quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Feriado santificado de N.S. Częstochowa

A Polônia parou nesta quarta-feira, 15 de agosto, para comemorar o dia da padroeira da nação, Nossa Senhora de Częstochowa.


foto: Santuario de Jasna Góra
Pintado sobre uma tabua de madeira de 122.2 cm, 82.2 cm e 3.5 cm, o quadro representa o busto da Virgem com Jesus em seus braços. Parece que a Virgem Maria olha a quem lhe admira. Também o rosto do Menino parece com o olhar fixo no peregrino. Os santos rostos têm uma expressão séria e pensativa, o que confere um tom emotivo ao quadro. Este está marcado por três sulcos fortes. No altura do pescoço da Virgem estão outros 6 pequenos arranhões, sendo que quatro estão bem visíveis. O vestido e o manto da Virgem estão adornados com a flor de lis, símbolo da família real da Hungria.
O quadro fica encerrado neste altar da catedral de Częstochowa por trás de duas portinholas, a cada 15 minutos elas são abertas sob som musical e surge o quadro em todo seu esplendor.
Foi o príncipe Władysław de Opole, plenipotenciário do Rei Ludwik da Hungria, entre os anos 1367-1372, quem trouxe os Monges Paulinos a Polônia. Eles chegaram a Częstochowa, em 1382, e receberam uma pequena igreja, onde depositaram o quadro da Virgem, que o príncipe tinha trazido da cidade de Belz. Segundo a tradição, o quadro foi pintado pelo evangelista Lucas sobre a mesa da Sagrada Família. São Lucas tinha pintado duas imagens de Maria: uma delas chegou a Itália e foi conservada em Florença, onde ainda é venerada; a outra foi levada de Jerusalém para Constantinopla pelo imperador Constantino e colocada numa Igreja. Seis séculos mais tarde, o príncipe russo Lev ganhou o quadro do imperador como reconhecimento militar. Durante as guerras em Ruselel, o príncipe Władysław de Opole encontrou o quadro num castelo de Belz. Ali o quadro era venerado como milagroso. Depois da vitória sobre os tártaros, o príncipe trouxe consigo o quadro para a colina de Jasna Góra, em Częstochowa. A fama crescente da imagem milagrosa da Mãe de Deus converteu o monastério em destino de peregrinos. E com eles muitas ofertas em jóias e ouro, o que despertou a cobiça de bandoleiros. Em 14 de abril de 1430 (dia de Páscoa), ladrões, procedentes de Bohemia, Moravia e Silésia assaltaram o monastério. Entrando na capela da Mãe de Deus, os ladrões tiraram o quadro do altar, arrancaram todos os objetos valiosos e marcaram o rosto da Virgem com suas espadas. Jogaram o quadro no chão, rompendo-o em três partes. O quadro foi restaurado, em Cracóvia, na corte do rei Władysław Jagiełło. Os restauradores tentaram cobrir os riscos de espadas, mas estes não desapareram. Com o passar dos séculos e devido às tentativas de restauração as cores dos rostos enegreceram, o que acabou conferindo o título de Madona Negra, a padroeira dos loiros polacos.

Pierogi santo de todo dia

foto: desconhecido
Pierogi é o prato típico mais consumido na Polônia. Todo restaurante que se digne de ser cozinha “staropolski” tem necessariamente que oferecer o pierogi, em pelo menos uma de suas variedades. O mais comum é o pierogi ruskie, feito com recheio de ricota e batata. Mas a iguaria não é exclusividade só dos polacos, não! Também na Rússia, na Bielo-russia, na Ucrânia, na China e no Japão são bastante conhecidos. Ele também é denominado como perogi, perogy, piroghi, pirogi, piroshki, pirozhki, pyrohy, Piroggen. A palavra "pierogi", por sua vez, é do fim do século 17. Entre os séculos 14 e 18 também havia a forma "pirogi". Segundo Bańkowski, a palavra e seus homônimos, em outros idiomas eslavos é originária de alguns dialetos dos Urais (através do estoniano piirag; do letão, pirags; e do lituano, pyragas). Outra hipótese seria a palavra russa "pir" (de santo, solenidade) ou do antigo eslavo ortodoxo "piru". Mas tem muito judeu por aí (com raízes nos países eslavos) que jura que o pierogi é na verdade, o varenik. Mas aí, também os ucranianos o chamam assim, portanto, não é só um prato e uma palavra iídiche, também é ucraniana. No plural tanto pode ser pierogi como pieróg. O Pierogi é conhecido na Polônia desde o século 13. Teria origem no extremo Oriente trazido pelos russos.
A palavra "pieróg" significa prato feito com massa cozida, assada ou frita, em bastante gordura, finamente esticado e recheado com diferentes sabores. Na Polônia, os recheios usados são: carne, repolho azedo com cogumelos, frutas da estação (mirtilo, morangos etc.), trigo sarraceno, ricota (versão doce – ou salgada, esta com batata e molho de cebola frita – que é o pierogi ruskie). Em outros países também é usado, ovo cozido, peixe, espinafre, marmelada, chocolate e mel. O chamado "pierogi leniwe" não é pierogi, mas sim kluski, ou nhoqui. No meu livro “Saga dos Polacos”, entre outras receitas, encontra-se esta do "ruskie":
- 350 gr de farinha de trigo
- 250 ml de água morna
- 1 ovo, sal, pimenta, noz moscada, cheiro verde
- 10 gr de manteiga
- Purê de batata
- Ricota

Modo de Fazer
Misturar todos os ingredientes da massa e amassar bem com as mãos. Esticar com rolo e cortar em círculos de 3-4 cm de diâmetro. Rechear os pastéis e cozinhar bastante em água salgada fervente com a manteiga. Depois que os pastéis subirem durante a fervura, cozinhar mais 5 minutos. Para o recheio de carne, moer a carne cozida, adicionar a cebola dourada, ovo e os temperos. Colocar bacon defumado picado e frito com a gordura da fritura em cima dos pierogi. Outros molhos podem acompanhar como de cogumelos secos, ou então molho de mostrada. Para o recheio tradicional de ricota, misturá-la com cheiro verde (cebolinha) e um pouco de purê de batata (pierogi ruskie).