sexta-feira, 21 de março de 2014

Reações da ex-repúblicas soviéticas à anexação da Crimeia

Matéria publicada nesta sexta-feira, 21/3/14, no jornal Gazeta Wyborcza, traça um panorama das repercussões em antigas repúblicas soviéticas, da invasão e ocupação russa da província ucraniana da Criméia.


A manchete já da o tom do que se trata o texto:
Como se comportam nas ex-repúblicas soviéticas após a incorporação da Criméia pela Rússia? O Kremlin foi apoiado abertamente apenas pela Armênia.

Embora algumas das antigas repúblicas da União Soviética tenham condenado a inclusão da Crimeia na Federação Russa, outros reagem ou se comportam com um silêncio cauteloso.

"Os eventos na Ucrânia não são apenas uma ameaça para a estabilidade da região, mas também para toda a ordem mundial", disse Giorgi Margwelaszwili, Presidente da Geórgia (uma ex-república soviética do Cáucaso).
Depois de uma guerra de cinco dias entre a Geórgia e a Rússia, em agosto de 2008, o Kremlin reconheceu a independência da Ossétia do Sul e da Abkházia, províncias georgianas em que os russos alimentaram movimentos separatistas, e implantaram seus contingentes militares lá.
A capital Tbilisi e os países ocidentais protestaram contra a ocupação efetiva destas terras georgianas, e agora controladas pelas autoridades de Moscou em ambos os territórios. Estas autoridades saudaram a anexação da Crimeia.

A Transnístria vai se tornar uma segunda Crimeia?
Localizada entre a Romênia e a Ucrânia, a Moldávia, também uma ex-república soviética é habitada por uma maioria que fala a língua moldava. Os moldavios temem uma repetição do cenário ucraniano em seu território.
A sua parte Nordeste da Moldávia - a Transnístria (que significa: além do rio Dnieper - o mesmo da cidade ucraniana de Donetsk) é dominada por minorias russas e ucranianas.
Região teve o apoio de Moscou, em 1992, para separar-se da Moldávia, um ano após o colapso da União Soviética, mas a Transnístria não obteve o reconhecimento de sua independência por parte da comunidade internacional. 

"Há muito em comum entre os eventos na Crimeia e a situação na Transnístria", afirmou o presidente da Moldávia, Nicolae Timofti. "Temos informações segundo as quais, ações específicas estão tomadas a fim de desestabilizar a situação", - acrescentou.

O governo russo dedicou sua reunião de ontem, à questão do "apoio à Transnístria". A reunião foi anunciada na terça-feira pelo vice-primeiro-ministro Dmitry Rogozin, que acusou a Ucrânia de ter "decretado de fato um bloqueio contra Transnístria" (território vizinho da Ucrânia).

Por sua vez em Washington,  nesta quarta-feira, "é parte da estratégia global da Rússia, a intervenção no leste da Ucrânia",  - afirmou  em Washington , o secretário -geral da OTAN, Anders Fogh Rasmussen.

Do outro lado da Europa Oriental, quase na Ásia, Nursultan Nazarbayev, presidente do Cazaquistão (país onde 26% de sua população é de origem russa), e um dos parceiros mais importantes da Rússia, mantém absoluto silêncio.
O Cazaquistão colocou à disposição dos russos áreas de suas estepe, para operação de uma base espacial "Baikonur" russa.
"Para o Cazaquistão, Crimeia é uma lição." As conclusões são do analista Konstantin Kałaczew, chefe de especialistas em política. Ele prevê que nas regiões do Cazaquistão, em que os russos constituem a maioria , "vai se acelerar o processo de reverter estas proporções nacionais".

Outro parceiro importante da Rússia, na fronteira com a União Europeia  é a industrializada Bielorrússia, onde o governo detém o poder de forma autoritária. Os bielorrussos até aqui, mantêm uma grande reserva sobre a questão.

O Ministério das Relações Exteriores da Bielorrússia anunciou que Minsk fará "todos os esforços para que as relações entre a Ucrânia e a Rússia se mantenham nas bases da irmandade e nos princípios da boa vizinhança".

A Rússia, Bielorrússia e Cazaquistão formaram, em 2010, uma União Aduaneira, que será transformada, em 2015, em União Econômica Euroasiática. O que deverá ser completado com a União Aduaneira que a Armênia anunciou no final do ano passado, ao renunciar ao Acordo de Associação com a União Europeia.
"Se a Rússia continuar sua política atual, pode colocar uma cruz na União euro-asiático", acredita o analista político russo Andrei Klimov.
A Armênia apóia abertamente a política do Kremlin. Isso está expresso nas palavras do Presidente da Armênia, Serzh Sargsyan, que concluiu que "o referendo na Crimeia é um novo exemplo da realização do direito dos povos à autodeterminação."

O Azerbaijão, vizinho da Armênia envolvido em conflito territorial com este país, vai permanecer em bons termos com o Kremlin e mantém discrição.

Na Ásia Central , as autoridades do Turquemenistão, Uzbequistão e Tadjiquistão permanecem em silêncio. A única exceção é o Quirguistão, que foi totalmente desfavorável ao antigo governo pró-Kremlin da Ucrânia de Yanukovich.

As três ex-repúblicas soviéticas do Báltico, Lituânia, Letônia e Estônia, como países independentes que compõem a União Europeia, juntamente com toda a União condenou a anexação da Crimeia pela Rússia.
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