quarta-feira, 3 de maio de 2006

Meu sonho de menino (?)...

__________Ulisses Iarochinski

foto: NASA


Quando criança minha mãe comprava muitos livros para mim e meu irmão. Interessava-me pelos livros de aventura, principalmente. Lembro-me de “Sete Léguas Submarinas” e “Moby Dick”. Por essa época o homem também chegava a Lua. Certamente a maior aventura da humanidade. Fiquei com os olhos grudados na tela preto e branco da TV vendo Armstrong e Aldrey pisarem o solo lunar naquele junho de 1969. Li quase tudo o que foi publicado a respeito.

Até então, minha maior aspiração era ter um Jipe azul para sair pelo mundo. Mesmo carro que meu pai tinha quando era vivo (Ele morreu assassinado quando eu tinha pouco mais de dois anos de idade).
... Porém, a frase "um pequeno passo para o homem, mas um grande salto para a humanidade", ficou gravada na minha mente. Dali em diante não bastava mais ter um Jipe, queria mesmo era um foguete espacial. Para quem não tinha nenhuma resposta quando perguntavam: - o que você quer ser quando crescer? Agora eu tinha na ponta da língua: - Quando crescer quero ser astronauta!

Contudo, para isso ocorrer, precisava por em prática meus planos. O primeiro passo foi me inscrever num curso técnico de eletricidade, que concluí. Até então, o sonho permanecia. Logo em seguida fiz o curso técnico em telecomunicações, que também concluí. Mas aí, já era tarde para meu sonho! Os planos para engenharia eletrônica foram trocados pelo curso de jornalismo na universidade. Além das aulas do curso técnico, o teatro e seu diretor ator José Maria Santos tinham me encantado por essa época e os sonhos da lua foram trocados pelos sonhos do espírito, das verdades que embalam os seres humanos...
E aí a vida deixou de ser um sonho de menino nos céus, para ser o de escudeiro da realidade entre os homens...
Pois, inconscientemente imagino até que, aquelas imagens de 1969 podem ter sido criadas pela imaginação dos homens e Neil Armstrong deve ter dado aquele passo em algum outro lugar, porém nunca na Lua. O mais provável é que tenha sido no deserto do Estado de Nevada.

... Depois de muitas conquistas pessoais e profissionais, vejo-me realizando um sonho que talvez no fundo, no fundo não seja meu mesmo. Sou doutorando em história na sexta mais antiga universidade do mundo.

Pela primeira vez, desde que meu bisavô emigrou com minha bisavó, meu avô e seus irmãos para o
Brasil, em 1911, retorna à Polônia, um
descendente. Vivo momentos de intensa emoção aqui nesta terra milenar, como por exemplo, num dos vôos entre Varsóvia e Cracóvia, quando vi pela pequena janela do avião Embraer (sim avião brasileiro), a terra do meu avô toda branca coberta de neve e chorei...muito. As lágrimas teimavam em cair sem cessar. Não sei realmente se fui... eu! Ou a alma do meu avô... da minha avó...do meu bisavô, da minha bisavó que emocionados verteram lágrimas nos meus olhos.

Ou então, dias atrás quando saindo da Reitoria da Universidade Jagiellonski, vi o bosque que circunda o centro da cidade de Cracóvia todo coberto de neve. Aí, acho que quem se emocionou fui eu mesmo. Naquele momento não me lembrei dos meus avôs polacos...

Recordei apenas de uma pessoa...de ninguém mais que não fosse minha mãe, que não tem nada de polaca...Nem nada!

Pois é brasileira, mineira-paranaense, que lá, muito distante, tem suas origens em Portugal.
Andando sobre o caminho pavimentado de branca neve, pensava nos dias difíceis que ela passou sozinha, após a morte do meu pai e ainda jovem se dispôs a lutar para transformar duas crianças em homens. Creio, que os meus passos, neste caminho branco do inverno polaco, são testemunhas de que ela conseguiu isto.
Acredito também naquela frase que fala sobre a pessoa que não valora aqueles que lhe antecederam. Esta pessoa não consegue dar nenhum passo adiante...Estaciona!
Ao contrário, quero ir sempre em frente!
Por isso obrigado... polacos, brasileiros, paranaenses, mineiros e portugueses das minhas origens... e a meu sonho de menino(?)...

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