quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

130 anos da Colônia Antonio Prado no Paraná

Participei na manhã deste domingo, 4 de dezembro, das comemorações dos 130 anos da Colônia Antônio Prado.


O dia começou cedo. Às 8h30 minutos foi rezada missa, na Igreja Santo Antonio, intercalada de discursos do diácono, do presidente da Associação dos Descendentes, promotora do evento, e de Rafael Kazubek. Também foram entregues certificados aos descendentes das primeiras famílias da colônia.
Terminada a missa houve a inauguração do monumento com placas dos nomes das primeiras famílias de imigrantes e de um pequeno histórico da colônia.
Em seguida, fiz palestra, diante do monumento, contando curiosidades da imigração das três etnias, deturpações das grafias dos sobrenomes polacos, Guerra do Contestado, descobrimento do Brasil e contribuições da cultura polaca para o Brasil.

Igreja Santo Antonio na Colônia Antonio Prado

A colônia Antônio Prado foi dividida ao meio, estando atualmente em dois municípios, parte em Almirante Tamandaré e outra parte em Colombo, na região metropolitana de Curitiba. A igreja e seu salão de festas, mais o cemitério estão em Almirante Tamandaré.

A colônia foi fundada, por lei estadual, em 15 de agosto de 1886, "em terrenos comprados pelo Estado, no município de Curityba distante 16 km da cidade." (Jornal Gazeta Paranaense de 10 de Setembro de 1887, pág. 01). Com uma superfície de 4,149:566,24 metros quadrados; dividida em 54 lotes, mais uma área reservada de 116097,08 metros quadrados para casa escolar, moradia do professor e capela.

Mapa da divisão dos 55 lotes - Arquivo do Instituto de Terras e Cartografia do Paraná

A colônia foi estabelecida em terras compradas pelo governo provincial do senhor 

O Jornal Gazeta Paranaense ,de 21 de Setembro de 1886, publicou em sua primeira página os valores da transação:
"A thesouraria de fazenda. – Mande v. s. pagar a Roberto Lunkmoss, pelo credito destinado a compra de terras para localisação de immigrantes, a quantia de Rs. 10:288$032 correspondente a 857.336 b2 de terrenos comprados ao mesmo para o estabelecimento do núcleo Antonio Prado e mais Rs. 558$300, importância da indemnisação de bemfeitorias, constantes de duas casas de morada existentes em taes terrenos, perfazendo tudo a quantia de Rs. 10:846$332."

Segundo despacho de 31 de janeiro de 1887, do agente Cândido R. Soares de Meirellles, da Agência Oficial de Colonização de Curitiba, foram assentados na Colônia Antônio Prado: um casal de brasileiros; 73 pessoas de nacionalidade italiana, sendo 19 homens, 16 meninos menores de 10 anos de idade, 23 mulheres e 15 meninas menores de 10 anos de idade; 107 pessoas de nacionalidade polaca, sendo 32 homens, 29 meninos menores de 10 anos de idade, 22 mulheres e 24 meninas menores de 10 anos de idade. Num total de 182 pessoas.

Num quadro da Agência Oficial de Colonização de Curitiba encontramos uma a uma as pessoas assentadas na Colônia Antonio Prado, constando seus nomes, idade, nacionalidade, estado civil, sexo e número do lote colonial destinado:

COLÔNIA ANTÔNIO PRADO - CURITIBA / 1886


Nº de ordem
Nomes
Ida­de
Nacionali­dade
Estado Civil
Sexo
Nº do Lote
1
1º 
Franz Schlichtg
31
Polaca
Casado
M
1
2
Rozália Schlichtg
35
Polaca
Casada
F
3
Franz
9
Polaco
Solteiro
M
4
Juliana
4
Polaca
Solteira
F
5
Maria
5
Polaca
Solteira
F
6
Miguel Kubis
52
Polaco
Viúvo
M
3
7
Peter
28
Polaco
Casado
M
8
Maria
21
Polaca
Casada
F
9
Catharina
12
Polaca
Solteira
F
10
Martino
17
Polaco
Solteiro
M
11
Hisbertha
16
Polaca
Solteira
F
12
Paul
11
Polaco
Solteiro
M
13
Stephan
9
Polaco
Solteiro
M
14
Joan
5
Polaco
Solteiro
M
15
Andreas Ku­bis
70
Polaco
Casado
M
21
16
Francisca
50
Polaca
Casada
F
17
Miguel
16
Polaco
Solteiro
 M
18
4
Blauziere Bozegite
31
Polaco
Casado
M
15
19
Tecla
28
Polaca
Casada
F
20
Francisca
8
Polaca
Solteira
F
21
Franz
6
Polaco
Solteiro
M
22
Maria
5
Polaca
Solteira
F
23
Joan
3
Polaco
Solteiro
M
24
Juliana
1
Polaca
Solteira
F
25
5
Bruno Miolete (Milek)
40
Polaco
Casado
M
26
26
Christina
36
Polaca
Casada
F
27
5
Sophia
12
Polaca
Solteira
F
28
Catharina
16
Polaca
Solteira
F
29
Peter
8
Polaco
Solteiro
M
30
Alberto
3
Polaco
Solteiro
M
31
Josef
9 mezes
Polaco
Solteiro
M
32
6
Jacob Masciosh
29
Polaco
Casado
M
33
33
Rozália
24
Polaca
Casada
F
34
Christof
2
Polaco
Solteiro
M
35
7
Gaspar Golmi
53
Polaco
Casado
M
36
Francisca
46
Polaca
Casada
F
37
8
Simão Pampuh
37
Polaco
Casado
M
38
Barbara
32
Polaca
Casada
F
39
Joan
11
Polaco
Solteiro
M
40
Franz
8
Polaco
Solteiro
M
41
Juliana
6
Polaca
Solteiro
F
42
Paulina
4
Polaca
Solteira
F
43
Josef
2
Polaco
Solteiro
M
44
9
Roberto Manika
36
Polaco
Casado
M
28
45
Carolina
34
Polaca
Casada
F
46
Maria
6
Polaca
Solteira
F
47
Suzana
3
Polaca
Solteira
F
48
Josef
6  mezes
Polaco
Solteiro
M
49
10º
Francisca Hosk
67
Polaca
Viúva
F
50
Ignatz Felippe
28
Polaco
Casado
M
8
51
Margarida
28
Polaca
Casada
F
52
Maria
4
Polaca
Solteira
F
53
10º
Franz
6 Mezes
Polaca
Solteiro
M
54
11º
Juhan Rudoska
39
Polaco
Casado
M
16
55
Juliana
33
Polaca
Casada
F
56
Johan
12
Polaco
Solteiro
M
57
Anna
10
Polaca
Solteira
F
58
Carlos
8
Polaco
Solteiro
M
59
Leopoldo
5
Polaco
Solteiro
M
60
Victorino
3
Polaco
Solteiro
M
61
12º
Paul Klimeck
25
Polaco
Casado
M
6
62
Juliana
24
Polaca
Casada
F
63
Johan
1
Polaco
Solteiro
M
64
Maria Dusk
15
Polaca
Solteira
F
65
13º
Josef Schilisting
42
Polaco
Casado
M
2
66
Juliana
38
Polaca
Casada
F
67
Maria
17
Polaca
Solteira
F
68
Elisabeth
15
Polaca
Solteira
F
69
Agnes
13
Polaca
Solteira
F
70
Josef
8
Polaco
Solteiro
M
71
Alberto
1
Polaco
Solteiro
M
72
14
Franz Filla
26
Polaco
Casado
M
27
73
Juliana
28
Polaca
Casada
F
74
Rozália
3
Polaca
Solteira
F
75
Josef
2 mezes
Polaco
Solteiro
M
76
15
Johan Schilichting
30
Polaco
Casado
M
11
77
Agath
29
Polaco
Casado
F
78
Anna
4
Polaca
Solteira
F
79
15
Eduvig
3
Polaca
Solteira
F
80
Maria
2
Polaca
Solteira
F
81
16
Johan Gosit
28
Polaco
Casado
M
20
82
Eduvige
25
Polaca
Casada
F
83
Rozalia
1
Polaca
Solteira
F
84
17
Adalberto Piekas
32
Polaco
Casado
M
14
85
Maria
32
Polaca
Casada
F
86
Rockus
6
Polaco
Solteiro
M
87
Miguel
5
Polaco
Solteiro
M
88
Rozalia
3
Polaca
Solteira
F
89
Paulina
6 mezes
Polaca
Solteira
F
90
18
Johan Campa
41
Polaco
Casado
M
10
91
Bertha
45
Polaca
Casada
F
92
Peter
12
Polaco
Solteiro
M
93
Maria
10
Polaca
Solteira
F
94
Paulina
4
Polaca
Solteira
F
95
Victoria
1
Polaca
Solteira
F
96
19
Josef Piahhoh
35
Polaco
Casado
M
97
Josephina
35
Polaca
Casada
F
98
Anna
8
Polaca
Solteira
F
99
Rosária
4
Polaca
Solteira
F
100
Antonio
1
Polaco
Solteiro
M
101
20
Miguel Kolowisk
48
Polaco
Casado
M
19
102
Catharina
40
Polaca
Casada
F
103
Paulina
19
Polaca
Solteira
F
104
Miguel
17
Polaco
Solteiro
M
105
20
Julio
7
Polaco
Solteiro
M
106
Franz
4
Polaco
Solteiro
M
107
21
Thomaz Coradaccio
42
Italiano
Casado
M
25
108
Elizabeth
36
Italiana
Casada
F
109
Pedro
16
Italiana
Solteiro
M
110
José
11
Italiano
Solteiro
M
111
João
7
Italiano
Solteiro
M
112
João Batista Balzick
30
Polaco
Solteiro
M
15
113
22
Maria Toniata
65
Italiana
Viúva
F
34
114
Margarida Toniata
55
Italiana
Viúva
F
115
23
Antonio Coradesio
56
Italiano
Casado
M
4
116
Santa
56
Italiana
Casada
F
117
Joanna
17
Italiana
Solteira
F
118
Valentino Coradacio
54
Italiano
Viúvo
M
119
24
Diogo Mariana
59
Italiano
Viúvo
M
13
120
Antonio
22
Italiano
Solteiro
M
121
25
Colman Anna
50
Polaca
Viúva
F
31
122
Antonio Luiz
16
Italiano
Solteiro
M
123
Maria
10
Italiana
Solteira
F
124
26
Jacome Antoniaco
34
Italiano
Casado
M
18
125
Ana
32
Italiana
Casada
F
126
David
5
Italiano
Solteiro
M
127
João
2
Italiano
Solteiro
M
128
Lucia
22
Italiana
Solteira
F
129
27
Previsto Joanni
25
Italiano
Casado
M
29
130
Valentina
25
Italiana
Casada
F
131

