quinta-feira, 3 de julho de 2014

Professor alemão é preso roubando em Auschwitz


Sob alegação de roubo de bens de especial importância para a cultura, ouvido hoje o alemão detido no Campo de Concentração e Extermínio alemão nazista em Birkenau, após ter sido surpreendido com saco plástico com vários objetos coletados por ele, na área do campo chamado de "Kanada".
Objetos estes que eram de propriedade os antigos prisioneiros de Auschwitz. O alemão de 47 anos de idade, declarou-se culpado, disse o vice-promotor distrital de justiça Mariusz Slomka, em Auschwitz. "Ele explicou que é professor e queria mostrar os objetos furtados no campo de concentração a seus alunos na Alemanha. Ele expressou remorso", declarou Slomka.
O promotor acrescentou que o delito de que foi acusado o professor alemão, prevê uma pena de até 10 anos de prisão. O alemão solicitou submissão voluntária à pena. Ele propôs para si a suspensão da pena de prisão e uma multa, que já tinha sido parcialmente paga.
Slomka não revelou o montante da sanção. Mas garantiu, no entanto, que o valor da multa será doloroso, porque a definição do valor levou em conta a quantidade dos ganhos penuniários do suspeito do delito, na Alemanha. Após a audiência em Oświęcin (Auschwitz em idioma polaco e nome da cidade onde se localiza o campo de concentração e extermínio, o alemão foi liberado. Seu caso será decidido pelo tribunal distrital de Cracóvia.

Coisas roubadas
O professor que visitou o campo com um grupo de alunos, foi preso na terça-feira à noite, quando foi pego com um saco cheio de objetos furtados na área "Kanada". "Ele tinha coletado dez itens, incluindo garfo, tesoura e um pedaço de pedaços carbonizados de cerâmica. Ele os encontrou na área onde eram os pavilhões de armazenagem dos prisioneiros recém-chegados. Local que os próprios prisioneiros chamavam de "Kanada".
Os nazistas limpavam os prisioneiros de seus pertences. Muitos soldados muitas vezes roubavam os objetos armazenados como relógios de ouro, anéis e correntes. No final da guerra, os alemães, que para apagar os vestígios dos seus crimes, atearam fogo naqueles armazéns", disse um porta-voz do Museu de Auschwitz, Bartosz Bartyzel.

Fragmentos
O porta-voz do museu disse que na área "Kanadá" de tempos em tempos, a própria terra acaba liberando fragmentos enterrados na área, que há décadas acabaram abaixo da superfície. "Buscamos coletá-los gradualmente. Isso só é feito enquanto realizamos pesquisas arqueológicas, porque o antigo campo é tratado como um cemitério", explicou.
Nos últimos anos tem ocorrido roubos similares. Em 2011, no aeroporto de Balice, seguranças detiveram um casal de idosos de Israel que tentavam sair da Polônia com objetos encontrados no "Kanada".
Eles foram criminalizados por roubo de bens de especial importância para a cultura e pontos turísticos da Polônia e tentarem exportar para os objetos para fora da fronteira polaca. Eles se entregaram voluntariamente para sofrerem a punição. O tribunal os condenou a um ano e quatro meses de prisão, e uma multa de 4.200 złotych. A pena foi suspensa por três anos e e os valores pecuniários foram destinados a um propósito social.

O roubo mais famoso foi em 2009
Até agora, o roubo mais emblemático aconteceu no Campo I de Auschwitz, em dezembro de 2009. Ladrões roubaram a placa com a inscrição "Arbeit macht frei" de cima do portão principal de entrada. Os ladrões, entre eles o sueco Anders Hoegstroem, foram condenados à prisão.

O Campo alemão
Os nazistas alemães estabeleceram um acampamento em Auschwitz em 1940, com o objetivo de aprisionar os polacos, em antigas instalações do Exército polaco na cidade de Oświęcin (pronuncia-se ochvientchin). Dois anos após, na cidade vizinha de Brzezinka, (pronuncia-se bjejinca) construíram o campo Auschwitz II, conhecido pela seu nome traduzido de Birkenau.
O que inicialmente era um campo de concentração de prisioneiros, logo tornou-se lugar de extermínio de prisioneiros. No complexo do acampamento funcionava como uma rede de sub-campos.
Em Auschwitz, os alemães mataram pelo menos 1,1 milhão de pessoas, a maioria judeus, mas também muitos polacos católicos, protestantes, ciganos, prisioneiros de guerra soviéticos e pessoas de outras nacionalidades.
Em 1947, no local dos antigos campos de concentração e extermínio alemão de Auschwitz I e Auschwitz II (Birkenau) foi fundado um Museu Estatal. No ano passado, o museu foi visitado por 1.330.000 pessoas (um milhão e trezentos e trinta mil). O ex-campo, em 1979, foi listado como o único de seu tipo, no Patrimônio Mundial da UNESCO.
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