segunda-feira, 30 de março de 2026

3000

Há números que são apenas números.
E há números que carregam vida.

Este não.

Este é tempo.

Tempo medido não em dias, nem em anos, mas em insistência. Em permanência. Em fidelidade a uma ideia que nasceu lá atrás, naquele verão polaco de 2005, quando um estudante brasileiro, sozinho numa casa universitária em Przegorzały, decidiu que não deixaria morrer aquilo que já havia começado com o portal “Saga dos Polacos”.

Assim nasceu o JAROSIŃSKI DO BRASIL.

O primeiro texto — “Porque Polaco!” — não foi apenas um artigo.

Foi uma tomada de posição.
Um gesto.
Uma escolha.

E talvez tudo o que veio depois já estivesse contido ali.

Não havia projeto de longevidade.
Não havia cálculo de alcance.
Não havia sequer a certeza de continuidade.

Havia apenas uma inquietação.

E uma recusa.

Recusa em aceitar que a história dos polacos fosse diluída, simplificada ou traduzida por conveniência. Recusa em aceitar que a língua portuguesa — que por séculos disse polaco sem constrangimento — passasse a pedir desculpas por si mesma.

Porque antes de 1927, ninguém hesitava.

Nem o povo.
Nem a imprensa.
Nem os grandes nomes.

Castro Alves escreveu.
Rui Barbosa disse.
E tantos outros repetiram — sem medo, sem cálculo, sem filtro:

POLACO.

Direto do POLAK. Sem intermediários. Sem vergonha.

A palavra não nasceu como ofensa.

Foi transformada.

E quando foi transformada, não foi pelo povo.

Foi por uma elite.

Curitiba, em 1927.

Um gesto aparentemente pequeno. Uma escolha “elegante”. Um afastamento calculado daquele polaco que incomodava — o polaco da enxada, o polaco da colônia, o polaco ridicularizado, o polaco da Nhanhã, o polaco sem bandeira, o polaco chamado de burro, o polaco “preto do avesso”.

E então veio a tentativa de correção.

Mas não foi correção.

Foi ruptura.

Dividiu.
Classificou.
Hierarquizou.

E este blog nasceu contra essa ruptura.

Nasceu para dizer não.

Não à vergonha disfarçada de sofisticação.
Não à substituição disfarçada de evolução.
Não à ideia de que mudar o nome mudaria a história.

Porque não muda.

O nome pode ser trocado.
Mas a origem não.
O sangue não.
A memória não.

E há algo ainda mais silencioso — e talvez mais profundo — do que a troca de uma palavra.

A deformação dos nomes.

Porque não foi apenas o polaco que se tentou corrigir.

Foram também os próprios polacos.

Seus nomes foram traduzidos, adaptados, domesticados, até perderem a forma original — e, com ela, o reconhecimento.

BOLESŁAW tornou-se Boleslau.
KAZIMIERZ virou Cassemiro.
JAROSIŃSKI foi transformado em iarochinski.

E o que parece pequeno — um acento perdido, uma letra trocada, um som simplificado — torna-se, com o tempo, um corte.

Porque quando esses descendentes retornam à Polônia, muitas vezes já não são reconhecidos nem pelo próprio nome.

É como se a história tivesse sido reescrita na grafia.

Como se a identidade tivesse sido suavizada até desaparecer.

E, ainda assim, permanece.

Porque o que corre — aqui, lá, em qualquer lugar — é o mesmo:

POLKA KREW.

Hoje, este blog chega à postagem de número 3000.

Não como quem alcança uma meta.

Mas como quem comprova uma travessia.

Foram mais de 1 milhão e 350 mil acessos, quase dois mil comentários, leitores espalhados por dezenas de países — do Brasil à Polônia, dos Estados Unidos ao Uzbequistão, de Bangladesh à Irlanda — e uma constatação silenciosa:

A Polônia, escrita em português do Brasil, encontrou seu espaço.

Mas não qualquer espaço.

Um espaço com posição.

Aqui, nunca se escreveu por conveniência.
Nunca se escreveu para agradar.
Nunca se escreveu para caber.

Escreveu-se para afirmar.

