segunda-feira, 27 de julho de 2026

Livro: O Guardião da Memória

Ulisses Iarochinski lança "O Guardião da Memória", obra que retrata uma vida dedicada à preservação da história e da cultura.


A memória de um povo é construída por pessoas que se recusam a deixar que o tempo apague histórias, lugares e personagens.

É essa missão que o jornalista, pesquisador, documentarista, dramaturgo, ator, poeta e escritor Ulisses Iarochinski apresenta em seu novo livro, "O Guardião da Memória", uma obra que reúne décadas de dedicação à preservação do patrimônio histórico, da identidade cultural e das raízes da imigração polaca e portuguesa no Brasil.

Em seu 23º livro, resultado de uma trajetória literária de 26 anos, o autor conduz o leitor por uma narrativa autobiográfica que ultrapassa o relato pessoal para revelar o percurso de alguém que transformou a memória em sua principal matéria-prima.

Aos três anos, no quintal da casa do avô em Harmonia.

A obra percorre diferentes momentos de sua vida, desde a infância em Harmonia - Monte Alegre, nos Campos Gerais do Paraná, até a atuação internacional como correspondente internacional, pesquisador, professor, escritor e divulgador da cultura polaca.

Ao longo das páginas, o leitor acompanha experiências vividas no Brasil e na Europa, a produção de livros, documentários, peças teatrais, programas de rádio, pesquisas acadêmicas e projetos culturais voltados à valorização da história e da identidade dos descendentes de imigrantes.

O livro também revela outras facetas do autor, como a pintura em óleo sobre tela, mostrando que sua preocupação em preservar a memória encontrou expressão não apenas na palavra escrita, mas também nas imagens e nas artes visuais.

Óleo sobre tela 60x80 cm


Mais do que recordar fatos, "O Guardião da Memória" propõe uma reflexão sobre a importância de registrar experiências, proteger o patrimônio cultural e compreender que a identidade de uma comunidade é construída pelo conjunto de suas lembranças.

Em uma época marcada pela rapidez da informação e pelo esquecimento, a obra reafirma o valor da pesquisa, da cultura e do humanismo como instrumentos de preservação da memória coletiva.

Com texto fluido, fartamente ilustrado e linguagem acessível, o livro interessa a leitores apaixonados por história, imigração, genealogia, cultura, literatura e memória, além de pesquisadores, professores e todos aqueles que reconhecem no passado uma ferramenta indispensável para compreender o presente e construir o futuro.

"O Guardião da Memória" é, acima de tudo, o testemunho de uma vida dedicada a construir pontes entre pessoas, culturas e gerações, preservando histórias que, sem esse trabalho, poderiam perder-se para sempre.

Serviço

Livro: O Guardião da Memória
Autor: Ulisses Iarochinski
Formato: 17 x 23 cm
Publicação: amazon.com KDP
Adquira o livro: O Guardião da Memória 

Mais um comentário:
No início, parecia ser um livro sobre Ulisses Iarochinski. Aos poucos, tornou-se algo maior: um livro sobre a construção de uma vida dedicada à memória. O Guardião da Memória é um título muito feliz. Ele não descreve apenas uma profissão ou uma biografia; sintetiza o sentido da sua trajetória. Seja pesquisando a imigração, escrevendo livros, filmando documentários, atuando no teatro, apresentando programas de rádio ou pintando telas, há um mesmo fio condutor: impedir que pessoas, lugares e histórias desapareçam no esquecimento. Isso dá unidade à obra e faz dela mais do que uma autobiografia; faz dela um testemunho de vida.

Livro publicado: Um Coração

Impresso os três primeiros examplares do ensaio publicado aqui neste blog, em Orlando Flórida, no último dia 16 de julho. Entregaram-me no portão vindo dos Estados Unidos.
Algumas obras de arte parecem esperar pelo momento certo para revelar sua verdadeira força. Foi exatamente o que aconteceu com Jednego Serca, "Um Coração", poema de Adam Asnyk escrito em 1869.

Quando Asnyk escreveu esses versos, a Polônia não existia. Desde a terceira partição, em 1795, seu território havia sido dividido entre Rússia, Prússia e Áustria. Não havia Estado, não havia fronteiras, não havia exército. Mas havia algo que nenhum império conseguiu apagar.

A cultura.

A literatura tornou-se o território espiritual da nação. Os poetas deixaram de ser apenas artistas para se tornarem guardiões da memória. Os poemas de Mickiewicz, Slowacki e Krasinski eram copiados à mão, decorados por crianças e lidos em voz baixa nas casas.

Eles diziam: "a Polônia pode desaparecer do mapa, mas não desaparecerá da memória dos polacos".

É nesse contexto que nasce Jednego Serca.



Minha própria família, os Jarosiński de Lwów, teve que sair com a roupa do corpo para recomeçar na região de Bielsko Biała. Depois veio a República Popular da Polônia. Formalmente soberana, na prática vigiada por Moscou.

A censura controlava livros, filmes, peças e músicas.
A arte deveria seguir o realismo socialista.

Como no tempo das partições, a cultura encontrou brechas. Os artistas aprenderam a falar por metáforas. Uma frase tinha um sentido para o censor e outro para o público. E a juventude, nas madrugadas, sintonizava a Rádio Luxemburgo, a BBC e a Voz da América entre chiados para ouvir jazz, blues e rock. Como a palavra rock era mal vista, chamaram oficialmente de bigbit.

Era rock com outro nome. Pelas brechas também entra a liberdade.

É exatamente um ano depois dos protestos dos estudantes em todo mundo, inclusive na Polônia, que Niemen pega o poema de 1869 e faz dele uma canção.

Não foi apenas uma adaptação.

Ele criou uma obra nova em seu álbum Enigmatic, de 1970. Levou a poesia romântica do século XIX para o rock progressivo, para o órgão de igreja e para a voz de protesto. Deu ao velho poema um novo corpo.

Por isso este livro se chama Um Coração.

Este não é o coração romântico que sofre por uma mulher. É o coração que continua a bater quando tudo em volta foi destruído. É o coração que luta pela independência da Pátria, que atravessa um século para nos dizer que ainda estamos aqui.

Este livro com este ensaio, que nasceu aqui neste blog,  é minha tentativa de seguir o fio que une Asnyk a Niemen e que nos une a todos nós, descendentes de polacos no Brasil, que ainda carregamos esse mesmo coração.

Disponível na amazon.com