José
1
Italiana
Solteiro
M
132
28
Comis Floriano
40
Italiano
Viúvo
M
5
133
Maria
10
Italiana
Solteira
F
134
Elisabeth
8
Italiana
Solteira
F
135
Sebastião
5
Italiano
Solteiro
M
136
29
Coradacio Antonio
82
Italiano
Casado
M
9
137
Marianna
66
Italiana
Casada
F
138
Ambrosio
44
Italiano
Casado
M
139
Maria
47
Italiana
Casada
F
140
Marianna
11
Italiana
Solteira
F
141
Luiza
10
Italiana
Solteira
F
142
Maria
6
Italiana
Solteira
F
143
Pedro
4
Italiano
Solteiro
M
144
Ana
2
Italiana
Solteira
F
145
30
Ansneto Agostinho
40
Italiano
Solteiro
M
23
146
Maria
36
Italiana
Solteira
F
147
José
15
Italiano
Solteiro
M
148
Lucia
11
Italiana
Solteira
F
149
Valentim
9
Italiano
Solteiro
M
150
Anna
8
Italiana
Solteira
F
151
João
5
Italiano
Solteiro
M
152
Elizabetha
5
Italiana
Solteira
F
153
Esidoro
2
Italiano
Solteiro
M
154
Eustaquio
3
Italiano
Solteiro
M
155
Maria
1
Italiana
Solteira
F
156
31
Gregor Duchka
40
Polaco
Casado
M
7
157

Margaritha
39
Polaca
Casada
F
158
Joseph
16
Polaco
Solteiro
M
159
Maria
9
Polaca
Solteira
F
160
32
Valentim Wistuba
35
Polaco
Casado
M
12
161
Paulina
30
Polaca
Casada
F
162
Maria
9
Polaca
Solteira
F
163
Dorothea
7
Polaca
Solteira
F
164
Nicolau
2
Polaco
Solteiro
M
165
Leopoldo
8 mezes
Polaco
Solteiro
M
166
33
Guiomar Ferreira
40
Brasileira
Viúva
F
32
167
34
José Francisco
36
Brasileiro
Casado
M
37
168
Maria Josepha
26
Brasileira
Casada
F
169
Maria
6
Brasileira
Solteira
F
170
35
João Wanelli
40
Italiano
Casado
M
35
171
Francisca
35
Italiana
Casada
F
172
João
12
Italiano
Solteiro
M
173
36
Rigossi Pietro
35
Italiano
Casado
M
36
174
Maria
30
Italiana
Casada
F
175
Josef
12
Italiano
Solteiro
M
176
Maria
8
Italiana
Solteira
F
177
37
Antonieta Maria
40
Italiana
Solteira
F
34
178
Josef
16
Italiano
Solteiro
M
179
38
Bertolo Pontesoli
45
Italiano
Casado
M
38
180
Maria
40
Italiana
Casada
F
181
39
José Kusebeck
50
Polaco
Casado
M
30
182
Josepha
40
Polaca
Casada
F


Fonte: Arquivo Público do Paraná

Analisando os dados da Agência de Colonização de Curitiba, observa-se que na verdade eram 4 os brasileiros, segundo a tabela de Cândido R. Soares de Meirellles e não apenas um casal.
Também a discrepância na grafia dos nomes e sobrenomes é evidente, e isto devido a grafia germanizada dos documentos que os imigrantes polacos portavam, já que eram procedentes da Silésia polaca, ocupada pelos saxões (prussos e depois alemães) desde 1795, e pela tentativa de aportuguesar os nomes e sobrenomes fossem italianos, alemães ou polacos.

Convém, então, apresentar a grafia correta dos polacos e italianos:

POLACOS
- Alberto = Albert
- Adalberto = Wojciech (pronuncia-se: voitchiéhrrr)
- Agnes = Agnieszka (Inês, em português) (pronuncia-se: agniéchca)
- Agath = Agata (Águeda, em português)
- Ana = Anna
- Andreas = Andrzej (André, em português) (pronuncia-se: andjiei)
- Antonio = Antoni
- Bárbara = Barbara
- Batista = Baptysta
- Bertha = Berta
- Blauziere = Błażej (Brás, em português) (pronuncia-se: buájei)
- Bruno = Brunon
- Carlos = Karol
- Carolina = Karolina
- Catharina = Katarzyna (pronuncia-se: catajena)
- Christina = Krystyna
- Christof = Krzysztof (pronuncia-se: kjêchtóf)
- Dorothea = Dorota
- Elisabeth = Elżbieta (pronuncia-se: Eljibiéta)
- Eduvig / Eduvige = Jadwiga (Edvirges, em português) (pronuncia-se: iadviga)
- Franz = Franciszek (Francisco, em português) (pronuncia-se: frantchichék)
- Francisca = Franciszka (pronuncia-se: frantchichca)
- Gaspar = Kacper (pronuncia-se: cátsper)
- Gregor = Grzegorz (Gregório, em português) (pronuncia-se: gjegój)
- Hisbertha = Gisberta (pronuncia-se guisberta)
- Ignatz = Jgnacy (pronuncia-se: ignacê)
- Jacob / = Jakub (Jacó, em português) (pronuncia-se: iácub)
- Joan / Johan / Juhan = Jan (João, em português) (pronuncia-se: ian)
- Josef / José = Józef (pronuncia-se: iuséf)
- Josepha = Józefa (pronuncia-se: iuséfa)
- Josephina = Józefina (pronuncia-se: iuzéfina)
- Julio = Juliusz
- Juliana = Julianna
- Leopoldo = Leopold
- Maria = Maria
- Margarida = Małgorzata (pronuncia-se: maugójata)
- Martino = Marcin (pronuncia-se: martchin)
- Miguel = Michał (pronuncia-se: mirráu)
- Nicolau = Mikołaj (pronuncia-se: micóuai)
- Paul = Paweł (Paulo, em português) (pronuncia-se: páveu)
- Paulina = Paulina
- Peter = Piotr (Pedro, em português) (pronuncia-se: piótr)
- Roberto = Robert
- Rockus = Roch (Roque, em português) (pronuncia-se: Róhrrr)
- Rozália = Rozalia
- Simon = Szymon (Simão em português) (pronuncia-se: chêmon)
- Sophia = Zofia
- Stephan = Stefan (Estefano, em português)
- Susana = Suzanna
- Tecla = Tekla
- Victorino = Wiktorio
- Victoria = Wiktoria
- Valentim = Walenty

