sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Curitiba: Mil anos de Judeus na Polônia


Cônsul Dorota Joanna Barrys. Foto: Ulisses Iarochinski

Foi aberta, na noite desta quinta-feira, 04 de setembro, no saguão de entrada da Biblioteca Pública do Paraná, a exposição "Mil anos de Judeus na Polônia".  Promoção do Consulado Geral da República da Polônia em Curitiba, a exposição foi organizada pelo Instituto Adam Mickiewicz de Varsóvia e vai estar aberta até 18 de setembro. Depois deve percorrer outras cidades brasileiras.
Em muitos anos foi a primeira vez que se viu num mesmo evento patrocinado pelo Consulado da Polônia, reunidas as comunidades polacas de credos católico apostólico romano e judaico. Lado a lado estavam os senhores Edward Kondera (polaco católico) e Maurício Schulman (descendente de origem polaco-judaica) entre dezenas de outros.

Inicialmente a cônsul Geral Dorota Joanna Barys saudou o público para em seguida convidar para ver as dezenas de cartazes contando a história do povo judeu em terras da Polônia. Barys lembrou as palavras do consultor da mostra Piotr M.A. Cywiński constantes na revista da exposição onde ele diz: "Mil anos de união e divisões. Mil anos de diálogo e conflitos, favores e sofrimento, desenvolvimento e crise, autonomia e dependência, felicidade compartilhada e crueldade, até o Shoah."

Prof. Manoel Knopfholz. Foto: Ulisses Iarochinski

Em seguida, foi a vez do representante da comunidade judaica de Curitiba, Prof. Manoel Knopfholz, discursar para os presentes.  Ele lembrou das origens comuns na cultura, na culinária, nos costumes e da contribuição dos polacos judeus para a humanidade através de vários expoentes como ganhadores de prêmios Nobel e cientistas renomados, além dos horrores do holocausto perpetrados por inimigos comuns como os alemães-nazistas e os russos-stalinistas.

Para Bogdan Bernarczyk-Słoński, responsável pela concepção da mostra, "Pagar tributo aos que não estão mais aqui é revivê-los em nossa memória, junto com as suas alegrias e tristezas, suas vitórias e derrotas, suas grandezas e fraquezas. É também a descoberta da herança que nos deixaram. É finalmente, uma maneira de chamá-los pelos nomes."

Mais adiante Bernarczyk-Słoński relembra que "O holocausto, a tragédia monstruosa do povo judeu, que exterminou quase 3,1 milhão de judeus polacos, borrou por muito tempo a memória dos 1000 anos da sua história e cultura inscrita em nosso passado e inseparavelmente ligada a nossa identidade cultural. Ao procurar a sua identidade e ouvir com atenção as vozes da memória coletiva, os polacos contemporâneos compreendem com pavor e tristeza a ausência dos Judeus, os nossos irmãos." 

Foto: Ulisses Iarochinski

A exposição no Brasil conta ainda com o apoio de Ephraim Teitelbaum, da Federação Israelita do Rio Grande do Sul e tradução do texto polaco de Hanna Węgrzynek e Katarzyna Wieczorek, para o português de Alina Prałat.

Foto: Ulisses Iarochinski

P.S. Que esta exposição possa de alguma forma estreitar os laços de uma comunidade brasileira com origens iguais na Polônia, mas mutilados por agressões de outros povos.

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