simples sopa, mas um dos símbolos da culinária polaca Natalina.
É servido com pequenos pierogi (pastelzinhos recheados, ou raviolis para os italianos) recheados com uma preparação de bolotas secas com cebola frita chamadas de "uszka" em idioma polaco, que literalmente significa "pequenas orelhas". 
O barszcz com pequenos pierogi também é servido em restaurantes caros durante todo o ano.
Os primeiros registros da existência do barszcz datam do início do século dezesseis (anos 1500).
No verão, os polacos desfrutam também da botwinka, que é o nome para uma sopa feita de beterrabas jovens com suas raízes, caules e folhas.

Uma receita
Ingredientes
- 2 litros de caldo de osso buco e legumes (cenoura, salsinha, cebolinha, aipo, alho porró, caldo de legumes)
- 2 maçãs
- 2 cenouras
- 800 gramas de beterraba
- 2 cebolas
- 2 dentes de alho
- 2 folhas de louro
- 2 a 4 cogumelos secos
- 5 grãos de pimenta do reino
- 5 grãos de pimenta da Jamaica
-  suco de um limão
- e salsinha picada

Modo de fazer
Cortar a beterraba descascada em pedaços médios. Adicionar no caldo, junto com os outros ingredientes e cozinhar por 1 hora e meia.
Adicionar mais água se necessário.
Passar na peneira. Colocar na sopeira de porcelana e juntar salsa picadinha. Servir com ovos cozidos, capeletti, ou pierogi recheados com carne.

Zupa Ogórkowa
Sopa do pepino (ogórkowa) - Foto: http://www.dobrzejemy.pl
A sopa de pepino azedo é feita com pepinos desfiados ou picados e pode ser considerada também como uma sopa tipicamente polaca, pois ela é onipresente na culinária diária.
Pepinos azedos são milernamente comuns na Polônia. São preparados de maneira semelhante ao chucrute (os invasores alemães da Polônia, através dos séculos, devem ter aprendido com os polacos como fazer ogórek kiszony), beterraba e farinha de centeio.
Eles fermentam em salmoura com especiarias, endro e alho. As bactérias naturais Lactobacillus cobrem a pele dos pepinos geralmente no verão, permitindo-lhes assim, fermentar.
Batatas ou arroz, endro picado são adicionados a sopa. O líquido produzido durante a fermentação é rica em vitaminas e minerais e pode ser bebido como um remédio para ressaca.

Chłodnik Litewski
Sopa gelada lituana
Chłodnik Litewski - Foto: Marianna Osko / East News
Esta é uma sopa rosa antiga, mas extraordinariamente vívida que é comumente consumida durante o verão.
Ela é feita de beterrabas jovens, com suas folhas e caules, mais leite azedo (ou kefir), suco de beterraba azeda (zakwas), endro e cebolinha fresca picada, pepino picado e ovos cozidos.
Um século atrás, a sopa ainda era servida com caudas de lagostins e carne de vitela, mas isso hoje em dia é um luxo.
A sopa é chamada de "lituana", porque ela se originou no território lituano (Polônia e Lituânia uniram-se inicialmente como reino no fim do século quatorze e em 1530 como a República das Duas Nações - sendo a primeira república no mundo pós-renascimento).
As receitas tradicionais aconselham adicionar muito creme de leite fresco que, hoje em dia, pode parecer excessivo por causa do teor de gordura e calorias. Alguns cozinheiros adicionam rabanetes e pepinos picados.
Hoje em dia o acompanhamento mais popular para a sopa é ovos cozidos ou batatas.