ITALIANOS
- Agostinho = Agostin
- Antonieta = Antonella 
- Ambrósio = Ambrogio
- David = Davide
- Elizabetha = Isabela
- Eustáquio = Eustachio
- Esidoro = Isidoro
- Francisca = Francesca
- João = Gian
- Jacome = Giacomo
- José = Giuseppe
- Luis = Luigi
- Margarida = Margherita
- Mariana = Marianna
- Pedro = Pietro 
- Sebastião = Sebastiano
- Thomas = Tommaso

GRAFIA DOS SOBRENOMES

SCHILICHTING
Quanto aos sobrenomes também existem evidentes germanizações. O mais claro é o da família "Schilichting" (que embora exista como alemão de origem), no caso destes imigrantes da Colônia Antonio Prado, que são polacos da Silésia (região ocupada pelos saxônicos - prussos, alemães - entre 1795 e 1918) a grafia correta em polaco é SZLICHTA e se pronuncia chlihrrrta (ch tem pronuncia de R gutural mudo). Uma tradução possível para português deste sobrenome seria: arenga, discurso, conflito.

Atualmente na Polônia existem 183 pessoas com o sobrenome Szlichta em 36 localidades e cidades. Em Dąbrowa Tarnowska existem 19 pessoas com este sobrenome. Ele está presente também em Sandomierz (17 pessoas), Ostrowiec Świętokrzyski (15 pessoas), Łomża (14 pessoas), Bytom (10 pessoas), em Tarnów e arredores (9 pessoas), em Bydgoszcz e arredores (9 pessoas), Szczecin (8), em Tarnobrzeg e arredores (8 pessoas) e em Częstochowa e arredores (6 pessoas).

COLMAN
Aparentemente, o agente de colonização de Curitiba anotou incorretamente a nacionalidade da senhora viúva Anna KOLMAN como sendo italiana. Pois tudo leva a crer que grafia correta é com a letra K do alfabeto polaco. Atualmente existem 585 pessoas com esse sobrenome em 88 localidades da Polônia. 

FILLA
O sobrenome Filla em idioma polaco se escreve apenas com um L. Atualmente existem 3474 pessoas com o sobrenome Fila, em 220 localidades. A maior concentração é na cidade de Opole (na Silésia), região de onde saíram os Fila da Colônia Antonio Prado (Almirante Tamandaré/Colombo-PR).

KUBIS
O sobrenome Kubis admite também em polaco a grafia Kubiś (pronuncia-se cubich) com acento agudo no S.
Atualmente existem 2190 pessoas com o sobrenome Kubis em 165 localidades e 2489 pessoas com o sobrenome Kubiś em 170 localidades da Polônia.

BOZEG
O sobrenome certamente é grafado em polaco com a letra Z acompanhada de um ponto em cima Ż, ou seja BOŻEG. A tradução seria literalmente: Natal (declinado). Não atualmente na Polônia nenhuma pessoa com este sobrenome, que muito provavelmente foi extinto no país.

PIEKAS
Normalmente o S em idioma polaco, neste sobrenome, é acentuado com um acento agudo, o que faz que fique PIEKAŚ e se pronuncia "piécachi". No momento existem 13 pessoas em 4 localidades da Polônia. E em se aceitando a adulteração germânica como Piekatz existem 8 pessoas em 4 localidades da Polônia. Seriam da mesma família.

MILEK
Atualmente existem apenas 124 pessoas com este sobrenome na Polônia. Quase todas na região da Silésia, em 12 localidades diferentes.

MASCIOSH
A grafia mais provável para este sobrenome em idioma polaco é MACIOSZ, pronunciando-se matchióch. Na Polônia atualmente existem apenas 34 pessoas com esse sobrenome em 12 localidades.

GOLMI
Outro sobrenome que aparentemente desapareceu na Polônia. Existe apenas uma referência de uma empresa GOLMI de propriedade de Marcin Gołasiński-Kulasiński, ao que tudo indica uma junção de Goł  com Mi, e não como sendo de origem do sobrenome Golmi da Colônia Antonio Prado - PR.

PAMPUCH
Existem 583 pessoas com este sobrenome em 62 localidades da Polônia. A maioria delas na Silésia. Pronuncia-se pámpuhrr (CH expirado como R gutural mudo)

MANIKA
Como Manika (pronuncia-se maNIca, como paroxitona) já não existem mais pessoas na Polônia. Pode ter acontecido uma declinação quando da pronúncia do sobrenome para autoridade alemãs de ocupação e brasileiras, pois sem o A apenas como Manik, ainda existem 78 pessoas em 17 cidades da Polônia.

HOSK
O sobrenome não existe mais na Polônia, pode estar adulterado.

FELIPPE
O mais correto é que escreva em polaco como Filip. É o sobrenome do pai da minha bisavó Anna Filip-Jaroński, Filha de Antoni FILIP e Katarzyna Ognik, nascida em Wojcieszków, em 1881, que se casou com meu bisavô Piotr Jarosiński, em 1900. Com dois filhos e duas filhas pequenas Anna e Piotr sairam da Polônia em 20 de maio de 1911 e chegaram no Rio de Janeiro em 14 de junho de 1911, sendo encaminhados para a Colônia do Tronco, em Castro.
Existem atualmente na Polônia 5884 pessoas com este sobrenome em 249 localidades.

RUDOSKA
Outro caso de sobrenome que muito provavelmente perdeu a letra W. O mais apropriado é que seja grafado em polaco como RUDOWSKA. Em assim sendo, existem atualmente na Polônia 664 pessoas com este sobrenome em 170 localidades, com 131 pessoas residindo em Varsóvia.

KLIMECK
O mais provável é que o sobrenome tenha sido acrescido da letra C, pois o correto em polaco seria KLIMEK. Sendo assim, existem 19.800 pessoas com esta grafia em 352 localidades da Polônia. 

DUSK
Provavelmente o sobrenome perdeu o I final. Como DUSKI, existem atualmente na Polônia 11 pessoas em 4 localidades diferentes.

GOSIT
Grafia germanizado. Não existe nenhuma pessoa com esta grafia de sobrenome na Polônia, atualmente. O Mais provável, pela pronúncia, se a grafia correta em polaco seja GOSZYC. Em sendo assim, existem atualmente, na Polônia, 115 pessoas com este sobrenome

CAMPA
Houve alteração da letra K por C. Assim como KAMPA existem 1600 pessoas em 67 localidades da Polônia nos dias de hoje.

PIAHHOH
Sobrenome totalmente deturpado pelas autoridades alemãs que emitiram os documentos desta família polaca. O provável que a grafia alemã seja PIANHOF, e a correta no idioma polaco é PIOCH, já que existem 813 pessoas com esse sobrenome atualmente na Polônia.

KOLOWSK
Muito provavelmente a grafia correta em polaco seja KOŁOWSKI com a letra polaca Ł, um L cortado transversalmente e com pronúncia de U. Dessa forma, existem na Polônia 110 pessoas com este sobrenome em 44 localidades.

BALZICK
A grafia correta em polaco é BARCIK. Existem 1634 pessoas com este sobrenome que se pronuncia "bartchik", em 93 localidades da Polônia.

DUCHKA
Outro sobrenome adulterado pelos invasores alemães. Por aproximação sonora, pode-se deduzir que seja DUSZKA, pois atualmente existem na Polônia 301 pessoas com esta grafia de sobrenome, em 52 localidades.

