terça-feira, 28 de agosto de 2007

O padre polêmico


Tadeusz Rydzyk é um padre da congregação redentorista, que tem causado imensas polêmicas, na Polônia, com seus veículos de comunicação. Em 1991, ele criou, em Toruń, a Radio Maryja, o jornal Nasz Dziennik e mais recentemente a TV Trwam. Sua última criação é a Faculdade de Cultura Social e "Mediática" (comunicação social), onde pretende formar os futuros jornalistas polacos dentro do seu espírito e visão social e política. A notícia do dia é de que Rydzyk conseguiu entrar na lista de investimentos da União Européia para equipar sua Faculdade, na ordem de 15,3 milhões de Euros. A pergunta do jornal "Gazeta Wyborcza" é de como o padre conseguiu essa proeza, passando na frente de universidades centenárias da Polônia. Tem, mais uma vez, cheiro de favorecimento do governo Kaczyński, o qual, para muitos, só foi eleito com os votos dos católicos fiéis aos "ensinamentos" do Padre Rydzyk, através de sua Rádio Maryja. Os dois partidos de direita PiS (Direito e Justiça) e LPR (Liga da Família Polaca) no poder seguem a cartilha de Rydzyk. Extrema direita, conservador, xenófobo e anti-semita, Tadeusz Rydzyk, semanas atrás foi recebido em audiência especial, no Vaticano, pelo Papa Bento XVI. A conversa com o papa reacendeu as preocupações do rabino de Roma, que vê nessa aproximação com o padre, um retrocesso nas relações interreligiosas iniciadas pelo Papa João Paulo II. O rabino judeu lembrou que o Papa polaco visitou a sinagoga de Jerusalém (a primeira visita de um papa na história) e pediu perdãos aos judeus pelos erros cometidos pela Igreja Católica Apostólica Romana. O padre Rydzyk, ao contrário, prega constamente seu ódio aos judeus. A "Gazeta Wyborcza" (opositor de Rydzyk) já publicou, várias vezes, que as emissoras do padre receberam ao longo do tempo pesados investimentos de Jan Kobilanski, presidente da Usopal - União das Sociedades e Organizações Polacas da América Latina. O polaco Kobilanski imigrou para o Paragui após a Segunda Guerra Mundial e viveu lá, até a queda da ditadura Stroessner. Com a fortuna acumulada em Assunção e sem o apoio do novo governo paraguaio, emigrou para o Uruguai, onde vive até hoje. A "Gazeta Wyborcza" afirma que ele foi colaboracionista dos invasores alemães nazistas de Hitler, tendo delatado muitos judeus nesse período. Sua convivência com Stroessner o tornou multimilionário. Os investimentos de Kobilanski na rádio Maryja, segundo a mesma "Gazeta Wyborcza" seria lavagem de dinheiro.


Placas nas estradas polacas informando a sintonia da emissora do Padre Rydzyk

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