sexta-feira, 16 de maio de 2008

Roger vai ser vendido

Foto: Arquivo Fakt
O jornal Fakt traz em seu cadrno de esportes hoje, 16 de maio, o que pode ser a "transferência mais sensacional do ano". Tudo porque o clube israelense Maccabi de Tel Awiw quer comprar o passe do jogador brasileiro Roger Guerreiro, que há um mês ganhou a cidadania e o passaporte polaco para jogar na seleção polaca, na Euro 2008, que acontece no próximo mês de julho na Áustria e Suíça.
O Maccabi é o time de futebol mais vezes campeão no Oriente Médio. Foi 19 vezes campeão de Israel e 22 vezes vencedor da Copa Israel. Na última temporada, no entanto não passou da sétima posição. Nunca jogou uma copa européia, mas está decidido a investir forte nesse sentido. Recentemente o clube foi comprado pelo milionário canadense de origem judaica Alex Schneider, que fez fortuna no comércio de metais. Sua fortuna é calculada em 2 bilhões de dólares.
Schneider quer que o Maccabi jogue a Copa dos Campeões da Europa e não vai medir esforços e dinheiro para alcançar seus objetivos. Vai investir não só no futebol, mas também no basquetebol.
E segundo informações da imprensa de Israel, na lista dos futuros jogadores do Maccabi, o paulista Roger é o primero a ser comprado. Mas de acordo com o Fakt de Varsóvia, o canadense judeu vai encontrar forte concorrência pelo "cidadão polaco" do Legia Warszawa. O Spartak e Dynamo de Moscou já ofereceram 4,5 milhões de Euro por Roger, além do clube turco de Istambul, Besiktas e do Paris Saint Germain.
Esta informação deixa a pensar que a rapidez com que o Presidente Lech Kaczyński concedeu a cidadania ao jogador de futebol brasileiro Roger foi apenas uma negociata. Sim! Que explicação pode haver para o fato de em duas semanas, Roger, que trabalha (joga bola) na Polônia há cerca de três anos, sem possuir ascendência polaca, já esteja portando passaporte polaco (Comunitário da União Européia), quando o normal seria após cinco anos de residência e trabalhos fixos no país receber a "residência permanente" e não a cidadania?
Por que ele é um bom jogador e na sua posição os jogadores polacos são horríveis? Como deu a entender um comentário anônimo neste blog de que este jornalista estaria com inveja de Roger ser bom jogador de futebol?
Não! A questão da cidadania para Roger parece esconder outros interesses, que não só o de colocá-lo para jogar na seleção polaca na Euro2008. E depois, Roger é vendido, vai morar na Rússia, Turquia ou Israel e continua cidadão polaco com passaporte?
O último que recebeu esta honraria que buscam milhares de descendentes de polacos no Brasil, Argetina, Uruguai, Peru, Equador, México, Estados Unidos, Canadá, Australia, Bielo-rússia, Lituânia, Ucrânia, Casaquistão e, Moldávia, foi o nigeriano Emmanuel Olisadebe, que hoje joga na China. Tanto Roger como Olisadebe não conhecem nada da história da Polônia e com muito esforço conseguem pronunciar com forte sotaque "din dóbri" e "dincuie". Estes orgulhosos da descendência polaca, quando seus pedidos passam pelo crivo dos consulados têm de esperar em média dois anos por uma resposta. No caso daqueles que descendem de emigrantes que partiram da Polônia ocupada pelas três nações invasoras no período de 1795 a 1918 ainda enfrentam a "interpretação" dos funcionários que julgam os pedidos. Apesar das leis que regem a cidadania polaca não mencionarem em nenhum parágrafo de forma clara e cristalina, estes funcionários das Voivodas (Administração regional equivalente a Estado) alegam que os solicitantes não são descendentes de cidadãos polacos, pois estes seriam russos, prussos ou austro-hungaros. E depois ainda vêm um anônimo dizer que estou com inveja do Roger. Muito pelo contrário, que este seja muito feliz em sua carreira futebolística, mas com seu passaporte brasileiro e com a "camisa canarinho" da seleção Penta-Campeã do Mundo e não com a branca e vermelha da Polônia. Quantos estrangeiros já jogaram na seleção brasileira? Quantos paraguaios, argentinos e uruguaios já tiveram cidadania e passaporte brasileiro para jogar na Seleção Canarinho? Os anônimos estão convidados a responder.

3 comentários:

Anônimo disse...

Prezado Ulisses,
Sobre a questão que você deixou nas linhas finais deste post, o Brasil não "importou" jogadores de outras nacionalidades porque simplesmente nunca precisou disso. O nosso país ainda é o maior celeiro de bons valores futebolísticos, o maior do mundo nesse sentido, no meu entender. Ao contrário de países como a Polônia e, em casos mais graves como a Hungria e a Áustria, que já tiveram esquadrões da mais alta qualidade no passado, mas passaram por um longo hiato em termos de futebol. A Hungria ainda encontra-se nessa situação.
Desconheço sobre a validade da adoção da nova cidadania ao jogador Roger, mas creio ser importante ressaltar que o meio esportivo de hoje é baseado quase que tão somente em resultados imediatos e as autoridades, ou seja quem for, podem ter visto com bons olhos tentar injetar um pouquinho mais de qualidade (na visão deles) na seleção que já teve Lato e Boniek como referências. Acredito que dois fracassos consecutivos em Copas do Mundo e a goleada recente sofrida pelos Estados Unidos serviram meio que de alerta para a melhoria da qualidade do futebol praticado aí.
Por outro lado, o que eu mais temo enquanto te escrevo é o surgimento de um sentimento xenófobo na Polônia. Pois já basta isso em países como a Itália e a Rússia (vide o vitorioso - porém racista - time do Zenith, onde negro não entra...).
Abraço!

Itamar Vieira disse...

Marcelo Moreno Martins, o Marcelo Moreno, (Santa Cruz de la Sierra, Bolívia, 18 de junho de 1987) é um futebolista boliviano. Atualmente joga pelo Shakhtar Donetsk.

Devido à sua dupla nacionalidade, Marcelo Moreno poderia escolher a seleção que defenderia como profissional. O jogador optou pela seleção boliviana, onde recebeu sua primeira convocação num amistoso contra o Peru, no dia 12 de setembro de 2007.
É o quinto atleta estrangeiro a vestir a camisa da seleção brasileira, onde jogou pelo sub-18 e sub-20, sendo o primeiro estrangeiro a participar das categorias de base da Seleção.

Ulisses Iarochinski disse...

Everton,
não entendi...o tal Marcelo que joga na Ucrânia, jogou (joga) da seleção boliviana ou brasileira?