Kapuśniak
Sopa de repolho azedo
Kapuśniak - Foto: Lubomir Lipov / East News
Esta sopa rústica é feita com repolho azedo (repolho fermentado) com bacon defumado, costelas, linguiça, batata e especiarias como folhas de louro, pimenta, páprica doce; alguns também adicionar um pouco de pasta de tomate.
Há versões da sopa que usam uma mistura de repolho azedo com repolho fresco no verão, ou apenas couve branca.
Por séculos o repolho tem sido um dos suportes da dieta da Polônia.
No outono e inverno, a sopa de repolho é frequentemente preparada com um caldo feito de bacon ou costelas defumadas.
Ela está disponível em qualquer restaurante de comida tradicional polaca. No sul da Polônia, há uma versão chamada "kwaśnica" que tem uma longa história na zona rural.
Esta versão local era tradicionalmente servida após o abate de um porco.

Uma receita
Ingredientes
- 2 kg de repolho azedo (chucrutes)
- 2 joelhos de porco
- 2 kg de batatas
- 250 gr de margarina
- 4 colheres de sopa de farinha de trigo
- 500 gr de tomates louro, sal, pimenta do reino e da Jamaica

Modo de fazer
Cozinhar o joelho de porco aproximadamente uma hora. Após, colocar o repolho azedo, tomate cortado (sem pele), sal, pimenta, louro e cozinhar até ficar mole. Neste meio tempo, cozinhar as batatas com sal em panela separada. Misturar tudo. Adicionar a farinha de trigo com a margarina e colocar na sopa, dando uma fervida.
(esta porção dá para 10 pessoas)


Zupa owocowa
Sopa de frutas
Sopa de fruta - Foto: Maike Jessen / East News
Por mais estranho que possa parecer aos estrangeiros, nas famílias tradicionais e nas escolas, as pessoas comem sopas de frutas, no verão como prato principal. Elas são servidas com macarrão ou croutons.
Quando é época, os morangos, framboesas ou mirtilos são baratos na Polônia. As pessoas geralmente compram em sacos e os consumem em grandes quantidades.
No entanto, as sopas de frutas parecem estar um pouco esquecidas atualmente, já que agora há uma ampla variedade de pratos da culinária mais acessíveis.

Rosół
Caldo de três carnes
Rosół - Foto: East News
Os polacos costumam se servir de um caldo de carne como prato de entrada no seu jantar de domingo.
A versão simples geralmente exige um tipo de carne. A versão tradicional usa três ou ainda mais tipos de carnes, como frango, vitela e carne, que são cozidos juntos por várias horas, com legumes, especiarias e ervas. É servido com macarrão de vários formatos, ou bolinhos de Kluski (gnocchi ou nhoqui).

Krupnik
Sopa de cevada
Sopa de cevada (Krupnik) - Foto: Andrzej Zygmuntowicz
Durante os invernos rigorosos polacos, as sopas grossas com grumos de cevada ou de outros grãos são um excelente remédio contra resfriado.
O "Krupnik" é uma sopa tradicionalmente feita com grumos (grânulo; pequeno coágulo; caroço) de cevada, e vem da palavra "krupy", ou seja, mingau.
No entanto, muitas pessoas usam vários tipos de grumos e carnes.
O Krupnik também é uma boa opção saudável para os vegetarianos no inverno. Em oposição ao azedo (ácido) da sopa de centeio, beterraba ou pepino, o Krupnik não é ácido. Muitas vezes, é servido às crianças. Em idioma polaco, a palavra "Krupnik" tem outro significado também.
Ele também é um tipo de doce de vodka com mel e ervas, que você pode encontrada em qualquer loja de bebidas polaca, preparada através de fórmula tradicional polaca.

Czarnina
Sopa de sangue de pato
Czernina (ou czarnina) - Foto: Andrzej Zygmuntowocz
Num passado não tão distante, a Polônia era um país multicultural. Algumas especialidades regionais sobreviveram, apesar das mudanças históricas.
A czernina (ou czarnina - pronuncia-se Tcharnína) é uma sopa feita de sangue de pato e caldo de aves com especiarias, frutas secas, macarrão fino ou pequenos bolinhos de massa.
Durante o século 19, a sopa tinha um significado cultural, pois era servida aos jovens que pediam a mão de sua pretendida, depois que os pais dela rejeitavam sua proposta.
Ela ainda é uma especialidade na região da Kaszubia e Wielkopolska (Grande Polônia - no Norte e Oeste do país).