E afirmar, muitas vezes, é desagradar.

É contrariar convenções.
É ferir expectativas.
É dizer o que não se quer ouvir.

Mesmo quando isso custa.

Porque este blog sustenta, desde o início, uma convicção que não é apenas linguística.

É histórica.
É cultural.
É identitária.

Aqui, existem apenas duas palavras possíveis:

POLACO E POLACA.

E isso não é teimosia.

É memória.

Ao longo dessas três mil postagens, este espaço fez mais do que informar.

Registrou.
Documentou.
Conectou.

Trouxe ao português do Brasil uma Polônia que antes estava dispersa, distante ou inacessível — sua arte, sua cultura, sua política, sua história profunda, suas contradições, sua religiosidade, sua culinária, seu idioma, suas guerras, suas reconstruções.

E, sobretudo, seus emigrantes.

Os polacos espalhados pelo mundo.

Os que ficaram.
Os que partiram.
Os que chegaram.
Os que nasceram aqui — e nunca deixaram de pertencer àquela Polônia lá.

Porque ser polaco não é geografia.

É permanência.

Se este blog tem algum mérito, não está nos números.

Está na continuidade.

Porque é fácil começar.

Difícil é não parar.

Difícil é escrever no inverno e no verão, na pressa e no cansaço, na abundância e na falta de tempo, na certeza e na dúvida — e ainda assim manter uma linha, uma voz, uma coerência.

Três mil textos não se escrevem apenas.

Três mil textos se suportam apenas.

Talvez...
Há cansaço aqui.
Há insistência.
Há teimosia.

E há também, sim, alguma delicadeza.

Mas ela não vem antes.

Ela vem depois.

Como resto.
Como sobrevivência.

Este blog não buscou unanimidade.

E nunca terá.

Porque não foi feito para agradar.

Foi feito para afirmar.

E, paradoxalmente, isso também é um gesto de cuidado.

Porque só se defende aquilo que se ama.

E há amor aqui.

Um amor duro.
Sem ornamento.
Que não se ajoelha.

Mas amor.

Amor pela Polônia — não a dos cartões-postais, mas a real, contraditória, ferida e reconstruída.

Amor pelos polacos — os que foram chamados de tudo, menos pelo que eram.

Se há algo que três mil textos podem afirmar, é isto:

A identidade não se negocia.

Não se adapta.
Não se corrige para caber melhor.

Ela se sustenta.

Mesmo quando incomoda.
Mesmo quando cansa.
Mesmo quando parece inútil.

Porque, no fim, não é sobre palavras.

É sobre pertencimento.

Este blog nunca quis ser neutro.

E nunca será.

Porque neutralidade, aqui, seria esquecimento.

E esquecer — isso sim — seria o verdadeiro erro.

Se no texto número 1 havia uma afirmação,
no texto número 3000 há uma confirmação.

Se antes havia inquietação,
agora há consciência.

Se antes havia impulso,
agora há raiz.

E raízes não pedem permissão.

Elas rompem.

Texto número 3000.

Não como ponto final.
Não como celebração.

Mas como prova.

De que permaneceu.

E de que continua.

E depois vem aquele e diz:

Isto tudo é de um ser polêmico.

Talvez.

Mas se dizer o que está documentado,
o que está escrito,
o que sempre foi dito — é ser polêmico...

Então já não sei mais o que é.

Prefiro ficar com a verdade.

Mesmo quando incomoda.


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Texto: Ulisses iarochinski

quinta-feira, 26 de março de 2026

Coração que bate pelas origens e pela justiça

Ao encerrarmos esta noite, após percorrermos a memória física da Capela de Czermna, onde o tempo se torna osso, e a arte dos nossos mestres do pôster, onde a alma polaca se torna cor e forma — percebo que meu trabalho não é apenas documentar o que está longe. É documentar o que, apesar de tudo, insiste em pulsar aqui dentro.

Iarochinski exibindo um de seus livros


Hoje, 24 de março, a Polônia celebra o Dia Nacional da Memória dos Polacos que Salvaram Judeus. É uma data que nos lembra que, nos tempos mais sombrios do fascismo nazista e da opressão soviética, a identidade do Polaco não se definiu pela submissão, mas pela coragem ética de proteger a vida.

