sábado, 9 de janeiro de 2010

Realismo socialista no Museu de Cracóvia

Cartaz de Bogna Krasnodębska-Gardowska, Junaczki, 1952.

Em exposição no prédio principal do Museu Nacional, em Cracóvia, a Arte polaca do século XX.
Na Europa do pós-guerra, a Polônia foi colocada na esfera de influência das Repúblicas Socialistas Soviéticas e teve subordinada a reconstrução do país ao modelo soviético. A execução de serviços da nova realidade do sistema sócio-político atingiu também as artes e a cultura.

Stefania Dretler-Flin (1909-1994), Lato, 1950

A Conferência Nacional de Artistas e Críticos de Arte de Nieborów, em fevereiro de 1949, teve seguimento no IV Congresso de Delegados da Associação de Artistas Visuais polacos relizada em Katowice, em junho daquele mesmo ano. Quase todos os autores concordaram com o realismo socialista como uma direção forçada. Pressupostos foram introduzidos numa obra de arte e estes deveriam ser: realista, claro, criativo e social. O Realismo Socialista também recebeu com entusiasmo os alunos "progressistas" em escolas de arte, onde o fundamento ideológico da educação tornou-se uma luta pela paz e pelo socialismo e o principal método de formação era o método do realismo socialista. Ele era baseado no estudo da natureza, onde o tema deveria receber as características do individualismo e o estudo da composição era definido como o equilíbrio interior, desenvolvido a partir da idéia de que a imagem não dominaria qualquer motivo artístico. Artistas que não aceitavam o realismo socialista eram considerados adversários do Estado progressista e por isto só tinham uma alternativa: a cessar a prática da arte.

Konstanty Sopoćko (1903-1992), Żołnierze Armii Ludowej minują tor kolejowy, z „Teki partyzanckiej”, 1950,

O Realismo Socialista polaco expandiu seus horizontes em 1954, coincidindo com a morte de Stalin em 1953. Após este fato foram aumentados gradualmente os espaços democráticos relacionados com a revisão do stalinismo. Isto permitiu maior liberdade artística, que espetacularmente foi revelado em uma exposição no Arsenal de Varsóvia em 1955. Realismo socialista se tornou a primeira exemplificação da agitação política e ideológica através de pontuações artísticos incluídas num regime repressivo eficaz.
Apesar da abundante produção deste período, as obras deste realismo ficou circunscrita a exposição em ministérios, comitês do partido, escritórios do governo central e local, locais de trabalho, centros comunitários. Com o fim do comunismo estas obras praticamente desapareceram. Mas preservadas, a maioria dos trabalhos, como pinturas, esculturas, desenhos e gravuras foram para o depósito central do Museu Nacional, em Kozłówka, onde hoje, desde 1994, está a Galeria de Arte Judaica.

A.N., Wystawa książki radzieckiej w Muzeum Narodowym w Warszawie, 1948

Como se pode ver, a técnica preferida deste período é xilogravura. A maioria das imagens são semelhantes entre si, a monotonia do tema e as medidas para atrair a atenção, principalmente aqueles que trazem metáforas ou expressões, afastam-se do rigor formal em conteúdo e orientação.
MJP, Oszczędnością budujemy, 1948

Nesta exposição, são apresentados pela primeira vez, grande número de cartazes desconhecidos, produzidos, a partir dos anos quarenta, e embora eles ainda não sejam ainda representantes de um socialismo típico realista, dam uma idéia da integração entre as duas culturas contemporâneas.
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