Wodzionka
Sopa de pão velho

É uma sopa da região da Silésia (Sul da Polônia) feita de pão velho, com muita água e gordura. É preparada por imersão em água fervente do pão junto com alho, pimenta, folhas de louro e outros temperos, bacon, banha ou manteiga. É servido com batatas.

E mais uma ... Flaki!
Sopa de tripas
Flaki - Foto: Andrzej Zygmuntowicz
Para um convidado desavisado de um jantar a tigela de flaki pode parecer uma sopa de macarrão grosso, mas na verdade, são tiras de bucho servido em caldo com sabor de manjerona. O prato segundo rumores era um  dos favoritos do rei Władysław Jagiełło.

Texto: Magdalena Kasprzyk-Chevriaux
Tradução para o português: Ulisses Iarochinski


P.S.1 A Madzia acabou não comentando sobre a melhor das sopas polacas...a mais saborosa e a mais característica, que é a minha preferida, e principalmente se for servida dentro de uma broa, ou pão caipira polaco: Zupa grzybowa. Assim anexo, apresento uma receita bastante saborosa:

Zupa grzybowa z suszonych grzybów
Sopa de cogumelos secos
Zupa z grzybamy do restaurante Chłopskie Jadło de Cracóvia - Foto: Ulisses Iarochinski
Ingredientes
- 3 cogumelos secos - do tipo borowik (bem vistosos)
- costeletas de porco
- cenoura
- salsa
- aipo
- pimenta
- sal
- 3 colheres de sopa de manteiga
- uma cebola
- folha de louro
- pimenta da Jamaica

Modo de preparar
Colocar as costeletas enxaguadas em uma panela e em seguida a água para cozinhar. Em seguida, adicione um pouco de sal à água, jogue a folha de louro e 2 a 3 grãos da pimenta da Jamaica.
Agora vamos deixar a sopa para cozinhar por aproximadamente 10 minutos sob a tampa.
Enquanto isso, descasque e corte as cenouras, salsa, aipo e depois coloque os legumes na panela da sopa. Se você quer que sua sopa com cogumelos seja mais nutritiva, adicione as batatas descascadas e cortadas.
Agora deixe ferver os cogumelos durante cerca de 15 minutos. Este é o momento certo para preparar os cogumelos. Os cogumelos devem ser cortados em fatias e fritos na manteiga com cebola picada e, só depois, adicione-os à sopa que está sendo preparada. Deste ponto em diante, cozinhe por mais 10 minutos.
Para servir corte a broa no alto, como se estivesse recortando uma tampa....retire parte do miolo e preencha com a sopa preparada.

P.S 2 - As receitas do barszcz e do Kapuśniak também foram acrescentadas por mim, ao texto da Madzia.

Os vários tipos de cogumelos encontrados nas feiras livres (de rua) da Polônia. São tantas as cores e formatos, que faria inveja aos descendentes de japoneses e suas culturas em Cotia-SP...pois lá não existem apenas shitakis.


Diferentes cogumelos na Feira livre em Varsóvia

terça-feira, 7 de julho de 2015

A culpa da crise grega é militarismo

Texto: Finian Cunningham
Strategic Culture Foundation



Se a história do militarismo na Grécia tiver algo a ensinar, uma crise da dívida ao estilo grego aguarda os países bálticos, a Polônia e a Escandinávia.

Uma consequência importante do conflito na Ucrânia e do crescente clima de confronto entre o Ocidente e a Rússia é o aumento dramático dos gastos militares em vários países europeus.

A militarização sem precedentes de muitas economias da Europa é o prenúncio de um futuro desastroso e dívidas impagáveis, à moda grega, para esses países. Em maior risco de uma ressaca por excesso de gastos militares nos próximos anos estão os Estados bálticos, a Polônia e os países escandinavos.