WISTUBA
Existem na Polônia, atualmente, 319 pessoas, em 22 localidades com esta grafia de sobrenome, a maioria delas na Silésia, região de onde vieram estes imigrantes da Colônia Antonio Prado (hoje dividida entre Almirante Tamandaré e Colombo, na região metropolitana de Curitiba).

KUSEBECK
Muito provavelmente foi acrescido a letra C neste sobrenome. Seja com C ou sem, não existe nenhuma pessoa com em sobrenome na Polônia atualmente. Mas se alterar o primeiro U existem atualmente na Polônia apenas três pessoas com o sobrenome KASUBEK, duas em Katowice e outra em Mikołów. Na Alemanha, existem, hoje em dia, 53 pessoas assinando Kasubek em 12 cidades.
Mas se a grafia correta é com Z de KAZUBEK, então são 713 pessoas em 63 localidades da Polônia atualmente. A cidade com maior número de Kazubek é Varsóvia com 115 pessoas.
Os Kazubek estão presentes ainda em Lubartów (85 pessoas), Piaseczno (75), Pruszków (38), Krotoszyn (38), Radzyń Podlaski (29), Gostyń (26), em Wrocław e arredores (23), Gliwice (16) e em Mikołów (15). Portanto, as duas pessoas em Katowice e aquela de Mikołów, são da mesma família, só que com o Z trocado por S.




sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Regina Przybycien vence o prêmio APCA 2006

A APCA (Associação Paulista de Críticos de Artes) escolheu os melhores de 2016 em assembleia realizada nesta quarta (30), no Sindicato de Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo em dez categorias:

Arquitetura, Artes Visuais, Cinema, Literatura, Música Erudita, Música Popular, Rádio, Teatro, Teatro Infanto-Juvenil e Televisão.

Não houve quorum para votação em Dança e em Moda. Os críticos destas áreas não explicaram o porquê das ausências.

Regina o prêmio ganhou na categoria tradução:

LITERATURA
Grande Prêmio da Crítica: “A Ditadura Acabada -5”, de Elio Gaspari (Intrínseca)
Romance/Novela: “Como Se Estivéssemos em Palimpsesto de putas”, de Elvira Vigna (Companhia das Letras)
Ensaio/Teoria e/ou Crítica Literária/ Reportagem: “Trópicos Utópicos”, de Eduardo Giannetti da Fonseca (Companhia das Letras)
Infantil/Juvenil: “Quem tem medo de curupira?”, de Zeca Baleiro, ilustrações de Raul Aguiar (Companhia das Letras)
Poesia: “Rol”, de Armando Freitas Filho (Companhia das Letras)
Contos/Crônicas: “A(s) Mulher(es) que eu amo”, de Eros Grau (Globo Livros

Tradução: “[um amor feliz]”, de Wisława Szymborska, tradução de Regina Przybycien (Companhia das Letras)

Biografia/Autobiografia/Memória: “Rita Lee: Uma Biografia”, de Rita Lee (Globo Livros)

Votaram: Amilton Pinheiro, Gabriel Kwak, Sérgio Miguez e Ubiratan Brasil

Regina Przybycien é professora aposentada da UFPR e professora convidada da Universidade Iaguielônica de Cracóvia.

Possui graduação em Letras pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (1972), mestrado em Inglês - Louisiana State University (1980) e doutorado em Estudos Literários pela Universidade Federal de Minas Gerais (1993).

Przybycien traduziu os poemas que acreditava estar em seu alcance e os organizou em ordem cronológica. O resultado são 44 poemas acompanhados de suas versões originais ao final do livro, exigência na qual insistiu pensando na grande população de falantes do idioma no sul do Brasil. Além de um prefácio escrito por ela, Regina não adicionou nenhum elemento explicativo, como notas de rodapé ou análise de versos. Preferiu fazer adaptações que trouxessem os termos usados por Szymborska para o universo brasileiro.

Um dos poemas


Torturas
Wisława Szymborska

Nada mudou.
O corpo sente dor,
necessita comer, respirar e dormir,
tem a pele tenra e logo abaixo o sangue,
uma boa reserva de de unhas e dentes,
ossos frágeis, juntas alongáveis.
Nas torturas leva-se tudo isso em conta.

Nada mudou.
Treme o corpo como tremia
antes de se fundar e Roma e depois de fundada,
no século XX antes e depois de Cristo.
A tortura são como eram, só a terra encolheu
e o que quer que se passe parece ser na porta ao lado.

Nada mudou.
Só chegou mais gente,
e às velhas culpas se juntaram novas,
reais, impostas, momentâneas, inexistentes,
mas o grito com que o corpo responde por elas
foi, é e será o grito da inocência
segundo escala e registro sempiternos.

Nada mudou.
Talvez os modos, as cerimônias, as danças.
O gesto das mão protegendo o rosto,
esse permanece o mesmo.
O corpo se enrosca, se debate, se contorce
cai se lhe falta o chão, encolhe as pernas,
fica roxo, incha, baba e sangra.

Nada mudou.
Apenas o curso dos rios,
do contorno das costas, matas, desertos e geleiras.
Entre essas paisagens a pequena alma passeia,
some, volta, chega perto, voa longe,
estranha a si própria, inatingível,
ora certa, ora incerta da sua existência,
enquanto o corpo é, é, é
e não tem para onde ir.

(tradução: Regina Przybycien)

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Żołądkowa Gorzka a vodca polaca que não é wódka

A empresa Stock Polska sp. z o.o. sediada na cidade de Lublin e com escritórios centrais em Varsóvia publicou anúncio nos jornais se desculpando pelo mais famoso licor de vodca "Żolądkowa Gorzka" não ser realmente vodca:


"Stock Polska sp. z o.o. com sede em Lublin pede desculpas aos clientes para a designação de sua bebida alcoólica Żołądkowa Gorzka com poder alcoólico por volume de 36%, com palavra vodka, apesar do fato de que esta bebida não é vodka".

Para realmente ser considerada vodca a bebida precisa ter no mínimo 37.5% de volume de álcool.

Stock Polska sp. z o.o. acabou de investir pouco mais de 3 milhões de euros em sua unidade de produção em Lublin na ulica (rua) Spółdzielcza, lateral da ulica Krochmalna.

Na quarta-feira, os diretores da empresa receberam as autoridades da cidade, da voivodia Lubelska e jornalistas.

Todos os convidados obrigatoriamente seguiram os procedimentos tanto na entrada da fábrica bem como depois, ao sairem, ou seja tiveram de soprar em um bafômetro, que é usado também na inspeção dos empregados.

Embora o escritório da empresa esteja localizado em Varsóvia, o coração é fábrica de Lublin. Sua história remonta a 1906. Quando o empresário Emil Plage fundou a destilaria de bebida alcóolica a partir de plantas.

A fábrica que sobreviveu a duas guerras teve suas instalações reformadas e atualizadas tecnologicamente o que permitiu um aumento da capacidade de produção.

Embora agora esteja melhor do que há alguns anos, quando a fábrica de vodca operava sob o nome de Polmos a produção era de 25 milhões de litros de bebidas alcóolicas por ano.
No ano passado, a fábrica atingiu a marca de 120 milhões de litros por ano. Por dia são engarrafadas 2 milhões e 200 mil garrafas. É como se duas piscinas olímpicas fossem enchidas por semana.


As novas instalações serão utilizadas para a produção de vodcas claras e licores com variados sabores tendo como base a vodca com sabor.

A empresa continuará a produzir marcas famosas como a Żołądkowa Gorzka e a Luxe (de cor clara). A companhia não esconde o que investiu, embora seja um tempo difícil para a indústria da vodca polaca, pois em janeiro, o governo aumentou em 15 por cento o imposto especial para consumo, bem como as vendas de vodca diminuíram no país.


A Żołądkowa Gorzka tem um sabor amargo-doce e aroma característico. Ela é criada com a infusão de frutas secas, ervas misturadas e raízes. É é envelhecida antes de ser engarrafada. Ela ganhou o FMCG Oscar 2006, na categoria de vodcas aromatizadas e o prêmio CoolBrands além da Medalha de Ouro da Feira Internacional de Poznań 2000. Sua variedade produzida a partir da cevada ganhou o prestigiado Prêmio Monde Selection.




