sábado, 8 de setembro de 2007

Parlamento polaco desintegrado

Foto: placar anuncia resultado da votação. Ministros assistem o fim do "Sejm"

Com as manchetes "Koniec Sejmu IV RP" (fim do congresso da quarta República Polaca), do jornal Gazeta Wyborcza e "Koniec Sejmu, ostra kampania" (fim do congresso, dura campanha) do jornal Rzeczpospolita (pronuncia-se jechpospolita e significa república), os dois maiores diários polacos anunciaram, neste sábado, a desintegração do Congresso da Polônia. A decisão foi votada ontem, à noite, pelos parlamentares polacos. A eleição para renovação do Parlamento da Polônia vai acontecer no próximo dia 21 de outubro. O governo do primeiro ministro Jarosław Kaczyński (iarossuaf catchinhski) com o fim da coalizão de direita que o sustentava, não teve outra alternativa, senão capitular!
Dos 460 deputados polacos, votaram 451. A favor do fim do parlamento votaram 377; contra, 54; e se abstiveram 20. Imediatamente após o resultado, o primeiro-ministro demitiu 15 ministros de seu governo. Ficaram ainda 7 ministros. "Necessários", segundo Kaczyński, ao funcionamento do governo, ou pelo menos até que seja conhecida a formação do próximo parlamento. A nova eleição para senadores e deputados vai acontecer dois anos após a posse deste Sejm (pronuncia-se ceim e significa Câmara dos Deputados). O governo dos gêmeos Kaczyński vinha se sustentando nos três partidos da direita o PiS (Direito e Justiça) LPR (Liga das Famílias Polacas) e SO (Autodefesa). Escândalos foram a tônica entre os aliados do Presidente e do Primeiro-Ministro. O folclórido Andrzej Lepper do partido da Autodefesa, era Ministro da agricultura e vice primeiro-ministro quando se viu envolto em vários escândalos sexuais com funcionárias do Congresso. Acabou se desentendo com os gêmeos Kaczyński e saiu do governo. Não durou muito e ele saiu atirando para todo lado. No outro partido da coalizão, reina o Ministro da Educação, Roman Giertych. Político jovem, advogado e polêmico, antes mesmo de tomar posse no ministério já era alvo das manifestações estudantis. Conseguiu até se indispor com a Embaixada de Israel, quando o porta-voz israelense, em Varsóvia, Michael Sobelman acabou atacando o ministro Giertych. Sobelman chamou Giertych de anti-semita, por causa de suas posições nacionalistas.
Com tanto barulho, o primeiro-ministro Jarosław Kaczyński, viu sua base de apoio se fragmentar. Apesar do mesmo passado comunista, tanto a situação como a oposição, oscilam entre a extrema direita e o neoliberalismo do capital globalizante. O que faz com que a Polônia, como um dos 27 membros da União Européia, esteja sempre de braços dados com a incerteza, que esteja sempre "do contra". O que não é bom nem para o país, quanto menos para os parceiros europeus. A economia do país avança, mas o mundo político parece viver num outro mundo. O descompasso é gritante e isto afeta a governabilidade do país. A esperança da população é de que as coisas melhorem, mas nada faz prever uma acomodação de forças no parlamento, pois se nas grandes cidades a oposição vence, no campo (onde está a maioria dos eleitores) o voto continuará sendo dos Kaczyński.
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