Este cenário pode de fato explicar por que Washington e seus aliados mais próximos da OTAN embarcaram no que parece ser um confronto geopolítico imprudente com a Rússia.
A tensão alimentada – principalmente por Washington – pela suposta ameaça russa leva, por sua vez, à lucrativa venda de armas ao Pentágono e seu complexo militar-industrial.

O Secretário Geral da OTAN Jens Stoltenberg garantiu recentemente que a aliança militar liderada pelos Estados Unidos "não seria arrastada para uma corrida armamentista com a Rússia". Mas é exatamente o que parece estar em curso, pelo menos entre os membros ou parceiros da OTAN do Leste europeu e da Escandinávia.

A agenda de confronto – articulada com particular veemência por Washington – não é tanto para instigar uma guerra total entre a OTAN e a Rússia.
O ex-embaixador americano na Rússia Michael McFaul afirmou na semana passada que "só um tolo invadiria a Rússia". Esta afirmação pode dar a medida exata dos cálculos de Washington.
Apesar da atual postura militar agressiva liderada pelos Estados Unidos contra a Rússia, o objetivo real pode não ser, na verdade, uma guerra com Moscou, mas a criação de um clima de medo e insegurança em relação a uma suposta ameaça russa para impulsionar os gastos militares dos membros da OTAN já mencionados.
Em seu último relatório sobre gastos militares na Europa, o Stockholm International Peace Research Institute (SIPRI) observa: "A crise política e militar na Ucrânia levou a uma importante reavaliação das percepções de ameaças e das estratégias militares em grande parte da Europa. O aumento da percepção de ameaça elevou os gastos militares na Europa, levando à renovação por membros da OTAN do compromisso em destinar pelo menos 2% do seu PIB a este setor".

Entre os crescentes orçamentos militares para 2015, em comparação com o ano anterior, estão: República Tcheca (3,7%), Estônia (7,3%), Letônia (15%), Lituânia (50%), Noruega (5,6%), Polônia (20%), Romênia (4,9%), Eslováquia (7%), e Suécia, que não é membro da OTAN (5,3%).

Sintomaticamente, a maioria dos membros da OTAN da Europa ocidental está reduzindo ou congelando suas despesas militares. É o caso da Grã-Bretanha, França, Alemanha, Itália, Portugal, Dinamarca e Espanha.

Entre os que aumentaram seus gastos militares, a Polônia tem a maior despesa, de cerca 35 bilhões de dólares até 2022.
Em comparação, os Estados bálticos da Lituânia, Letônia e Estônia têm gastos muito menores em termos absolutos. Mas o que importa aqui é o gasto em relação a economias bem menores.

Como nota o relatório do SIPRI: "Em médio e longo prazo, o aumento de 80% ou mais em gastos militares, exigido por alguns Estados membros para atingir a meta de 2%, não tem precedentes entre os membros da OTAN em tempos de paz. Desde o fim da Guerra da Coreia (1950-1953), a tendência dos orçamentos militares de quase todos os membros da OTAN, em termos de percentagem do PIB, tem sido de baixa ou estável, mesmo nos períodos de maior tensão com a União Soviética”.

Os Estados Unidos, o maior exportador mundial de armas, tem muito a ganhar com o crescimento dos orçamentos e a ampliação do mercado europeu, através da venda de sistemas de mísseis, tanques, navios de guerra e aviões de combate. O bônus adicional para o FMI (dominado por Washington) é que, se o aumento das despesas militares levar ao endividamento destes países, sua futura fragilidade econômica permitirá a expropriação destas economias através de políticas de austeridade em benefício do capital financeiro global. O processo não é muito diferente do que ocorreu com a Grécia.

No dilúvio de reportagens da mídia ocidental sobre a crise da dívida grega, um aspecto fundamental continua estranhamente escondido: o fato de que grande parte do peso da dívida da Grécia, de 320 bilhões de dólares, é resultado de décadas de militarismo exorbitante. Algumas estimativas atribuem quase metade do total da dívida – mais de 150 bilhões de dólares – a gastos militares.