A vodca Żołądkowa Gorzka além de seu sabor tradicional possui outros sabores como:
- Żołądkowa Gorzka z miętą (com menta)
- Żołądkowa Gorzka z miodem (com mel)
- Żołądkowa Gorzka De Luxe (czysta) (puríssima). Em 2015, seu teor alcóolico chegou a 40%.

- Żołądkowa Gorzka na trawie żubrowej (preparada com o capim dos bisões (lançada em 2009)

- Żołądkowa Gorzka z Czarną Wiśnią (com cerejas pretas) foi lançada em fevereiro de 2014

- Jęczmienna Żołądkowa Gorzka (à base de cevada)
- Żołądkowa Gorzka z figą (com figo)
- Em 01 de agosto de 2007 foi lançada a vodca "Żołądkowa Bitter Special Edition", em uma único garrafa de 0,7 litros.

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Reabertas investigações sobre acidente de Smolensk

A Polônia reabriu na semana passada a investigação à morte do antigo presidente Lech Kaczyński , da sua mulher e de altos dirigentes do Estado.
O ex-presidente da Polônia foi uma das 96 vítimas do acidente aéreo na Rússia ocorrido em abril de 2010, quando o avião tentava aterrizar no aeroporto de Smolensk.
Na época, alguns dirigentes polacos defenderam a tese de atentado, embora a Rússia afirmasse tratar-se de um acidente.
Foto:Henriques da Cunha
Agora, uma equipe de peritos internacionais, para a qual foi escolhido um especialista português, Duarte Nuno Vieira, diretor da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, vai tentar confirmar qual dos lados tem razão, através da autópsia dos corpos.
Lech Kaczyński estava se dirigindo a pequena cidade russa para participar de uma cerimônia onde seriam lembrados os 40 mil militares polacos executados pelos serviços secretos soviéticos em 1940.
O ex-presidente era irmão gêmeo do líder do partido de ultradireita, atualmente no poder na Polônia. Jarosław Kaczyński, que foi primeiro-ministro entre 2006 e 2007, bem como vários dirigentes de seu partido, acusam a Rússia de terem dissimulado um atentado terrorista.
No entanto, naquele momento, a Rússia fez uma investigação onde apresentou conclusões dizendo ter ocorrido um acidente devido a erro humano e ao mau tempo.
Agora, a investigação foi reaberta e nela participa uma equipe internacional que se juntou aos médicos legistas polacos. Além de Duarte Nuno Vieira, há ainda  peritos do Reino Unido, Suíça e Dinamarca.
Duarte Nuno Vieira salienta que o caso está em segredo de justiça mas as perícias ainda vão se prolongar por alguns meses.

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Palavras polacas - 10


Ingredientes para se fazer um Gołąbki "charuto" polaco:

Pronúncia
- Gouonbqui
- Lichtchie lauve
- Miensso miélone
- Biáula capusta
- Piépje i sul
- rej
- contsentrat pómidóve
- jiéle anguiélsquie


 A maioria das palavras polacas são paroxítonas, portanto a sílaba tônica, ou forte é a penúltima. Sublinhei as sílabas fortes, tônicas. Uma consoante sozinha no final das palavras, não é uma sílaba, portanto, não é a última.

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Três polacos que vivem no Brasil ganham prêmio de Literatura

Escritores polacos do Brasil são laureados com o Prêmio de Literatura 2016 da ZPPnO - Associação de Escritores da Polônia no Exílio, com sede em Londres.

São eles: Henry Siewierski, Tomasz Łychowski e o Padre Zdzisław Malczewski.

"O Prêmio de Literatura de 2016 é concedido a escritores que popularizam a cultura polaca no mundo. Nestes ano os escolhidos foram três escritores polacos que vivem no Brasil: Henry Siewierski, Thomasz Łychowski e Padre Zdzisław Malczewski", informou Dr. Alexander Boehm Ziółkowska-Wilmington nos Estados Unidos, representante do júri do Prêmio.

Professor Henryk Siewierski
Prof. Henryk Siewierski 
Escritor, poeta, professor e editor. Tem uma pós-graduação pela Universidade Iaguielônica de Cracóvia.
No período 1981-1985 lecionou língua e cultura polaca na Universidade de Lisboa.
Em 1985, foi nomeado professor de literatura na Universidade de Brasília e diretor da editora da universidade (Editora UNB).
Ele criou nesta universidade a cátedra Cyprian Norwid, cuja missão é promover a literatura e cultura polaca no Brasil. Ao publicar ensaios sobre escritores poloneses e poetas.

O prof. Siewierski escreveu cerca de uma centena de artigos e ensaios sobre literatura, principalmente na língua portuguesa, que foram publicados em revistas literárias e eventos culturais no Brasil e em outros países.
Ele é autor de muitos livros, entre eles, "Spotkanie narodów (Encontro de Nações)", Paris, 1984; "Jak dostałem Brazylię w prezencie (Como recebi o Brasil como um presente)", Cracóvia, 1998; "História da literatura Polaca" (Brasília, 2000), "Raj nie do utracenia. Amazońskie silva rerum (Paraíso para não se perder. Coisas da Selva Amazônica)", Cracóvia, 2006; "Outra língua. Poemas", "Livro do rio Máximo de Padre João Daniel(São Paulo, 2012); "Architektura słowa i inne szkice o Norwidzie" (Arquitetura de palavras, e outros esboços sobre Norwid", Cracóvia, 2012. Lançou recentemente "Szkice brazylijskie" (Sketches brasileiros)",Varsóvia, 2016.

O júri no anúncio do prêmio sublinhou o talento de Siewierski na tradução dizendo que ele é um excelente tradutor das obras de escritores e poetas polacos para o idioma português.
Traduziu, entre outros, "Sanatorium pod klepsydrą (Sanatório sob Ampulheta)" e "Sklepy cynamonowe (Mercado de canela)" de Bruno Schulz (Rio de Janeiro 1994, 1996), a prosa de Andrzej Szczypiorski e também "Pannę Nikt (Senhorita Ninguém)" de Tomasz Tryzna, "Świat opery żebraczej" (O mundo do mendigo da ópera esmola)" de Bronisław Geremek e poemas de Cyprian Norwid, Tadeusz Rozewicz, Czesław Miłosz, Zbigniew Herbert, Wisława Szymborska. Para a língua polaca traduziu, entre outros, versos de Fernando Pessoa.

Tomasz Łychowski
Tomasz Łychowski
Poeta, tradutor, professor, pintor. Nasceu na Angola ainda sob domínio português, na cidade de Nova Lisboa.
Em 1938, foi com seus pais para a Polônia. Quando irrompeu a segunda guerra mundial, seus pais se juntaram aos conspiradores.
Em agosto de 1942, a Gestapo nazista deteve 200 homens da Armia Krajowa (Exército do Povo) em Pawiak, incluindo Tadeusz e Gertrude Łychowski e o menino Tomasz de 8 anos de idade.
Atualmente, Tomasz Łychowski é provavelmente o mais jovem ex-prisioneiro de Pawiak ainda vivo.
O pai Tadeusz Łychowski, foi deportado para Auschwitz.
Em 1949, Tomasz com a idade de 14, mudou-se com seus pais para o Brasil. Terminou seus estudos em Inglês em um departamento da universidade britânica de Cambridge e na Universidade Católica do Rio de Janeiro.

Trabalhou no ensino superior, trabalhou em programas de ensino. Colaborou com a revista "Aproximações (Zbliżenia), publicada no Brasil pela prof. Henry Siewierski. Também escreveu cartas para a comunidade polaca do jornal "Lud (Povo)" de Curitiba, Brasil e para a "Głos Polski (Voz do polaco)", de Buenos Aires, Argentina.

As grandes paixões de Tomasz Łychowski são a poesia e a pintura. Ele pinta, principalmente, paisagens. Publicou livros de poemas em português, Inglês e polaco, entre outros: "Glimpses (Olhares)", de 1996; "Voices (Vozes)", de 1998; "Brisas", de 2000; "Graniczne progi (Os limiares de fronteiras)"; "Encontros" (Spotkania) de 2006; "Skrzydła (Asas)" de 2008 e o mais recente “Recomeço” de 2014.