Como bem lembrou hoje o Consulado Geral da Polônia em Curitiba, nas redes sociais, recordamos a missão do Grupo Ładoś, em Berna, Suíça. Entre 1941 e 1943, diplomatas polacos e líderes judeus, como Abraham Silberschein e Chaim Eiss, uniram forças em uma operação de coragem silenciosa. Eles emitiram passaportes latino- americanos para oferecer reconhecimento jurídico a milhares de pessoas em situação de vulnerabilidade.

Para esses diplomatas — Aleksander Ładoś, Konstanty Rokicki, Stefan Ryniewicz e Juliusz Kühl — cada documento preenchido manualmente não era apenas burocracia; era uma tentativa concreta de proteger vidas. Em um contexto onde uma decisão administrativa assumia um significado humanitário profundo, eles provaram que a cooperação e a escolha humana podem ampliar as possibilidades de sobrevivência, mesmo sob as limitações mais severas.

E essa coragem também teve rosto brasileiro e, orgulhosamente, rosto paranaense. Não podemos esquecer de Aracy de Carvalho, nossa conterrânea, que em Hamburgo arriscou tudo para emitir vistos a refugiados. Nem do embaixador Luiz Martins de Souza Dantas e sua esposa Elisa, que em Paris transformaram o consulado brasileiro em um porto seguro. Eles entenderam que a humanidade está acima de qualquer ideologia de extrema-direita ou ditadura.

Muitos de nossos antepassados foram o resultado de uma história escrita torto nos cartórios, onde o Polaco foi 'traduzido' e silenciado. O meu avô Bolesław virou Boleslau e não Bolek, mas Bóles; o Kazimierz do meu pai virou um estranho Cassemiro, e o que era para ser um diminutivo carinhoso Karzyk virou Cajo.

Essa descaracterização é tão profunda que, ainda hoje, ao apresentar meus passaportes brasileiro e/ou polaco, na Polônia, vejo a originalidade do meu sobrenome Jarosiński, com J no início e S no meio, ser perdida na leitura oficial. Quando o funcionário polaco do aeroporto, da universidade ou da prefeitura lê o meu nome desfigurado pela grafia brasileira, sou obrigado a responder, quase jocosamente: 'Nie, nie jestem Chiński' (Não, não sou chinês). Isto devido ao abrasileiramento de silabas originais polacas de siński para chinski. Trocou a sonoridade do S polaco pelo CH português. Em alguns cartórios para outros sobrenomes com a mesmas duas sílabas para xinski.

Nesse momento, percebo que meus passaportes, em vez de atestar minhas origens, muitas vezes as esconde. Por isso, estar aqui hoje, compartilhando estas imagens, estes banners da minha produção cultural e lembrando desses heróis, é um ato de retomada. Estamos devolvendo a esses nomes a dignidade que lês foi subtraída.

Estamos recuperando o som original e a consciência de que nossa identidade é uma resistência viva. Não importa o que foi escrito no papel ou lido na fronteira; o que importa é a linhagem de coragem moral que carregamos das nossas origens, sejam elas de Helenów-Wojcieszków, Stare Poręby-Dobre, São Sebastião da Bela Vista, Botelhos, Castro e Harmonia-Monte Alegre. Encerro com a certeza de que, apesar de todas as tentativas de apagamento, nossa essência permanece intacta.

"Moje serce bije po polsku." Meu coração bate em polaco.

Pronunciamento feito após a exibição dos meus filmes documentários "Capela das Caveiras" e "Cartazes da Imaginação", na Casa da Cultura Polônia Brasil, Sociedade Polono Brasileira Tadeusz Kościuszko.

quarta-feira, 18 de março de 2026

Editorial do Blog II

Este blog não nasceu com a pretensão de ser um jornal — e tampouco se propõe a assumir, em qualquer momento, a forma ou o compromisso daquilo que convencionalmente se entende por imprensa.