Antes do início da atual crise da dívida, em 2010, a Grécia alocava cerca de 7% do seu PIB em despesas militares, enquanto muitos outros países europeus destinavam ao setor cerca de 2% do PIB.
Mesmo agora, cinco anos após o colapso econômico, a Grécia ainda é o país com maior gasto militar na União Europeia – com 2.2% do PIB. Dos 28 membros da aliança militar da OTAN, a Grécia é o país com maior gasto proporcionalmente, depois apenas dos Estados Unidos, que destinam cerca de 3,8% do PIB às despesas militares.

O governo grego de Alexis Tsipras e os credores institucionais entre a União Europeia, Banco Central Europeu e do FMI têm cuidadosamente ignorado uma opção óbvia para ajudar a equilibrar as contas da Grécia: um corte importante no investimento militar.

Se a Grécia reduzisse seu gasto militar pela metade, para cerca de 1% do PIB, mesma fatia destinada ao setor pela Itália, Bélgica, Espanha ou Alemanha, haveria uma economia de dois bilhões de dólares, o que atenderia às demandas imediatas do FMI e poderia atenuar as drásticas medidas de austeridade exigida pela Troika.

Mas há um bom motivo para que a Troika venha ignorando essa opção. A extravagância militar da Grécia dos últimos anos tem sido uma mina de ouro para a indústria de armas alemã, francesa e americana. Dos 150 bilhões de dólares em despesa militar da Grécia até 2010, 25% foram para a Alemanha, 13% para a França e 42% para os EUA, de acordo com dados do SIPRI.

Não é por acaso que os maiores credores institucionais da Grécia são os governos alemão e francês – aos dois juntos, a Grécia deve 100 bilhões de dólares. Grande parte do capital emprestado por estes países foi, em seguida, aplicado na compra de armas alemãs e francesas, como tanques Leopard e caças Mirage, além de F-16 americanos.

Em entrevista ao The Guardian, em abril de 2012, o parlamentar grego Dimitris Papadimoulis acusou Berlim e Paris de hipocrisia: "Bem depois do início da crise econômica (em 2010), Alemanha e França tentavam selar acordos lucrativos de vendas de armas enquanto nos pressionavam a fazer severos cortes em áreas como a saúde”.

Assim, Berlim e Paris inflacionavam intencionalmente a dívida da Grécia, um grande mercado para suas indústrias de defesa. Essa roda financeira também girava com a força da corrupção.
Em outubro de 2013, Akis Tsochatsopoulous, ex-ministro da defesa da Grécia no governo PASOK, foi condenado a 20 anos de prisão por participação em um caso de suborno de 75 milhões de dólares envolvendo dezenas de outros membros do governo.
A empresa alemã Ferrostaal também foi obrigada a pagar 150 milhões de dólares por seu papel no caso de contrabando de armas que, entre outras coisas, garantiu a venda de quatro submarinos da Class 214 para a Grécia, por cerca três bilhões de dólares.

O conveniente bicho-papão no cenário grego foi a Turquia, que invadiu o Chipre em 1975, e era retratada como uma ameaça permanente à segurança da Grécia. Washington, Berlim e Paris, junto com políticos corruptos em Atenas, davam ênfase à ameaça turca para pôr em marcha a máquina de empréstimos e compras militares. O triste fim desta história é a crise da dívida grega, que se desdobrou no estupro econômico do país, liderado pelo FMI e os poderosos da União Europeia, principalmente Berlim e Paris.

Outra ironia nesta tragédia grega moderna é que a alegada ameaça, tão enfatizada por Washington e seus aliados europeus, que levou à intensa militarização da Grécia, era um aliado da OTAN, a Turquia. O que será que aconteceu com o Artigo 5 do Tratado da OTAN, sobre segurança coletiva, durante todos esses anos de insegurança?

