domingo, 10 de janeiro de 2010

Descoberta polaca revolucionária

Piotr Szrek e Grzegorz Niedźwiedzki - Foto: M. Hodbod

Este post é um alerta do amigo e leitor Marcos Cordiolli. O texto originalmente foi na revista científica "Nature" e reproduzida por vários jornais do mundo. No Brasil, entre outros, a Folha de São Paulo, numa colaboração da Giuliana Miranda.
Os fósseis dos primeiros tetrápodes foram encontrados na Góra Świętokrzyski (Montanha de Santa Cruz), próximo a cidade de Kielce. Os dois pesquisadores Piotr Szrek e Grzegorz Niedźwiedzki fazem parte do Państwowy Instytut Geologiczny (Instituto Nacional de Geologia da Polônia).

Grzegorz Niedżwiedzki (à direita) e Piotr Szrek ao lado do fóssil que encontraram no Sul da Polônia

Os primeiros passos da linhagem evolutiva de animais que desembocou no homem e em todos os outros vertebrados terrestres acabam de sofrer uma reviravolta. Pegadas encontradas no sudeste da Polônia indicam que os peixes "criaram" pernas e conquistaram a terra quase 18 milhões de anos antes do que se acreditava.
Ou seja, há 395 milhões de anos, os tetrápodes --vertebrados com quatro patas-- já caminhavam por aí. E com dedos, pés e mãos articulados.
A descoberta está descrita em um estudo na edição desta quinta-feira (7) da revista "Nature", liderado por Grzegorz Niedzwiedzki, da Universidade de Varsóvia. Seu grupo encontrou, entre 2002 e 2007, várias trilhas e pegadas fossilizadas em pedra que contrariam o cenário mais aceito hoje para o surgimento dos vertebrados terrestres.

Foto: G. Niedźwiedzki

Acredita-se que a transição da água para a terra aconteceu por meio de um grupo de animais com características adaptadas aos dois ambientes. Um deles era Tiktaalik roseae, um peixe com nadadeiras que parecem patas sem dedos.
Os vestígios encontrados, porém, são aproximadamente 18 milhões de anos mais velhos que os primeiros registros dessa transição. Segundo os autores, isso "força uma revisão radical" de teorias sobre a transição.


Arte e ilustração: jornal Folha de São Paulo

Os rastros do animal estavam numa região que provavelmente abrigou uma lagoa de águas salgadas e rasas, de leito lamacento. É um cenário diferente do que andava sendo proposto para a origem dos vertebrados terrestres. O Tiktaalik, por exemplo, tinha vivido no delta de um rio.
De qualquer maneira, no caso polaco, as condições marinhas favoreceram a preservação das marcas pré-históricas. Ainda assim, boa parte das pegadas está incompleta ou precisaria de mais exemplos para ser interpretada com precisão.
Apesar do material encontrado ter formas e características bem diversificadas, o tamanho médio das pegadas surpreendeu os cientistas. Com 15 cm, os vestígios sugerem animais de quase 2,5 metros de comprimento. Bem mais que o esperado. Uma pegada isolada com 26 cm sugere a existência de exemplares ainda maiores.


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