Ele se constitui, antes, como um espaço de registro, reflexão e interpretação, onde a informação não se apresenta dissociada da experiência de quem a observa, e onde a escrita, longe de buscar abrigo na neutralidade aparente, assume o risco — e a responsabilidade — de se posicionar.

Escrever, neste caso, é também reconhecer o lugar de onde se escreve. E esse lugar não é abstrato. Ele se constrói na condição de brasileiro, descendente de polacos, atento à trajetória histórica da Polônia, marcada não apenas por episódios de afirmação, mas sobretudo por rupturas, invasões e tentativas reiteradas de apagamento, que deixaram marcas profundas não só no território, mas na memória de seu povo.

Não se trata, portanto, de uma escolha arbitrária de enfoque, mas de uma perspectiva que se impõe pela própria natureza dos fatos. É nesse ponto que, por vezes, surgem os desencontros. Algumas manifestações de leitores revelaram desconforto diante de determinadas posições aqui expressas — o que, em si, não constitui qualquer anomalia, mas antes sinaliza que o texto cumpriu uma de suas funções mais elementares: provocar reação.

O problema, no entanto, não reside na discordância, que é legítima e até desejável, mas na forma como ela se apresenta quando substitui o argumento pela rotulação apressada, quando termos como “preconceito”, “ufanismo” ou “fascismo” passam a operar não como categorias de análise, mas como expedientes de encerramento do debate.

A história, nesse contexto, não pode ser tratada como um ornamento retórico, acionado apenas quando conveniente. Episódios como as invasões, ocupações e Partições da Polônia, entre tantos outros momentos decisivos, não pertencem a um passado inerte. Eles atravessam o tempo, informam sensibilidades e ajudam a compreender por que determinados acontecimentos contemporâneos são percebidos — e sentidos — de maneira distinta. Ignorar esse percurso não produz equilíbrio; produz apenas simplificação.

Isso não significa, por outro lado, que se deva recorrer a generalizações ou à fixação de identidades coletivas como categorias imutáveis. A complexidade histórica exige discernimento — e é precisamente nesse espaço de tensão entre memória e interpretação que este blog se insere. Se há, por vezes, indignação no tom, ela não decorre de um impulso gratuito, mas de uma reação a leituras que desconsideram contextos, relativizam fatos ou, não raro, os distorcem.

Ao longo de seu percurso de mais de 20 anos, este blog manteve-se fiel àquilo que o definiu desde o início: um espaço livre, independente, alheio a compromissos comerciais ou editoriais externos, onde escrever é também assumir uma posição diante do mundo. Isso implica, inevitavelmente, a possibilidade de discordância — e até de desconforto.

Mas implica, sobretudo, a recusa em reduzir a complexidade da história e do presente a fórmulas simples ou a julgamentos apressados. Aos que aqui chegam com disposição para compreender, ainda que discordem, permanece aberto o diálogo. Aos que preferem a segurança dos rótulos, talvez reste a ilusão de ter respondido — quando, na verdade, apenas se evitou a pergunta.

Assinado: Ulisses Iarochinski

Casa da Cultura exibe dois filmes de Iarochinski

Exibição de documentários sobre arte e cultura polaca em Curitiba.

Na terça-feira, 24 de março, às 20 horas, a Casa da Cultura Polônia Brasil, na sede da Sociedade Polono-Brasileira Tadeusz Kościuszko promove uma sessão especial de cinema documental, exibindo dois filmes produzidos e dirigidos pelo jornalista e cineasta Ulisses Iarochinski.



Os documentários Capela das Caveiras e Cartazes da Imaginação conduzem o público por duas dimensões distintas — mas profundamente complementares — da cultura polaca: a arte contemporânea e a memória histórica. Enquanto o primeiro revela um dos mais singulares monumentos funerários da Europa, o segundo mergulha no universo criativo do cartaz artístico.

Juntos, os filmes formam um percurso sensível entre imaginação, cultura visual e reflexão sobre a condição humana. Capela das Caveiras apresenta a impressionante Kaplica Czaszek, localizada na região histórica de Kłodzko. Construída no século XVIII pelo sacerdote Wacław Tomaszek, a capela é revestida por milhares de crânios e ossos humanos, reunidos como memorial das guerras e epidemias que marcaram a história europeia. Ao revelar esse lugar singular, o documentário convida o espectador a refletir sobre a transitoriedade da vida, a memória coletiva e a relação entre cultura, fé e história.



