quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Moscou protesta contra escultura da curra em Gdańsk


Um artista polaco instalou sem autorização em Gdańsk (norte da Polônia) uma escultura de um soldado soviético estuprando uma mulher grávida. Prontamente, reações indignadas foram sentidas em Moscou.
O embaixador russo em Varsóvia declarou-se consternado, em um declaração oficial no site da embaixada.
A escultura, que foi colocada junto a um monumento da época comunista em homenagem ao exército vermelho que expulsou os alemães de Gdańsk em 1945, foi retirada algumas horas depois.
"Estou profundamente consternado pela atitude de um estudante de Belas Artes de Gdańsk, que, com sua pseudoarte, insultou a memória dos mais de 600.000 soldados soviéticos mortos pela liberdade e independência da Polônia", escreveu Alexandre Alekseev, embaixador russo em Varsóvia.
A promotoria da cidade vai decidir se o artista que fez a escultura será processado por "incitação ao ódio racial ou nacional".
O estudante de Belas Artes, Jerzy Bohdan Szumczyk, de 26 anos, citado pelo canal privado TVN24, disse que sua intenção foi protestar contra a presença no centro de Gdańsk de um monumento em homenagem ao exército soviético. "Eu quis mostrar a tragédia das mulheres e dos horrores da guerra".
Szumczyk instalou a escultura em tamanho natural na noite de sábado para o domingo, ao lado de um memorial da era comunista, saudando o Exército Vermelho, por expulsar as forças nazistas para fora da cidade, em 1945.
Historiadores dizem que os soldados soviéticos estupraram muitas mulheres durante a "libertação", embora não existam estatísticas.
A porta-voz da polícia de Gdańsk, Lucyna Rekowska disse que a exposição pública da escultura foi de curta duração. Ela disse que a figura de mulher sujeitada por um soldado chamou a atenção da polícia, que determinou que a escultura tinha sido colocada ilegalmente e por isso foi removida do centro da cidade em poucas horas.
Seguindo o procedimento padrão, a polícia entregou o caso ao Ministério Público, na segunda-feira, e este órgão deve decidir até esta quinta-feira se Szumczyk vai ser acusado de incitar o ódio racial ou nacional.
Ouvido na terça-feira, o embaixador da Rússia acrescentou que espera que as autoridades polacas atentem para o "vulgar" e que esta arte é "abertamente sacrilégio".
Szumczyk, por sua vez, disse que a escultura era uma "expressão de pacifismo e um sinal de paz" e que não foi especificamente dirigida contra o memorial do Exército Vermelho.
Esses memoriais provocam regularmente protestos na Polônia, pois eles não representam apenas a libertação da cidade da mãos dos nazistas, mas também  o reinado de meio século de Moscou sobre a Polônia durante a qual dezenas de polacos foram mortos durante o comunismo.
A situação é particularmente delicada em Gdańsk, que antes da guerra era uma cidade livre, com muitos moradores de origem alemã e por isso, durante a guerra foi era denominada de Dantzig. A maioria das mulheres estupradas por soldados soviéticos em março- abril 1945, seriam sob este ponto de vista, alemãs, mas ninguém possui uma estatística quantas eram de fato alemãs, judias, ucranianas ou polacas.
Historiadores ocidentais há muito tem escrito sobre as atrocidades soviéticas, mas o assunto nunca foi amplamente debatido na Rússia e continua a ser um grande tabu. Stalin e seus comandantes militares se acredita teriam feito vista grossa aos relatos de estupros contra mulheres indefesas.

P.S. Não deixa de ser irônica a manifestação do embaixador russo... Será que ele se esqueceu dos 127 anos de ocupação russa em território polaco e das milhares de atrocidades que os russos perpetraram em solo polaco? E que modo deturpado de dizer que 600 mil soviéticos deram a vida para libertar a Polônia...o que a URSS fez na segunda guerra mundial foi também invadir a Polônia covardemente, enquanto ela se debatia com os nazistas no front Oeste. As ações deliberadas dos soviéticos foram apenas para instalar o comunismo à força na Polônia entre 1949 e 1989. E ainda tem promotor polaco mais estúpido ainda...ao  cogitar processar o legítimo protesto do artista.
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