Em 2010, apareceu, em Varsóvia, volume autobiográfico do prosador "Moja droga na księżyc” (Meu caminho para a lua)"

Łychowski é o autor das traduções de poesias de Julia Hartwig, Ryszard Krynicki e Ewa Lipska para a publicação da Academia Brasileira de Letras. Para a revista "Polonicus" de Curitiba traduziu poemas selecionados de Karol Wojtyła.

Padre Zdzisław Malczewski
Padre Zdzisław Malczewski
Nasceu em Nowe Brzesko, próximo de Cracóvia. Em 1969, ingressou na Sociedade de Cristo para Polacos no Exterior. Depois de estudar filosofia e teologia no Seminário Maior da Sociedade de Cristo em Poznań, foi ordenado padre em 11 de maio de 1976. Fez mestrado em teologia na Universidade Católica de Lublin, doutorado em ciências humanas - na Universidade Adam Mickiewicz em Poznań.

Em 1979, chegou no Brasil para cumprir missão de sua Congregação. Foi enviado para a paróquia Santa Ana, na cidade de Carlos Gomes, no Rio Grande do Sul. Foi pároco em Ijuí (RS) e Rio de Janeiro (RJ), e provincial da Sociedade de Cristo na América do Sul e também pároco em Curitiba.

Padre Zdzisław Malczewski, participa na vida da comunidade polaca na América Latina de forma intensa.

Ele também está envolvido no trabalho da USOPAL - União das Associações e Organizações Polacas da América Latina. Em junho de 2009, foi nomeado Reitor da Missão Católica Polaca no Brasil.
Já como reitor, começou em julho de 2009, a publicação do boletim "Echo Polskiej Misji Katolickiej w Brazylii (Ecos da Missão Católica no Brasil)", que é publicado a cada dois meses, e atualmente é a única publicação em língua polaca, no Brasil.

Entre os anos 1999 a 2009 foi editor da revista de estudos polaco-brasileiros "Projeções", publicada em português, em Curitiba, assim como o iniciador e fundador do livro-revista "Polonicus" editado semestralmente, e que é uma espécie de ponte entre as culturas polaca e brasileira. A revista é distribuída para universidades brasileiras e centros culturais.

O padre Malczewski é correspondente internacional da Rádio Vaticano, bem como o autor dos livros: "A presença dos polacos e da comunidade polaca no Rio de Janeiro" (Lublin 1995), "Dicionário Biográfico de polacos e brasileiros descendentes de polacos" (Varsóvia, 2000), "Autoimagem da Polônia brasileira. Cartas dos Emigrantes, 1979-2006", (Curitiba, 2007).

Prêmio Literatura 2016
A atribuição do Prêmio de Literatura da Associação de Escritores Polacos no Exilio é dada por júri composto por: Andrzej Krzeczunowicz, presidente ZPPnO; prof. Beata Dorosz, IBL PAN; Padre prof. Janusz Ihnatowicz, Houston, Estados Unidos; Padre prof. Bonifacy Miązek, Viena, Áustria; Dra. Nina Taylor-Terlecka, Oxford; Dr. Aleksandra Ziółkowska-Boehm, Wilmington, Estados Unidos.

A cerimônia de premiação e encontro com os vencedores será realizado em Londres na primavera de 2017.

Fonte (PAP), abe/ mow/ – portal dzieje.pl

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Batalha contra os alemães próximo de Lipsko

Ilustração criada em 1914 - I. D. Sytin Sociedade LitografiaMoscou
Esta ilustração, que mostra uma batalha entre russos e alemães próximo a Lipsko na Polônia, faz parte da coleção de pôsteres em estilo lubok da Primeira Guerra Mundial, conservada na Biblioteca Britânica.

A legenda descreve: “Enquanto nossas valentes tropas destruíam o exército austro-alemão sob o comando do [general Moritz von] Auffenberg e o expulsava da cidade de Lublin para além do rio San, uma unidade alemã formada por três divisões correu em missão de resgate na direção de Kielce pela margem esquerda do rio Vístula. Encontrados por nossas tropas no rio Izit perto de Lipsko, os alemães sofreram uma severa derrota. Uma divisão alemã foi completamente destruída e perdeu quase metade de sua artilharia. Além de não conseguirem dar cobertura às tropas em retirada do general Auffenberg, os alemães foram forçados a se afastar em direção ao oeste”.

Lubok é uma palavra russa para impressões populares criadas a partir de gravuras, xilogravuras, águas-fortes ou, mais tarde, litografia. As impressões muitas vezes se caracterizavam por simples ilustrações coloridas que retratavam uma narrativa, e também podiam incluir textos.

Lubok ganhou popularidade na Rússia a partir do final do século XVII. Geralmente com narrativas de acontecimentos históricos, literaturas ou contos religiosos, as impressões eram usadas para levar essas histórias a pessoas analfabetas. Além da sua expressividade, as impressões tinham tons bem diversificados, variando de comentários bem-humorados a instrutivos, passando por assuntos políticos afiados a temas sociais.

As imagens eram claras e de fácil compreensão, e algumas foram publicadas em série, antecessoras da moderna história em quadrinhos. Devido ao baixo custo de sua reprodução, as impressões eram, portanto, uma forma que as massas tinham para mostrar arte em casa.

No começo, esse estilo artístico não foi levado a sério pelas classes mais altas, mas até o final do século XIX, o estilo lubok ficou tão bem-conceituado que inspirou artistas profissionais. Durante a Primeira Guerra Mundial, o estilo informou os russos sobre os eventos na linha de frente, reforçou o moral e serviu como propaganda contra combatentes inimigos.

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

A aparência dos imigrantes polacos


Poster arquivado na Biblioteca do Congresso Nacional dos Estados Unidos, de autoria de Adolf Franz Theodor Münzer (*1870, +1953).

Frase no alto do cartaz: Esta é a aparência dos emigrantes polacos

O pôster foi criado como parte de uma campanha para convencer as pessoas de etnia alemã da Alta Silésia a votarem a favor de manter a região como parte da Alemanha após a Primeira Guerra Mundial.

O pôster apela aos votantes alemães representando pessoas de etnia alemã empobrecidas deixando a Polônia.

O texto completo diz:
“Esta é a aparência dos emigrantes polacos, e você também se parecerá com eles se a Silésia se tornar parte da Polônia. Alto-silesianos! Permaneçam com a nova Alemanha!”

Localizada na atual região sudoeste da Polônia, a Alta Silésia era originalmente um território polaco que, durante 127 anos, esteve ocupado pelo reino da Prússia (depois República da Alemanha). Em séculos passados também esteve sob domínio temporário da Bohemia e da Áustria.
No início do século X, os governantes da Silésia encorajaram a imigração de povos saxônicos, para que trabalhassem como fazendeiros e nas indústrias locais têxtil e carvoeira.
Após a derrota da Alemanha e da Áustria na primeira guerra mundial, a posse da Alta Silésia foi disputada pela Alemanha com a Polônia que recentemente havia recuperado sua independência.

O Tratado de Versalhes, de 1919, ordenava que a questão da posse fosse decidida por referendo popular.
No plebiscito de 20 de março de 1921, a Alemanha obteve aproximadamente 706.000 votos, e a Polônia, 479.000.
No entanto, os polacos silesianos realizaram uma revolta armada e, no final, os Aliados concordaram em devolver região da Alta Silésia à Polônia.

Theodor Münzer, artista de origem prussiana-alemã nasceu na Alta Silésia e bastante conhecido por seus murais decorativos.


E este é um pôster do artista alemão Fritz Gottfried Kirchbach (1888 a 1942). 

É de 1920, produzido em Berlim, como parte da campanha alemã para convencer votantes de áreas rurais da Silésia a optarem por continuar sob a ocupação da Alemanha.
O cartaz mostra um fazendeiro que perdeu seu cavalo e que, portanto, conduz um arado puxado por sua mulher e seu filho. O texto diz:

“É isto o que ocorrerá conosco na Polônia! Nós, fazendeiros, votamos na Alemanha!"