Já em Cartazes da Imaginação, o protagonista é o artista e professor Jerzy Piotr Kunce, representante da tradição da Escola Polaca do Cartaz. O documentário acompanha sua visita ao Brasil, suas reflexões sobre criação e ensino do design e seus encontros com artistas e estudantes em Curitiba, além da exposição de seus trabalhos no Museu Oscar Niemeyer.
O filme revela como o cartaz pode ser, ao mesmo tempo, linguagem artística e instrumento de pensamento visual.

Ulisses Iarochinski é ator, jornalista, escritor e cineasta com trajetória ligada à pesquisa histórica e cultural da Europa Central e da imigração polaca no Brasil. Autor de vários livros sobre história e cultura, também dirigiu documentários dedicados a temas históricos e artísticos. Em seus filmes, investiga personagens, lugares e tradições que revelam aspectos pouco conhecidos da cultura europeia e de suas conexões com o Brasil.

Data: 24 de março (terça-feira)
Horário: 20h Local: Casa da Cultura Polônia Brasil / Sociedade Polono-Brasileira Tadeusz Kościuszko
Endereço: Rua Ébano Pereira, no 502 – Curitiba.

domingo, 1 de março de 2026

E o filme "A Bela Polônia" estreou

Na quarta-feira, dia 25 de fevereiro, na Casa da Cultura Polônia Brasil - Sociedade Polono Brasileira Tadeusz Kościuszko, em Curitiba, aconteceu a estreia mundial do filme:



Entre paisagens monumentais e uma história marcada pela resistência, o filme “A Bela Polônia” convida o espectador a descobrir a alma de um país que nunca se deixou apagar.

Do coração da Europa emerge um território moldado por contrastes: montanhas cobertas de neve, planícies férteis, florestas ancestrais, cidades reconstruídas pedra por pedra e uma identidade que sobreviveu a invasões, ocupações e guerras.



É esse país que o documentário dirigido, produzido, narrado e montado por Ulisses Iarochinski, revela ao longo de uma hora de uma jornada profundamente sensorial e histórica. 

Com uma narrativa poética e imagens cinematográficas, o filme percorre desde as praias do Mar Báltico até os picos dos Cárpatos, passando por lagos cristalinos, florestas primárias, minas esculpidas em sal e cidades que carregam cicatrizes e orgulho.



A geografia não é apenas cenário: ela se torna personagem, desenhando o destino deste povo do centro geodésico da Europa, ponte natural entre o leste e o oeste. O filme entrelaça natureza, cultura e memória. Revisita momentos decisivos da história polaca — da formação do Estado medieval ao desaparecimento do país do mapa europeu, da devastação da Segunda Guerra Mundial ao renascimento democrático pós -1989.

Personagens históricos como Nicolau Copérnico, Maria Skłodowska-Curie, Fryderyk Chopin, Irena Sendlerowa, Lech Wałęsa e João Paulo II surgem como símbolos de uma nação que influenciou o mundo muito além de suas fronteiras.

A obra destaca a força da fé, das tradições e da vida cotidiana: festas religiosas, casamentos, danças folclóricas, arquitetura, culinária que traduz afeto, resistência e identidade.

Dos pierogi ao bigos, das sopas que aquecem os invernos rigorosos, o filme mostra como a cultura polaca é viva e pulsante. Mais do que um retrato turístico ou histórico, “A Bela Polônia” é uma declaração de amor a um país que transformou dor em força, memória em futuro e resistência em beleza.

Um documentário que não apenas informa, mas emociona.

Marli Wor (Presidente da Casa da Cultura) e Ulisses Iarochinski (cineasta)

Este é o 42º filme documentário do cineasta Ulisses Iarochinski, que começou sua carreira cinematográfica aos 17 anos com o filme “Telefonada” (composto por animações técnicas e interpretações de atores).

Ficha Técnica:
Duração: 60 minutos
Direção, Produção, Narração e Montagem: Ulisses Iarochinski