segunda-feira, 23 de julho de 2007

Corte previsto

Ricardinho, na "zona mista", após vitória sobre a Polônia.
Foto de Ulisses Iarochinski

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Como único jornalista brasileiro presente no mundial de vôlei na Polônia, onde o Brasil conquistou o heptacampeonato da Liga Mundial, posso dizer que em nada me estranhou o fato de Ricardinho ter sido cortado.
Ao final de cada partida, compareciam para entrevista coletiva apenas, os dois técnicos e capitães das equipes.
Ricardinho apareceu só na primeira partida, derrota para a Bulgária, mesmo assim não disse nada e retirou-se antes de encerrada a participação de todos. Nos jogos seguintes apenas o Bernardinho compareceu. Falou, respondeu, foi extramente sincero e diplomático em suas falas e respostas.
Nesta primeira coletiva, Bernardinho, responsabilizou-se pela derrota, alegando que deveria ter tirado da equipe Dante, que não estava bem na partida.
Na segunda partida, bastou Giba para Bernardinho tirá-lo e colocar Murilo, que desencantou e foi responsável pela vitória. Essa partida foi decisiva para que Giba tenha perdido o título de melhor do mundial para Ricardinho.
Na coletiva após a final, com a ausência de Ricardinho, jornalistas do mundo inteiro cobraram de Bernardinho. Este fez um gesto com as mãos e cabeça dando a entender que Ricardinho tinha ficado louco com o título do mundial e de ter sido considerado o melhor do campeonato.
A coletiva foi longa, inclusive, com a réplica de Bernardinho ao capitão da seleção russa Vadin Khamuttskikh, de que os brasileiros eram mercenários, que jogaram apenas pelo 1 milhão de Euro de prêmio ao campeão. E também deu sua versão à minha pergunta ao capitão russo de que ele tinha provocado os jogadores brasileiros nas duas partidas. Para mim, o russo respondeu que não, que eram situações de jogo. Para mim, Bernardinho respondeu pelo russo dizendo, que não sentiu provocação, afinal Khamuttskikh enfrenta os brasileiros há anos (o russo tem 38 anos e foi o jogador mais velho do mundial) e que há uma sincera amizade entre eles.
Mas ainda sobre Ricardinho, quem pudesse acompanhar no fundo da quadra, os jogos e não ao vivo pela tela da TV Polsat (que transmitiu suas imagens para todo o mundo) teria podido perceber que Ricardinho exercia um poder paralelo ao técnico dentro da quadra. Dizia palavrões a todo o momento, não só contra adversários, juízes, torcida, erros próprios, mas também contra todos os companheiros. O que se percebia é que os demais sentiam a partida e manifestavam com gritos, expressões de desapontamento, raiva, alegria, e satisfação, mas nada comparado a ira de Ricardinho.
O exaltado levantador ganhou o prêmio com os votos dos jornalistas polacos (maioria entre os credenciados), pois ao meu lado, entre jornalistas, búlgaros, russos, franceses, libaneses, alemães, o voto foi para Giba. E chorou na hora do anúncio. Para o jornalista da TV Al Jazeera, que estava ao meu lado, a saída de Giba, no início, do segundo set, da segunda partida foi o que lhe tirou o título e permitiu Ricardinho ganhar. Não esquecendo que Gustavo ganhou o de melhor bloqueio de rede.
Enfim, creio, que a chegada atrasada de Ricardinho aos treinos, motivada por problemas de vôos não foi a causa do corte, para quem acompanhou na quadra e não na tela da TV, Ricardinho já tinha demonstrado que dificilmente estaria no PAN. Talvez, por isso, é que minha última pergunta ao Bernardinho foi: Não vai acontecer nenhum corte neste grupo para o PAN? Nenhum jogador vai pedir dispensa como fizeram Kaka e Gaúcho na seleção de futebol? Bernardinho tranqüilo respondeu: Não acredito, pois firmamos um compromisso de estarmos juntos até o final, dia 28 de julho quando todos entrarão de férias.
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