Em um momento em que a agricultura era ainda quase inteiramente dependente de animais de tração para a aragem e outras atividades, a imagem de uma família raquítica sendo forçada a trabalhar a terra desta maneira enviava uma mensagem poderosa aos eleitores.

Gottfried Kirchbach que criou várias obras alertando pessoas de etnia alemã sobre as misérias que as aguardavam caso decidissem se tornar cidadãos da Polônia.

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Prédios de Varsóvia do ano 1440 ainda em pé em 1911


Encontrei esta foto numa publicação de 1911, "Ziemia", de uma rua com prédios (Kamienice) em Varsóvia.

Segundo o autor do texto, um destes prédios é chamado de Kamienica Baryczków e foi construído ao redor de 1440, no nr. 32 do Stare Rynku (praça do mercado velho).
Seus proprietários eram Anna e Piotr Pielgrzym (prefeito da Cidade Velha de Varsóvia).
No começo do século XVI, o dono já era Jerzy Baryczka.

O autor da foto deve ser meu parente, leia o sobrenome: J. Jaroszyński.

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Palavras polacas - 9


Pronúncia:
- dúupis,
- fad do dúugóPIssu,
- piÚró,
- NAbui do piÚra,
- GUMcá,
- noJEtchqui,
- liNIica,
- óÚUvék.

A maioria das palavras polacas são paroxítonas, portanto a sílaba tônica, ou forte é a penúltima. Sublinhei as sílabas fortes, tônicas.
Uma consoante sozinha no final das palavras, não é uma sílaba, portanto, não é a última.

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Kukliński é nomeado general pos-mortem

Ryszard Kukliński - Foto: Adam Golec
O coronel Ryszard Kukliński foi nomeado para o posto de general de brigada, a pedido do ministro da Defesa, Antoni Macierewicz, segundo informou o Palácio Presidencial.

As informações foram fornecidas pelo chefe da Assessoria de Imprensa da Presidência da República, Marek Magierowski. A nomeação do coronel Kuklinski era uma reivindicação de muitos anos de organizações de direita da Polônia.

Ryszard Kukliński - codinome Jack Strong - foi o mais famoso agente secreto polaco a servićo da CIA - Central de Inteligência Americana.
Como oficial do Estado Maior (cursou a Academia Geral do Estado-Maior da URSS junto com o general Czesław Kiszczak) aprovou os planos estratégicos secretos norte-americanos do Pacto de Varsóvia.

Ele afirmou que a decisão de cooperar com os Estados Unidos veio depois dos eventos das greves gerais de 1970, quando as tropas do exército polaco dispararam sobre os trabalhadores (de acordo com outras versões as formas de cooperação foram assumidas por ele depois de uma missão no Vietnã). Outro motivo para a sua decisão teria sido os planos de guerra preparados por oficiais da equipe do Pacto de Varsóvia, que assumiram que, no caso de uma guerra nuclear, o país mais afetado seria a Polônia.

O coronel era um dos mais poderosos agentes da CIA: de acordo com várias fontes repassou cerca de 30 mil documentos, incluindo especificações de armas, manuais, planos de exercício militar e os planos de guerra.

O Coronel Kukliński também informou os EUA sobre a decretação prevista da lei marcial. Na véspera da decisão final sobre sua imposição, em novembro de 1980, o coronel Kukliński junto com sua família foi removido pela CIA do território da Polônia. Enquanto esteve "exilado" nos Estados Unidos, apoiou os esforços de adesão da Polônia a OTAN.

Em 1984, Kukliński foi condenado à revelia à morte por traição, por um tribunal polaco. Em 1995, durante os esforços para aderir à OTAN foi considerado inocente das acusações daquele tribunal do período soviético, como resultado da revisão de sentença. De acordo com o tribunal Kukliński agiu em estado de necessidade.

Ele morreu de um acidente vascular cerebral em 2004, e suas cinzas e seu filho foram trazidos para a Polônia.

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

João Urban - exposição "Aproximações"

Wanda Wierzbicki, neta de imigrantes polacos
Distrito de Santana, Cruz Machado - PR
2016 – Foto: João Urban
A Casa da Cultura Polônia Brasil e o Consulado Geral da República da Polônia em Curitiba realiza ação inédita de simultaneidade lançando a exposição fotográfica “Aproximações: Ucranianos e Polacos nas fronteiras agrícolas do Paraná” do fotógrafo curitibano João Urban, no Brasil, Polônia e Ucrânia.

A exposição “Aproximações” é um desdobramento do trabalho realizado em 2013 por Urban, a partir do projeto viabilizado pelo Prêmio Marc Ferrez de Fotografia (2012), concedido pelo governo brasileiro por intermédio da Fundação Nacional de Artes (Funarte).

João Urban utilizou fotografias de descendentes de imigrantes polacos feitas entre 1980 e 2004 nas colônias de Cruz Machado (Santana), Tomás Coelho, em Araucária, Dom Pedro em Campo Largo, Murici em São José dos Pinhais,  com novas imagens produzidas em 2013, quando fotografou descendentes de imigrantes ucranianos, nos municípios de Irati, Marechal Mallet, Prudentópolis e Antônio Olinto.

São registros fotográficos realizados por quase cinco décadas, presentes agora na exposição “Aproximações: ucranianos e polacos nas fronteiras agrícolas do Paraná”, já exibida em Irati, Marechal Mallet, Prudentópolis e Antônio Olinto, com o apoio da Funarte.

A versão atual, com novo "layout" e em formato maior, é uma iniciativa da Casa da Cultura Polônia Brasil e do Consulado Geral da República da Polônia em Curitiba.
Ela está sendo apresentada simultaneamente em Lviv (Lwów), na Ucrânia, em Poznań, na Polônia, e na Colônia Murici, em São José dos Pinhais (município do Paraná escolhido em razão de seu expressivo número de imigrantes polacos) e também por ser cidade irmã de Poznań.

A exposição conta com apoio no Brasil da Prefeitura Municipal de São José dos Pinhais, através daSecretaria Municipal de Cultura e do Comitê de Germinações Leopoldo Scherner de São José dos Pinhais. Na Polônia, tem como patrocinadores, a Embaixada do Brasil em Varsóvia e Embaixada da Ucrânia em Varsóvia e na Ucrânia do Consulado Geral da República da Polônia em Lviv.

Antônio Krzyzanoski e Sra Carolina, filha de imigrantes, Tomás Coelho, Araucária, PR -1989
Produção de pêssankas de Vera Lucia Daciuk, descendente de imigrantes ucranianos, Prudentópolis, PR - 2013
Lídia Martinhak, Antonio Olinto, PR - 2013.
Fotos: João Urban
João Urban
(Curitiba/PR, 1943), publicou os livros: “Bóias-Frias, Tageluhner in SudenBrazilien”, St. Gallen e Wupertal, 1984; “Tropeiros”,São Paulo, 1992; “Aparecidas”, Rio de Janeiro, 2002; “Tui i Tam – Memórias da Imigração Polonesa”, Curitiba, 2004; “João Urban”, Coleção SENAC de Fotografia;
N.°8: Rios por Onde Passo, Curitiba – 2007: “Mar e Mata, Curitiba, 2009, Passeio Público, paisagens e personagens (em preparação), Benedito Domingo, novela, literatura (lançamento próximo) – Participou da 14ª Bienal de São Paulo, 1977; 15ª Bienal Internacional de São Paulo; 5ª Bienal de Havana, 1994.

Prêmios recebidos: Prêmio Banco do Brasil, 35º Salão Paranaense de Artes Plásticas; Prêmio Bienal de São Paulo, na XIV Bienal de São Paulo (Equipe Bóias-Frias: Margareth Born, Renato Mazanek, Jamil Snege e João Urban); Prêmio Ensaio Banco J. P. Morgan-São Paulo, 1999; Bolsa Vitae de Artes, 2000; Prêmio Funarte Marc Ferrez, 2013.

Fotografias em acervos: Museu da Fotografia da Cidade de Curitiba; Museu de Moderna de São Paulo; Museu de Arte de São Paul (Coleção Pirelli); Fundação Suíça para a Fotografia, Zurich; Museu da Casa Brasileira SP; Museu de Arte Contemporânea(PR); Musée Français de la Photographie Bievres; Coleção particular de Joaquim Paiva; Coleção Hotel Lloyd, Amsterdam.