Como é fácil, então, para Washington e seus aliados da OTAN, apresentar a Rússia com os mesmos velhos estereótipos da Guerra Fria, como uma ameaça de segurança para a Europa Oriental e Escandinávia!

A julgar pelo aumento dos gastos militares por países da Europa do Leste e da Escandinávia, a estratégia está funcionando. O complexo industrial-militar dos EUA e seus homólogos alemães, franceses e britânicos têm bilhões de dólares a lucrar nos próximos anos com os menores membros da OTAN, que estão tola e convenientemente apavorados com o "fantasma russo".

Se a história do militarismo na Grécia tiver algo a ensinar, uma crise da dívida ao estilo grego aguarda os países bálticos, a Polônia e a Escandinávia.

Proteção da OTAN? O mais correto seria chamar de armação da OTAN.

Tradução de Clarisse Meireles

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Exposição: "Como um polaco construiu ferrovias no Brasil"


Acontece hoje, dia 6 de julho, às 20 horas, a abertura da exposição: "História da Família Wierzbowski",  na sede da Casa da Cultura Polônia Brasil, Rua Ébano Pereira, 502 - Curitiba/PR.
A exposição conta com o apoio do Consulado Geral da República da Polônia em Curitiba, Casa da Cultura Polônia Brasil, Sociedade Polono-Brasileira Tadeusz Kosciuszko, Braspol e Sociedade Polono-Brasileira Marechal Pilsudski.

A exposição fica aberta à visitação até 17 de julho de 2015.

História da família Wierzbowski
Como um polaco construiu ferrovias no Brasil...

No dia 28 de julho do ano 2005, a Biblioteca Silesiana na Polônia recebeu solenemente um presente especial: o patrimônio da família Wierzbowski. A coleção única do seu gênero, doada pelos herdeiros Jerzy Łuka e Ewa Sońska, consiste em diversos documentos da família, arquivos fotográficos e mapas feitos a mão. Ilustra a incrível história da família Wierzbowski, primeiramente ligada às terras polacas sob ocupação russa, depois à Silésia Maior, e finalmente, sua vida no país distante, no Brasil.
Demostra a persistente luta pela polonidade e um patriotismo inabalável. Os documentos mais antigos da coleção datam da primeira metade do século XIX, entre eles, um diploma de 1847 „Heroldya do Reino Polaco” confirmando o título de nobreza de Tomasz Wierzbowski, com brasão de Lubicz.
Porém, os mais curiosos e raros são os materiais referentes à emigração de Teofil Witold Wierzbowski para o Brasil; engenheiro e construtor de ferrovias no Brasil.
As imagens registradas por ele formam um testemunho único do processo da construção de ferrovias no Paraná entre os anos 1909 e 1914.
Não menos interessante é um mapa do Estado, feito em próprio punho por Teofil Witold Wierzbowski. E finalmente, temos os interessantes documentos da Silésia Maior, onde a família se estabeleceu nas décadas entre guerras.
O herdeiro e doador da coleção, Jerzy Łuka, mora ali até os dias de hoje. Sua mãe, Sra. Zofia Łuka (de solteira: Wierzbowska), filha do construtor, que ainda lembra os tempos da emigração, mora hoje em Rzeszów.
Esta coleção foi cuidadosamente organizada, e os manuscritos, as fotografias e mapas enriqueceram o acervo da Biblioteca Silesiana.
Hoje apresentamos uma parte especial dessa coleção, na exposição sob o título: “Como um polaco construiu ferrovias no Brasil...”, contendo as fotos tiradas na selva brasileira por um imigrante e engenheiro polaco, construtor de ferrovias no Brasil, Teofil Witold Wierzbowski.
Graças à sua paixão por fotografia, podemos nos transportar no tempo e espaço de um país distante. Em cor sépia podemos admirar as incríveis paisagens do início do século XX e as pessoas, encarando com bravura a natureza selvagem. Essa viagem é de fato incrível e fascinante ....