Atual: Aproximações: exposição simultânea em Poznan (Polônia), Lviv (Ucrânia), Colônia Murici, S.J.Pinhais, outubro de 2016.

Serviço: Exposição - “Aproximações: Ucranianos e Polacos nas fronteiras agrícolas do Paraná” No Brasil

Onde: Casa de Cultura Polaca Pe. Karol Dworaczek
Endereço: Rua João Lipinski, 1001, Colônia Murici – São José dos Pinhais, PR – Brasil
Contatos: telefone +55 (41) 3381-5908 – email: casa.cultura@sjp.pr.gov.br Quando: De 24 de outubro a 11 de dezembro de 2016
Horário de funcionamento da instituição: aos domingos das 10 às 17h

Na Polônia
Onde: na sede da Prefeitura do Distrito de Poznań (Starostwo Powiatowe w Poznaniu)
Endereço: Rua Jackowskiego 18 em Poznań
Quando: 21 de outubro, às 17h30

Na Ucrânia
Onde: Gary Bowman Art Gallery
Endereço: Rua Nalywajki 18, Lviv (Lwów)

Site da galeria:
https://www.facebook.com/MisteckaGalereaGeriBoumena
Quando: 23 de outubro, às 15h

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

WAJDA NIE ŻYJE - Wajda morreu


O maior cineasta polaco de todos os tempos e um dos maiores do mundo ANDRZEJ WAJDA morreu na noite deste domingo aos 90 anos de idade, em plena atividade profissional.

O cineasta estava internado, num hospital de Varsóvia, há alguns dias devido a problemas pulmonares e foi colocado em coma induzido. Wajda acabou morrendo, no início da noite deste domingo, de insuficiência pulmonar.

Andrzej Witold Wajda nasceu em 6 de março de 1926, na cidade de Suwałki (Nordeste da Polônia). Filho de Jakub Wajda, oficial do exército polaco, assassinado pelos soviéticos em Katyń (Rússia) durante a II Guerra Mundial e de Aniela (Białowąs), uma professora do ensino fundamental.

Wajda deixa sua filha Karolina e sua quarta esposa Krystyna Zachwatowicz. Suas três primeiras esposas foram Gabriela Obremba (casados entre 1949 a 1959), Sofia Żuchowska (1959 a 1967) e Beata Tyszkiewicz (1967 a 1969), a mãe de Karolina.


Depois da guerra, Wajda estudou pintura, na Academia de Belas Artes de Cracóvia e direção de cinema, em uma das mais importantes universidades de cinema de todo o mundo, A Escola Superior de Cinema de Łódż (pronuncia-se uúdji), a mesma onde se formaram Romań Polański, Krzysztof Kieślowski, Krzysztof Zanussi, Agnieszka Holland, Piotr Sobociński (diretor de fotografia) e tantos outros.

Wajda foi agraciado com o Oscar (por sua contribuição ao cinema mundial e conjunto de sua obra, em 2000) quando foi descrito como "homem cujos filmes deram a plateias do mundo inteiro uma visão artística da história, da democracia e da liberdade, e que assim, tornou-se ele mesmo um símbolo de coragem e esperança para milhões de pessoas no pós-guerra da Europa".

Foram mais de 40 filmes, verdadeiras obras de arte, premiados em festivais de cinema de todo o mundo. Três de suas mais importantes estatuetas (Oscar, Palma de Ouro, Leão de Ouro), ele doou para o museu da Universidade Iaguielônica de Cracóvia, a mais antiga da Polônia.


Em 1990, Andrzej Wajda foi homenageado pelo "European Film Awards" por sua vida de realizações cinematográficas. Apenas, outros dois diretores receberam tal honraria: o italiano Federico Fellini e o sueco Ingmar Bergman.

O primeiro momento de reconhecimento internacional chegou com O Homem de Mármore (1977), uma crítica à Polônia comunista que Wajda chegou a apresentar em Cannes. O filme retrata a história de uma jovem estudante de cinema de Cracóvia, Agnieszka – esta procura fazer um documentário sobre Mateusz Birku, um pedreiro que se tornou um herói operário e a quem chegou a ser construída uma estátua de mármore. Só que, entretanto, sem que se saiba bem porquê, Birkut caiu em desgraça e desapareceu do mapa durante anos. A jovem realizadora acaba por refazer o seu percurso até chegar ao filho deste, Maciej Tomczyk, nos estaleiros de Gdańsk, onde se vivem momentos de agitação. É Maciej que lhe conta que o pai está morto há anos.

O Homem de Ferro nasceria poucos anos depois e é neste filme que fica claro que Mateusz Birkut foi uma das vítimas do massacre de Dezembro de 1970 em Gdańsk, em que pelo menos 42 pessoas foram mortas pelas forças do regime polaco quando protestavam contra o aumento de preços dos produtos alimentares. Wajda voltou a Gdańsk em 1980 e em 1981 já estava lançando este filme em que acompanha a história de Maciej.

Urso de Ouro do Festival de Berlim
Agora, o percurso do jovem protagonista é intencionalmente semelhante ao de Lech Wałęsa, fundador do Solidarność, ou Solidariedade, que nasceu em 1980 e foi o primeiro movimento cívico e sindical livre na chamada “cortina de ferro”. O próprio Wałęsa, que foi o primeiro presidente da Polônia após à queda do mundo soviético (em 1989), chega a aparecer no filme.

“Eu sabia que era necessário filmar o que se estava se passando lá em baixo [em Gdańsk]”, contou certa vez o realizador aos microfones da emissora francesa RFI. “Assim que entrei nos estaleiros, um operário veio sentar-se ao meu lado e disse-me: - Senhor Andrzej, tem de fazer um filme sobre nós. Já fez O Homem de Mármore, agora faça O Homem de Ferro, recordou Wajda. “Não tenho por hábito fazer filmes por encomenda, mas se a encomenda é de um operário, sim”, afirmou o realizador polaco.

Oscar 2000

Seu último filme "Powidoki" (imagens residuais) estreou oficialmente agora em setembro. Filme sobre o pintor Władysław Strzemiński, interpretado por Bogusław Linda, está previsto para ser lançado mundialmente no início de 2017.

É o filme polaco candidato ao "Oscar" do próximo ano. Foi premiado no recente Festival de Cinema de Gdynia. Wajda ao receber o troféu declarou que este não era seu último projeto, já que estava já trabalhando num próximo filme.

No último dia 9 de junho deste ano, publiquei em meu blog uma longa entrevista com o cineasta de "Kanał (1956)". Leia "Andrzej Wajda: nacionalistas na Polônia dizem NÃO"...em:

http://iarochinski.blogspot.com.br/…/andrzej-wjada-nacional

… A televisão TVN24 detalha a morte e a vida do monumento "Wajda":



Filmes

1954 – Geração (Pokolenie)
1957 –  Canal (Kanał)
1958 – Cinzas e diamantes (Popiół i diament)
1959 – Lotna
1962 – Um Amor aos Vinte Anos (L'Amour à Vingt Ans)
1969 – Tudo a Venda (Wszystko na sprzedaż)
1970 – Paisagem após a Batalha (Krajobraz po bitwię)
1970 – O Bosque de Bétulas (Brzezina)
1973 – Bodas (Wesele)
1975 – Terra Prometida (Ziemia obiecana)
1976 – O Homem de Mármore (Człowiek z marmuru)
1978 – Sem anestesia (Bez znieczulenia)
1979 – As Senhoritas de Wilko (Panny z Wilka)
1980 – O Maestro (Dyrygent)
1981 – O homem de ferro (Człowiek z żelaza)
1983 – Danton
1983 – Um Amor na Alemanha (Eine Liebe in Deutschland)
1988 – Os Possessos (Les possédés)
1990 – As 200 Crianças do Dr. Korczak (Korczak)
1995 – Semana Santa (Wielki tydzien)
1997 – Senhorita Ninguém (Panna Nikt)
1999 – O Senhor Tadeu (Pan Tadeusz)
2002 – A Vingança (Zemsta)
2007 – Katyń
2009 – Doce Perfume (Tatarak)
2013 – Wałęsa
2016 - Imagens Residuais (Powidoki)